Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Mato Grosso do Sul ainda não aderiram à greve iniciada em outras unidades do país e decidirão, na próxima quarta-feira (19), se vão se juntar à paralisação. A decisão será tomada durante uma assembleia geral da categoria no Estado.
O núcleo estadual está atualmente em estado de greve, situação em que os trabalhadores permanecem em atividade, mas se mantêm mobilizados para uma possível paralisação.
A informação foi confirmada à equipe de reportagem do Correio do Estado por uma servidora do IBGE em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, apesar da mobilização nacional, ainda não há greve no Estado.
“O sindicato declarou estado de greve, mas ainda não é greve. Na quarta-feira vai ter uma assembleia geral do sindicato aqui de MS e será votado se vai ter greve ou não”, explicou.
A servidora também relatou que, neste momento, a mobilização entre os trabalhadores sul-mato-grossenses ainda é pequena. Conforme a avaliação dela, mesmo que a paralisação seja aprovada na assembleia, parte dos funcionários poderá permanecer trabalhando.
“A adesão dos servidores aqui está baixa. Se for declarado, muitos aqui não vão aderir”, afirmou.
A situação coloca Mato Grosso do Sul entre os oito núcleos que, conforme levantamento divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN), estão em estado de greve, etapa anterior à eventual aprovação de uma paralisação.
Além de Mato Grosso do Sul, estão nessa condição os núcleos de Sergipe, Piauí, Espírito Santo, a unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), a unidade do Canabarro, também no Rio de Janeiro (RJ), Paraná e Rio Grande do Sul.
Mato Grosso e Pará possuem indicativo de greve, enquanto Bahia e Sede já aprovaram a paralisação.
Greve começou em 10 de agosto
A mobilização nacional dos trabalhadores do IBGE começou em 10 de agosto e faz parte de um calendário de reivindicações definido durante a Reunião de Direção Nacional da ASSIBGE-SN, realizada entre 9 e 11 de julho.
A paralisação ocorre em meio a uma escalada das divergências entre servidores e a direção do instituto, comandada pelo presidente Marcio Pochmann.
Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão questões relacionadas ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD) dos servidores que ingressaram por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), além da criação de comissões paritárias para discutir o programa e a experiência dos novos funcionários.
A pauta também inclui o retorno dos critérios anteriores para pagamento da indenização de campo, reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários, eleição do Comitê de Carreira, negociação dos dias paralisados em uma greve anterior na unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), e reabertura dos canais de diálogo entre trabalhadores e direção.
Um dos principais pontos de insatisfação envolve justamente as regras de trabalho dos novos servidores.
De acordo com a entidade sindical, trabalhadores aprovados no concurso haviam recebido a informação de que poderiam ingressar no regime híbrido depois de determinado período, mas uma portaria publicada posteriormente teria modificado essa previsão.
O sindicato questiona ainda mudanças relacionadas à indenização de campo, benefício destinado a trabalhadores que realizam atividades externas.
Paralisação já atinge outros estados
Enquanto Mato Grosso do Sul ainda discute uma possível adesão, a greve já alcança unidades do IBGE em outras regiões.
No Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo sindicato, a mobilização chegou à sede do instituto e à Superintendência Estadual. Na Bahia, a entidade informou adesão de parte dos trabalhadores.
Apesar do avanço da mobilização, não há, até o momento, indicação de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas programadas pelo IBGE.
A estratégia da ASSIBGE-SN é ampliar gradualmente o movimento nos estados. A entidade orienta que cada núcleo realize sua própria assembleia antes de aderir formalmente à paralisação.
De acordo com as orientações distribuídas aos trabalhadores, após a aprovação da greve em uma unidade, o núcleo sindical deve comunicar oficialmente a decisão à respectiva Superintendência ou Diretoria e encaminhar a ata da assembleia à Executiva Nacional da entidade.
A orientação é para que a paralisação comece 72 horas depois da deliberação local.
Servidores são orientados a interromper atividades
Caso a greve seja aprovada em Mato Grosso do Sul na quarta-feira, os servidores que decidirem aderir deverão comunicar individualmente a decisão à chefia imediata e ao núcleo sindical.
Os dias de paralisação deverão ser registrados no sistema de controle de frequência com o código correspondente à greve, para posterior negociação.
A orientação também alcança os funcionários que trabalham remotamente. Segundo o sindicato, quem aderir ao movimento deverá interromper integralmente as atividades profissionais durante a paralisação, inclusive o acesso aos sistemas internos, Microsoft Teams, e-mails e mensagens relacionadas ao trabalho.
A entidade também orienta os núcleos a realizarem levantamentos periódicos sobre o número de servidores que aderirem, permitindo acompanhar a evolução do movimento em cada estado.
Categoria questiona gestão do instituto
Além das reivindicações trabalhistas, representantes sindicais têm feito críticas à condução administrativa do IBGE.
A ASSIBGE-SN questiona decisões relacionadas à participação dos servidores na gestão, às condições estruturais das unidades e à área de tecnologia do instituto.
Entre os pontos levantados está uma contratação estimada em aproximadamente R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
O sindicato questiona a transferência de serviços e recursos tecnológicos e sustenta que o próprio IBGE dispõe de estrutura de processamento de dados.
A entidade também relata problemas de infraestrutura em unidades do instituto, incluindo dificuldades relacionadas à internet, energia elétrica, mobiliário e espaços destinados ao trabalho presencial.
Em relação aos servidores que participarem da greve, o sindicato afirma que a adesão ao movimento não configura falta grave.
A entidade ressalta, porém, que decisões do Supremo Tribunal Federal admitem o desconto dos dias não trabalhados, salvo quando houver acordo para compensação.
Em Mato Grosso do Sul, porém, qualquer paralisação ainda depende da decisão dos próprios servidores. A assembleia de quarta-feira será o ponto decisivo para definir se o Estado continuará apenas em estado de greve ou passará a integrar efetivamente o movimento nacional.


