Cidades

"SOLUÇÃO ESTRANHA"

Obra "invade" Lago do Amor e desperta curiosidade

Assoreado, ponto já perdeu mais de 45% da capacidade de armazenamento do volume de água e recebe ainda mais areia para base de novo vertedouro

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Sofrendo há décadas com assoreamento, o Lago do Amor em obras - há cerca de duas semanas - chama atenção dessa vez devido a uma das etapas do processo de "solução" dos transbordamentos, que envolve jogar mais terra nas águas que já acumulam sedimentos comprometedores ao "tempo de vida" do ponto turístico. 

Essa situação do volume de sedimentos, acumulados no fundo do lago com o passar do tempo, é acompanhada pelo trabalho do Laboratório de Hidrologia, Erosão e Sedimentos (Heros), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Hidrosed Engenharia.

Além do assoreamento, basta chover um pouco mais na Capital para que o Lago do Amor transborde e a água invada a pista, sendo que a solução prevista em execução é a construção de um novo vertedouro. 

Bernardo Chagas é engenheiro da Secretaria Municipal De Infraestrutura E Serviços Públicos (Sisep) e, ao Correio do Estado, explicou que esse vertedouro ficará em um nível mais alto do que a primeira saída de água que já existe no lago. 

"Enquanto o primeiro vertedouro é 'tulipa', esse segundo vai ser tipo 'monge' e vai ter mais uma drenagem de 80", explica ele. 

Entretanto, ver ainda mais terra ser jogada no Lago do Amor, diante do problema do acumulo de sedimentos no fundo, chamou atenção. 

Estudante de 22 anos, Matheus Lima confessa que sequer entendeu o que estava acontecendo com o montante de terra que invade a água na região. "Provavelmente, acho que vão fazer alguma coisa para gente observar lá de dentro. É estranho", revela ele. 

Movido pela curiosidade, José Carlos (57 anos), comerciante da região, conta que foi questionar os trabalhadores do trecho para entender o processo. "Isso daí é para fazer um novo buraco, e eles falam que vai fazer um sumidouro", complementa ele. 

Andamento e problemas

José Carlos completa destacando a falta de velocidade do andamento das obras. "Está bem lenta, até por causa da chuva também né", cita. 

Passando pela região com frequência, Matheus também engrossa o coro de que as obras tem demorado dar sinal de um andamento notável. 

"Tá lento, porque era um problema simples e virou dois, tendo que mexer dos dois lados. Acho que não resolve dentro do prazo, vai demorar um pouco mais", frisa. 

Ainda, o estudante faz questão de ressaltar as "barreiras" que aparecem, diante da falta de comunicação do andamento dos trabalhos, para quem depende exclusivamente do transporte coletivo para chegar até a região, citando que os fechamentos atrapalham a movimentação. 

"Quem pega ali na [Universidade] Federal tem que caminhar até mais pra frente. Às vezes está fechado do lado de lá, a gente não sabe direito como está funcionando, o ônibus vira e a gente perde a volta, está bem complicado", diz.

Carlos também pontua que, caso o Lago do Amor não receba o devido trabalho de desassoreamento, as atuais obras tendem a ser apenas paliativas. 

"Vai ficar do mesmo jeito, porque está bem raso, então assoreado a água vai continuar passando por cima. Ao invés de fazer essa obra, deveriam limpar aqui", expõe. 

Conforme o Heros, pelo estudo de caso do assoreamento, o ponto turístico vem diminuindo em área e, devido ao assoreamento, em uma década, registrou perda de 37% de volume em comparação com o primeiro levantamento 

Confira as marcações do estudo:

Data Volume (m³) Área (m²)
Agosto de 2008 199225,14  96354,30
Novembro de 2011 182002,59 90001,35
Fevereiro 2013 165742,92 87179,87
Novembro de 2013 155096,42 84476,44
Outubro de 2014 152310,47 82110,31
Março de 2016 158289,58 81777,36
Março de 2017 140759,07 75661,60
Novembro de 2018 125558,53 58913,87

Dados do ano passado (2022) mostram que esses últimos 37% registrados saltaram para 45% de perda da capacidade de retenção de água. 

Inicialmente, considerando as taxas de variação de volume, o tempo de vida útil estimado do reservatório era de 18 anos, ainda em 2018. 

Pelas previsões do estudo, o assoreamento completo do Lago do Amor é previsto até 2036, sendo que o ponto tem redução maior em área do que no volume, graças aos sedimentos depositados no deságue dos córregos que abastecem o reservatório, Cabaça e Bandeira. 

"Esses dias tinham uns caras medindo e perguntei quantos metros tinha de 'fundura', disseram 'rapaz, a última vez que medimos tinha lugar que dava nove metros, agora tem 5m no máximo", conclui José Carlos.  

 

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MATO GROSSO DO SUL

Servidores do Detran-MS aprovam estado de greve e não descartam paralisação

Categoria aponta precarização, falhas em sistemas e avanço da terceirização

26/03/2026 11h00

Entre as principais queixas estão a desvalorização profissional, a falta de melhorias nas condições de trabalho e o que classificam como processo crescente de precarização dos serviços públicos

Entre as principais queixas estão a desvalorização profissional, a falta de melhorias nas condições de trabalho e o que classificam como processo crescente de precarização dos serviços públicos Divulgação

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Servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) aprovaram, por unanimidade, a instauração de estado de greve durante Assembleia Geral Extraordinária realizada nesta quarta-feira (25). A medida é considerada um alerta e pode resultar na paralisação das atividades a qualquer momento, caso não haja avanço nas negociações com o Governo do Estado.

Segundo o Sindicato dos Servidores do Detran-MS (Sindetran-MS), a assembleia registrou ampla participação da categoria, evidenciando o nível de insatisfação com a forma como os trabalhadores vêm sendo tratados pela atual gestão. A entidade afirma que, ao longo dos últimos meses, as reivindicações não têm sido atendidas, o que motivou o endurecimento do movimento.

Entre as principais queixas estão a desvalorização profissional, a falta de melhorias nas condições de trabalho e o que classificam como processo crescente de precarização dos serviços públicos. Os servidores também criticam o avanço da terceirização em áreas consideradas estratégicas, o que, segundo eles, pode comprometer tanto o atendimento à população quanto a segurança viária.

Outro ponto que tem gerado preocupação é a digitalização dos serviços. De acordo com o sindicato, o processo vem sendo feito sem a segurança necessária, o que teria facilitado fraudes e o uso indevido do nome do Detran-MS. Servidores também relatam falhas frequentes nos sistemas.

Além do estado de greve, a assembleia definiu a intensificação das mobilizações. Entre as medidas está a ampliação do movimento de não recebimento de guias em máquinas de cartão, como forma de pressionar a gestão.

O Presidente do Sindetran MS e da Federação Nacional dos Servidores de Detrans e Agentes de Trânsito Estaduais, Municipais e do Distrito Federal (Fetran), Bruno Alves afirma que a decisão foi tomada diante da falta de respostas do poder público.

“Não por escolha, mas por necessidade. Por dignidade. Por respeito. O movimento busca dar visibilidade à realidade enfrentada pelos servidores, pais e mães de família, agentes de trânsito e profissionais que atuam diretamente na segurança viária, sob condições inadequadas e com impactos à saúde física e mental”, explica.

O estado de greve funciona como uma etapa anterior à paralisação total. Com isso, os servidores permanecem mobilizados e podem interromper as atividades caso não haja avanço no diálogo com o governo.

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ACESSO À CULTURA

Espaços culturais de Campo Grande terão novos horários

Ampliação do funcionamento é para garantir maior acesso da população durante e aos finais de semana, além de feriados

26/03/2026 10h40

Foto: Marcelo Victor

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A partir desta quinta-feira, as unidades culturais de Campo Grande irão ter novos horários de funcionamento. Com objetivo de equilibrar a oferta das atividades na Capital, os horários em sua maioria vão de segunda à sábado.

Por meio do Diário Oficial (Diogrande) de hoje, a Fundação Municipal de Cultura (FUNDAC) divulgou os novos horários de seis locais e busca atender o público em regime de escala com variações entre dias úteis e finais de semana.

Entre as unidades que atualizaram os horários estão a Casa de Cultura, o Memorial da Cultura Indígena, a Morada dos Baís, o Museu José Antônio Pereira, a Plataforma Cultural e a Praça Ary Coelho.

A novidade é com base no Decreto nº 16.556/2026, que estabelece diretrizes para adequação dos horários de funcionamento dos serviços públicos municipais. Além de alguns aderirem os sábados, outros ampliaram durante a semana, para que o público tenha mais opções de acesso e também para obter padronização das atividades culturais.

A proposta é manter o sistema regular dentro das diretrizes de economia e organização dos serviços municipais da categoria.

Confira os horários:

> Casa de Cultura

  • Segunda a sexta-feira: 9h às 18h
  • Sábado: 9h às 12h

> Memorial da Cultura Indígena

  • Segunda, quarta e sexta: 7h30 às 13h30
  • Terça e quinta: 7h30 às 17h30
  • Sábado: 8h às 12h

> Morada dos Baís

  • Terça a sexta-feira: 7h às 17h
  • Sábado: 8h às 12h

> Museu José Antônio Pereira

  • Terça a sexta-feira: 9h às 17h
  • Sábado e domingo: 13h às 17h

> Plataforma Cultural

  • Segunda a sexta-feira: 6h às 18h
  • Sábado: 14h às 18h

> Praça Ary Coelho

  • Segunda a sábado: 7h às 18h
  • Domingos e feriados: fechado

Os horários podem ser ajustados conforme a necessidade.

 

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