Cidades

EDUCAÇÃO

Em 4 anos, o ensino técnico cresceu 75 vezes entre os jovens, mas é ainda insuficiente

Em 2019, MS tinha 253 alunos na faixa etária do ensino médio em cursos profissionalizantes e número passa dos 18 mil

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Mato Grosso do Sul teve um salto de 75 vezes no número de jovens que fazem cursos profissionalizantes nos últimos quatro anos.

De acordo com dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em 2019 havia apenas 253 alunos na faixa etária do ensino médio, que paralelamente faziam um curso profissionalizante.

Este ano o número cresceu para 1.810 do Sistema S, além de mais 17 mil estudantes do ensino técnico pela Secretaria de Estado de Educação (SED), o que totaliza mais de 18 mil alunos.

Em 2019, Mato Grosso do Sul ainda não contava com a implementação do Novo Ensino Médio, onde os alunos podem optar pelo ensino técnico profissionalizante, uma das diretrizes das mudanças feitas pelo Ministério da Educação (MEC). 

O Senai, instituição do Sistema Indústria que oferta cursos de qualificação profissional, aponta que, no  houve um aumento de 615,4% na procura pelo ensino técnico nos últimos anos, passando de 253 alunos em 2019 para 1.810 este ano. 

No entanto, de acordo com a gerente de vendas e educação do Senai, Cecília Fraga, apesar do aumento, esse número ainda está longe do necessário para atender a demanda do Estado, por profissionais qualificados. 

Além disso, o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Education at a Glance 2023, aponta que o Brasil possui apenas 11% dos estudantes do ensino médio matriculados em cursos técnicos, o que em países desenvolvidos é 37% dos alunos no mesmo período. Em MS esse percentual é de 18% atualmente. 

A especialista relata que é necessário ampliar a cultura de ensino técnico no Brasil, assim como é visto em países mais desenvolvidos, porque “o ensino profissionalizante é o caminho mais rápido e efetivo para o mercado de trabalho”. 

Fraga informa que há muitos cases de sucesso e isso pode ser um dos caminhos para desmistificar o trabalho na indústria, mostrando que o ensino pode ser inovador, interessante e com qualidade. 

O governador do Estado, Eduardo Riedel (PSDB), falou sobre o ensino técnico profissionalizante no Estado, em evento para o lançamento do Programa MS Qualifica, na tarde de ontem (2). O projeto pretende qualificar a população para vagas que há demanda reprimida.

Perguntado sobre profissionais que estão em falta no mercado de trabalho, como técnico de ar-condicionado, o chefe do Executivo Estadual afirmou que um dos desafios é dar a oportunidade de qualificação para quem precisa e que os cursos serão definidos através de pesquisa feita.

“Vai ter formação específica para essa área se o mercado está demandando esse profissional”, afirmou Riedel.

No mês passasdo o ministro da Educação, Camilo Santana, também abordou sobre o ensino técnico, em um evento internacional de educação. Camilo disse que é preciso estimular o ensino profissionalizante e o Brasil ainda está distante no cumprimento de metas em relação a esse tipo de educação.  

O titular da pasta aponta esse método de educação como “uma das melhores opções para o ensino médio”, já que garante também uma capacitação para o estudante. 

Santana comenta ainda que pretende estimular o ensino médio integral, tanto técnico profissionalizante, quanto o ensino médio voltado para o vestibular. 

No evento, o ministro citou o Piauí como um exemplo a ser seguido, por ser o estado com maior percentual de alunos do ensino médio em cursos profissionalizantes do Brasil. 

Em MS, dados da SED apotam que cerca de 1 mil estudantes fazem o ensino médio paralelo ao curso profissional, ou seja, no contraturno; enquanto aproximadamente 16 mil alunos possuem a qualificação profissional no itinerário formativo, desenvolvendo as atividades no decorrer da etapa do ensino médio. 

No total, a secretaria informa que tem cerca de 90 mil jovens matriculados no ensino médio, sendo a maioria optante pelo estudo voltado para o vestibular. 

Os cursos técnicos com maior número de alunos matriculados estão relacionados a áreas de administração, informática, eletrotécnica, marketing, agronegócio e agropecuária, mas, variam de acordo com o órgão de ensino. 

O Senai informa que possui 673 alunos matriculados no curso de assistente administrativo, 75 no curso de técnico em informática para Internet, 63 em técnico em eletrotécnica e 62 estudam análise de marketing digital e E-Commerce. 

Dos alunos do Senai, 301 fazem parte do novo ensino médio, e optaram pelo estudo já vinculado ao ensino profissionalizante. 

Já a SED aponta que a maioria dos estudantes estão matriculados em cursos voltados para a área de administração, e logo após vem turmas de informática para Internet, agronegócio e agropecuária. 

O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), também possui o sistema de ensino médio integrado à cursos técnicos, mas, não informou quantos alunos estão matriculados atualmente. 

Pesquisa 

O estudo promovido pela OCDE, através do Programa Indicators of Education Systems (INES), traz uma série de indicadores que permitem a comparação dos sistemas educacionais de 49 países participantes da organização. 

Os dados do estudo abordam não apenas a adesão ao ensino técnico e profissionalizante, mas também diversos índices educacionais que são um alerta para o Brasil.

De acordo com o levantamento, cerca de 24,4% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos, não estudam e nem trabalham. Esse índice é de 14,7% nos outros países membros da OCDE. 

Além disso, o Brasil também conquistou o terceiro pior investimento na educação básica do ranking, de US$ 3.583 anualmente, sendo que a média da organização é de US$ 10.949.

O país fica à frente apenas do México, que investe US$ 2.702, e da África do Sul, que destina US$ 3.085 para a educação básica.
(Colaborou Alanis Netto)

 

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SAÚDE PÚBLICA

Sem Centro de Zoonoses, Ivinhema entra na mira do MP

Ministério Público deu prazo de seis meses para que município implemente política de controle de zoonoses e cobra mutirões de castração pelo menos duas vezes ao ano

06/09/2026 08h30

Sem estrutura própria para controle de zoonoses, Ivinhema terá de apresentar ao Ministério Público as providências que pretende adotar para atendimento e controle da população de cães e gatos

Sem estrutura própria para controle de zoonoses, Ivinhema terá de apresentar ao Ministério Público as providências que pretende adotar para atendimento e controle da população de cães e gatos Ivinotícias

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Sem Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou estrutura equivalente, Ivinhema entrou na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que cobrou da prefeitura a adoção de medidas para controlar a população de cães e gatos e ampliar o atendimento aos animais em situação de rua.

Publicada na edição do Diário Oficial do MPMS, a recomendação foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema, e é direcionada ao município, administrado pelo prefeito Juliano Ferro Barros Donato.

Conforme apurado pelo Ministério Público, além de não possuir um CCZ, Ivinhema também não mantém estrutura equivalente e não conta com serviço terceirizado para executar esse tipo de atendimento.

Para a Promotoria, a deficiência deixa o município sem uma política adequada para diagnóstico, tratamento e controle de doenças que atingem os animais e podem representar risco à saúde pública.

Entre as enfermidades citadas pelo MPMS estão leishmaniose, cinomose e esporotricose.A falta de estrutura não foi o único problema identificado durante a apuração.

O Ministério Público também analisou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de Ivinhema, publicada em julho deste ano, e apontou deficiência na previsão de programas, ações, metas e prioridades destinadas à causa animal.

Segundo a Promotoria, as medidas previstas pelo município estão restritas à vacinação antirrábica e à notificação de casos. Diante do cenário, o MPMS recomendou que a prefeitura passe a oferecer continuamente ações para controle populacional de cães e gatos.

Uma das principais cobranças é a realização de campanhas ou mutirões de castração pelo menos duas vezes por ano, com prioridade para animais de rua e comunitários, além daqueles mantidos por protetores independentes, organizações de proteção animal e famílias de baixa renda.

A prefeitura também deverá dar publicidade às campanhas nos canais oficiais com antecedência mínima de 30 dias.Outra medida prevista é a identificação dos cães e gatos durante as ações de castração.

A intenção é criar uma base de dados que permita ao município conhecer melhor a população animal existente em Ivinhema e, futuramente, estabelecer um censo. O cadastro também deverá servir como ferramenta para identificar responsáveis pelos animais e auxiliar na apuração de eventuais casos de abandono.

Prazo de seis meses

A recomendação vai além das campanhas de esterilização. O Ministério Público estabeleceu prazo máximo de seis meses para que a prefeitura dê início à implementação de uma política pública efetiva de controle de zoonoses.

Entre os serviços que deverão integrar essa estrutura estão atendimento médico-veterinário de urgência, fornecimento de alimentação e água e acolhimento dos animais em situação de rua em ambiente adequado. Antes disso, porém, o município terá de informar se pretende acatar as medidas.

A prefeitura tem prazo de dez dias, a partir do recebimento da recomendação, para comunicar à 2ª Promotoria de Justiça se cumprirá as providências propostas e apresentar documentos que demonstrem as ações adotadas.

O Ministério Público advertiu que a falta de providências poderá levar à adoção de medidas judiciais e extrajudiciais contra os responsáveis.


 

STF

Gilmar Mendes propõe vetar delegados da PF como assessores de ministros

Para decano, presença dos policiais representa um risco para as investigações

05/09/2026 19h00

Ministro Gilmar Mendes

Ministro Gilmar Mendes Andressa Anholete/STF

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Neste sábado (5) o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma proposta para proibir que militares, delegados ou policiais sejam cedidos para atuar como assessores nos gabinetes da Corte.

A proposta de alteração no Regimento Interno do STF já havia sido adiantada durante a semana ao presidente do Supremo, Edson Fachin, e foi agora formalizada por Mendes para que seja apreciada pelos demais ministros.

A ideia surge em meio à escalada da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Cada um, por exemplo, possui dois delegados da Polícia Federal os assessorando em seus gabinetes.

Para Mendes, a presença desses policiais nos gabinetes representa o risco de que decisões sobre a condução de investigações, que seria de exclusividade da autoridade policial, estejam sendo transferidas para o Supremo.

O texto apresentado pelo decano prevê que servidores das carreiras militares e policiais possam atuar em atividade de segurança dos gabinetes, mas que seja “vedada a participação na instrução de inquéritos ou processos e em atividades de assessoramento jurídico”.

Outro trecho diz que “caberá ao Presidente do Supremo Tribunal Federal providenciar o imediato retorno aos órgãos de origem dos servidores atualmente em exercício no Tribunal em desacordo com a regra ora acrescida ao art. 357 do Regimento Interno”.  

A proposta surge ainda após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter tentado articular a volta para a corporação dos delegados cedidos ao gabinete de Mendonça, que é relator dos escândalos de fraude financeira e corrupção no Banco Master e do desvio em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Cabe agora a Fachin incluir a proposta em pauta para que seja apreciada e votada por todos os ministros do Supremo.

Relatórios
A proposta do decano vem à tona após Mendonça ter retirado o sigilo, nesta semana, de um relatório da PF em que constam dezenas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, a Moraes, segundo afirmam os investigadores.

Nas conversas, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master. Foram expostas também mensagens em que o ex-banqueiro demonstra ter obtido informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo.

Logo em seguida à divulgação do material, Moraes pediu à presidência do Supremo a abertura de uma investigação contra Mendonça pelo que disse ser “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master.

Para embasar suas acusações, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça atuaria de forma a direcionar as investigações contra desafetos políticos.

O documento, contudo, não é assinado e traz a advertência de se tratarem de uma análise prospectiva interna, sobre possíveis caminhos de investigação, e “sem valor probatório”.

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