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Estado assume aeroporto e pretende investir R$ 5,5 milhões em pista

Terminal em Bonito estava terceirizado desde sua construção

RODOLFO CÉSAR

18/06/2017 - 15h00
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O governo do Estado passou a administrar definitivamente o aeroporto de Bonito na semana passada e tem previsão de investir R$ 5,5 milhões para melhorar a pista com recapeamento e garantir o funcionamento pleno do terminal. Esse recurso terá origem dividida entre a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC), R$ 3,9 milhões, e o tesouro estadual, R$ 1,6 milhão.

A rescisão do contrato entre a administração pública e a Empresa Dix Empreedimentos Ltda para concessão do aeroporto aconteceu oficialmente em 14 de junho. O setor privado administrava o local desde 2007, depois de licitação realizada para construção do terminal de passageiros e gestão do aeródromo.

Em nota, a Dix garantiu que construiu um hangar da BR Aviation que seria referência no Brasil, além de instalar um posto de abastecimento de aeronave. O total de investimento feito nos 10 anos de contrato foi de R$ 16 milhões, informou a empresa.

A interrupção da concessão foi dada depois de instauração de processo para averiguar falta de cumprimento de cláusulas por parte da Dix. O governo do Estado começou a intervenção em setembro do ano passado alegando que as companhias aéreas Gol e Azul deixariam de atuar por falta de estrutura.

Segundo a Dix, a operacionalização do aeroporto é negativa desde sua inauguração, em 2009. "Mesmo diante dos resultados operacionais negativos, registrados desde a sua inauguração em 2009, a Dix sempre primou pela busca de ofertar uma prestação de serviço com alto padrão de qualidade, tendo cumprido todas as exigências dos órgãos reguladores", ponderou a concessionária em nota.

RECURSO EMERGENCIAL

A verba para ser usada no recapeamento dos 2 quilômetros de pista do aeroporto de Bonito foi anunciada em fevereiro.

O superintendente viário da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Fabrício Alves Correa, foi que tratou da liberação do dinheiro por parte da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República.

“Além de realizarmos os serviços emergenciais após a intervenção, buscamos outras soluções para a pista e agora foi liberado emergencialmente esse recurso pela Secretaria de Aviação Civil", contou Correa. O projeto já foi elaborado e em março houve reunião com equipe da SAC para tratar do empenho.

A previsão era de que o dinheiro já começaria a ser aplicado em maio, mas como o período de intervenção só terminou no dia 13 de junho, a partir de agora do governo do Estado poderá responder oficialmente por obras no local.

Além do recapeamento, também será preciso intervenção no pátio de manobra e na pista de táxi. Também faz parte do projeto de obra a instalação de um indicador de aproximação em cada cabeceira (PAPI) e ampliação da seção contra incêndio.

ESBURACADA

Para evitar que o aeroporto parasse de funcionar em setembro, foi preciso consertar 42 buracos. Essa obra emergencial foi realizada no ano passado.

Semanalmente, em média 120 passageiros utilizam o terminal, que em 1º de fevereiro recebeu elevação na categoria na seção contra incêndio pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A nota três que era atribuída ao aeroporto passou a ser cinco, o que garante o pouso e decolagem de aeronaves de maior porte. Essa mudança beneficia a Azul, que pretende começar a operar jatos Embraer 190 e 195 no local.

AMPLIAÇÃO

Para permitir que o terminal possa receber número maior de voos, o governo do Estado tentará agora na Organização Internacional de Aviação Civil (Icao) certificação. A Anac também exige tal medida.

“Atualmente, Bonito tem autorização para cinco voos, inclusive o fretamento. Com essa certificação será possível quantos a companhia quiser”, disse o superintendente da Seinfra, Fabrício Alves Correa. Para obter a certificação é necessário apenas cumprir exigências documentais.

DISPUTA JUDICIAL

A Dix Empreendimentos Ltda, que tem sede em Recife (PE), processou o Estado para cobrar indenização de R$ 5.031.255,00. O valor refere-se ao processo impetrado em setembro de 2014 e caso seja condenado, o valor final deve ser reajustado pelo IGPM-GV e de multa de 1% ao mês, a contar da citação válida até o integral pagamento.

Esse montante cobrado seria a defasagem que a empresa sofreu em seu faturamento por conta do rendimento do aeroporto ficar abaixo de projeções previstas em edital de licitação.

Uma pena alternativa que a concessionária também requereu é a indenização de R$ 2.464.445,00, que seria o valor investido na construção do terminal de passageiros, além da instalação, manutenção e operação do aeroporto. Essa cobrança foi feita na hipótese da Justiça Estadual entender que não caberia o pagamento dos mais de R$ 5 milhões.

Outra cifra que aparece na ação é a indenização por danos morais de R$ 1 milhão.

Os questionamentos seguem na 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande e ainda não houve julgamento final.

Mão Dupla

Gaeco mira marido de prefeita e ex-gestor em investigação de corrupção

MPMS apura continuação de suposto esquema de fraude em licitações dois anos após primeira fase de operação

01/04/2026 08h15

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Mão Dupla, foram apreendidos uma arma e várias cédulas de dinheiro

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Mão Dupla, foram apreendidos uma arma e várias cédulas de dinheiro Divulgação

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A Operação Mão Dupla, realizada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apura sequência de suposto esquema de corrupção instalado na prefeitura de Coronel Sapucaia. A ação é a segunda fase da Operação Pretense, que teve entre seus alvos o ex-prefeito da cidade e o marido da atual gestora, que também é secretário. 

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a ação cumpriu 23 mandados de busca e apreensão, além de 13 mandados de medidas cautelares (que envolvem proibição de acesso às dependências da prefeitura da cidade, proibição de contato com outros investigados e monitoramento eletrônico) e 2 suspensões do exercício de função pública em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Também foram cumpridos dois mandados de busca pessoal.

Um desses alvos, segundo apurou o Correio do Estado, seria o marido da prefeita de Coronel Sapucaia, Niágara Kraievski, Thiago Valençoela Coutinho, que também atua como secretário municipal de Administração. O outro alvo seria Rudi Paetzold que foi prefeito da cidade até 2024.

Segundo a investigação, os dois atuariam, com outros servidores, em esquema de corrupção que envolveria fraude em licitações para beneficiar um grupo de empresas pertencente a uma família.

Ainda conforme o Gaeco, a ação de ontem foi uma segunda fase da Operação Pretense, deflagrada em dezembro de 2024 e já havia investigado corrupção no município fronteiriço.

“Em seguimento, a investigação aponta agora a prática de crimes de fraude a processos licitatórios e contratos deles decorrentes, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários, servidores e empresários com atuação no município de Coronel Sapucaia”, diz nota do MPMS.

OPERAÇÃO PRETENSE

Na primeira fase da investigação, o Gaeco apurou a fraude em um contrato específico, a investigação suspeitou de fraude na construção do hospital municipal de Coronel Sapucaia, que custouR$ 9.181.402,38 e foi construído pela empresa A.D.M. Construtora. 

Segundo a apuração, as obras foram “realizadas pelas empresas com serviço de qualidade ruim e emprego de materiais reaproveitados, em verdadeira situação mascarada para desvio de recursos públicos”, informa nota distribuída pela assessoria do MPMS. 

Ainda segundo o MPMS, a investigação apontou a “existência de indícios da prática de crimes de fraude a processos licitatórios envolvendo empresas pertencentes a grupo familiar de Coronel Sapucaia, uma delas, inclusive, sem possuir sede, patrimônio ou funcionários, contratada para consecução de obra milionária do hospital municipal”. 

A empresa contratada pela prefeitura em 2022 tem como proprietário Alan Douglas Maciel, que assinou o contrato do hospital com o ex-prefeito Rudi Paetzold.  

A empresa tem sete contratos com o município, que, desde 2022, somam R$ 12,7 milhões. Além da construção do hospital, a A.D.M. Construtora também foi responsável por reformas de escolas e Unidades de Saúde ao longo dos últimos anos.

O contrato para a construção do hospital foi assinado em junho de 2022, com prazo de dois anos para a conclusão dos trabalhos.

Os outros contratos, no entanto, foram assinados entre abril e dezembro de 2024, ano em que o MPMS deflagrou a primeira etapa da operação.

VELHO CONHECIDO

A investigação começou ainda na gestão do ex-prefeito Rudi Paetzold, que administrou a prefeitura de Coronel Sapucaia por mais de uma vez e também foi alvo de mais de uma investigação.

Em 2010, Paetzold e seu vice foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) porque os juízes entenderam que o ex-prefeito não comprovou o pagamento de cabos eleitorais na prestação de contas da sua campanha.

Porém, o político conseguiu reverter a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acabou assumindo o cargo. 

No ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) condenou Paetzold por falta de transparência durante sua gestão.

REFERÊNCIA

Conforme nota do MPMS, o nome dado à operação, Mão Dupla, faz referência “ao bordão utilizado por agente político, frequentemente utilizado nas tratativas para as contratações públicas ilegais: ‘Você me ajuda que eu te ajudo’”, diz nota.

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Anastácio

Filha que tramou morte dos pais diz que queria dar apenas um "susto"

Maria de Fátima Luzini, de 26 anos, teria contratado dois rapazes para dar "aviso" aos pais, mas o casal foi assassinado

01/04/2026 08h10

Caso permanece em investigação pela Delegacia de Anastácio

Caso permanece em investigação pela Delegacia de Anastácio Divulgação

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Maria de Fátima Luzini, de 26 anos, teria arquitetado a morte dos próprios pais, em Anastácio, e confessou em depoimento à Polícia Civil do município que foi a mandante do assassinato do casal, mas que o plano inicial era apenas dar um “susto” na mãe e no pai, situação que teria saído do controle e resultou na execução a facadas dos dois.

Entre quinta-feira e sábado, duas ocorrências de homicídio foram atendidas pelas equipes policiais de Anastácio, com três vítimas: David Vareiro Machado, Maria Clair Luzini e Vilson Fernandes Cabral. Contudo, o que chamou a atenção das autoridades foi a ligação entre os assassinados.

O primeiro crime aconteceu na quinta-feira, quando o casal Maria Clair e Vilson foram mortos a facadas dentro de uma residência, mas os corpos só foram encontrados cerca de 48 horas depois. Primeiramente, a investigação suspeitou que poderia ser um feminicídio seguido de suicídio, o que foi descartado.

“Normalmente se levanta quando tem uma mulher para dentro do local que pudesse ser um feminicídio seguido de suicídio, o que logo foi descartado, pois ambos os corpos estavam com golpes de faca”, pontua a delegada Tatiana Zyngier e Silva, responsável pelo caso.

No dia seguinte, foi a vez de David ser encontrado morto, um dos principais suspeitos de ter participado da execução do casal.

Ainda de acordo com a delegada Tatiana Zyngier, a morte de David estaria diretamente associada a um desacordo comercial entre ele e os mandantes do assassinato, mais especificamente “uma briga por valores em razão de um serviço prestado”. Este serviço seria o crime contra o casal.

Após uma investigação mais detalhada, chegou-se à conclusão que Wendebrson Haly Matos da Silva, companheiro de Maria de Fátima, matou David depois de imbróglios comerciais.

Ademais, este fato teria chamado ainda mais a atenção da equipe policial, especialmente para ouvir Maria de Fátima.

No primeiro depoimento, a filha do casal teria contado uma versão fora de sentido, aumentando cada vez mais as suspeitas da polícia sobre o envolvimento dela nos crimes.

Na manhã de segunda-feira, ela prestou novo depoimento, e desta vez confessou ser a responsável pelo assassinato dos pais. Ela disse que teria contratado dois rapazes para realizar o serviço, mas que a situação teria saído do controle.

“Quando a gente ouviu inicialmente a filha do casal, ela contou uma outra versão que não fazia muito sentido, e ontem [segunda-feira] pela manhã a gente ouviu ela novamente, no momento em que ela resolveu confessar os fatos e se declarar como a responsável pela contratação de David. Primeiramente, segundo ela fala, dar um susto nos pais”, explica a delegada.

Mesmo com o conhecimento dos principais envolvidos no caso, ainda não se sabe a motivação para que a filha quisesse assustar e, posteriormente, matar os próprios pais. “Essas questões todas vão ser apuradas. Quero destacar que a investigação ainda não está finalizada”, disse.

Vale destacar que os dois rapazes contratados por Maria de Fátima também foram mortos. Enquanto David foi morto no dia seguinte da ação, Wellington dos Santos Vieira estava foragido e foi executado por agentes da Polícia Militar após entrar em confronto, na madrugada de ontem.
 

Wendebrson Haly segue foragido. “Estamos atrás de informação para ver se a gente pode localizar, esclarecer esse crime e punir os responsáveis o mais rápido possível”, concluiu a delegada.

SEMELHANÇA

Este caso se assemelha muito com o crime que chocou o Brasil há 24 anos, em São Paulo. Em 2002, Suzane von Richthofen, que na época tinha apenas 19 anos, foi acusada de arquitetar a morte dos próprios pais, Manfred von Richthofen e Marísia von Richthofen. O crime foi executado por Daniel e Cristian Cravinhos, o primeiro namorado de Suzane.

A investigação concluiu que a principal motivação do assassinato foi a reprovação dos pais diante do relacionamento da filha, além de interesses financeiros.

Na ocasião, o casal foi morto a pauladas enquanto dormia, o que chocou o País pela frieza e, obviamente, pela participação direta da filha.

Em 2006, Suzane e os irmãos Cravinhos foram condenados por homicídio qualificado. Suzane e Daniel receberam a pena de 39 anos de prisão, enquanto Cristian pegou 38 anos. 

Há três anos, Suzane deixou o regime fechado e passou a cumprir pena em regime aberto, após mais de duas décadas presa. Enquanto os irmãos conseguiram regime aberto em março do ano passado.

* SAIBA 

Caso se confirmem as suspeitas e tanto Maria de Fátima quanto Wendebrson Haly sejam acusados pelos crimes, eles devem responder por homicídio qualificado, que no Brasil prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos, conforme o Código Penal.

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