Após se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Washington, o presidente Barack Obama disse hoje que seguirá com sanções "setoriais" contra a Rússia se Moscou interferir nas eleições na Ucrânia, marcadas para o próximo dia 25.
Os dois líderes destacaram que a melhor saída para a crise no país é a solução diplomática, mas que não hesitarão em ampliar os embargos --que, no caso dos EUA, poderão incluir os setores de energia, armas e crédito.
"Se virmos que a desestabilização e os distúrbios continuam sendo tão fortes que impedem as eleições de 25 de maio, não teremos mais opção do que seguir adiante com severas sanções adicionais", disse Obama.
Segundo o americano, os EUA e a União Europeia estão "unidos na determinação de fazer com que a Rússia pague por suas ações", com o isolamento diplomático e econômico.
"O objetivo não é punir a Rússia, mas dar um incentivo para que escolha um melhor caminho", afirmou Obama.
A principal preocupação é no setor de energia, já que a Rússia exporta 30% de todo o gás consumido na Europa, sendo que a metade dele passa por gasodutos na Ucrânia. Para Obama, "não é realista" pensar que a Europa e os EUA possam "fechar a torneira" para a energia vindo da Rússia. Ele, contudo, não descarta sanções neste setor.
No caso da UE, Merkel disse que o grupo está "pronto e preparado para uma terceira rodada" de sanções, cuja possibilidade vem sendo criticada por empresários. "Eu gostaria de destacar que isso não é necessariamente o que queremos, mas estamos prontos e preparados para dar tal passo", declarou.
Obama ainda pediu à Rússia que convença os grupos militares pró-russos na Ucrânia a deixarem as armas.
"É óbvio para o mundo que esses grupos apoiados pelos russos não são manifestantes pacíficos. Eles são militantes fortemente armados", disse.
Espionagem
A sintonia vista entre os dois sobre a crise com a Rússia não parece ter se repetido no encontro quando o tema é o amplo programa de vigilância dos EUA. Merkel, que reagiu de forma dura, no ano passado, à revelações de que também teria sido espionada pela NSA (Agência de Segurança Nacional americana), disse que "as diferenças entre os dois países permanecem".
Obama também afirmou ainda haver "algumas lacunas" a serem trabalhadas entre os dois países, mas que eles estão desenvolvendo um acordo sobre privacidade e vigilância.
O presidente disse ainda lamentar que sua relação com Merkel, uma de suas "mais próximas amigas no cenário internacional", tenha sido abalada pelas revelações feitas pelo ex-técnico da NSA Edward Snowden.
Ele, contudo, observou: "Não temos um acordo de não-espionagem com nenhum país".


