Cidades

DISPUTA

Estado caminha para acordo sobre obras no Parque dos Poderes

Cabo de guerra pelo espaço visa à mudança da lei estadual que prevê maior desmatamento, enquanto vereadora segue firme no projeto de tombamento

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O Parque dos Poderes se tornou objeto de disputa na Capital. Enquanto há processos de tombamento do complexo tramitando na Câmara Municipal de Campo Grande e no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o governo do Estado, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e a Defensoria Pública do Estado pretendem realizar novas construções no local. 

Em razão do interesse em ampliar o espaço físico dos órgãos no Parque dos Poderes, o advogado Ricardo Pereira dos Santos ajuizou, em 2019, uma ação popular com pedido de antecipação de tutela provisória de urgência para suspender o processo administrativo n° 03556/2018 do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que visava a autorização de desmatamento de uma área de 3,31 hectares de Cerrado na área do Parque dos Poderes. No entanto, não foi concedida a tutela. 

Após essa tentativa, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) entrou com uma tutela cautelar antecedente, com uma fundamentação vinculada à ação popular, mas com novos laudos que apontavam os impactos ambientais das intervenções no Parque dos Poderes. 

Atualmente, os três interessados em realizar novas obras no local – governo do Estado, TJMS e Defensoria Pública – assinaram um acordo que visa a autorização para a supressão de vegetação na área, com uma série de compromissos que, para o MPMS, demonstram significativo cuidado com a questão ambiental, mesmo com a realização das intervenções no local. 

Na justificativa do acordo, o MPMS relatou que os interessados já são detentores dessas áreas e que, nos termos da Lei Estadual n° 5.237/2018, o desmatamento é permitido em uma área ainda maior que a de interesse dos entes públicos. 

Em um parecer, assinado pela chefe do Núcleo de Arquivos e Georreferenciados, Amanda Rodrigues de Oliveira, o MPMS relata que “a área de vegetação nativa arbórea protegida pelo acordo aumentaria de 174,95 hectares para 175,66 hectares”. 

O MPMS aponta ainda que a lei estadual permitiria a supressão de vegetação nativa arbórea de 21,02 hectares, preservando apenas 164,61 hectares da vegetação, sendo assim, com o acordo, uma nova lei seria sancionada, aumentando a área do cinturão verde no Parque dos Poderes.

“A proteção de mais de 11 hectares de mata nativa, os quais eram passíveis de desmate, considerando o regime trazido pela Lei Estadual n° 5.237/2018, e que com o acordo ficarão totalmente blindados de desmatamento, mesmo que a lei assim permita”, aponta o MPMS. 

Os signatários do acordo também se comprometem a compensar o desmatamento eventualmente realizado nas áreas que o novo pacto permite, sendo feito preferencialmente dentro do Complexo do Parque dos Poderes ou em área próxima. 

De acordo com a assessoria da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), há um tempo a ser cumprido para que o acordo entre o governo estadual, o MPMS e o Imasul seja homologado e, enquanto isso, não pode ocorrer alteração na lei, sendo assim, só após 30 dias de prazo da suspensão do processo judicial. 

O TJMS possui dois locais disponíveis para intervenções, nos quais que seria construído um novo prédio para o Tribunal. A Defensoria Pública também teria um novo espaço físico, e o governo do Estado faria ampliações no Palácio do Governo e em oito estacionamentos. 

A respeito do projeto, o TJMS informou que a construção está atualmente suspensa “até que estudos complementares acerca da realização do projeto, com eventual implementação de melhorias técnicas, ambientais ou outras tantas que se fizerem necessárias à boa e regular execução da obra, sejam concluídos”. 
A Defensoria Pública não relatou ao Correio do Estado o andamento da futura obra. 

TOMBAMENTO 

Indo no sentido contrário do acordo, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) busca homologar o Projeto de Lei n° 10.970/2023, que dispõe sobre o tombamento do complexo de bens imóveis formado por Parque dos Poderes, Parque Estadual do Prosa e Parque das Nações Indígenas. 

Com o mesmo intuito, há um processo sendo analisado pelo Iphan que também visa o tombamento do complexo. Caso as iniciativas avançarem e forem autorizadas, intervenções como as construções de novos prédios e estacionamentos no Parque dos Poderes seriam proibidas, em razão da necessidade de desmatamento para a realização. 

Na justificativa do projeto, a vereadora informa que a iniciativa de uma nova lei municipal surgiu do debate com ambientalistas, pesquisadores, juristas e movimentos sociais e ambientais que buscam acabar com a supressão de vegetação nativa nas áreas dos parques. 

Mesmo com o novo acordo entre os interessados nas construções, Luiza Ribeiro relata que está confiante na aprovação do projeto, que já tem a assinatura de 9 dos 29 vereadores. 

“Tanto o projeto de lei na Câmara quanto o pedido feito ao Iphan vão nessa direção de salvar as matas, de salvar as áreas, então, é um momento de tensão”, relata a parlamentar. 

O superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, João Santos, relata que o processo de tombamento que foi recebido pelo órgão segue um trâmite previsto na Lei nº 25/1937 (Lei do Tombamento) e na Portaria n° 11/1986, que instituem o tombamento como instrumento jurídico e instruem os processos.

DISPUTA ELEITORAL

Candidato do PL 'bate em aliada' Adriane Lopes com críticas à buraqueira

Para candidato eleito como vereador pelo União Brasil que migrou para o Partido Liberal, a cidade da prefeita do Partido Progressista "inteira está detonada" 

14/09/2026 13h13

Sindolay, eleito pelo município de Paranaíba, não tem medido esforços para alcançar um possível eleitorado campo-grandense 

Sindolay, eleito pelo município de Paranaíba, não tem medido esforços para alcançar um possível eleitorado campo-grandense  Reprodução/Redes Sociais/Montagem C.E

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Críticas à buraqueira de Campo Grande adotadas como estratégia por um candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) mostram que vale tudo durante a corrida eleitoral em busca de uma cadeira no parlamento, até mesmo "bater" na prefeita Adriane Lopes que, em tese, seria sua aliada por pertencer ao mesmo espectro político.  

Há quase um ano, vale lembrar, o próprio então secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Ednei Marcelo Miglioli, veio à público "ignorando a vida real" para dizer que a buraqueira de Campo Grande seria um "problema histórico", que segundo ele à época ainda levaria tempo para se resolver. 

Porém, a situação da buraqueira na Capital não deixa de servir como "alimento" para material de campanha dos mais diversos políticos que buscam uma vaga, por exemplo, como deputado na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul (ALMS). 

Ainda que espera-se que as críticas às gestões sejam feitas pela "oposição" de cada localidade, chama atenção quando quem aproveita a onda de crateras em campanha política é alguém do mesmo espectro político e portanto "aliado" da prefeita filiada ao Partido Progressista (PP). 

É o caso do vereador do PL Sindolay Moraes, eleito pelo município de Paranaíba, localizado distante quase 410 quilômetros da Capital, que agora busca uma cadeira como deputado estadual na Casa de Leis do Mato Grosso do Sul e não tem medido esforços para alcançar um possível eleitorado campo-grandense. 

"Mão que apedreja"

Eleito para o cargo de vereador pelo União Brasil, afirma que, enquanto parlamentar, criou a dita "lei" 209, que segundo Sindolay estabeleceria um prazo de 45 dias para um prefeito arrumar um buraco, caso contrário o cidadão ficaria isento de pagar o dito Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). 

"Se a sua rua tem buraco você não deveria pagar IPTU, isso aqui, além de estourar pneu, estoura a suspensão e ainda causa acidente. Veja só o tamanho do prejuízo que isso traz para os nossos bolsos. Lá em Paranaíba eu criei a lei 209, se a sua rua tem buraco o prefeito têm 45 dias para tapar após ser notificado e, caso não faça, você não precisa pagar o IPTU", afirma ele no material de campanha. 

Para Sindolay, que chegou a ser eleito pelo União Brasil mas migrou para o PL, a cidade da prefeita do Partido Progressista "inteira está detonada". 

Ainda que não façam parte da mesma "federação partidária", que trata-se de uma reunião que permite os partidos atuarem de forma unificada em todo o País, PP e PL seguem no mesmo espectro político e compartilham apoios mútuos a candidatos a vagas do Governo Estado e no Senado, por exemplo.

Para o TSE, a federação - por obrigar a permanência dos partidos por quatro anos no mesmo bloco - reduz assim os riscos de o eleitor apoiar candidatos com ideologias opostas às que carrega, o que costuma ocorrer em coligações nas eleições proporcionais.  

Entretanto, é importante explicar que a dita lei que Sindolay pretende levar para os 79 municípios sul-mato-grossenses foi anulada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por considerá-la inconstitucional.

 

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RODOVIAS

MS-040 entra na segunda semana sem tráfego de caminhões

Intervenções em duas pontes mantêm veículos pesados fora do trecho entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo

14/09/2026 12h00

Obras em duas pontes nos quilômetros 205 e 223 mantêm restrição à passagem de caminhões pela MS-040

Obras em duas pontes nos quilômetros 205 e 223 mantêm restrição à passagem de caminhões pela MS-040 Divulgação

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A MS-040 entra nesta segunda-feira (14) ainda com restrição no tráfego de caminhões no trecho entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo. A medida ocorre por causa das obras de recuperação de duas pontes localizadas nos quilômetros 205 e 223 da rodovia, corredor utilizado principalmente por quem segue da Capital em direção à região leste de Mato Grosso do Sul e à divisa com São Paulo. 

As intervenções começaram no dia 05 de setembro e, enquanto os serviços são executados, veículos pesados não podem passar pelos pontos em obras. Para automóveis e outros veículos leves, a circulação permanece permitida por meio do sistema de pare-siga. 

Como não há desvio próximo aos locais das intervenções que comporte o tráfego de carretas, caminhoneiros precisam reorganizar o trajeto antes mesmo de acessar a MS-040.

Para quem sai de Campo Grande com destino a Bataguassu ou ao Estado de São Paulo, uma das opções é seguir pela BR-163 até Nova Alvorada do Sul e, posteriormente, acessar a BR-267. O mesmo corredor serve de alternativa no sentido contrário para os veículos pesados que entram em Mato Grosso do Sul pela região de Bataguassu e seguem em direção à Capital.

Até o momento, não há previsão divulgada para a liberação do tráfego pesado nos dois pontos da MS-040.

A situação exige atenção principalmente de motoristas profissionais que utilizam a rodovia de longa distância. Além do aumento do percurso, a mudança transfere parte do fluxo de cargas para rodovias federais que já concentram movimento significativo de veículos pesados.

A MS-040 não é a única rodovia sul-mato-grossense com alterações no trânsito em razão de intervenções em pontes. Outros importantes corredores do Estado também operam com restrições, bloqueios em determinados horários ou sistema de pare-siga.

Na ligação entre Mato Grosso do Sul e Paraná, a ponte Ayrton Senna, sobre o Rio Paraná, entre Mundo Novo e Guaíra (PR), passa por obras desde julho. Com aproximadamente 3,6 quilômetros de extensão, a estrutura é uma das principais rotas para veículos que circulam entre os dois estados.

Depois de uma primeira etapa de serviços durante o dia, os trabalhos passaram a ser concentrados no período noturno. Com isso, o trânsito fica interrompido entre 20h e 4h, no horário de Mato Grosso do Sul, com uma janela de liberação entre 22h30 e 23h30.

A mudança foi adotada para reduzir os impactos no fluxo durante o dia, período em que a ponte recebe milhares de veículos. A estrutura registra média de aproximadamente 8 mil veículos diariamente.

Outro ponto que requer atenção fica na BR-262, na região de Corumbá. A ponte sobre o Rio Paraguai passa por recuperação desde junho e funciona com pare-siga durante as 24 horas do dia.

Localizada a cerca de 70 quilômetros da área urbana de Corumbá, a estrutura recebe intenso movimento de veículos pesados, principalmente carretas utilizadas no transporte de minério em direção ao Porto Gregório Curvo, em Porto Esperança.

A ponte também é estratégica para veículos de passeio, já que a BR-262 representa a principal ligação terrestre pavimentada de Corumbá e Ladário com as demais regiões de Mato Grosso do Sul.

As obras estão orçadas em R$ 11,7 milhões e a previsão é de que os trabalhos avancem até o primeiro trimestre do próximo ano. Durante a execução dos serviços, novas interrupções temporárias poderão ocorrer.

A estrutura também passou a receber atenção adicional depois que uma embarcação utilizada no transporte de minério atingiu um de seus pilares no fim de agosto. A avaliação das condições da ponte passou a integrar o acompanhamento realizado no local.

**Colaborou Neri Kaspary**

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