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Ex-diretor da Infraero ganhou apartamento

Ex-diretor da Infraero ganhou apartamento

Redação

01/02/2010 - 07h05
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A Operação Caixa Preta – investigação da Polícia Federal que aponta desvio de R$ 991,8 milhões em obras de dez aeroportos contratadas no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2006 - relata casos de ex-dirigentes da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) que teriam recebido vantagens, benefícios e prêmios, inclusive passagens aéreas, dinheiro e apartamento de luxo, de empreiteiras supostamente beneficiadas em licitações fraudulentas. Alvo do inquérito da PF, Eleuza Lores, ex-diretora de Engenharia da Infraero, movimentou “mais de R$ 2 milhões” naquele período, revela a quebra de seu sigilo bancário. “Valores muito superiores à renda da empregada pública recebidos, ao que tudo indica, como proveito dos crimes investigados”, assinala o relatório final da missão policial, à página 58. Segundo a PF, Eleuza mantinha seis contas correntes em instituições financeiras, “não se sabendo, nos dias de hoje, onde se encontram depositados ou em que foram aplicados”. Ao abordar contatos da ex-diretora com executivos de construtoras, a PF questiona: “Por qual razão Eleuza patrocinou interesses alheios? Ora, para receber vantagens financeiras, ocultando-lhes a origem.” O relatório – documento de 188 páginas entregue à Justiça Federal em Brasília – inclui no rol de suspeitos os contratos da Infraero para reformas e ampliações dos aeroportos de Corumbá, Congonhas, Guarulhos, Brasília, Goiânia, Cuiabá, Macapá, Uberlândia, Vitória e Santos Dumont. A PF sustenta que a malversação de recursos da União é resultado de um esquema de fraudes e superfaturamento montado pela cúpula da estatal na gestão Carlos Wilson (2003-2006) – ex-deputado e ex-senador que morreu em abril de 2009. Escuta A PF indiciou Eleuza pelos crimes de corrupção, formação de quadrilha, peculato e fraude à licitação. O indiciamento foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito mostra que ela teve despesas com passagens aéreas pagas pela construtora Andrade Gutierrez, em 2008 – a PF não cita essa empreiteira como envolvida em fraudes à lei de licitações. Eleuza caiu na malha de interceptações telefônicas da PF. As escutas revelam intenso contato entre ex-diretores da Infraero e construtoras. Em diálogo interceptado às 11h01MI de 9 de setembro de 2008, Eleuza conversa com um homem identificado como Renato – a PF conclui ser Renato Torres de Faria, suplente de Ricardo Coutinho de Sena, integrante do conselho de administração da empresa A.G. Concessões, sub-holding do Grupo Andrade Gutierrez. “Eu sempre pego passagem pelo meu marido, o benefício, e a Varig cancelou provisoriamente esse benefício, então vocês (Andrade Gutierrez) teriam que mandar a passagem, é possível?”, solicita a ex-diretora. “Claro, ué, sem problema”, responde Renato. A conversa gravada que reforça a suspeita da PF sobre a aliança entre exdirigentes da Infraero e empreiteiras está transcrito à página 53 do relatório Caixa Preta. Documento recolhido por agentes federais e reproduzido à página 54 comprova que as passagens aéreas usadas por Eleuza para viajar de Brasília para Belo Horizonte – e o retorno à capital federal – foram custeadas pela Andrade Gutierrez. A PF monitorou a ex-diretora em Minas. Vigiou seus passos desde o desembarque no Aeroporto de Confins até a sede da construtora. Naquele dia, Eleuza, Faria e Sena almoçaram no restaurante A Favorita. À época, Eleuza já havia deixado a direção de Engenharia da Infraero. A PF, no entanto, encontrou indícios da “ascendência” dela sobre empregados da estatal. “Como permanecer cega ao superfaturamento de R$ 1 bilhão?”, questionam os delegados federais César Leandro Hübner e Felipe Alcântara de Barros Leal. Segundo a PF, o relatório analítico da CPI do Apagão Aéreo concluiu que Eleuza “patrocinou e intermediou interesse privado junto à Infraero, visando favorecer terceiros, em especial a Queiroz Galvão, com a qual trocou 46 chamadas telefônicas no período, e a construtora Andrade Gutierrez”. A PF espreitou Eleuza também numa viagem que ela fez a Recife, em 13 de março de 2009, quando se reuniu com Carlos Wilson, Eurico Bernardo Loyo, ex-assessor da presidência da Infraero, e João Pacífico, executivo da Construtora Odebrecht, “a fim de tratar sobre a obra do aeroporto de Goiânia”. Apartamento Engenheiro civil, Eurico Loyo, ex-assessor da presidência da Infraero, teria se beneficiado do estreito relacionamento com representantes da Queiroz Galvão na aquisição de um imóvel de “alto padrão” NO Recife (PE). Indícios do suposto favorecimento surgiram da consulta às declarações ao Imposto de Renda de Loyo. Em 2007, ele informou aquisição de um apartamento de 4 quartos – duas suítes – em uma área nobre do Recife no valor de R$ 281 mil. Ele usou como permuta um imóvel de R$ 230 mil, mas que havia sido declarado no ano anterior pelo valor de R$ 110 mil. “Como a Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário é empresa do grupo Queiroz Galvão, suspeita-se que esta supervalorização do imóvel permutado, na verdade, nada mais é que um ‘prêmio’ da Queiroz Galvão por conta de sua atuação nas licitações fraudulentas da Infraero”, assinala o agente Liu Tse Ming. Loyo afirma que não tinha “nenhuma responsabilidade” nas licitações. Mas a PF identificou intenso contato telefônico dele com duas empreiteiras contratadas para executar parte das obras. A quebra do sigilo de Loyo mostra 94 ligações dele para celulares da Queiroz Galvão e outras 47 para um número da Consbem Construções e Comércio, que participou de licitações na Infraero.

Infraestrutura

Com verba federal, Estado prevê R$ 9 milhões em asfalto nas Moreninhas

Edital prevê investimento milionário em recapeamento e asfalto novo nos bairros Moreninhas III e IV, na Capital

03/03/2026 09h33

Uma semana antes, o secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, esteve na Rua Antônio Pires, nas Moreninhas IV, onde anunciou o lançamento do processo licitatório para obras de asfalto na região

Uma semana antes, o secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, esteve na Rua Antônio Pires, nas Moreninhas IV, onde anunciou o lançamento do processo licitatório para obras de asfalto na região Reprodução Redes Sociais

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O Governo do Estado lançou, nesta quarta-feira (03), edital de licitação para investimento de R$ 9 milhões em obras de recapeamento e asfalto novo nos bairros Moreninhas III e IV.

Por meio das redes sociais, no Instagram, o secretário da Casa Civil, Walter Carneiro Júnior, esteve na Rua Antônio Pires, localizada na Moreninhas IV, e informou que o trabalho representa a quarta etapa das obras de infraestrutura.

Segundo a publicação, os bairros irão receber obras de drenagem pluvial e restauração do pavimento asfáltico, no valor estimado de R$ 9.105.378,89.

“A gente conclui o processo licitatório daqui a uns dias, da quarta etapa do asfalto que vai atender as Moreninhas III e IV, em uma articulação com a bancada federal e em parceria forte entre Estado e Prefeitura”, disse o secretário.

Região Sul

No dia 16 de janeiro, a Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos (Agesul) divulgou o edital de licitação do chamado lote 01, com investimento de R$ 20.981.386,66, no qual 16 ruas e avenidas do Bairro Itamaracá, localizado na Região Sul, receberão recapeamento ou asfalto novo.

Como acompanha o Correio do Estado, a obra prevê o recapeamento de cerca de seis quilômetros de asfalto e a implantação de cinco quilômetros de asfalto novo no bairro.

A previsão é que o trabalho seja concluído em até dois anos, conforme consta no edital.

A licitação contempla a pavimentação da Rua Salomão Abdalla e a abertura de vias em meio a pastagens, dando continuidade a um novo acesso às Moreninhas, que ainda não tem previsão de conclusão, segundo a Agesul.

A primeira etapa desse projeto, que prevê a construção de uma nova avenida de acesso às Moreninhas, começou em dezembro de 2022. A primeira fase está pronta há quase um ano. Nessa etapa, o Governo do Estado já investiu R$ 53,24 milhões.

O problema é que, sem a segunda etapa, o asfalto novo da primeira fase (Avenida Alto da Serra) liga as Moreninhas a uma área de pastagem.

Trechos do asfalto, a drenagem, a ciclovia e até boa parte do paisagismo estão sendo utilizados pelos moradores da região. Mas, a obra tem o objetivo principal de desafogar o trânsito de avenidas como Guaicurus, Costa e Silva e Guri Marques, o que será possível depois da conclusão da segunda etapa. 

** Colaborou Neri Kaspary

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AVANÇO NA MEDICINA

Nanotecnologia desenvolvida pela UFMS atinge 99,6% de inibição do câncer

Tecnologia usa sílica para direcionar quimioterápicos diretamente às células cancerígenas e pode reduzir efeitos colaterais do tratamento

03/03/2026 09h15

Tecnologia usa sílica para direcionar quimioterápicos diretamente às células cancerígenas

Tecnologia usa sílica para direcionar quimioterápicos diretamente às células cancerígenas Divulgação

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Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) avançou no desenvolvimento de uma tecnologia capaz de melhorar a forma como medicamentos quimioterápicos são transportados pelo organismo. Em testes experimentais, o método alcançou até 99,6% de inibição do crescimento tumoral e reduziu em mais de 90% o peso dos tumores analisados.

O estudo propõe o uso de nanopartículas de sílica como “veículos” para levar o fármaco diretamente às células doentes. Essas estruturas, milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo, funcionam como matrizes carreadoras, permitindo que o medicamento circule pelo corpo de maneira mais direcionada.

De acordo com o professor Marcos Utrera Martines, responsável pela pesquisa, o planejamento do tamanho e da morfologia das partículas foi determinante para o desempenho observado em laboratório. “O planejamento do tamanho e da morfologia da matriz carreadora, assim como a adição dos fármacos, foi bem-sucedido, mantendo a atividade anticâncer dos medicamentos e reduzindo as concentrações necessárias”, afirma.

Nos experimentos realizados, as nanopartículas demonstraram alta capacidade de impedir a multiplicação de células tumorais e maior seletividade no ataque às células cancerígenas, preservando, em maior grau, as células saudáveis. A seletividade é um dos principais desafios da quimioterapia convencional, frequentemente associada a efeitos colaterais intensos.

Entre os medicamentos testados, as combinações com citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores resultados. Em modelos experimentais que avaliaram crescimento e peso tumoral, os índices de inibição chegaram a 99,6%, com redução superior a 90% na massa dos tumores.

O estudo também utilizou o ácido fólico como estratégia de direcionamento. Muitas células cancerígenas apresentam maior quantidade de receptores dessa substância, o que facilita a ligação do medicamento ao tumor. “O ácido fólico é usado como direcionador de fármacos porque diversas células cancerígenas superexpressam receptores de folato na sua superfície”, explica Martines.

A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), por meio da chamada especial para atração de recém-doutores, e também contou com recursos do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), iniciativa voltada ao fortalecimento da produção científica aplicada à saúde pública.

Além dos resultados laboratoriais, o projeto já resultou em pedidos de patentes e apresenta potencial de transferência tecnológica, tanto para o setor produtivo quanto para o Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa da equipe é dar continuidade às etapas de validação para que a tecnologia avance em direção a aplicações clínicas futuras.

Os dados integram a nova série de divulgação científica lançada pela Fundect, intitulada “MS ama Ciência”, que pretende apresentar pesquisas financiadas no Estado com potencial de impacto social e econômico.

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