Cidades

CASAS POPULARES

Emha garante que não há como ter vantagem em programas habitacionais

Autarquia afirma que investigado pela Polícia Civil e o Ministério Público foi demitido dois anos antes de denúncias

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Após reportagem do Correio do Estado mostrar que há duas investigações em andamento sobre supostos servidores da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) que ofereciam vantagens para regularização de casas populares, a autarquia municipal garantiu que não há como ninguém obter esse tipo de benefício em programas habitacionais.

A matéria publicada ontem mostrou que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e a Polícia Civil instauraram inquérito para apurar suposta prática de corrupção passiva de servidores que atuariam na autarquia municipal.

Conforme boletim de ocorrência registrado em agosto de 2024, na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, um homem teria sido convencido a pagar R$ 4 mil a um suposto servidor da Emha, com a promessa de resolver pendências habitacionais da residência da mãe da vítima.

O fato, apesar de ter ocorrido há um ano e meio, só se tornou inquérito policial em novembro do ano passado.

A vítima, Ademir Pereira do Nascimento, de 55 anos, conta que em junho de 2024 foi até a Emha para regularizar a titularidade de imóvel popular que seria de sua mãe.

Após um primeiro atendimento, ele teria sido levado a uma outra sala, onde alega ter falado com Alessandro Alves Ferreira, de 49 anos, que afirmou que faria a regularização do imóvel para Ademir.

“Conforme relato, após atendimento inicial em 09/06/2024, o suspeito teria ajustado o valor total de R$ 4.000,00, pagos via Pix em três ocasiões: R$ 2.000,00 (10/06/2024, às 12h55min); R$ 1.000,00 (01/07/2024, às 12h04min); e R$ 1.000,00 (07/08/2024, às 19h33min), todos supostamente destinados à conta pessoal do noticiado. Após os pagamentos, o comunicante relata ausência de retorno e prometeu apresentar os comprovantes correspondentes”, diz trecho da denúncia feita na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Durante este período, a vítima conta que Alessandro o orientava a comparecer na Emha para realizar alguns passos do processo.

Após o pagamento das parcelas até ficar quite com o servidor, Ademir ligou algumas vezes para o funcionário a fim de saber como estava o andamento do processo para regularizar o imóvel, e Alessandro o informava que estava nos conformes.

“No mês de agosto [2024], foi feito o último pagamento, no dia 7 de agosto, de mais mil reais, e novamente Alessandro Alves disse que o processo estava em cartório, mas já em fase final. O declarante entrou em contato com outro funcionário da Emha e ficou sabendo que o processo do imóvel estava parado, ainda engavetado, sem previsão de análise, o que contrariou a conversa de Alessandro”, disse Ademir no termo de declaração sobre o caso.

Após saber da real situação do imóvel, a vítima procurou Alessandro para questioná-lo sobre sua atuação no processo e se realmente era servidor da agência.

“Em contato com Alessandro, ele alegou que o serviço dele estaria dentro da legalidade e pautado por advogado e que não devolveria o valor já pago”, afirma.

Porém, em nota encaminhada à reportagem após a publicação da primeira reportagem, a Emha afirmou que Alessandro foi demitido da autarquia há 2 anos, como mostrou a matéria, e que não há como fraudar o processo de beneficiamento dos programas habitacionais.

“A Emha esclarece que não há qualquer possibilidade de obtenção de vantagem indevida para regularização de imóveis ou acesso a programas habitacionais, uma vez que todos os processos seguem critérios técnicos, fluxos administrativos definidos e um cronograma de estudos conduzido por um comitê especializado, responsável pelas análises e deliberações, de forma coletiva e transparente”, diz trecho da nota. 

“A Emha ressalta ainda que não compactua com práticas ilegais ou condutas que violem os princípios da administração pública e permanece à disposição dos órgãos de controle, colaborando sempre que solicitada, além de reafirmar seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência na condução de suas ações”, completou a autarquia.

A agência municipal não explicou, porém, o motivo do ex-servidor estar na sede da Emha em junho de 2024, conforme narra a denúncia da vítima, já que, segundo publicação do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a exoneração de Alessandro Alves Ferreira foi publicada em abril daquele mesmo ano, portanto, dois meses antes do fato ter ocorrido.

A investigação do MPMS, que foi aberta em setembro do ano passado, está em segredo de Justiça.

*Saiba

A vítima buscava colocar o imóvel popular, que era de sua falecida mãe, em seu nome, mas relatou que estava encontrando dificuldade, porque a casa não estava regularizada.

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campo grande

Ex-funcionário é preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha e bacon de empresa

Homem confessou o crime e revelou que utilizava uma chave antiga guardada desde o período em que trabalhava no local para cometer os furtos

17/08/2026 18h15

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00 Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Um homem de 24 anos, identificado pelas iniciais L. C. O. E. foi preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha, bacon e suco de uma empresa onde havia trabalhado, no Jardim Carioca, em Campo Grande.

De acordo com a Polícia Civil, na madrugada do último sábado (15), o supervisor de cargas e descargas da transportadora acionou a polícia após notar, pelo sistema de monitoramento, que um ex-funcionário invadiu o depósito de produtos congelados.

Com base em informações de inteligência levantadas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf), que já monitorava ocorrências anteriores na câmara frigorífica da mesma empresa, equipe tática do Grupo de Operações e Investigações (GOI) intensificou ações de patrulhamento e a vigilância na região.

Por volta das 4h, investigadores, com apoio da Força Tática da Polícia Militar (PM) interceptaram um veículo Chevrolet Onix, na Avenida Sete.

O carro era conduzido pelo ex-funcionário e, dentro do veículo, foram encontrados e apreendidos 13 caixas de picanha fatiada Friboi, avaliadas em R$ 12.950,00; duas caixas de bacon Seara, no valor de R$ 580, e um fardo de suco Prates de 1,5 litro, avaliado em R$ 100, totalizando R$ 13.630,00 em produtos furtados.

O suspeito confessou o crime e afirmou que utilizava uma chave antiga, guardada desde o período em que trabalhava no local, para acessar o escritório e abrir a câmara fria.

Ele disse ainda que havia a suposta colaboração de um outro funcionário atual da empresa nos crimes.

Na abordagem, o suspeito estava acompanhado do irmão, de 26 anos, que alegou ter sido chamado apenas para receber uma suposta carne de presente e que não sabia da origem ilícita dos itens.

Ambos foram detidos e encaminhados à delegacia, onde foram autuados por furto qualificado durante o repouso noturno, pelo concurso de pessoas e pelo abuso de confiança. O caso segue sob investigação.

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00Caixas de picanha e bacon estavam no interior de um Onix (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

Mobilização

IBGE em MS pode entrar em greve; servidores decidem na quarta sobre paralisação

Núcleo estadual está em estado de greve, mas adesão ainda é baixa; assembleia marcada para quarta-feira (19) definirá se servidores de MS vão aderir à paralisação.

17/08/2026 17h54

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional.

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional. Foto: Reprodução.

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Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Mato Grosso do Sul ainda não aderiram à greve iniciada em outras unidades do país e decidirão, na próxima quarta-feira (19), se vão se juntar à paralisação. A decisão será tomada durante uma assembleia geral da categoria no Estado.

O núcleo estadual está atualmente em estado de greve, situação em que os trabalhadores permanecem em atividade, mas se mantêm mobilizados para uma possível paralisação. 

A informação foi confirmada à equipe de reportagem do Correio do Estado por uma servidora do IBGE em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, apesar da mobilização nacional, ainda não há greve no Estado.

“O sindicato declarou estado de greve, mas ainda não é greve. Na quarta-feira vai ter uma assembleia geral do sindicato aqui de MS e será votado se vai ter greve ou não”, explicou.

A servidora também relatou que, neste momento, a mobilização entre os trabalhadores sul-mato-grossenses ainda é pequena. Conforme a avaliação dela, mesmo que a paralisação seja aprovada na assembleia, parte dos funcionários poderá permanecer trabalhando.

“A adesão dos servidores aqui está baixa. Se for declarado, muitos aqui não vão aderir”, afirmou.

A situação coloca Mato Grosso do Sul entre os oito núcleos que, conforme levantamento divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN), estão em estado de greve, etapa anterior à eventual aprovação de uma paralisação.

Além de Mato Grosso do Sul, estão nessa condição os núcleos de Sergipe, Piauí, Espírito Santo, a unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), a unidade do Canabarro, também no Rio de Janeiro (RJ), Paraná e Rio Grande do Sul.

Mato Grosso e Pará possuem indicativo de greve, enquanto Bahia e Sede já aprovaram a paralisação.

Greve começou em 10 de agosto

A mobilização nacional dos trabalhadores do IBGE começou em 10 de agosto e faz parte de um calendário de reivindicações definido durante a Reunião de Direção Nacional da ASSIBGE-SN, realizada entre 9 e 11 de julho.

A paralisação ocorre em meio a uma escalada das divergências entre servidores e a direção do instituto, comandada pelo presidente Marcio Pochmann.

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão questões relacionadas ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD) dos servidores que ingressaram por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), além da criação de comissões paritárias para discutir o programa e a experiência dos novos funcionários.

A pauta também inclui o retorno dos critérios anteriores para pagamento da indenização de campo, reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários, eleição do Comitê de Carreira, negociação dos dias paralisados em uma greve anterior na unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), e reabertura dos canais de diálogo entre trabalhadores e direção.

Um dos principais pontos de insatisfação envolve justamente as regras de trabalho dos novos servidores.

De acordo com a entidade sindical, trabalhadores aprovados no concurso haviam recebido a informação de que poderiam ingressar no regime híbrido depois de determinado período, mas uma portaria publicada posteriormente teria modificado essa previsão.

O sindicato questiona ainda mudanças relacionadas à indenização de campo, benefício destinado a trabalhadores que realizam atividades externas.

Paralisação já atinge outros estados

Enquanto Mato Grosso do Sul ainda discute uma possível adesão, a greve já alcança unidades do IBGE em outras regiões.

No Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo sindicato, a mobilização chegou à sede do instituto e à Superintendência Estadual. Na Bahia, a entidade informou adesão de parte dos trabalhadores.

Apesar do avanço da mobilização, não há, até o momento, indicação de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas programadas pelo IBGE.

A estratégia da ASSIBGE-SN é ampliar gradualmente o movimento nos estados. A entidade orienta que cada núcleo realize sua própria assembleia antes de aderir formalmente à paralisação.

De acordo com as orientações distribuídas aos trabalhadores, após a aprovação da greve em uma unidade, o núcleo sindical deve comunicar oficialmente a decisão à respectiva Superintendência ou Diretoria e encaminhar a ata da assembleia à Executiva Nacional da entidade.

A orientação é para que a paralisação comece 72 horas depois da deliberação local.

Servidores são orientados a interromper atividades

Caso a greve seja aprovada em Mato Grosso do Sul na quarta-feira, os servidores que decidirem aderir deverão comunicar individualmente a decisão à chefia imediata e ao núcleo sindical.

Os dias de paralisação deverão ser registrados no sistema de controle de frequência com o código correspondente à greve, para posterior negociação.

A orientação também alcança os funcionários que trabalham remotamente. Segundo o sindicato, quem aderir ao movimento deverá interromper integralmente as atividades profissionais durante a paralisação, inclusive o acesso aos sistemas internos, Microsoft Teams, e-mails e mensagens relacionadas ao trabalho.

A entidade também orienta os núcleos a realizarem levantamentos periódicos sobre o número de servidores que aderirem, permitindo acompanhar a evolução do movimento em cada estado.

Categoria questiona gestão do instituto

Além das reivindicações trabalhistas, representantes sindicais têm feito críticas à condução administrativa do IBGE.

A ASSIBGE-SN questiona decisões relacionadas à participação dos servidores na gestão, às condições estruturais das unidades e à área de tecnologia do instituto.

Entre os pontos levantados está uma contratação estimada em aproximadamente R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

O sindicato questiona a transferência de serviços e recursos tecnológicos e sustenta que o próprio IBGE dispõe de estrutura de processamento de dados.

A entidade também relata problemas de infraestrutura em unidades do instituto, incluindo dificuldades relacionadas à internet, energia elétrica, mobiliário e espaços destinados ao trabalho presencial.

Em relação aos servidores que participarem da greve, o sindicato afirma que a adesão ao movimento não configura falta grave.

A entidade ressalta, porém, que decisões do Supremo Tribunal Federal admitem o desconto dos dias não trabalhados, salvo quando houver acordo para compensação.

Em Mato Grosso do Sul, porém, qualquer paralisação ainda depende da decisão dos próprios servidores. A assembleia de quarta-feira será o ponto decisivo para definir se o Estado continuará apenas em estado de greve ou passará a integrar efetivamente o movimento nacional.

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