Rogério de Andrade é um dos principais bicheiros do Rio, responde por organização criminosa e está na Penitenciária Federal de Campo Grande desde 2024
Três policias militares voltaram para a cadeia após descumprirem regras da prisão domiciliar impostas pela Justiça do Rio de Janeiro. Eles são investigados por integrarem esquema de segurança pessoal do contraventor Rogério Costa Andrade, um dos maiores bicheiros do Rio, que está custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande desde novembro de 2024.
Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos na terça-feira (28) contra Carlos Fernando Dias Chaves, Carlos Magno Mariano de Souza e Waldeci Barbosa Nunes.
Os três são réus no âmbito da Operação Petrorianos, deflagrada em 2024 para investigar uma organização criminosa ligada ao bicheiro preso em Campo Grande.
Os PMs foram beneficiados com a prisão domiciliar, mas descumpriram as regras impostas por diversas vezes, incluindo saídas não autorizadas em horários de recolhimento obrigatório, como durante a noite e nos fins de semana, e problemas recorrentes com a tornozeleira eletrônica.
Jogo do bicho
Rogério Costa Andrade, que também é patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, foi preso em outubro de 2023 após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentar nova denúncia contra ele pelo homicídio de Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade e que disputava com Rogério o espólio do jogo do bicho de Castor.
Ele é apontado como o chefe de um grupo criminoso "voltado para a prática de diversos crimes", entre eles homicídio, corrupção, contravenção e lavagem de dinheiro.
Rogério é sobrinho de Castor de Andrade, um dos maiores chefes do jogo do bicho no Rio e patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel. Castor morreu em 1997, vítima de doença cardíaca, e a morte iniciou uma disputa familiar pela herança.
Na disputa, estavam Paulinho de Andrade, filho de Castor, assassinado na Barra da Tijuca, em 1998, crime atribuído a Rogério, e Fernando Iggnácio, que era casado com a filha de Castor e que também assassinado, em 2020.
O assassinato ocorreu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, logo após Iggnácio desembarcar de helicóptero, retornando de sua casa de praia em Angra dos Reis. Ele foi atingido por três tiros de fuzil, um deles na cabeça
Rogério Castor Andrade foi apontado como mandante do assassinato de Fernando Iggnácio e foi preso em outubro de 2024.
O contraventor foi transferido da Penitenciária de Segurança Máxima Laércio Pellegrino (Bangu 1), no Complexo de Bangu, na Zona Oeste do Rio, para o presídio federal de Campo Grande no dia 12 de novembro de 2024.
Segundo a decisão que determinou a transferência, ele deveria permanecer em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), tipo de regime mais rígido do sistema penal, com limites ao direito de visita, entre outros.
Na decisão, a justiça considerou que a permanência de Rogério no presídio federal era necessária para impedir que ele interfira na obtenção de provas ou demais investigações de outros envolvidos. Também foi considerado que o bicheiro representava "ameaça concreta e relevante à segurança do Estado e da sociedade", por manter vínculos com outros integrantes ativos do crime organizado, além de exercer influência sobre eles.