Cidades

PRÁTICA CONTESTADA

Em 2013, CCZ sacrificou 16 mil cachorros, média de 44 por dia

Cães com suspeitas de leishmaniose não podem mais ser exterminados

DA REDAÇÃO

08/06/2015 - 00h00
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De janeiro a dezembro de 2013, o Centro de Controle de Zoonoses, o CCZ, de Campo Grande, sacrificou 16.323 cachorros que estariam doentes, média de 44 bichos por dia, informou um relatório inédito, produzido pelo comando do órgão que monitora agravos e doenças transmitidas por animais. 

A matança, proibida desde a semana passada por ordem judicial, teve como pretexto, naquele ano, 159 casos humanos de leishmaniose visceral, a terceira maior marca da doença de 2002 para cá.

A eutanásia animal em grande escala continuou no ano passado, segundo o documento do CCZ, ao qual o Correio do Estado teve acesso. Tais dados sempre foram negados ao jornal. 

O estudo que sustentou esta reportagem foi apurado pelo CCZ e encaminhado à Câmara dos Vereadores em agosto do ano passado.

De janeiro a julho de 2014, foram sacrificados “8.536 cães, numa média de 1.210 por mês, com 94,6% (em torno de 8 mil) deles com leishmaniose”, diz trecho do levantamento do centro.

Ainda de acordo com o relatório do CCZ, os milhares de procedimentos de eutanásia só foram possíveis com autorização. “Com relação aos cães com de zoonoses, como leishmaniose, animais agressores, ou animais em fase terminal,  estes somente são sacrificados caso seus proprietários solicitem formalmente a morte do animal”, 
diz o CCZ.

 

A reportagem, de Celso Bejarano, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

estado se prepara

Prevenção ao El Niño inclui armazenamento de alimentos e brigadas indígenas em MS

Ministros estiveram em Campo Grande para anunciar medidas de prevenção a eventos climáticos extremos e ações de proteção a comunidades vulneráveis

01/09/2026 18h00

Representantes do governo federal participaram do evento Diálogos Regionais El Niño 2026/2027,

Representantes do governo federal participaram do evento Diálogos Regionais El Niño 2026/2027, Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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O governo federal apresentou, nesta terça-feira (1°), ações de prevenção aos possíveis efeitos do El Niño em Mato Grosso do Sul. Durante agenda em Campo Grande, os ministros do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e o dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciaram medidas que incluem o reforço de estoques de alimentos e a estruturação de brigadas indígenas para enfrentar queimadas e outros eventos climáticos extremos.

O anúncio foi feito durante o evento Diálogos Regionais El Niño 2026/2027, voltado ao diálogo com organizações da sociedade civil e movimentos sociais sobre as ações do governo federal para a mitigação dos efeitos do fenômeno climático que, de acordo com especialistas, será um dos mais fortes já sentidos na história.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, destacou que Campo Grande foi uma das cidades escolhidas para o debate presencial pelo fato de Mato Grosso do Sul estar em perspectiva de ser atingido pelos impactos do El Niño, especialciamente considerando os incêndios do Pantanal.

"Eu acompanhei aquele momento crítico dos incêndios do Pantanal e, para 2027, 2028 e 2029, o Observário do Clima aponta um risco muito grande e queremos integrar todos os esforços, queremos ter esse diálogo com a sociedade aqui, ordenado pela Secretaria Geral da Presidência, integrando vários ministérios e garantindo que a gente possa estar com o Mato Grosso do Sul mais preparado naquilo que a gente puder resolver antes", disse.

Entre as medidas citadas pelo ministro, está o armanezamento de alimentos, para garantir o abastecimento em casos extremos.

Dias citou como exemplo as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e impactou, entre outras coisas, na produção de arroz, fazendo o preço do grão subir consideravelmente.

No caso de Mato Grosso do Sul, ele destacou a produção de milho. 

"A Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] protege os produtores, comprando esse alimento, acompanhando agora, chegando no armazém toneladas de milho para que a gente pudesse aqui ter estoque. Lá na frente, se der algum problema, temos estoque de milho, de arroz, de outros produtos. De um lado, proteger o pequeno, do outro lado, proteger os consumidores, para não ter elevação no preço", explicou.

O ministro explica que o El Niño pode impactar de formas diferentes cada região, seja com chuvas intensas ou com irregularidades de chuva, seca, calor e baixa umidade.

Brigadas indígenas

Como o Estado tem histórico de incêndios, outra medida voltada à prevenção é a preparação das comunidades indígenas, quilombolas e periféricas para a adaptação climática, que está sendo feito em conjunto pelos Ministérios das Mulheres, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, destacou que, especificamente nesta comunidade, para fazer frente às secas e queimafas, estão sendo estruturadas as brigadas indígenas junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No Brasil, há 67 brigadas indígenas, sendo duas em Mato Grosso do Sul, uma na Aldeia Ipegue, em Aquidauana, e outra na Terra Indígena Kadiwéu, localizada na região do Pantanal sul-mato-grossense, que são as duas terras indígenas com o maior índice de queimadas no Estado.

"A partir de 2023, nós estruturamos essas brigadas dentro das terras indígenas, fizemos o treinamento, estruturamos com EPIs [equipamentos de proteção individual] e mais equipamentos, e as próprias comunidades indígenas estão se organizando para fazer frente a essas demandas junto às suas comunidades", disse.

"Tudo isso parte de um pressuposto básico, da ciência. Nós somos um governo que acreditamos na ciência, os índices científicos apontam para isso e a gente não pode esperar o impacto atingir as comunidades. Então, nós podemos dizer hoje que nós estamos preparados, tendo consciência dos impactos nas comunidades, nós estamos preparados para fazer esse enfrentamento", acrescentou.

O evento em Campo Grande integra uma série de sete encontros presenciais sobre o tema, realizados em
diferentes regiões do Brasil: Rio de Janeiro (20/08), Manaus (21/08), Fortaleza (27/08), Santarém (28/08), Campo Grande (01/09), Petrolina (03/09) e Porto Alegre (09/09).

Participam representantes de órgãos federais, como Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério das Cidades (MCid), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Saúde (MS), Defesa Civil, entre outros.

Conforme reportagem do Correio do Estado, além das medidas anunciadas nesta terça-feira, o governo federal já anunciou anteriormente que, em razão do El Niño de alta intensidade que se aproxima, Campo Grande vai receber a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) a partir de novembro, programa que atua em eventos que demandam apoio especializado para responder a situações emergenciais que afetam a saúde da população.

Crime em Maracaju

Mãe de investigado por tentativa de homicídio é morta a tiros em MS

Suspeito fugiu de motocicleta após o crime; Polícia Civil apura se assassinato tem relação com episódios recentes envolvendo o filho da vítima e uma possível disputa entre grupos criminosos.

01/09/2026 17h44

Polícia Militar isolou a área onde Marilei Pereira de Souza, de 44 anos, foi morta a tiros em Maracaju.

Polícia Militar isolou a área onde Marilei Pereira de Souza, de 44 anos, foi morta a tiros em Maracaju. Foto: Reprodução.

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Seis dias depois da prisão do filho, Marilei Pereira de Souza, de 44 anos, foi assassinada a tiros dentro de uma residência no Bairro Ilha Bela I, em Maracaju, na tarde desta terça-feira (1º). O criminoso teria chegado ao local em uma motocicleta, atirado contra a vítima e fugido logo em seguida.

A Polícia Civil investiga a motivação do crime e apura se a execução possui alguma relação com episódios recentes envolvendo o filho da vítima.

O assassinato ocorreu em uma residência localizada na Rua Castro Alves, próximo ao cruzamento com a Rua Allan Kardec. As circunstâncias do ataque começaram a ser apuradas pela Polícia Civil logo após o crime.

Informações iniciais apontavam que Marilei teria sido chamada até o portão antes de ser atingida. Posteriormente, porém, informações atribuídas à Polícia Civil indicaram que a vítima estava dentro do imóvel quando o criminoso chegou.

O suspeito teria utilizado uma Honda Biz nas cores verde e preta. Ele foi descrito como um homem alto, que vestia calça bege e blusa acinzentada. Depois dos tiros, deixou o local utilizando a mesma motocicleta.

Equipes das forças de segurança foram mobilizadas e a área foi preservada para os trabalhos periciais. O Corpo de Bombeiros também foi acionado, enquanto uma equipe da Polícia Científica se deslocou de Dourados para realizar os levantamentos necessários à investigação. A autoria e a motivação ainda são investigadas.

Filho havia sido preso dias antes

Um dos pontos que passaram a ser considerados pelos investigadores é o histórico recente envolvendo o filho da vítima.

Marilei era mãe de Armando de Souza Barbosa, conhecido como “Tiu”, preso em 26 de agosto, seis dias antes do assassinato, durante uma ação da Força Tática da Polícia Militar relacionada a tráfico de drogas e posse de arma de fogo.

Além da ocorrência que resultou na prisão, Armando é investigado por uma tentativa de homicídio registrada no mesmo dia em Maracaju.

Segundo as informações policiais disponíveis, ele teria perseguido três pessoas que estavam em uma motocicleta na região da Vila Juquita e realizado disparos contra o grupo.

Durante o episódio, Armando teria feito referência ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A circunstância passou a ser considerada na apuração de uma eventual disputa entre grupos criminosos na cidade.

Não há, entretanto, confirmação de que esses acontecimentos tenham motivado o assassinato de Marilei.

Possível ligação é investigada

A proximidade entre os episódios levou a Polícia Civil a considerar uma possível relação entre a execução de Marilei e os fatos atribuídos ao filho. A hipótese de que o homicídio esteja inserido em um conflito entre grupos criminosos está entre as linhas de investigação, mas a motivação ainda não foi esclarecida oficialmente.

A apuração deverá reconstruir o trajeto do atirador antes e depois do crime, além de buscar imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a motocicleta ou o suspeito nas proximidades da residência.

Os investigadores também deverão esclarecer se Marilei foi escolhida como alvo em razão de acontecimentos envolvendo o filho ou se existe outra motivação para o assassinato.

Até o momento, as informações disponíveis não apontam participação da vítima nas ocorrências atribuídas a Armando. Por isso, a eventual ligação entre a morte da mulher, a prisão do filho e uma disputa criminosa deverá depender do avanço das investigações.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para identificar e localizar o responsável pelos disparos.

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