Cidades

Investigação

Esquema bilionário do jogo do bicho em SP e no RJ tinha ramificação em MS

A Operação Conexão Rio Preto, da Polícia Federal, cumpriu um dos mandados de prisão preventiva em Campo Grande

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Um esquema que movimentou mais de R$ 2 bilhões em sete anos por meio do jogo do bicho mantinha ramificação em Campo Grande e foi desmantelado pela Polícia Federal (PF). Há suspeita de envolvimento com grandes bicheiros do Rio de Janeiro, além da participação de facção criminosa.

Na manhã de ontem, a Polícia Federal, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) em São José do Rio Preto, deflagrou a Operação Conexão Rio Preto, que resultou no cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão e 9 mandados de prisão preventiva, incluindo um na capital sul-mato-grossense.

“Segundo os elementos reunidos na investigação, os suspeitos teriam prestado serviço de lavagem de capitais relativo à exploração do jogo do bicho e do vídeo bingo no estado do Rio de Janeiro, por meio de máquinas de pagamento por cartão instaladas nas bancas, de contas de empresas de fachada e de saques fracionados em espécie”, explica o MPSP em nota.

Ainda de acordo com a investigação, entre janeiro de 2019 e março deste ano, o grupo movimentou cerca de R$ 2 bilhões, dos quais pelo menos R$ 100 milhões teriam sido sacados em determinado momento.

Um dos núcleos da organização atuava em São José do Rio Preto, utilizando empresas do ramo da construção civil para movimentação e para ocultação de recursos.

Conforme informações veiculadas pelo jornal local Gazeta de Rio Preto, a empresa alvo da operação seria a Construtora Nathan Malavasi, que tem Nathan Felipe Rodrigues Malavasi como sócio-administrador. Em pesquisa realizada pelo Correio do Estado, a companhia foi aberta em 2022 e tem capital social de R$ 1 milhão.

Além das prisões e das buscas, a Justiça deferiu medidas cautelares patrimoniais que alcançam 18 pessoas físicas e jurídicas e compreendem o sequestro de bens e ativos, o bloqueio de valores em contas bancárias, a indisponibilidade de criptoativos e a constrição de veículos, que chegou ao valor de R$ 2 bilhões.

De acordo com apuração da CNN Brasil, os investigadores desconfiam que “nomes grandes” do jogo do bicho devem estar envolvidos neste esquema.

Além disso, há a suspeita de que alguma facção criminosa tenha participação, justamente pela quantia de dinheiro que foi levantada e a sofisticação do crime.

Ainda segundo o portal de notícias, a investigação começou no ano passado, quando um veículo apreendido continha R$ 480 mil em espécie e uma lista com nomes ligados ao jogo do bicho.

Os investigados devem responder, a depender da função de cada um no esquema, por lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, crimes somados que podem chegar a 16 anos de prisão e multa. Ao todo, 88 policiais federais e 4 promotores de Justiça participaram da operação.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal, tanto de Campo Grande quanto de São José do Rio Preto, para saber mais detalhes da atuação do grupo, especialmente sobre a função que o preso na Capital exercia no esquema. Porém, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

CUSTODIADO

Vale destacar que Rogério Costa Andrade, um dos maiores bicheiros do Rio de Janeiro e sobrinho do Castor de Andrade, está custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande desde novembro de 2024.

Ele foi preso em outubro de 2023 sob a acusação de ter encomendado a morte do também contraventor Fernando Iggnácio, ocorrida em novembro de 2020.

Ele é apontado como o chefe de um grupo criminoso “voltado para a prática de diversos crimes”, entre eles homicídio, corrupção, contravenção e lavagem de dinheiro. Além disso, é patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, também na capital fluminense.

* Saiba 

Importante destacar que o jogo do bicho em Campo Grande é gerido por um grupo de São Paulo que teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Campo Grande

Prefeitura moderniza licenças para tornar táxi atrativo

Para melhorar a adesão ao tradicional serviço de táxi, que sucumbiu aos aplicativos de transporte, prefeitura de Campo Grande liberou picapes e criou categoria Black

22/09/2026 08h05

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande impôs novas regras para o serviço de táxi, que perdeu força depois da popularização dos motoristas de aplicativos, especialmente depois da pandemia da Covid-19, e busca retomar parte da força que teve no passado nas ruas da Capital. As mudanças flexibilizam o serviço e têm objetivo de, em tese, torná-lo mais atrativo à população.

No decreto assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), publicado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), há, entre outras mudanças, a criação de novas categorias de serviço, a liberação de caminhonetes, entre outras novas regras. 

“A categoria tem enfrentado dificuldades desde a chegada dos transportes por aplicativos, e essas novas medidas são incentivos para os taxistas. Nós estamos atualizando e modernizando as legislações que envolvem a categoria”, disse a chefe do Executivo municipal durante o evento.

Uma das principais adições é a criação do Táxi Black, nome dado a um serviço mais exclusivo dos taxistas, que oferece mais conforto aos passageiros. Ao mesmo tempo, ele será mais caro do que o táxi padrão. Em conversa com Flávio Panissa, presidente do Sindicato de Taxistas de Mato Grosso do Sul (Sintaxi-MS), ele revelou que esta é uma reivindicação da classe há muito tempo.

“É um pleito antigo dos taxistas campo-grandenses, acho que todas as capitais já têm esse serviço. Hoje a gente entende que o taxista é um vendedor, então não é só vender, ele precisa de um produto, e quem quiser ter um táxi executivo, esse taxista poderá vender esse tipo de serviço, aqui em Campo Grande, de forma que o taxista possa escolher e aderir a essa modalidade”, relatou à reportagem.

Além disso, a partir de agora, caminhonetes também poderão ser credenciadas como táxis, uma demanda que atende, principalmente, passageiros da zona rural que precisam transportar volumes que não comportam em veículos convencionais. Porém, não serão todas as caminhonetes que poderão circular como táxis, havendo um limite de tamanho.

O presidente do Sintaxi-MS disse que a ideia é que as caminhonetes terão que ser “quatro portas” – as famosas cabines duplas. Ele evitou especificar o tamanho limite que será permitido, mas citou exemplos de veículos, como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, e deixou de lado tipos maiores, como a Dodge Ram.

As alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também os taxistas estão liberados a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito.

Menos burocracia

Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Outra mudança que foi publicada é a permissão que condutores permissionários atuem como condutores auxiliares, em situações específicas. Em suma, o taxista está autorizado a dirigir um veículo regulamentado em parceria com o titular da permissão ou alvará (o permissionário), ajudando na prestação do serviço.

“A medida busca evitar que o profissional fique sem renda quando o veículo estiver temporariamente indisponível para manutenção ou reparos. Para evitar irregularidades, a possibilidade será condicionada ao cumprimento de critérios e procedimentos de fiscalização”, explica a Prefeitura, em nota.

Com o decreto também foi prorrogado por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que atingiriam a idade máxima permitida no fim deste ano, passando o prazo final para junho de 2027. Atualmente, a idade máxima permitida para os veículos de táxi rodarem é de 10 anos de fabricação.

Cenário atual

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Agetran informou que Campo Grande possui 516 taxistas cadastrados. Desse total, 318 estão com cadastro renovado e ativo. Os outros 198 cadastros “permanecem registrados no sistema, mas não estão atualmente ativos ou renovados”.

Em setembro do ano passado, a tarifa cobrada pelos taxistas campo-grandenses aumentou em 15%, saltando o preço do quilômetro rodado de R$ 3,36 para R$ 3,86 na bandeira 1 (válida para horários normais) e de R$ 3,83 para R$ 4,41 na bandeira 2 (válida para horários especiais). 

O preço da taxa de saída (bandeirada) está fixada em R$ 5,00, com exceção na região do Aeroporto, que está em R$ 9,00.

Houve a tentativa de conseguir o levantamento da evolução do número de taxistas dos últimos 10 anos em Campo Grande, a fim de poder comparar a situação atual com a da época antes da popularização dos motoristas de aplicativo. Porém, até o fechamento desta edição, a Agetran não forneceu a relação.

Justiça

AGU reitera ação para obrigar Discord a proteger usuários

Medidas propostas pela plataforma foram consideradas genéricas

21/09/2026 21h00

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta segunda-feira (21) novo pedido à Justiça Federal, em Brasília, para que a plataforma Discord seja obrigada a efetivar medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes na internet.

Na petição, a AGU diz que a empresa apresentou uma proposta de conciliação genérica e insuficiente para resolver as falhas apontadas pelo governo federal.

"Dotada de caráter genérico, com exceções e condicionantes dos mais diversos, [a proposta] não é apta a debelar a gravidade dos problemas associados, com a urgência e extensão que a demanda exige", afirmou a AGU no novo pedido.

No início deste mês, o juízo da 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal deu prazo de dez dias para o Discord apresentar a proposta.

A decisão foi proferida após o governo federal entrar com a ação judicial para obrigar a adoção das medidas. Na ação civil pública, a AGU também pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões. 

O Discord passou a ser cobrado pelo governo após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu em julho.

A plataforma foi consultada. O espaço está aberto para manifestação.

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