Cidades

LUTO

Em velório, amigos, familiares e políticos dão último adeus a Antônio João

Políticos e profissionais da comunicação que criaram sua história ao lado de ícone da comunicação regional relembram momentos em despedida

Continue lendo...

Nesta terça-feira (19) o Cemitério Memorial Park, Rua Francisco dos Anjos, no Bairro Pioneiros, foi tomado pela imprensa, figuras dos mais variados setores, inclusive político de Mato Grosso do Sul, e pessoas que se reuniram para dar um último adeus a Antônio João Hugo Rodrigues. 

Diretor do Correio do Estado, Marcos Rodrigues apontou que leva de Antônio João seus ensinamentos, sua seriedade e o desejo de fazer o melhor por esse veículo de comunicação. 

"Uma lenda, polêmicas a parte, mas era uma pessoa visionária, de coração que vai deixar muita história... boas para uns, para outros nem tanto, mas o importante é que cumpriu a parte dele e Deus fez o melhor", comentou. 

Ainda, ele manifesta carinho, respeito e consideração, relatando a saudades de uma geração que não volta, mas que passou o bastão para que os atuais encarregados conduzam o jornal por outras sete décadas. 

Além dele, o editor-chefe, Eduardo Miranda, pontuou que não há como falar da história da comunicação de Mato Grosso do Sul sem citar Antônio João, dizendo que o ex-chefe respirava comunicação e jornalismo.

"Brinco que ele era empresário, mas muito mais jornalista, num 70/30... é jornalista no sangue mesmo. Uma pessoa intensa em tudo que faz. Não tem como ele não ficar na história e não ser referência para todos os jornalistas", disse. 

Quem passou pelo espaço também foi o motorista João Fernandes, ex-funcionário do jornalista e empresário, que trouxe o fiel amigo de Antônio João, o cachorro Fioti, para prestar um último carinho ao dono que o acompanhou pelos seus 12 anos caninos. 

"Trouxe ele agora para curtir esse último momento. Foi emocionante, ele ficou ali, mas sem saber o que estava se passando, né... só ele no coraçãozinho dele sabe", pontuou o atual tutor.

Pares da comunicação e política

Jornalista e advogado, que trabalhou com o Antônio João por 40 anos, Hordones Rodrigues Echeverria frisa que, com a partida do Antônio João agora, o jornalismo sul-mato-grossense perde um grande profissional.

"Começou no Correio de Estado quando o jornal ainda funcionava no linótipo, depois que passou para o offset. Conduziu o jornal da máquina manual de digitar para a era do computador e agora com o celular. E facilitou a vida dos profissionais de imprensa em todos os setores", comentou. 

Outra figura que partilhou a comunicação com Antônio João foi Lucimar Couto, então diretor do site Campo Grande News, que deu seus primeiros passos na profissão junto ao Correio do Estado. 

"Comecei a minha vida profissional ali, em 1977. Mato Grosso ainda não tinha faculdade de jornalismo, na verdade, a redação era uma faculdade, o Antônio João foi o nosso professor", disse. 

"Penso que a grande força mesmo era como grande formador de opinião, como jornalista. Acho que essa é a memória que a gente vai lembrar do Antônio João, mais como um polemista e menos talvez como político. É fundador do PSD aqui no Estado, então ele teve esse trabalho de montar o partido desde o início, então é uma perda para nós", argumentou.

Além dele, o também político e jornalista, Maurício Picarelli, descreve Antônio João como irmão, por terem quase a mesma idade e pelos caminhos que trilharam, sendo o falecido um dos pontos mais importantes para sua trajetória política. 

"Ele me convidou para ser deputado, eu aceitei, fui eleito, continuei por oito mandatos. Nós fundamos o PSD, Antônio João sempre esteve no comando da política sul-mato-grossense em todos os sentidos, orientando, candidatos; prefeitos; governadores; senadores, deputados federais, estaduais, sempre participando ativamente da vida política do Estado de Mato Grosso do Sul e, através disso, ele conquistou grandes amizades e fez grandes feitos para o Estado de Mato Grosso do Sul", afirma.  

 Picarelli destacou as facetas de Antônio enquanto grande empresário, que também contribuiu com empresas de informação e comunicação para o Estado de Mato Grosso do Sul em termos de desenvolvimento, estrutura e informação "que a população tanto merecia e estava carente de tempo". 

"Fica a amizade, o respeito, o carinho e a gratidão, né? Tenho muita gratidão por ele, por tudo que ele fez por mim em como comunicador"

Além disso, ele lembrou os caminhos que ligaram os rumos dos dois ao de Delcídio do Amaral, uma vez que Antônio João era suplente do então senador e assumiu seu lugar quando este saiu para o Governo do Estado.

"Foi meu suplente e foi senador comigo. Foi muito importante na minha vida, primeiro jornalista que falou meu nome antes que eu imaginasse em ser político, foi o Antônio João, numa matéria em que eu estava no Ministério de Minas e Energia com o presidente Itamar Franco".  

Quanto às polêmicas, Delcídio aponta que: "todos os líderes são polêmicos", e quem conviveu com ele sabe que, apesar da dureza para com algumas pessoas, possuía um coração enorme. 

"Antônio ajudou muita gente que eu sei. Amizade desde 1998. Falei com ele semana passada e ele estava bem. Ficamos de marcar um almoço porque eu queria dar umas risadas. Conversávamos sobre passado, presente e futuro. Até que nesse fim de semana recebemos a notícia de que nosso amigo não estava bem, quando ele foi internado. Só depois vi a gravidade, e uma pena, o Antônio é uma pessoa de um simbolismo muito grande para Mato Grosso do Sul e a mídia daqui. Todo jornalismo passou por ele", concluiu.

Entre as coroas de flores, deixaram seu carinho: 

  • Carlos aberto de Assis 
  • Tribunal de Justiça 
  • Reinaldo Azambuja 
  • Família Diniz Contar 
  • Pedro Chaves 
  • Boca do Povo e Rádio Difusora Pantanal 
  • Depurada Mara Caseiro 
  • Pão e Tal 
  • Perkal automóveis 
  • Assembleia Legislativa 
  • José Bandeira e família 
  • Rádio Mega 94
  • Tv Guanandi 
  • Correio do Estado 
  • Ivanildo Miranda e família
  • Nelsinho Trad 
  • Jornal O Estado
  • SBT MS 
  • Ivan Paes Barbosa 
  • Ricardo Ayache 
  • Eduardo Riedel e família 
  • Henrique e Adriane de Medeiros 
  • Sobrinha Paula Cecília da Luz Rodrigues 
  • Academia sul-mato-grossense de Letras 
  • Cassems 
  • Murilo Zauith 

Assine o Correio do Estado

INTERIOR

Indígenas somam 40% da mão de obra em indústria de calçados de segurança em MS

Programa ajudou a diminuir a rotatividade de pessoal e até o volume de faltas, enquanto empresa já está há 20 meses consecutivos batendo metas de produção e faturamento

09/08/2026 12h30

Empresa viu índice de faltas sair de média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a rotatividade de pessoal caiu quase que pela metade

Empresa viu índice de faltas sair de média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a rotatividade de pessoal caiu quase que pela metade Reprodução/Assessoria/Bracol

Continue Lendo...

Para além de um domingo de Dia dos Pais, este 09 de agosto está marcado no calendário como o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Com Mato Grosso do Sul sendo o lar do 3° maior volume de concentração no Brasil, esses povos originários encontram em MS tanto a manutenção dos saberes quanto a incorporação de sua mão de obra à indústria local.

Entre os destaques, por exemplo, aparece a indústria nacional de calçados de segurança e EPIs, Bracol, onde cerca de 40% do quadro de funcionários é composto por indígenas que moram na região do município de Eldorado. 

Distante aproximadamente 442 quilômetros da Capital, no município que fica na microrregião de Iguatemi, extremo sul do Estado, há cerca de quatro anos a Bracol trabalha com intensas mudanças em sua política de Recursos Humanos (RH). 

Em outras palavras, para além de uma inclusão da liderança indígena local, essa indústria promoveu desde rota de ônibus na aldeia até treinamentos em guarani. 

Segundo o grupo, atualmente há 228 profissionais indígenas na Bracol em Eldorado, o que representa 40,21% do quadro total de colaboradores, em uma iniciativa que busca respeitar aspectos culturais, linguísticos e sociais para criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo. 

Sendo uma oportunidade de desenvolvimento profissional, o modelo têm dado resultados que impactam toda a operação e os negócios, um sucesso que ajudou a diminuir a rotatividade de pessoal (turnover) e até o volume de faltas. 

Thiago Honório é gerente de Recursos Humanos da Bracol e explica que, a inclusão vai além da simples contratação de profissionais indígenas, sendo um compromisso com a criação de oportunidades e pelo fim das barreiras culturais em busca de um bom convívio e melhor desenvolvimento na prática. 

"Ao longo do processo, percebemos que a inclusão não dependia apenas da adaptação dos novos colaboradores à rotina industrial, mas também da capacidade da organização de compreender e respeitar suas particularidades culturais. Por isso, promovemos uma mudança de mentalidade dentro da empresa, incentivando o diálogo, o respeito às diferenças e a construção de um ambiente mais acolhedor", diz o gerente de RH.

Entenda

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao último censo em 2022, compilados através do Painel Povos Originários, Mato Grosso do Sul soma A 3ª maior concentração de povos originários do Brasil, aproximadamente 116.469 indígenas. 

Os números mostram que mais da metade dessa população vive fora das terras indígenas (59%), espalhada pelos 79 municípios do Estado. A maior parte da população é composta por mulheres, chegando a 50,7% do total. As seguintes cidades contram o maior número de povos originários: 

  • Campo Grande (18.434),
  • Dourados (12.054), 
  • Amambai (9.988), 
  • Aquidauana (9.428) e 
  • Miranda (8.866). 

Nesse caso da Bracol, os profissionais chegam à indústria vindos das comunidades de Cerrito, em Eldorado (MS), e Porto Lindo, em Japorã (MS). Por isso a empresa também implantou uma rota de ônibus dentro da aldeia para facilitar o deslocamento diário desses trabalhadores, que antes tinham que percorrer cerca de oito quilômetros até chegar ao ponto de embarque.

Para além de um acompanhamento individual dos novos colaboradores durante a integração de novos funcionários, também durante a Semana dos Povos Indígenas e outras datas relevantes para as comunidades,a empresa passou a ajustar sua programação. 

O intuito é justamente conciliar as necessidades produtivas com a participação dos colaboradores em eventos culturais, demonstrando respeito às tradições e valores das comunidades. 

Morador de Japorã formado em Gestão de Recursos Humanos, Juliano Misael Lopes é um dos exemplos do programa da empresa. Contratado há quatro anos para trabalhar como operador de máquinas, ele foi promovido à liderança de produção e chegou à função de analista de campo do RH em abril de 2026, há cerca de quatro meses.  

Depois de fazer toda a trajetória na empresa, agora é Juliano quem participa da integração de novos colaboradores, bem como se encarrega de ministrar treinamentos na língua guarani e auxilia na tradução dos procedimentos operacionais da fábrica.
 
Sobre os resultados do programa, a empresa viu o índice de faltas na unidade sair de uma média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a própria rotatividade de pessoal que já chegou a atingir 12% caiu quase pela metade (7%). 

Como se não bastasse, há mais de um ano, por 20 meses consecutivos, a indústria de calçados de segurança e EPIs de Eldorado bate as metas tanto de produção como de faturamento. 

“Os indicadores comprovam a efetividade da iniciativa, mostrando que políticas de diversidade e inclusão, quando implementadas de forma consistente, são traduzidas em resultados mensuráveis, maior comprometimento das equipes e fortalecimento  da cultura organizacional da empresa. E torna-se exemplo para  implantação de modelos de inclusão nas outras 4 unidades fabris da empresa, de acordo com as características locais de cada comunidade”, completa Honório. 
**(Com assessoria)

 

Assine o Correio do Estado

LOCALIZADA

Sequestrada em Campo Grande, Ayla é resgatada no Paraguai

Recém-nascida de apenas um mês foi encontrada com vida e casal é preso em flagrante na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero

09/08/2026 11h11

Ayla foi encontrada em uma residência localizada no bairro chamado Virgen de Caacupé. 

Ayla foi encontrada em uma residência localizada no bairro chamado Virgen de Caacupé.  Reprodução/Redes Sociais

Continue Lendo...

Ainda nas primeiras horas da madrugada deste domingo (09), a pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza, desaparecida na última quinta-feira (06) em Campo Grande antes de completar um mês de vida, foi localizada e resgatada no Paraguai, na cidade de Pedro Juan Caballero (PJC). 

Ayla foi encontrada em uma residência localizada no bairro chamado Virgen de Caacupé. Weliton e Suzilaine. Foto: Reprodução/Notícias Central

Fronteiriça por divisa seca, a cidade gêmea do município sul-mato-grossense de Ponta Porã foi o destino do casal Weliton Aparecido Lopes dos Santos e Suzilaine da Graça Costa, brasileiros que estavam com a criança no país vizinho. 

Ayla foi encontrada em uma residência, no Paraguai, localizada no cruzamento das ruas batizadas de Alejo García e Coronel Martínez, que fica no bairro chamado Virgen de Caacupé. 

Após essa operação de resgate, a criança foi levada diretamente até o setor de emergência do Hospital Regional de PJC, para exames de praxe e onde ficará um tempo sob observação médica. 

Desaparecida desde a última quinta-feira (06), o alerta em busca da pequena Ayla chegou a circular na plataforma "Amber Alert Brasil", Programa estabelecido nos Estados Unidos e adotado no País pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública que ativa um comunicado especial encaminhado para as plataformas da Meta, que passa a publicar o alerta em um raio de até 160 quilômetros do local de onde o fato foi registrado. 

Informações da mídia paraguaia, publicadas no portal local Notícias Central, indicam que a destituição e custódia da pequena Ayla estão no momento sob a competência das autoridades do país vizinho e do Ministério da Defesa Pública do Paraguai. 

Relembre

Como bem acompanha o Correio do Estado, a situação passou a ser contada a partir da ótica de um caso de cárcere de uma adolescente e sua irmã, de 17 e 13 anos respectivamente. 

Em entrevista ao Correio do Estado, a madrinha da bebê chegou a contar que a adolescente conheceu uma mulher em um grupo de doações no WhatsApp. Segundo ela, a suspeita inicialmente doou roupas para a criança e, dias depois, ofereceu um ensaio fotográfico. Como o encontro não aconteceu, a mulher teria feito uma proposta de trabalho para a jovem.

Ela cita que essa adolescente teria aceitado cuidar de um bebê de seis meses pelo valor de R$100, recebendo autorização para levar a própria filha. Ela foi até o endereço acompanhada de Ayla e da irmã, de 13 anos, que iria ajudar a mãe da bebê durante o trabalho.

Ainda conforme a madrinha, ao chegarem ao imóvel, as duas adolescentes foram surpreendidas por pessoas que as renderam.

"Eles abordaram elas, amarraram elas e trancaram uma no banheiro e a outra em um quarto com a neném. Elas ficaram lá até por volta de uma da manhã, quando foram soltas em um terreno baldio, nas proximidades da Avenida Guaicurus", afirmou.

Após serem libertadas, as adolescentes caminharam de volta para casa. Desde então, a bebê não foi mais encontrada. A família informou que tentou localizar o imóvel onde elas haviam sido levadas, mas não conseguiu encontrá-lo. O celular da mãe também não foi devolvido.

A Polícia Militar informou que realizou o primeiro atendimento da ocorrência, mas que o caso está sob responsabilidade da Polícia Civil. A corporação informou ainda que, até o momento, a ocorrência não é tratada oficialmente como sequestro, e que as circunstâncias ainda estão sendo apuradas.

"A equipe da PM fez o primeiro atendimento e, como elas não recordavam direito das informações, todas foram levadas para a delegacia. As diligências seguem com a equipe da Polícia Civil", informou.

Ainda ontem (08), um suposto envolvido chegou a ser preso e ouvido. Localizado em ação conjunta dos agentes da Depca com membros da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras), esse indivíduo seria o proprietário da casa emprestada para esconder a criança. 

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).