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Em três meses, cerca de R$ 24 milhões de impostos sobre cigarros foram "perdidos"

Dados da Receita Federal em Mato Grosso do Sul mostram que 5 milhões de maços de cigarros foram apreendidos neste ano

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Nos três primeiros meses deste ano, a Receita Federal do Brasil (RFB) em Mato Grosso do Sul contabilizou um total de 5 milhões de maços de cigarros ilegais apreendidos no Estado. Segundo estimativa do órgão, essas cargas totalizam R$ 24 milhões.

Levando em consideração o imposto que deveria incidir sobre o valor, que seria de cerca de 100%, pois são itens produzidos em outros países, isso representa que os cofres públicos deixaram de receber R$ 24 milhões em encargos.

Para se ter uma ideia, a quantia equivale a 115 apartamentos de 40 m² na planta (cada unidade sairia hoje por R$ 208 mil) ou, ainda, a 330 carros populares zero-quilômetro (levando em consideração o modelo Volkswagen Gol 1.0). O valor, entretanto, é uma estimativa feita pela RFB no Estado após as cargas ilegais terem sido apreendidas.

“Os valores mencionados são números aproximados, relativos às apreensões de mercadorias fruto de contrabando e descaminho, apurados pela Receita Federal no estado de Mato Grosso do Sul, notadamente nas unidades de Campo Grande, Ponta Porã, Corumbá e Mundo Novo. Ressalta-se o caráter aproximado de tais informações, uma vez que, após apreendidas, essas mercadorias passam por um extenso caminho, em várias atividades de diversos fluxos de processo, até chegarem aos sistemas contábeis da RFB, que são utilizados para gerar esse relatório”, diz o órgão federal em nota.

Além do contrabando de cigarros, a Receita também contabiliza outros tipos de produtos que entraram ilegalmente no País e que foram apreendidos, por exemplo, agrotóxicos, suplementos alimentares, anabolizantes, eletrônicos, bens de informática, óculos (armações e lentes), pneus, itens de vestuário e também derivados de cigarro (como fumo, cigarros eletrônicos, etc.).

“Assim, informa-se que, neste ano, foram apreendidos mais de R$ 69 milhões em mercadorias fruto dos crimes de contrabando e descaminho, as quais são dos mais diversos gêneros”, segue a nota da Receita. O valor também inclui os R$ 24 milhões referentes às cargas de cigarros.

ORIGEM

A maior parte desses maços é provenientes da região de fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul. De acordo com dados da RFB, as fábricas de cigarros do país vizinho estão concentradas, na maioria dos casos, na faixa sul de MS.

“[Os contrabandistas] acessam o Brasil por meio de estradas vicinais na linha internacional, especialmente pelos municípios de Mundo Novo, Eldorado, Iguatemi, Japorã e Sete Quedas. Então, atingem a BR-163, que os conectam ao Sul do País, passando por cidades do Paraná até atingirem os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, detalha a Receita sobre a logística dos criminosos.

“Além disso, o cigarro paraguaio chega às principais cidades do Sudeste, misturando-se ao gigantesco tráfego de caminhões nas rodovias federais que ligam as cidades do norte do Paraná ao estado de São Paulo”, completa.

“Há alguns anos, foi desmantelada uma quadrilha de cigarreiros na região de Mundo Novo, que direcionava sua produção diretamente para o Nordeste do País”, menciona o órgão nacional em MS.

Sobre a incidência de impostos nas cargas, a RFB explica que, por se tratar, em sua quase totalidade, de itens que seriam importados, as taxas tributárias sobre os maços de cigarros seriam muito superiores às taxas incidentes sobre cigarros produzidos nacionalmente.

“Quanto às fábricas do Paraguai, caso fossem aderir a um regime de importação regular, que atendesse a todas as normas vigentes, provavelmente não teriam um preço competitivo, uma vez que a carga tributária ultrapassaria com facilidade 100% do valor de venda, pois, além de todos os tributos internos, ainda incidem taxas como o Imposto de Importação, o PIS/Cofins Importação, entre outros”, finaliza a nota.

Saiba: Em geral, nas fábricas de cigarros do Brasil, a carga tributária equivale a mais de 70% do preço de venda, considerando que incidem tributos federais (como o IPI) e estaduais (como o ICMS). Já para cargas ilegais de outros produtos, a legislação calcula o dano ao erário na forma de um regime simplificado, no qual incide uma alíquota de 50% sobre o valor do bem contrabandeado.

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Operação

Polícia já identificou 12 envolvidos em suicídio de adolescente em MS

Até agora, 11 jovens, de 14 anos a 17 anos, foram apreendidos e um adulto de 18 anos foi preso por atuarem na morte de Lívia

16/09/2026 07h50

Policiais cumpriram mandados em quatro estados e no DF

Policiais cumpriram mandados em quatro estados e no DF Foto: Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou, em um mês e meio de investigação, 11 adolescentes, de 14 anos a 17 anos, e um adulto de 18 anos que teriam participado diretamente da morte da menina Lívia, de 13 anos, encontrada sem vida em Naviraí, no fim de julho, após ser incitada ao suicídio por grupos extremistas durante transmissão ao vivo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir de apuração da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, deflagrou ontem a segunda fase da Operação Lívia, com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão domiciliar e seis medidas cautelares de busca e apreensão envolvendo adolescentes, em quatro estados e no Distrito Federal.

“A análise dos equipamentos eletrônicos, telefones celulares e demais mídias apreendidos permitiu avançar na identificação de outros suspeitos de integrar comunidades virtuais investigadas pela prática de crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais, coerção psicológica e indução à automutilação e ao suicídio, tendo crianças e adolescentes entre os principais alvos”, disse o Ministério.

Todos os alvos desta nova operação teriam participado do dia da morte da adolescente e acompanhado a transmissão da menina ao vivo.

“Entre as práticas investigadas está a chamada ‘escravidão digital’, termo técnico utilizado para descrever uma dinâmica de coerção, chantagem e controle exercida no ambiente virtual, na qual vítimas são submetidas a ameaças e pressões para cumprir determinações dos integrantes desses grupos, inclusive relacionadas à automutilação e a outros atos de violência”, explica o MJSP.

Além disso, o órgão federal afirma que, dentre os novos jovens apreendidos, há suspeitos de terem atuado na administração e moderação de comunidades virtuais utilizadas para abordar, coagir e chantagear vítimas em situação de vulnerabilidade, como se fosse uma espécie de rede de violência virtual.

Amanhã, às 10h, a delegada Anne Karine Sanches Trevisan Duarte, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), vai conceder coletiva de imprensa para apresentar mais detalhes desta segunda fase.

PRIMEIRA FASE

A primeira fase da Operação Lívia foi deflagrada no dia 4 de agosto, menos de duas semanas depois da morte da menina vir à tona. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seis locais distintos no Rio de Janeiro, no Ceará, em Minas Gerais, no Pará e em Mato Grosso do Sul contra jovens de 14 anos a 18 anos.

Conforme Anne Trevisan, a investigação dessa organização começou no dia 22 de julho, quando a polícia tomou conhecimento que o suicídio de uma adolescente havia sido transmitido ao vivo pela plataforma de comunicação Discord, muito popular entre os adolescentes.

“Durante a investigação, a gente verificou que não foi um suicídio, mas foi realmente um homicídio. Com isso, nós identificamos os alvos, os autores, ao todo cinco adolescentes e um adulto, em vários locais do País. Nós representamos pela prisão e apreensão deles e a busca domiciliar”, declarou a delegada.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” que a adolescente que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar. Durante o caso de MS, outro “evento”, como eles chamam esses episódios, era transmitido simultaneamente em outro estado.

DISCORD

No dia 12 de agosto, pouco tempo depois da primeira fase, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) expediu uma medida preventiva determinando que a plataforma Discord suspendesse a funcionalidade de transmissão ao vivo, no Brasil, em três dias úteis.

No dia 17 de agosto, a empresa anunciou que interrompeu, por tempo indeterminado, a possibilidade dos usuários transmitirem vídeos usando o aplicativo. 

Segundo a empresa, a suspensão das transmissões ao vivo e de compartilhamentos de vídeos não afeta as comunicações por texto e áudio e outros recursos da plataforma. Além disso, a companhia afirma que está “dialogando” com representantes da ANPD em busca de uma solução que lhe permita restabelecer as transmissões de vídeo para os usuários brasileiros.

“O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares”, acrescentou a empresa.

O Discord classificou a morte da adolescente de Naviraí como “um caso devastador”, resultado de uma “situação muito séria”, uma “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas” digitais.

* Saiba 

Conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), menores de 18 anos são penalmente inimputáveis.

Isso significa que eles não cometem crimes no sentido técnico da lei penal, mas sim atos infracionais.

Portanto, os 11 jovens, de 14 anos a 17 anos, apreendidos nas duas fases da operação vão responder a um procedimento especial e cumprir medidas socioeducativas, em vez de serem presos.

Justiça

Paulo Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro

Procurador-geral da República se manifestou em sessão do STF

15/09/2026 21h00

Rosinei Coutinho/STF

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15), durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), vínculos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.  

"Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu, com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal", disse Gonet.

Ele se manifestou durante o julgamento sobre uma possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, também por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece em mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Vorcaro, principal investigado na Operação Compliance Zero, que está preso desde o ano passado por fraudes financeiras e corrupção. O material foi divulgado pelo ministro André Mendonça, então relator do caso Master.

Segundo o relatório da PF, Gonet é citado em conversas de Vorcaro com terceiros, e não em mensagens identificadas como trocadas diretamente entre o ex-banqueiro e o procurador-geral. Em uma conversa de 2024, um interlocutor identificado como Ciro Soares afirma a Vorcaro que "Gonet é firme".

Há ainda uma mensagem de 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão de Vorcaro, na qual o ex-banqueiro demonstra preocupação com o avanço das investigações e pergunta se seria possível "reverter isso com Paulo ou Andrei". De acordo com os investigadores, as referências seriam ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A mensagem, entretanto, não demonstra que Gonet tenha sido procurado ou que tenha efetivamente atuado para interferir na investigação.

"Eu fico feliz que o ministro André Mendonça afirmou que não tenha nada que foi colhido que pudesse induzir a algum ilícito por parte do procurador-geral da República", comentou Gonet em seguida.

A manifestação ocorreu no contexto de uma questão de ordem levantada no início do julgamento, ainda durante a manhã, pelo ministro Gilmar Mendes, que pediu para incluir a análise pelo plenário das supostas irregularidades que teriam sido cometidas por Mendonça na condução das investigações. 

Durante a sessão, o ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento. A análise do caso não tem data para ser retomada. O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3.

Os votos pelo julgamento conjunto foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Apesar de ter defendido o julgamento conjunto, Dino pediu para não computar sua posição no placar provisório por ter pedido vista. 

O presidente do STF, Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça votaram pelo julgamento separado.

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