Descumprimento das medidas cautelares estabelecidas em audiência de custódia levaram à prisão preventiva de João Victor Martins
Investigado pela participação no latrocínio que levou à morte do Alexsandro da Silva Lima, João Victor Martins Vieira, de 18 anos, foi recapturado na tarde de ontem (14) e preso preventivamente no interior do Mato Grosso do Sul, no município que fica distante aproximadamente 225 km da Capital.
Após ser considerado desaparecido a partir da noite de sexta-feira (14 de novembro de 2025), - como bem acompanhou o Correio do Estado -, o corpo do padre foi encontrado após dois dias de busca, enrolado em um tapete em uma área de mata no Distrito Industrial de Dourados, e João Victor Martins Vieira está entre os listados na investigação.
João Victor Martins Vieira e duas outras adolescentes, ambas de 17 anos, foram liberados após audiência de custódia ainda em 16 de novembro, depois de analisadas as circunstâncias com o caso ainda sob investigação.
Conforme divulgado recentemente pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, na audiência de custódia João foi liberado mediante uma série de medidas cautelares, o que segundo a PCMS, em nota, incluía "atualização de endereço e comparecimento aos atos processuais", que por sua vez não foram cumpridas.
Diante do descumprimento das medidas cautelares, essas condições levaram à prisão preventiva desse investigado, que foi recapturado no bairro João Paulo II, em Dourados.
Com isso, João Victor Martins Vieira e o outro rapaz de 18 anos, Leanderson de Oliveira Júnior, são os dois dos cinco envolvidos no crime que atualmente estão presos preventivamente, já que as duas adolescentes citadas acima respondem em liberdade enquanto o terceiro adolescente cumpre medida de internação.
Relembre
Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina, Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, era morador do bairro Jardim Vival dos Ipês, que fica a 226 km de Campo Grande, vítima em um caso investigado como latrocínio, roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver.
Ainda no primeiro final de semana logo após o crime, pelo menos cinco pessoas haviam sido inicialmente detidas, sendo dois rapazes de 18 anos e três adolescentes de 17, sendo que o delegado responsável pelo caso, Lucas Albe Veppo, adiantou que as buscas pelo padre se intensificaram após agentes localizarem o celular da vítima no bairro Jardim Canaã I, ocasião em que Leanderson de Oliveira Junior teria sido detido.
Os agentes do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil localizaram o Jeep Renegade preto que pertencia ao padre, com os dois indivíduos dentro que inclusive confessaram a participação no crime e foram detidos.
Esses suspeitos afirmaram que o objetivo era roubar o carro, dinheiro, jóias e outros pertences do padre, sendo que um deles disse ter cometido o homicídio, enquanto o outro relatou ter ajudado na ocultação do corpo.
Todo esse ataque inicial teria ocorrido na residência do padre, que fica localizada no bairro Jardim Vival dos Ipês, e relatos periciais apontam que Alexsandro apresentava ferimentos no pescoço causados por facadas e lesões na cabeça compatíveis com golpes de martelo.
Motivações
Conforme detalhado pela mídia local com base no conteúdo da audiência de custódia, Leanderson de Oliveira Júnior, apontado pela polícia como responsável pelo crime, alegou em depoimento que teria sido forçado pelo religioso a praticar atos libidinosos no dia do crime.
Segundo o depoente, em fala sob investigação, a vontade de cometer o crime não teria sido repentina, mas sim surgido após uma sequência de encontros que teriam acontecido através de pagamento.
Uma vez "forçado a praticar ato sexual", o homem de 18 anos teria começado a agressão com um golpe de marreta, munindo-se de uma faca posteriormente para concluir a execução.
Porém, conforme repassado pelo delegado responsável pelo caso, durante coletiva de imprensa na manhã de 17 de novembro, acompanhada pelo portal local Dourados News, não há qualquer indício de que Leanderson de Oliveira Júnior tivesse alguma ligação afetiva ou sexual com a vítima, alegação que teria sido apresentada em interrogatório sem respaldo nas evidências coletadas.
“Essa é uma informação não oficial, que não foi fornecida pela Polícia Civil. Foi uma alegação feita durante o interrogatório do autor. Ele tem direito de dizer o que ele bem entender como meio de defesa. Até o momento não tem nenhum indício de que tenha realmente acontecido, de que tivesse algum envolvimento anterior com o padre ou de que o padre tenha tentado atacá-lo com intuito sexual.”, cita Lucas Veppo.
Para o delegado, a versão que mais se sustenta é que o padre pode ter sido atacado de forma sorrateira, como em uma emboscada, reforçando que não há elementos técnicos que comprovem essa versão da possível tentativa de abuso.
Oficialmente o caso passou a ser oficialmente tratado como latrocínio, roubo seguido de morte, já que ambos acusados confessaram que já tinham feito o planejamento, e premeditado o crime um tempo antes.
Em complemento, o delegado destaca que os acusados não sabiam que Alexsandro era padre e estariam atrás do Jeep do religioso, inclusive possuindo comprador no Paraguai que pagaria R$40 mil pelo veículo.
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