Cidades

INFRAESTRUTURA

Em meio a CPI, prefeitura promete intensificar o tapa-buracos

Apoiada por 24 dos 29 vereadores, investigação parlamentar quer apurar se houve irregularidades em contratos do serviço, que agora é feito por uma única empresa nas sete regiões de Campo Grande

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A Prefeitura de Campo Grande prometeu intensificar o serviço de tapa-buraco nas sete regiões da cidade poucos dias depois da Câmara Municipal anunciar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução do serviço na Capital. Desde julho, esta operação está sob responsabilidade de uma única empresa depois de escândalos de corrupção envolvendo o grupo anterior.

Diante das intensas chuvas que atingiram a cidade em setembro e neste mês, os buracos seguem surgindo aos montes em boa parte dos bairros da Capital. Porém, com a pequena trégua da chuva nos últimos dias e nos próximos, o Município deseja intensificar o serviço de tapa-buraco nos trechos mais prejudicados.

Pouco depois do grande volume de chuva que pairou sobre Campo Grande na quinta-feira e sexta-feira passada, a prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou que o serviço se manteria sob funcionamento aos sábados, com a previsão de aplicar cerca de 200 toneladas de massa asfáltica somente ao longo do sábado.

“Estamos ampliando os serviços de tapa-buracos, com mais equipes nas ruas, inclusive aos sábados nas sete regiões da Capital, para melhorar as condições das vias e garantir mais segurança para quem circula por Campo Grande diariamente”, afirmou.

Vale lembrar que, em maio, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou a Operação Buraco Sem Fim, com o objetivo de investigar um esquema de fraudes e desvios de recursos públicos em contratos de tapa-buracos em Campo Grande. Com isso, líderes da Construtora Rial (atual Força Engenharia) foram presos e os quatro contratos com o Município rescindidos.

No lugar, a empresa RR Barros Serviços e Construções Ltda., que já era responsável pelo serviço no Centro e nas Regiões Prosa e Lagoa, herdou os contratos da envolvida no escândalo e passou a comandar o tapa-buraco em todas as sete regiões da Capital, a fim de “garantir a continuidade dos serviços essenciais de manutenção urbana em regiões que ficaram sem cobertura contratual”.

Na época, a prefeitura ainda afirmou que os contratos não seriam um novo acordo, apenas a extensão dos celebrados com a antiga Construtora Rial, com duração de seis meses, conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O Correio do Estado voltou a contatar a Pasta nesta semana para obter mais informações sobre a atual situação do tapa-buraco na cidade e os planos do Município para a prestação do serviço nos próximos dias. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

CPI

Proposto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), o requerimento para a instauração de uma CPI para investigar os contratos de tapa-buraco em Campo Grande teve a assinatura dos 29 vereadores da Câmara Municipal para abertura da investigação.

O requerimento estabelece como fatos determinados da investigação a ausência de ações e respostas do Executivo diante das reclamações da população, os prejuízos causados pela falta de manutenção adequada, a redução dos investimentos, os casos de possíveis irregularidades e a ausência de resposta ao requerimento aprovado pelo plenário.

Um dado apresentado no requerimento é que, das 24.673 indicações encaminhadas pela Câmara ao Executivo no primeiro semestre, quase 9 mil foram destinadas à realização de serviços de tapa-buraco em diferentes regiões de Campo Grande.

Outro ponto destacado no documento é a redução da dotação destinada ao projeto de Modernização e Requalificação das Vias Urbanas, cujos investimentos previstos passaram de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões este ano, uma redução de quase 70%.

O requerimento também aponta que o MPMS investiga ações relacionadas ao serviço de tapa-buraco em Campo Grande e cita a Operação Buraco Sem Fim. Por fim, é mencionado o acompanhamento do tema pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

O requerimento será encaminhado à Procuradoria da Câmara, que avaliará os aspectos regimentais, legais e constitucionais do documento. Depois dessa análise, estão previstas a formalização e a publicação dos atos necessários, seguidas da definição da presidência, da relatoria e dos demais integrantes da comissão, respeitando a proporcionalidade dos partidos.

RELATOS

Rafael Silva, de 28 anos, trabalha em uma distribuidora de frios no Bairro Vila Piratininga há cerca de dois anos. Nos últimos meses, ele relata que a situação dos buracos próximos ao seu emprego tem piorado, principalmente por causa das fortes chuvas que passaram dos 400 milímetros nos últimos 45 dias.

“Mais buracos estão surgindo, tem buraco que quase ocupa a rua inteira. Você escolhe qual que você vai cair. Está bem complicado, quase intransitável, o bairro inteiro está só buraco. E quando chove complica ainda mais”, disse à reportagem.

Ele ainda revela que, em razão dos buracos, precisou gastar mais de R$ 3,5 mil para consertar a suspensão do carro, que tem justamente a função principal de absorver impactos do solo, manter as rodas em contato com o pavimento e garantir estabilidade e segurança. 

Moradora do Bairro Vila Jacy há mais de duas décadas, Edenia Maria, de 55 anos, também relatou o aumento significativo no número de buracos na região, porém, disse ter visto as equipes da prefeitura uma vez na região para tapar as “crateras”. 

“Está horrível. Não tem nem como caminhar mais. Eles [equipes] vieram aqui, um pedacinho só, cavaram, deixaram um mês, o pessoal caindo, estragando o carro, furando pneu, depois eles voltaram, taparam só um buraco e não voltaram mais”, comentou.

Novidades nas Estradas

Rodovias de MS terão 82 torres de 4G e 13 bases de apoio com socorro

Estruturas contarão com ambulâncias, guinchos, áreas de descanso e recarga para veículos elétricos; primeiros serviços estão previstos para novembro.

19/10/2026 18h43

Obras de recuperação do pavimento integram melhorias previstas em 870 quilômetros de rodovias de Mato Grosso do Sul.

Obras de recuperação do pavimento integram melhorias previstas em 870 quilômetros de rodovias de Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/Caminhos da Celulose.

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As rodovias que cortam as regiões central e leste de Mato Grosso do Sul passarão a contar com uma nova estrutura de atendimento aos motoristas, incluindo 13 bases de apoio, uma rede de 82 torres de telefonia 4G e serviços de socorro para situações de emergência.

As melhorias fazem parte da modernização da Rota da Celulose, que reúne 870,3 quilômetros de estradas federais e estaduais sob responsabilidade da concessionária Caminhos da Celulose.

O novo balanço divulgado nesta segunda-feira (19) aponta avanços na recuperação do asfalto, na instalação de equipamentos de segurança e na construção das estruturas operacionais.

Ao todo, seis frentes de trabalho atuam simultaneamente na melhoria do pavimento das cinco rodovias que integram a concessão: BR-262, BR-267, MS-040, MS-338 e MS-395.

A expectativa da concessionária é iniciar os primeiros serviços operacionais de atendimento em novembro deste ano, enquanto a conclusão das 13 bases está prevista para o início de 2027.

Além das intervenções nas pistas, o projeto pretende ampliar as condições de atendimento aos usuários, especialmente em trechos mais afastados dos centros urbanos, onde a disponibilidade de sinal de celular e a distância dos serviços de emergência são fatores importantes para a segurança das viagens.

Bases terão estrutura para descanso e atendimento de emergência

Uma das principais mudanças previstas para os motoristas é a implantação de 13 unidades do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), distribuídas ao longo das rodovias BR-262, BR-267, MS-040 e MS-338.

As instalações terão sanitários, fraldários, áreas de descanso, água potável e estacionamento. Também estão previstos pontos de recarga para veículos elétricos, ampliando a infraestrutura disponível para quem utiliza esse tipo de transporte.

Entretanto, a função dessas unidades não ficará restrita ao conforto dos viajantes. As bases servirão de apoio operacional para ambulâncias, guinchos e equipes de inspeção de tráfego, permitindo a organização dos serviços de assistência aos usuários.

Na prática, a estrutura deverá facilitar o atendimento de ocorrências nas rodovias, incluindo situações que exijam socorro médico, remoção de veículos ou apoio das equipes responsáveis pelo monitoramento do tráfego.

Embora os primeiros serviços estejam previstos para novembro, a concessionária informou que a conclusão das estruturas físicas ocorrerá gradualmente, com previsão de encerramento dos trabalhos no início de 2027.

Rede de 4G terá 82 torres nas rodovias

Outra frente importante da modernização envolve a implantação de uma rede de telefonia móvel de quarta geração, destinada a ampliar a conectividade ao longo dos aproximadamente 870 quilômetros da concessão.

O projeto prevê a instalação de 82 torres de 4G, que deverão melhorar a comunicação entre motoristas, equipes de atendimento e os sistemas responsáveis pelo acompanhamento das condições das rodovias.

Segundo a concessionária, 69 estruturas já estão concluídas e aguardam ativação. O balanço também registra 15 torres com a estrutura física finalizada.

A expansão do sinal representa uma mudança importante para quem percorre longas distâncias, principalmente em regiões onde a comunicação por telefone pode ser limitada.

Com a rede em funcionamento, a expectativa é facilitar o contato em situações de emergência, a transmissão de informações sobre ocorrências e a operação de equipamentos de monitoramento do tráfego.

A implantação da tecnologia integra o processo de modernização da Rota da Celulose, com foco na ampliação da segurança, na eficiência dos atendimentos e na melhoria das condições de viagem para os motoristas.

Seis frentes de obras recuperam pavimento

Enquanto a infraestrutura de atendimento avança, os trabalhos de conservação e recuperação do asfalto continuam nas cinco rodovias administradas pela Caminhos da Celulose.

Atualmente, seis frentes de serviço realizam intervenções de fresagem e recomposição do pavimento, procedimentos utilizados para remover camadas deterioradas do asfalto e recuperar as condições de circulação.

Os trabalhos incluem ainda operações de tapa-buracos, aplicação de micropavimento, limpeza das margens e manutenção dos sistemas de drenagem.

Também estão sendo executadas melhorias na sinalização e na instalação de dispositivos de proteção, com o objetivo de aumentar a segurança dos usuários e reduzir os riscos associados às condições da pista.

De acordo com o presidente da concessionária, Luiz Fernando De Donno, o processo de recuperação da malha exige atuação permanente das equipes responsáveis pela manutenção.

"Desde os primeiros dias da concessão, nossas equipes estão presentes nas rodovias, trabalhando na recuperação do pavimento, na limpeza das margens e dos sistemas de drenagem, na sinalização e na instalação de dispositivos de proteção", afirmou.

O dirigente acrescentou que as intervenções seguem um planejamento contínuo, considerando as necessidades identificadas em cada trecho administrado.

Rodovias também terão novas estruturas de fiscalização

Além das bases destinadas diretamente aos usuários, o projeto contempla a implantação de estruturas de apoio às atividades de fiscalização e controle nas rodovias.

Estão previstas duas bases da Polícia Rodoviária, uma delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e uma unidade da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).

A iniciativa amplia a infraestrutura operacional da rota, que desempenha papel estratégico no deslocamento de passageiros e no transporte de cargas entre municípios sul-mato-grossenses.

O conjunto de rodovias integra importantes corredores de circulação de mercadorias nas regiões central e leste do Estado, onde o crescimento das atividades industriais e logísticas aumenta a importância da conservação da malha viária.

A concessionária também iniciou a implantação de um Centro de Controle Operacional (CCO), previsto para integrar a estrutura de gerenciamento e acompanhamento das atividades da concessão.

Segundo De Donno, a modernização pretende combinar a recuperação das pistas com melhorias na assistência aos motoristas.

"Além da recuperação e modernização da infraestrutura, estamos trabalhando para oferecer mais segurança, conforto e suporte aos usuários ao longo da rota", destacou.

Modernização alcança quase 900 quilômetros de estradas

A Rota da Celulose compreende aproximadamente 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais em Mato Grosso do Sul, distribuídos entre as MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267.

A modernização integra um contrato de concessão que prevê investimentos de R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos. Desse montante, R$ 6,9 bilhões serão destinados a obras e melhorias na infraestrutura rodoviária, enquanto R$ 3,2 bilhões correspondem aos custos operacionais.

A concessão reúne estradas utilizadas no deslocamento entre cidades, no escoamento da produção agroindustrial e na circulação de veículos de diferentes portes.

Com as intervenções anunciadas, a expectativa é melhorar gradualmente as condições de viagem, associando a recuperação do pavimento à instalação de novas estruturas de atendimento e conectividade.

A implantação dessas melhorias ocorrerá em etapas. Para novembro de 2026, está previsto o início dos primeiros serviços operacionais, enquanto a conclusão das bases de apoio deverá ocorrer no início de 2027.

A ativação integral das torres de telefonia ainda depende de um cronograma que não foi detalhado pela empresa no balanço divulgado nesta segunda-feira.

Força-tarefa

TJMS inicia mutirão para conciliar 375 processos judiciais bancários nesta semana

Do total de processos incluídos no mutirão, 167 são relacionados ao Bradesco, 139 ao Santander, 49 ao Agibank e 20 ao Banco do Brasil

19/10/2026 18h15

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) realizou nesta segunda-feira (19) a abertura do "mutirão bancário", iniciativa busca ampliar as possibilidades de acordo entre consumidores e instituições financeiras em 375 processos judiciais. 

Do total de processos incluídos no mutirão, 167 são relacionados ao Bradesco, 139 ao Santander, 49 ao Agibank e 20 ao Banco do Brasil.

As audiências ocorrem de forma híbrida (presencial e por videoconferência) até sexta-feira (23) e serão conduzidas por conciliadoras e mediadoras que integram a equipe de trabalho do Nupemec.

A ação parte de uma cooperação técnica firmada pelo Fórum Nacional de Mediação e Conciliação (Fonamec) com instituições bancárias e integra uma mobilização para a realização de ações semelhantes nos tribunais brasileiros, iniciativa que também ocorre em outros estados, como Goiás.

Mesmo diante da complexidade de algumas demandas bancárias, a expectativa é promover o diálogo entre as partes e construir soluções consensuais.

O mutirão ocorre alinhado aos objetivos da gestão do coordenador-geral do Nupemec, desembargador José Ale Ahmad Netto, de ampliar a resolução consensual de conflitos no Poder Judiciário estadual, cuja iniciativa conta com o apoio do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Dorival Renato Pavan.

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