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Ex-conselheiros do TCE-MS têm direito a indenização de até R$ 8,1 milhões

Juntos, seis ex-conselheiros, sendo que cinco já faleceram, venceram ações que lhes garantem R$ 39,5 milhões. A previsão era de que os pagamentos fossem feitos até o fim de 2025

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A lista dos precatórios de natureza alimentar que tiveram os pagamentos adiados em cinco anos pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul mostra que seis ex-conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul têm, juntos, pouco mais de R$ 39,54 milhões a receber da administração estadual. 

Destes, somente Ruben Figueiró de Oliveira, que em outubro completa 95 anos, está  vivo e a previsão de pagamento era até 31 de dezembro do ano passado. Porém, com o adiamento, terá de esperar até o final de 2030, ano que, em tese, completará 99 anos.

Dos seis, ele faz juz ao menor valor, pouco mais de R$ 4,36 milhões. Natural de Rio Brilhante,  Figueiró, como é mais conhecido, iniciou sua carreira política 1970 e terminou somente em 2015, quando por dois anos exerceu o mandato de senador.

Ele havia sido segundo suplente de Marisa Serrano, que renunciou para assumir vaga no TCE. Em seu lugar, assumiu o empresário Antônio Russo (dono de frigoríficos). Mas, por problemas de saúde do empresário, a vaga ficou com Figueiró.

Antes disso, elegeu-se deputado estadual em 1970. Em outubro de 1977 participou do processo de criação de Mato Grosso do Sul e no ano seguinte foi eleito deputado federal. Em novembro de 1982 foi reeleito. 

Em 1989/90 foi Secretário de Estado da Agricultura e Pecuária em MS.  De 1990 a 2001 atuou como Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, cargo que acabou rendendo agora o direito à indenização milionária.

PELUFFO

O campeão no valor nesta lista das indenizações de precatórios, que contém outros 2.775 nomes, é o ex-conselheiro Hélio Peluffo, pai do ex-secretário de obras do Governo Riedel. O filho, que renunciou ao mandato de prefeito de Ponta Porã para assumir a mais cobiçada  secretaria, saiu do Governo Riedel em agosto de 2024. 

O pai dele, que também foi prefeito de Ponta Porã por duas vezes, morreu em julho de 2012, aos 98 anos. Mas, somente em 2024 o seu pleito virou precatório e a previsão era de que até o final de 2025 seus herdeiros, entre eles o ex-secretário, recebessem quase R$ 8,14 milhões. Agora, terão de esperar por até cinco anos. 

Hélio Peluffo tomou posse como conselhieiro em março de 1980 e ficou no cargo até abril de 1986. Mas, muito antes disso, de 1951 a 1955, já ocupava cargo público, sendo vereador de Ponta Porã. Depois, (1959-1963 e 1967-1971) foi prefeito da mesma cidade por duas vezes. 

O Correio do Estado procurou Hélio Peluffo Filho, mas ele se limitou a informar que a indenização é relativa ao seu pai, sem dar detalhes sobre os argumentos utilizados para que a Justiça lhe desse ganho de causa.

WILSON E EDYL

Em segundo lugar nesta lista de indenizações aparece Wilson Coutinho, com direito a R$ 7,58 milhões. Ele era auditor do TCE-MS, mas chegou a ocupar o cargo de conselheiro, conforme as poucas informações disponíveis no próprio TCE. Um processo interno do TCE protocolado em 2017 revela que o Tribunal concedeu pensão por morte, em 2020, a uma beneficiária de Wilson Coutinho. 

Também pouco conhecido, o terceiro colocado na lista das indenizações milionárias é Edyl Pereira Ferraz, com direito a quase R$ 7,14 milhões. Ele foi o primeiro presidente do TCE-MS, em 1980, e faleceu há quase 18 anos, em outubro de 2008, aos 84 anos. O dinheiro tende a ser destinado aos seus herdeiros, caso não haja conflitos judicias de inventário.

Formado em Direito, Edyl foi conselheiro durante nove anos e antes disso, entre 1955 e 1966, foi deputado estadual por Mato Grosso. Na sequência, ocupou dois mandatos de deputado federal também por Mato Grosso. 

Em 1978 foi eleito como segundo suplente de Pedro Pedrossian na disputa ao senado e dois anos depois, quando Pedrossian foi nomeado governador de MS, assumiu a presidência do TCE.

HORÁCIO

Logo depois, em quarto, aparece o nome de Horácio Cerzósimo de Souza, com direito a quase R$ 6,1 milhões. Ele faleceu em outubro de 2011, aos 81 anos. Advogado, ele também assumiu vaga de conselheiro quando o TCE foi criado, em 1980. 

Cerzózimo ficou no cargo durante duas décadas e duas vezes ocupou a presidência. Ele chegou à função depois de ocupar uma série de cargos públicos em Dourados e se eleito deputado estadual por Mato Grosso, entre 1974 e 1978. No ano seguinte foi deputado constituinte por Mato Grosso do Sul. 

TOTÓ

Em quinto lugar na lista dos ex-conselheiros aparece outro douradense ilustre, o ex-prefeito João Totó da Câmara. Seus herdeiros esperavam receber R$ 5,94 milhões no final do ano passado, mas terão de esperar até cinco anos. 

Ele faleceu em março de 2012, aos 83 anos, e foi nomeado conselheiro em 1987, onde permaneceu até se aposentar, em 1998. Formado em Direito, começou na vida pública em 1954, quando foi vereador de Dourados, ficando na função por quase uma década. Entre 1966 e 1969 foi prefeito da segunda maior cidade do Estado. 

Depois disso, foi deputado federal de 1971 a 1973, retornando ao cargo de prefeito de Dourados até 1977. Foi novamente deputado federal (1979 a 1982) e em seguida se tornou secretário de Estado de Agricultura e Pecuária, até 1986. Depois disso é que foi nomeado para o TCE. 

CONTEXTO

O nome dos ex-conselheiros aparecem em uma lista de 2.776 credores que estavam previstos para receberem o pagamento dos precatórios no final do ano passado (R$ 219 milhões) e do final de 2026 (R$ 211 milhões).

Porém, por conta de dificuldades financeiras, o Governo do Estado adiou estes pagamentos para o fim de 2030 e o fim de 2033. Os adiamentos, realizados também por outros estados e municípios, estão baseados em uma PEC (66/2023) publicada pelo Governo Federal em setembro de 2025.

DENÚNCIA

MP investiga suposta farra das diárias na Câmara de Dourados

Vereadores participam de uma única sessão semanal e custam R$ 29,1 mil por mês aos cofres públicos municipais somente com salários e indenizações

24/10/2026 12h40

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

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Após receber denúncias do farmacêutico bioquímico Racib Panage Harb, que já foi candidato a vereador três vezes e candidato a prefeito de Dourados nas duas últimas eleições, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis fraudes no pagamento de diárias e indenizações pagas a parte dos 21 vereadores do município, o segundo mais populoso de Mato Grosso do Sul.

Conforme publicação do diário oficial de segunda-feira (26), o promotor Luiz Eduardo Pinheiro quer "apurar a legalidade, a transparência, a rastreabilidade e a regularidade material dos gastos públicos havidos com a cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP), diárias de viagem e suprimentos de fundos referentes ao exercício de 2025, eventual ocorrência de dano ao erário, decorrente de fatos relacionados, e medidas de compliance interno”. As denúncias foram apresentadas por Racib ao MPMS no dia 2 de março. 

Dados já anexados à investigação revelam que o vereador Sérgio Nogueira, por exemplo, recebeu R$ 58.991,00 no ano passado somente em diárias. Em viagens dentro do Estado, o valor definido pela Câmara é de R$ 950,00. Se a viagem for para outro estado, sobe para R$ 1,3 mil. Então supondo que o valor tenha sido repassado para viagens internas, ele ficou 62 dias fora de Dourados no ano passado.

Enquanto isso, o vereador Janio Colman Miguel recebeu apenas R$ 337,00.  Por outro lado, ele aparece em quarto lugar entre aqueles que mais receberam verbas indenizatórias, que também estão na mira da investigação da promotoria. A Câmara pagou R$ 104.908,33 para Janio Miguel em um ano.

O primeiro colocado neste quesito foi o vereador  Rubens Gomes Prates, que faturou R$ 115.330,75 ao longo de 2025. Em último lugar ficou o vereador petista Elias Ishy de Mattos, R$ 47.722,80.

Eleita deputada federal no dia 4 de outubro com a promessa de “acabar com essa zona na política”, a vereadora Isa Marcondes recebeu R$ 88.631,91 em verbas indenizatórias e R$ 46.849,00 a título de diárias, ficando entre os dez que mais custaram aos cofres públicos no ano passado. 

Além das diárias e das verbas indenizatórias, os vereadores ainda recebem o salário fixo de R$ 17.837,32, o que garante renda bruta superior a R$ 226 mil por ano.

Somando salários, diárias, verbas indenizatórias e de suprimentos, os 21 vereadores consumiram quase R$ 7,33 milhões no ano passado, o que equivale a uma média de R$ 350 mil por parlamentar, o equivalenta a quase 18 salários mínimos por mês, ou R$ 29,1 mil. 

Embora seja um valor invejável para a grande maioria dos trabalhadores, os vereadores não chegam a ser marajás. Porém, se for levado em consideração que participam de uma única sessão semanal, já podem ser classificados como tal. 

MAIS PRAZO

A promotoria solicitou que a presidência da câmara repassasse, além dos valores, “comprovantes individualizados de despesas que originaram os pedidos de ressarcimento, incluindo notas fiscais, recibos, extratos bancários e demais documentos que demonstrem a efetiva realização dos gastos”. Mas, a Casa pediu mais prazo sob a alegação de que estes documentos estavam sendo digitalizados ainda.


Um dos principais alvos das denúncias de Racib, que na eleição passada recebeu 2.455 votos na disputa pela prefeitura, é presidente da Câmara, Liandra Ana Brambilla. Conforme os documentos anexados à investigação do MP, no ano passado ela recebeu quase R$ 112 mil em diárias e reembolsos.

No mês passado, Racib apresentou denúncias pedindo seu afastamento do cargo sob o argumento de que sua prestação de contas relativa a abril de 2025 ela emitiu nota, às 13h26 do dia 3 de abril, em uma churrascaria de Dourados, no valor de R$ 60,13. A despesa, segundo Racib, seria normal, se ela não tivesse solicitado, no mesmo período, diária de R$ 674, em Campo Grande, para o período de 2 a 3 de abril, com finalidade de agenda no gabinete do deputado Neno Razuk.

“Fica evidente a utilização das diárias e da verba de indenização no mesmo período, o que caracteriza irregularidades”, alertou.

]Depois, citou ainda a prestação de contas emitida no dia 5 de junho, às 13:27h, de outro estabelecimento de Dourados, no valor de R$ 109,76, para almoço. Mas, no mesmo período teria recebeu da Câmara o valor de R$ 1.011,00 para agenda na Assomassul, em Campo Grande, nos dias 5 e 6 de junho. 

“Aqui ficou claro que houve o mesmo fato gerador (Irregular). Ou seja, o agente público viajou a trabalho e recebeu diárias do órgão público para cobrir seus gastos com pousada e alimentação, ela não poderia utilizar a verba indenizatória para ressarcir as mesmíssimas notas fiscais do restaurante que se refere a alimentação, ficando claro que foi indenizada duas vezes pelo mesmo gasto, gerando dano ao erário. Aqui não podemos ser levianos de dizer que existe um enriquecimento ilícito mas no mínimo um dano ao erário. Se é de um real, 100 ou mil ou milhões, o dano existe. Fica evidente a prática irregular que a verba indenizatória permite em casos como esses”, denunciou.

Na época, Liandra da Saúde, como é conhecida, afirmou que as denúncias tinham viés político, já que foram feitas às vésperas da eleição da mesa diretora da Casa, que ocorreu no dia 2 de outubro e a reconduziu para o biênio 2027-2028. 

Ao apresentar suas denúncias ao MP, o farmacêutico se baseou em uma decisão liminar proferida no dia 5 de fevereiro pelo ministro Flávio Dino, do STF, que determinou, entre outras providências, “a reavaliação das verbas indenizatórias pagas a agentes públicos, a edição e publicação de ato motivado com discriminação rubrica a rubrica e respectivo fundamento legal, bem como a suspensão de verbas não expressamente previstas em lei”.

A presidente da Câmara, porém, garantiu ao MP que todos os pagamentos feitos a vereadores de Dourados obedecem as normas legais e por isso os pagamentos seguem sendo feitos no mesmo ritmo adotado no ano passado. 

saúde

Mais Médicos Especialistas oferece 132 vagas para MS em nova chamada

São 4 vagas imeditas e 128 para cadastro reserva; Inscrições estão abertas até dia 29 de outubro e profissionais especializados irão atuar no SUS

24/10/2026 11h23

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

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O Ministério da Saúde abriu inscrições para a segunda chamada do 3º ciclo do Projeto Mais Médicos Especialistas (PMM-E). Em Mato Grosso do Sul, são 132 vagas, sendo quatro imediatas e 128 para cadastro reserva.

Conforme o edital, as quatro vagas imeditas são para Três Lagoas, sendo três para aprimoramento em Oncologia Clínica, com foco nos cânceres prevalentes no Sistema Único de Saúde (SUS), e uma para aprimoramento em Rotinas Assistenciais em Medicina Intensiva no SUS.

Já as vagas para formação de cadastro estão distribuídas em 22 munícipios, sendo:

  • Dourados - 43
  • Três Lagoas - 34
  • Costa Rica - 6
  • Coxim - 6
  • Fátima do Sul - 6
  • Ponta Porã - 6
  • Brasilândia - 3
  • Caarapó - 3
  • Rio Brilhante - 3
  • Amambai - 2
  • Cassilândia - 2
  • Naviraí - 2
  • Nova Andradina - 2
  • Sidrolândia - 2
  • Aparecida do Taboado - 1
  • Aquidauana - 1
  • Bonito - 1
  • Corumbá - 1
  • Itaporã - 1
  • Itaquiraí - 1
  • Nova Alvorada do Sul - 1
  • Ribas do Rio Pardo - 1

   

As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de outubro, pelo Portal UNA-SUS.

A estratégia busca incentivar a presença de especialistas em regiões historicamente desassistidas, com o objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

De acordo com o Edital nº 25/2026, em todo o Brasil serão 224 vagas de preenchimento imediato e 4.350 para cadastro reserva, distribuídas em 24 cursos de aperfeiçoamento, em áreas como anestesiologia, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, urologia, psiquiatria, entre outras especialidades.

Benefícios

Os médicos participantes recebem uma bolsa mensal, e o valor varia de acordo com a vulnerabilidade social do município de atuação, calculado pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS):

  • R$ 20 mil para municípios de alta ou muito alta vulnerabilidade;
  • R$ 15 mil para os de média vulnerabilidade;
  • R$ 10 mil para os de baixa ou muito baixa vulnerabilidade.

Quem pode participar

Podem participar médicos e médicas, com registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) ativo.

O RQE deve ter sido obtido por meio de residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou de título de especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Mais Médicos Especialistas

O Projeto Mais Médicos Especialistas foi instituído pela Portaria GM/MS nº 7.177, de 10 de junho de 2025, com objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS, reduzir desigualdades regionais na distribuição de médicos e diminuir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

O programa qualifica a formação dos profissionais por meio da prática na rede pública.

Desde a implementação, 2.279 médicos especialistas já ingressaram no PMM-E, e 1.898 continuam ativos, o equivalente a 83,3% do total de profissionais até outubro de 2026.

 

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