Cidades

MAIS UMA VEZ

Estado volta a multar empresas envolvidas em série de fraudes hospitalares

Ao todo, mais de R$ 3 milhões em multas foram aplicadas às duas empresas; se não houver pagamento, a dívida poderá ser cobrada judicialmente

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Mesmo após decisões judiciais que suspenderam sanções anteriores e permitiram o retorno às licitações públicas, as empresas Se não houver pagamento, a dívida poderá ser cobrada judicialmente. Ltda. e Universal Produtos Hospitalares Ltda. voltaram a ser punidas pelo Governo do Estado por irregularidades em contratos na área da saúde.

Publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (23), a Resolução nº 140/2026 da Controladoria-Geral do Estado (CGE) aplica novas penalidades às duas fornecedoras por por irregularidades na venda de produtos hospitalares ao Estado

A Mega foi multada em R$ 2.593.226,72. Já a Universal terá de pagar R$ 253.805,00. Além das multas, ambas terão de publicar, às próprias custas, a decisão administrativa sancionadora. No caso da Universal, a penalidade é ainda mais severa: a empresa está impedida de licitar e contratar com o Poder Executivo estadual por três anos e será descredenciada do Cadastro Central de Fornecedores.

As punições são resultado de um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) conduzido pela CGE com base na Lei Anticorrupção. De acordo com o órgão, as duas empresas fraudavam os procedimentos licitatórios destinados à compra de produtos hospitalares pelo governo estadual.

Com a decisão publicada agora, os valores terão de ser pagos após o fim dos prazos de recurso. Se não houver pagamento, a dívida poderá ser cobrada judicialmente.

As empresas ainda podem buscar contestar as penalidades na Justiça.

Histórico de escândalos

Não é a primeira vez que as duas empresas se envolvem em irregularidades no fornecimento de insumos hospitalares.

Em 2021, Mega e Universal já haviam sido punidas administrativamente por fraudes na venda de 20 mil máscaras hospitalares ao Estado, no auge da pandemia de Covid-19. A Mega entregou máscaras diferentes das previstas em contrato, o modelo deveria ser N95 e foi multada em cerca de R$ 599 mil. A Universal recebeu punição menor por participação em conluio no procedimento de cotação de preços.

Mesmo com as sanções, decisões liminares acabaram suspendendo os efeitos das penalidades e permitindo que as empresas voltassem a participar de licitações públicas.

Na época, conforme investigação do Ministério Público, o proprietário da empresa Mega,  Emerson Ludwig, foi flagrado afirmando, em 9 de junho de 2020, que “10 mil daquela eu não consigo vender nem pros mendigos na rua aqui ha ha ha ha”. O áudio foi obtido mediante autorização judicial e faz parte de denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) decorrente da Operação Parasita. 

A investigação encontrou a confissão do próprio empresário falando sobre a má qualidade das máscaras em plena pandemia. “Essa que nós tamo vendendo, Rafael. Em hospital não dá para usar, entendeu? Ela não tem filtro, não tem nada. É isso que eu estou te falando. E às vezes pode dar um B.O. Então, mas vamos arriscar, vamos arriscar os zói pra ver. O máximo que pode fazer é nós pedir cancelamento”. 

Além das multas, as duas empresas chegaram a ficar proibidas de participarem de licitações na administração estadual. “Contudo, as sanções aplicadas se encontram suspensas em virtude de decisão judicial liminar”, informou, em nota enviada ao Correio do Estado no dia 9 de setembro de 2025, a Controladoria-Geral do Estado.

Operação Parasita

A Mega também esteve no centro da Operação Parasita, deflagrada em 2022 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que investigou fraudes milionárias no Hospital Regional de Campo Grande.

Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram prejuízo superior a R$ 14 milhões aos cofres públicos em razão de compras fraudulentas. Entre os casos investigados estava a aquisição simulada de material hospitalar que não teria sido entregue, o que comprometeu exames e procedimentos essenciais.

À época, o MPE informou que uma das negociações suspeitas envolvia cerca de R$ 2,5 milhões na compra de contraste suficiente para abastecer o hospital por aproximadamente quatro anos. O produto, no entanto, não teria sido entregue, provocando desabastecimento e afetando o atendimento a pacientes.

Durante a investigação, o empresário Emerson Ludwig, proprietário da Mega, também foi citado em apurações que indicaram o repasse de um veículo, modelo Prisma, como pagamento de propina a Rehder Batista dos Santos, então coordenador de Logística e Suprimentos e diretor Administrativo e Financeiro do hospital.

Apesar da série de indícios reunidos na operação, em janeiro de 2024, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça autorizou que a empresa voltasse a participar de licitações. Com a decisão, a Mega retornou aos certames estaduais, cenário que antecede as novas punições agora aplicadas pela Controladoria.

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Infraestrutura

Empreiteira dá desconto de 0,31% e fará reforma de R$ 45 milhões em aeroporto

Obra estimada em R$ 45,8 milhões teve proposta vencedora de R$ 45,7 milhões, com economia de R$ 142,4 mil aos cofres públicos

23/02/2026 09h33

Reprodução

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Com a reforma do Aeroporto Santa Maria estimada em R$ 45.859.175,76 pela Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos (Agesul), a Equipe Engenharia LTDA venceu o processo licitatório ao oferecer 0,31% de desconto sobre o valor previsto.

O anúncio foi feito no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (23). O aeródromo está localizado na saída para Três Lagoas, em Campo Grande. Em setembro de 2025, como noticiou o Correio do Estado, a Agesul tornou público o pregão, com valor estimado de até R$ 45.859.175,76.

A empresa vencedora orçou a obra em R$ 45.716.743,03, o que representa R$ 142.432,73 a menos do que o estabelecido no planejamento financeiro da pasta para a reforma.

Conforme a Agesul, estão previstas a restauração e a ampliação da pista de pouso (PPD), do pátio e da taxiway, assim como a implantação de guarita e de receptivo para o volume de passageiros que embarcam e desembarcam.

 

Estrutura e investimentos

Importante explicar que, essa função de "aeroporto auxiliar" ao Internacional de Campo Grande só foi possível graças aos investimentos anunciados ainda em 2019, a partir de quando foi previsto para o espaço a implantação de um sistema de iluminação que possibilita os pousos noturnos. 

Até essa época, em caso de uma possível emergência noturna na Capital, as aeronaves precisavam recorrer aos aeroportos de Dourados, Corumbá e Três Lagoas, distantes 250,1 quilômetros, 427,5 e 326,6 km respectivamente de Campo Grande. 

Antes disso, o espaço atendia produtores rurais, empresas de fretamento de aeronaves, bem como a unidade regional da Divisão de Operações Aéreas (DOA) da Polícia Rodoviária Federal (PRF), com suas duas pistas, a de pouso e decolagem que possuía 1,5 mil metros por 30 metros de largura, e a de taxiamento, com 1,5 mil metros e 23 metros de largura.

Nessa época, cabe ressaltar que o tráfego aéreo chegou a registrar 60 voos diários no aeroporto Santa Maria em Campo Grande. 

Também vale destacar que, apesar do investimento de R$ 2,5 milhões, a obra anunciada em 2019 foi concretizada em maio de 2022, a partir de quando o Aeroporto Santa Maria passou finalmente a operar com pista noturna, atendendo assim os possíveis casos de emergência e atuando em reforço noturno ao Internacional de Campo Grande. 

Além disso, não basta apenas a devida iluminação para operação noturna, foi somente nessa época que o espaço obteve a autorização da Agência Nacional de Aviação (ANAC) e aval do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) para tal finalidade. 

O Aeródromo Santa Maria, para além da iluminação noturna, também passou por um alargamento das faixas de pouso, que antes possuíam a medida correspondente a 1.100 x 23 metros, agora mede 1.500 x 30 metros. 

** Colaborou Leo Ribeiro

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SEGURANÇA

Carregamento milionário de maconha líquida é interceptado pela Bolívia

Autoridades do país vizinho investigam se produto, vindo de Miami, seria trazido ao Brasil pela fronteira com Mato Grosso do Sul

23/02/2026 09h00

Autoridades bolivianas encontraram a droga em frascos escondidos em máquinas de sorvete e investigam se ela viria para o Brasil

Autoridades bolivianas encontraram a droga em frascos escondidos em máquinas de sorvete e investigam se ela viria para o Brasil Divulgação

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Avaliado em mais de R$ 3,6 milhões, um carregamento de maconha líquida, que pode apresentar alta concentração de THC para intensificar o efeito psicoativo, foi interceptado pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) da Bolívia.

A droga veio de Miami (EUA) escondida em máquinas de sorvete e equipamentos eletrônicos e havia chegado a Santa Cruz de la Sierra pelo Aeroporto Viru Viru.

Esse tipo de droga pode ser utilizado em vapes, e as autoridades bolivianas investigam como deveria ser a distribuição desse entorpecente, incluindo a possibilidade de encaminhamento para o Brasil, podendo entrar por Corumbá ou por cidades em Rondônia que fazem fronteira com o departamento de Beni.

Equipes policiais da Felcn fizeram essa apreensão no dia 19, a cerca de 600 km de distância de Mato Grosso do Sul, e houve um trabalho contínuo para interceptação de possíveis pessoas que poderiam estar levando a maconha para diferentes pontos.

Uma brasileira, que não teve idade e identidade divulgadas, acabou sendo presa em um ônibus que fazia o trajeto Santa Cruz-Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil, na quinta-feira.

Com essa brasileira os policiais não encontraram maconha líquida, mas identificaram 11 pacotes enrolados em nylon transparente dentro da mala da passageira, que viajava em um ônibus que faz esse trajeto regularmente. Ainda não se sabe quem seria o destinatário desse outro carregamento.

Conforme a Felcn divulgou na Bolívia, a apuração sobre a maconha líquida está recebendo prioridade por conta da alta sofisticação da produção desse entorpecente. O que já foi identificado é que um jovem de 23 anos era o destinatário do carregamento que escondia os 356 quilos do entorpecente.

Além da polícia, a Aduana Nacional (espécie da Receita Federal do país vizinho) e o Ministério Público estão com uma operação em andamento.

Por conta da forma como os traficantes vêm atuando para esconder os entorpecentes, cães farejadores também estão sendo usados na Bolívia.

“Em uma operação realizada pelo painel de controle de aeroportos da Felcn, foi possível interceptar várias encomendas suspeitas na área de carga do Aeroporto Internacional de Viru Viru, vindas de Miami. Durante a investigação, o cão Quetzal deu um alerta positivo para a presença de substâncias controladas. Ao abrir as encomendas, foram encontrados 504 pacotes contendo uma erva que deu resultado positivo para maconha. O caso foi encaminhado ao Ministério Público para investigação respectiva”, divulgou, em nota, a corporação policial.

O cão treinado conseguiu achar a droga mesmo com os traficantes tendo utilizado uma estrutura própria construída entre bombas d’água dentro de máquinas de sorvete e equipamentos eletrônicos para tentar driblar a fiscalização e o controle aduaneiro.

Desde Miami, o carregamento foi despachado pela empresa Transportes Aéreos Bolivianos. Quem despachou a carga foi um homem identificado como Josias d. S. C., que apresentou endereço no Queens, em Nova York (EUA).

Os equipamentos tinham chegado a Miami no dia 6 deste mês e só aterrissaram na Bolívia no dia 11.
Esse tipo de modalidade para tráfico de drogas foi considerado diferente de outras estratégias criminosas e, por isso, o governo boliviano informou que há um maior controle em terminais aeroportuários e também em regiões fronteiriças, como Puerto Quijarro/Puerto Suárez com Corumbá.

MACONHA LÍQUIDA

Esse tipo de entorpecente em Mato Grosso do Sul também não é comum, e a reportagem apurou que não houve apreensões desse tipo recentemente. Porém, essa droga já foi identificada no Rio de Janeiro, e a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, chegou a realizar uma operação em outubro de 2025.

Em fiscalização no Aeroporto do Galeão, houve identificação de maconha líquida escondida em bebida alcóolica em carga também despachada de Miami. O óleo da cannabis estava diluído em garrafas.

Naquela época, a operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em bairros como Copacabana e Botafogo. Ninguém chegou a ser preso.

Além desse caso do ano passado, em 2022, a Receita Federal encontrou a droga líquida em frascos de perfumes, também no Aeroporto do Galeão.

O óleo de cannabis costuma concentrar os canabinoides, que são os compostos químicos como o tetrahidrocanabinol (THC), que causa efeito psicoativo, e o canabidiol (CBD), que tem propriedades terapêuticas.

Por ter capacidade de causar maior efeito alucinógeno, esse tipo de produto acaba sendo vendido ilegalmente para uso em vapes.

Óleo de canabidiol, desde que vendido por meios legais por instituições credenciadas e com prescrição médica, pode ser consumido no Brasil. Em geral, a origem desse produto são os Estados Unidos.

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