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Empreendedoras alavancam setor do turismo em Coronel Camisão

Quatro mulheres decidiram investir na gastronomia apostando no desenvolvimento do distrito, em Aquidauana, que integra a rota turística da Estrada Parque de Piraputanga

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Com registro de ao menos três mil visitantes nos fins de semana, atraídos pela exuberância da natureza emoldurada pelos portentosos Morro do Chapéu, Morro do Paxixi e Morro Azul, com o não menos importante Rio Aquidauana, o distrito aquidauanense de Coronel Camisão, na Estrada Parque de Piraputanga (formada também pela localidade do mesmo nome e por Palmeiras, este pertencente ao município de Dois Irmãos do Buriti), vem ganhando cada vez mais atenção pelo seu potencial nessa rota turística. 

O setor imobiliário, com cinco loteamentos e 750 terrenos, alguns com obras residenciais em andamento, cresce significativamente, e empreendimentos estão sendo implantados na região, fazendo com que o poder público de Aquidauana e o governo do Estado façam estudos de mais investimentos em infraestrutura e em acessibilidade, que os moradores, um total de 1.380 pessoas, esperam ansiosos. 

Entre esses empreendedores, quatro mulheres se destacam, seja pela visão de futuro seja em função do trabalho que desenvolvem no ramo da gastronomia. Assim, aqueles que chegam até a localidade, vindos com veículos particulares, ônibus fretados, bicicletas e motos, têm a oportunidade de curtir a natureza com o prazer de saborear comida típica, como arroz com pequi e pratos à base de peixes.

Neguinha, a pescadora

As quatro empreendedoras tiveram como “curso de especialização” apenas a visão de futuro quando decidiram dar uma guinada na rotina que mantinham nos últimos quatro anos. A Estrada Parque de Piraputanga foi um norte para tomar a decisão. 

“Não me chame de Eronildes, aqui só me conhecem por Neguinha”, afirma, sempre sorridente, a dona do Restaurante da Neguinha, Eronildes Constant dos Santos. Casada com Adilson Ramos, ambos se dizem exímios pescadores. Hoje, porém, é ela quem se encarrega de trazer os peixes (das espécies pintado, pacu e jiripoca, principalmente) para servir à clientela, que a cada dia tem aumentado.

“Na minha canoa eu levo todas as minhas traias para ficar uns 15 dias acampada”, conta Eronildes, que explica trabalhar à moda antiga: nada de molinete ou outro tipo de equipamento, e sim se utilizando da linhada de mão (linha com anzóis enrolada em uma garrafa). A isca que ela utiliza é a carne bovina.

Um dos motivos que contribuíram para essa decisão de inaugurar um restaurante foi o fato de ter conquistado o 1º lugar no concurso gastronômico da Festa do Peixe. O prato? Escondidinho de jiripoca. Ela já foi entrevistada para o programa da apresentadora Ana Maria Braga, da Rede Globo. 

Recebeu também homenagem (em maio de 2022) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, com a Comenda do Mérito do Trabalho Wilson Fadul, de autoria do então deputado Felipe Orro. Sempre sorridente, Eronildes afirma: “Camisão é o futuro”.
 

Do hambúrguer aos peixes

A visão empreendedora de Patrícia Alves uniu o útil ao agradável para ampliar os negócios e conquistar renda maior. Com a Estrada Parque de Piraputanga totalmente asfaltada e atraindo cada vez mais os turistas para a região, ela decidiu colocar em prática, de forma mais acentuada, o prazer pela gastronomia. 

Assim, a tradicional conveniência Amigos do Vovô, de seu esposo, Waldemir Oliveira dos Santos, transformou-se em Restaurante Sabor do Peixe. “O aumento no número de clientes foi de mais de 80%”, relata. 

Patrícia é campo-grandense e foi morar em Camisão há alguns anos, para ficar próxima da irmã, a quem, segundo ela, é “muito apegada”. Há cerca de quatro anos, a situação mudou completamente, pois a Estrada Parque de Piraputanga alavancou o empreendimento de Patrícia e Waldemir. Daqui para frente, é “continuar ajudando no desenvolvimento de Camisão”, frisa.
 

A troca da Capital pelo interior

Depois de mais uma vez visitar Camisão para descansar dos dias agitados no restaurante que possuía em Campo Grande, no qual servia comida caseira, no Jardim das Nações, Márcia Mara Sena Ribeiro conversou com o marido e decidiram mudar-se para o distrito e começar um novo empreendimento.

“Percebi que aqui [Camisão] tinha potencial. É uma região muito bonita, e resolvi apostar em um restaurante à base de peixe. O meu marido fazia esses pratos em casa, para a gente mesmo. Hoje, aqui no MN Restaurante e Conveniência, ele é o cozinheiro. A parte administrativa e a de atendimento aos clientes ficam por minha conta”, explica.

“Começamos a atender em duas portinhas e aí fomos investindo por conta da procura. Construímos esse varandão e colocamos mais mesas, pois vêm muitos turistas de outros estados. Muita gente vem de cidades próximas, e a Estrada Parque é rota dos grupos de ciclistas e motociclistas. Nós aqui atendemos de segunda a segunda e servimos café da manhã, almoço e janta. Felizmente, estamos contribuindo para gerar renda. Uma coisa eu digo para você: sair daqui, nem pensar”, garante.
 

Volta às origens

Depois de morar 10 anos em Campo Grande e atuar em outras atividades, como em salões de beleza, por exemplo, Dilcéia Vila Maior da Silva voltou para Coronel Camisão, onde passou a auxiliar a mãe, que mantinha uma pousada e fornecia refeições para alguns visitantes, principalmente para quem vinha pescar.
“O comércio está no meu sangue, pois sou neta e filha de comerciantes. Eles sempre tiveram daqueles armazéns [fora da via principal] que forneciam todo tipo de mercadoria. Ajudava minha mãe e ela me ensinou a cozinhar”, relata.

Era, porém, um período difícil, segundo ela, pois o asfalto ligava Aquidauana a Camisão (pavimentação feita no governo Pedrossian), mas quem vinha de Campo Grande, por exemplo, tinha de enfrentar muitos buracos na estrada de terra no sentido Piraputanga.

Em 2015, Dilcéia decidiu “vir para o asfalto”, ou seja, se instalar na Avenida Demósthenes Martins, a Avenida Principal, criando o restaurante Águas do Paxixi, onde prepara pessoalmente os pratos, tendo como fiéis escudeiras a filha Carol Acelita (na administração) e a ajudante Talia Pereira de Souza (nos fins de semana, quando a casa lota). 

Dessa forma, o movimento aumentou 100%. Seu tino para o negócio faz com que mantenha ainda uma mercearia e, durante a semana, forneça prato feito e marmitex para trabalhadores das obras dos empreendimentos imobiliários de Camisão. 

“Quero sempre o melhor, em todos os sentidos, para a terra onde nasci”, completa.

Documentação

Mutirão para emitir novo RG sem agendamento terá dois dias em Campo Grande

Ação será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, no Pátio Central, com atendimento para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN).

08/09/2026 19h33

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande.

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Quem precisa emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), documento que substitui gradualmente o antigo RG, terá uma nova oportunidade de buscar atendimento em Campo Grande. O Pátio Central recebe, nos dias 11 e 12 de setembro, a segunda edição do Mutirão de Emissão de RG.

A ação será realizada no Posto de Identificação localizado no 2º piso do Pátio Central, no Centro da Capital. Na sexta-feira (11), o atendimento ocorrerá das 8h às 17h30. Já no sábado (12), o serviço estará disponível das 8h às 16h30.

A primeira emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) é gratuita. Já para a segunda via pode haver cobrança de taxa, conforme o motivo da solicitação e as regras vigentes em Mato Grosso do Sul. Em situações específicas, o cidadão também pode ter direito à isenção do pagamento.

A iniciativa chega à segunda edição com a proposta de ampliar o acesso da população ao serviço de identificação e oferecer uma alternativa para quem precisa solicitar o documento, concentrando os atendimentos durante dois dias.

O mutirão é realizado pelo Pátio Central em parceria com órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, responsável pelos serviços de identificação no Estado.

Novo RG

Apesar de a divulgação da ação utilizar a expressão “emissão de RG”, o documento atualmente expedido segue o padrão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), criada para unificar a identificação dos brasileiros.

Uma das principais mudanças é a adoção do CPF como número único de identificação, evitando que uma mesma pessoa tenha números de RG diferentes em cada unidade da Federação.

A CIN também conta com elementos destinados a aumentar a segurança e facilitar a verificação da autenticidade do documento.

A implantação do novo modelo ocorre de forma gradual em todo o País. Por isso, quem ainda possui a carteira de identidade no modelo antigo não precisa necessariamente substituí-la de imediato apenas por causa da mudança de padrão, desde que o documento continue dentro das regras de validade aplicáveis.

Para quem precisa emitir a primeira via da CIN ou atualizar a documentação, o mutirão concentra o serviço em um ponto de fácil acesso na região central de Campo Grande.

Confira os horários

O 2º Mutirão de Emissão de RG será realizado no Posto de Identificação do Pátio Central, no 2º piso. Na sexta-feira, 11 de setembro, o atendimento será das 8h às 17h30. No sábado, 12 de setembro, será das 8h às 16h30.

Estatística

Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%

Comunicação adequada e humanizada pode mudar essa realidade

08/09/2026 19h00

Divulgação/Ministério da Saúde

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O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.  

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