Em apenas 15 dias, Campo Grande já registrou mais chuva do que a média histórica para todo o mês de outubro. Levantamento realizado a partir de um arquivo de registros meteorológicos extraído do sistema do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta um acumulado de 207,6 milímetros até as 16h desta quinta-feira (15), volume aproximadamente 38% superior à referência histórica mensal de 150,6 milímetros utilizada pelo instituto.
A diferença chega a 57 milímetros, mesmo faltando 16 dias para o encerramento de outubro. O resultado chama a atenção para a intensidade das chuvas na primeira metade do mês, marcada por temporais e grandes volumes de água concentrados em poucas horas.
Segundo o Inmet, a média histórica de chuva em Campo Grande durante o mês de outubro é de 150,6 milímetros. O cálculo considera os registros feitos entre 1981 e 2024 e é utilizado pelo instituto como referência para comparar os volumes de chuva registrados na Capital.
As fortes chuvas que atingiram Campo Grande nesta quinta-feira (15) também provocaram alagamentos na região do Lago do Amor. Imagens registradas no local mostram a água tomando conta da via e avançando sobre áreas de circulação, dificultando a passagem de veículos.
Forte chuva provoca alagamento na região do Lago do Amor, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15), deixando parte da via tomada pela água e dificultando a passagem de veículos. Foto: Correio do Estado.O cenário evidencia os transtornos causados pelo grande volume de chuva que atingiu a Capital, que já acumula, em apenas 15 dias, mais precipitação do que a média histórica esperada para todo o mês de outubro.
As normais climatológicas são calculadas a partir de registros meteorológicos de períodos de 30 anos e servem como parâmetro para identificar meses com precipitações acima ou abaixo do comportamento habitual.
UFMS registra volume ainda maior de chuva
Os dados do Observatório Meteorológico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) também evidenciam a intensidade das precipitações em Campo Grande.
De acordo com o monitoramento da instituição, o volume acumulado até a tarde desta quinta-feira chegou a 268 milímetros, quantidade 17% superior à média histórica adotada pelo próprio observatório.
A diferença entre os levantamentos ocorre porque os equipamentos meteorológicos estão instalados em pontos distintos e podem registrar volumes diferentes, especialmente durante tempestades localizadas.
Segundo a UFMS, o dia mais chuvoso de outubro foi o dia 4, quando foram registrados 79 milímetros. Na sequência aparece o dia 9, com 51 milímetros.
Nesta quinta-feira (15), o volume diário chegou a aproximadamente 40 milímetros. Por volta das 14h, o observatório registrou 22,61 milímetros, enquanto às 15h foram contabilizados outros 8,9 milímetros.
Na quarta-feira (14), o acumulado foi de 32 milímetros, com destaque para os 18,8 milímetros registrados por volta das 19h.
Somados, esses quatro dias concentraram 202 milímetros de chuva, aproximadamente 75% de toda a precipitação contabilizada pela estação da universidade neste mês.
Além das chuvas, outubro também apresentou oscilações nas temperaturas. A máxima registrada pela UFMS chegou a 36°C, no dia 8, enquanto a mínima foi de 15°C, no dia 4. A temperatura média do período ficou em 24°C.
Chuvas podem continuar nesta sexta-feira
A chuva pode continuar em Campo Grande nesta sexta-feira (16). A previsão indica que o tempo deve permanecer fechado, com possibilidade de novos temporais ao longo do dia.
O Inmet aponta influência de um sistema de baixa pressão que favorece a formação de nuvens carregadas e a ocorrência de chuva em partes do Centro-Oeste.
Para o fim de semana, a tendência é de redução das instabilidades e temperaturas mais amenas na Capital.
No interior de Mato Grosso do Sul, as condições de chuva também podem atingir áreas das regiões norte e leste, incluindo municípios como Coxim, Costa Rica, Chapadão do Sul, Paranaíba e Três Lagoas.
No sul, onde estão Dourados, Ponta Porã, Naviraí e Amambai, a previsão indica diminuição gradual das precipitações.
Nas regiões central e oeste, que abrangem Campo Grande, Sidrolândia, Corumbá, Aquidauana e Miranda, a tendência também é de melhora das condições meteorológicas ao longo do fim de semana.
Na Ernesto Geisel, Córrego atingiu o limite (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)


