Cidades

PERSEVERANÇA

Ex-engraxate está animado com curso de medicina: 'Sou o avô da turma'

Ex-engraxate está animado com curso de medicina: 'Sou o avô da turma'

g1

16/03/2014 - 14h45
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O ex-engraxate Jeová David Ferreira, de 58 anos, está animado com o início do terceiro período do curso de medicina, em uma faculdade particular de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Apesar da rotina puxada, com aulas durante praticamente todo o dia e poucas horas de sono, o universitário não reclama e festeja o bom convívio com os colegas: "Sou o avô da turma", diz.

Jeová é bancário aposentado e se formou em Ciências Contábeis, mas, antes, trabalhou engraxando sapatos em Goiânia. Ele afirma que lidar com a diferença de idade em relação aos demais estudantes sempre foi "muito tranquilo". Seu colega mais próximo é um jovem de 18 anos, exatamente 40 anos mais novo que ele.

Após 35 anos sem estudar, ele resolveu voltar novamente para a sala de aula em busca da carreira que sempre almejou. "Sempre quis medicina, é um sonho de infância. Mas quando comecei a trabalhar no banco, pensei: primeiro tenho que sobreviver, depois sonhar", afirma.
Mudança

Com a aprovação no início de 2013, Jeová teve de enfrentar mudanças para se adequar à situação. Como não passou no vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG), ele resolveu se mudar para Rio Verde, onde atualmente mora sozinho. O valor mensal do curso é de R$ 3,2 mil 

O principal apoio ele recebe da família, que pouco vê por causa dos estudos. "Mantenho a mesma rotina de quando eu fazia cursinho. Quando chego em casa, continuo estudando. Deito às 23 horas e acordo às 5 da manhã, de domingo a domingo. Em cinco anos, vou ser pediatra", diz.

O universitário conta que a última semana na faculdade foi reservada para a aplicação de provas. Para se sair bem, ele revelou que aproveitou um período onde muita gente se diverte para se preparar melhor. "Passei o carnaval inteiro estudando. Cada semestre o curso está mais difícil e gosto de levar a sério. Da minha turma passada, por exemplo, três colegas reprovaram", diz.

Apesar de ter que se dedicar integralmente aos estudos, Jeová salienta que nunca pensou em desistir do sonho. "Aprendi desde criança que se alguém conseguiu, você também é capaz. Só vou desistir quando for doar meu corpo para o laboratório de anatomia", brinca.

Filhos

Divorciado, Jeová tem três filhos já formados. Os dois homens seguiram caminhos diferentes do pai. Um deles é administrador de empresas e o outro, advogado. Já a filha caçula começou a partilhar o mesmo sonho do ex-engraxate, mas não seguiu em frente.

"Minha filha chegou a passar nos primeiros lugares para medicina. Ela fez dois anos do curso, mas depois abandonou e se formou em relações internacionais", lembra.

Imposto de Renda

Receita Federal libera consulta ao lote residual de restituição do IR de outubro

Segundo a Receita Federal, o lote abrange 184.442 restituições, que somam R$ 531.601.793,51

23/10/2026 17h40

Divulgação

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Contribuintes já podem consultar o lote residual de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente a outubro de 2026. O lote contempla declarações deste ano enviadas fora do prazo, com pendências posteriormente solucionadas, além de restituições residuais de anos anteriores.

Segundo a Receita Federal, o lote abrange 184.442 restituições, que somam R$ 531.601.793,51. Desse total, R$ 293.431.549,64 serão destinados a contribuintes com prioridade legal: idosos com mais de 80 anos, pessoas entre 60 e 79 anos, pessoas com deficiência física ou mental ou com moléstia grave, além de contribuintes cuja principal fonte de renda seja o magistério.

O pagamento é feito exclusivamente em conta bancária de titularidade do contribuinte, informada na declaração do Imposto de Renda. Para consultar se está incluído no lote, o contribuinte deve acessar www.gov.br/receitafederal, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, em “Consultar minha restituição”.

transporte público

Cade rejeita pedido para barrar venda do Consórcio Guaicurus à HP Mobilidade

Advogado tentou barrar a venda sob alegação de que o Consórcio está sob intervenção em Campo Grande

23/10/2026 17h33

Cade manteve aprovação para venda do Consórcio Guaicurus

Cade manteve aprovação para venda do Consórcio Guaicurus Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou integralmente pedido que tentava barrar a aprovação da venda do Consórcio Guaicurus para a empresa Maas Administração e Participações Ltda., do grupo HP Mobilidade, de Goiânia (GO). 

A venda foi aprovada pelo Cade no dia 8 de outubro de 2026. 

O pedido para tentar barrar a venda foi protocolado pelo advogado Oswaldo Meza, sob alegação de que o Consórcio Guaicurus teria omitido da HP Mobilidade informações relativas à intervenção municipal. O advogado também pleiteou sua habilitação como terceiro interessado para reverter a aprovação do negócio jurídico.

Em resposta, o Cade esclareceu que os fatos apontados por Meza não alteram a análise realizada anteriormente.

Segundo o órgão antitruste, a petição enviada pelo advogado não continha assinatura ou documentos que permitissem confirmar formalmente a sua própria autoria e, mesmo superando os vícios formais para analisar o mérito, a presidência do Cade identificou que o autor não anexou nenhuma prova capaz de sustentar as alegações de omissão ou irregularidades no contrato das empresas.

O presidente interino do órgão, Diogo Thomson de Andrade, afirmou haver graves inconsistências jurídicas e a total falta de fundamentação técnica do questionamento.

“O exame dos elementos efetivamente apresentados pelo peticionante, considerado o estágio processual do Ato de Concentração, não evidencia o preenchimento dos requisitos necessários à sua admissão como Terceiro Interessado nos presentes autos”, afirmou Andrade no despacho.

O Cade enfatizou que a atuação da autarquia federal restringe-se estritamente à avaliação dos efeitos concorrenciais de mercado, enquanto os argumentos do advogado baseavam-se em disputas judiciais, patrimoniais e administrativas que não possuem qualquer interferência no parecer do órgão técnico.

Conforme jurisprudência do Conselho, a aprovação concorrencial serve apenas como uma autorização prévia de mercado e não interfere no cumprimento de obrigações regulatórias, como a necessária anuência prévia do poder concedente municipal, ou na validade de contratos perante outras instâncias do Judiciário.

Venda do Consórcio

O Consórcio Guaicurus anunciou, no dia 21 de julho, que havia chegado a um acordo de compra e venda com a concessionária goianiense HP Mobilidade, responsável pelo transporte coletivo de Goiânia (GO).

O acordo feito entre as empresas foi aprovado pelo Cade, órgão responsável por orientar, fiscalizar, prevenir e reprimir abusos do poder econômico no Brasil, que analisa fusões, aquisições entre empresas para evitar monopólios. Após esta aprovação, a nova empresa deverá apresentar planos de melhorias para receber o aval da prefeitura.

Apesar de os valores ainda serem mantidos em segredo, fontes próximas ao negócio, que pediram sigilo ao Correio do Estado, indicam que a negociação da concessão e dos bens do Consórcio Guaicurus gira em torno de R$ 200 milhões.

Além dos veículos e dos imóveis, a venda também engloba os seis anos de contrato para administrar o transporte público de Campo Grande, tempo que pode ser estendido por mais 10 anos, conforme o acordo firmado em outubro de 2012 e que, no domingo, 25/10/2026, completará 14 anos.

Desde 2012, o Consórcio Guaicurus é responsável pelo transporte coletivo e urbano de Campo Grande e desde 2019, pelo menos, reclama de prejuízos no serviço. Em crise, tanto interna como com a administração municipal, o serviço passa por uma intervenção desde junho deste ano.

Conforme reportagem do Correio do Estado, o segundo o titular da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulisses da Silva Rocha já afirmou que, para que a negociação seja concretizada, é necessária a aprovação da prefeitura, por se tratar de uma concessão pública.

No entanto, para que esta resposta seja dada, é necessário que as empresas apresentem a proposta formalmente do processo de compra e venda e também um plano de melhorias, o que ainda não foi feito.

Em nota anterior ao Correio do Estado, o Grupo HP se limitou a dizer que “acompanha as etapas relacionadas ao processo de aquisição do Consórcio Guaicurus e reforça que somente se manifestará após a conclusão dos procedimentos e aprovações necessários para sua efetivação”.

Intervenção

Decretada pela prefeitura no dia 16 de junho deste ano, a intervenção no Consórcio Guaicurus divulgou no mês passado um relatório dos primeiros 90 dias à frente da empresa. Segundo o documento, neste período, os interventores descobriram R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na capital sul-mato-grossense.

Conforme matéria do Correio do Estado da época, no centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões no fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Imposto de Renda.

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