Cidades

Tapa-Buraco

Ex-presidiário e condenado por corrupção disputam contrato bilionário

O empresário André Patrola e o dono da Construtura Rial, que ficou um mês na cadeia, estão entre os concorrentes de licitação de R$ 1,9 bilhão

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A empresa de André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, condenado em processo por corrupção e alvo de investigações sobre fraudes em contratos públicos, e a Construtora Rial, empresa cujo dono foi preso por envolvimento em suposto esquema de corrupção no serviço de tapa-buracos em Campo Grande, estão concorrendo por lotes do pacote bilionário de manutenção e conservação asfáltica em rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul.

Desde o início deste mês, o governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), lançou cinco licitações que preveem investimento de até R$ 1,9 bilhão em 18 lotes diferentes em praticamente todas as regiões do Estado. Até o momento, apenas nove lotes tiveram suas disputas abertas, sendo possível visualizar as empresas interessadas.

Em Campo Grande, o pacote de licitações contempla trechos da MS-040 e também da MS-010Em Campo Grande, o pacote de licitações contempla trechos da MS-040 e também da MS-010 - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado 

Conforme consta na ata de licitação dos lotes, a empresa André L. dos Santos Ltda., que é de propriedade de André Patrola, está de olho em todos os lotes lançados até o momento, que abrangem os municípios de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Bandeirantes, Três Lagoas, Camapuã, Costa Rica, Paranaíba, Naviraí e Amambai, totalizando R$ 989.017.585,74.

Vale lembrar que o empreiteiro foi investigado no âmbito da Operação Cascalhos de Areia, desencadeada em junho de 2023 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), ambos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Segundo o órgão, empresas ligadas ao empreiteiro simulavam concorrência em licitações para assegurar a vitória nos certames e, posteriormente, apresentavam documentos e relatórios de serviços que não teriam sido executados. 

As apurações indicaram que os desvios podem ter chegado a R$ 46 milhões em contratos referentes à manutenção de ruas sem pavimentação e locação de máquinas.

No fim do ano passado, ele foi condenado pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, a 5 anos de reclusão pela prática de corrupção ativa continuada. Porém, como o caso ainda não transitou em julgado, ele ainda pode participar de licitações públicas.

Patrola não é o único investigado envolvido neste pacote bilionário da Agesul. A Construtora Rial, do empreiteiro Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, que ficou preso por um mês após envolvimento em um suposto esquema de corrupção no serviço de tapa-buracos da Capital, também está interessado em alguns lotes.

A empresa está concorrendo aos lotes dois e seis, que correspondem aos municípios de Ribas do Rio Pardo e Camapuã, somando R$ 196.175.851,14. Importante destacar que a Construtora Rial já tem contratos com a administração estadual para serviços de tapa-buracos em Costa Rica e Três Lagoas.

Preso desde o dia 12 de maio deste ano, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa teve sua prisão preventiva revogada pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande, na quinta-feira.

Também foram soltos Fernando de Souza Oliveira (ex-servidor), Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula (ex-servidor), Mehdi Talayeh (ex-servidor) e Rudi Fiorese (ex-secretário de Obras de Campo Grande e ex-diretor-presidente da Agesul).

Todos os citados foram investigados no âmbito da Operação Buraco sem Fim, que descobriu um esquema milionário que agia nos contratos de tapa-buracos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). A operação foi desencadeada no mês passado, também pelo MPMS.

Essa operação mirou justamente a Construtora Rial, que comanda os serviços de tapa-buracos em quatro das sete regiões de Campo Grande, e que teria faturado, de 2018 a 2025, entre contratos e aditivos o montante de
R$ 113.702.491,02, de acordo com a nota oficial do MPMS.

A investigação constatou a existência de “uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas” na Capital, por meio inclusive da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.

O pai do empreiteiro, o pecuarista e sócio da empresa Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, também foi preso na operação, mas conseguiu reverter a prisão preventiva em domiciliar, e será monitorado por tornozeleira eletrônica pelos próximos 6 meses.

POLÊMICAS

Em fevereiro, 12 dias depois de Rudi Fiorese assumir o comando da Agesul, o engenheiro renovou o contrato com a Construtora Rial para continuar fazendo por mais um ano a manutenção de 417 quilômetros da regional de Camapuã. 

Com esta renovação, a empresa garantiu faturamento anual de R$ 9,9 milhões. O contrato renovado com o governo é para manutenção de vias pavimentadas e não pavimentadas na regional de Três Lagoas durante um ano. O valor foi de R$ 11,5 milhões. 

Nesta renovação, constava a observação de que o contrato poderia ser rompido caso houvesse nova licitação.

E o anúncio dos lotes de licitações que a Agesul fez neste mês é justamente para substituir esses antigos contratados, que já haviam sido renovados sem licitação ao menos cinco vezes. 

No início de maio, Patrola ficou entre os empreiteiros que venceram a licitação que prevê R$ 37.129.082,48 em projeto inédito de recapeamento das sete macrorregiões de Campo Grande.

A empresa dele receberá R$ 6.153.797,28 para recapear a macrorregião do Prosa, conforme publicação do Diário Oficial.

* Saiba 

Os lotes da licitação bilionária que envolvem as cidades de Caarapó, Ponta Porã, Dourados, Maracaju, Jardim, Porto Murtinho, Miranda, Corumbá e Coxim abrirão para disputa hoje, entre 8h30min e 14h, a depender da licitação.

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Documentação

Mutirão para emitir novo RG sem agendamento terá dois dias em Campo Grande

Ação será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, no Pátio Central, com atendimento para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN).

08/09/2026 19h33

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande.

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Quem precisa emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), documento que substitui gradualmente o antigo RG, terá uma nova oportunidade de buscar atendimento em Campo Grande. O Pátio Central recebe, nos dias 11 e 12 de setembro, a segunda edição do Mutirão de Emissão de RG.

A ação será realizada no Posto de Identificação localizado no 2º piso do Pátio Central, no Centro da Capital. Na sexta-feira (11), o atendimento ocorrerá das 8h às 17h30. Já no sábado (12), o serviço estará disponível das 8h às 16h30.

A primeira emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) é gratuita. Já para a segunda via pode haver cobrança de taxa, conforme o motivo da solicitação e as regras vigentes em Mato Grosso do Sul. Em situações específicas, o cidadão também pode ter direito à isenção do pagamento.

A iniciativa chega à segunda edição com a proposta de ampliar o acesso da população ao serviço de identificação e oferecer uma alternativa para quem precisa solicitar o documento, concentrando os atendimentos durante dois dias.

O mutirão é realizado pelo Pátio Central em parceria com órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, responsável pelos serviços de identificação no Estado.

Novo RG

Apesar de a divulgação da ação utilizar a expressão “emissão de RG”, o documento atualmente expedido segue o padrão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), criada para unificar a identificação dos brasileiros.

Uma das principais mudanças é a adoção do CPF como número único de identificação, evitando que uma mesma pessoa tenha números de RG diferentes em cada unidade da Federação.

A CIN também conta com elementos destinados a aumentar a segurança e facilitar a verificação da autenticidade do documento.

A implantação do novo modelo ocorre de forma gradual em todo o País. Por isso, quem ainda possui a carteira de identidade no modelo antigo não precisa necessariamente substituí-la de imediato apenas por causa da mudança de padrão, desde que o documento continue dentro das regras de validade aplicáveis.

Para quem precisa emitir a primeira via da CIN ou atualizar a documentação, o mutirão concentra o serviço em um ponto de fácil acesso na região central de Campo Grande.

Confira os horários

O 2º Mutirão de Emissão de RG será realizado no Posto de Identificação do Pátio Central, no 2º piso. Na sexta-feira, 11 de setembro, o atendimento será das 8h às 17h30. No sábado, 12 de setembro, será das 8h às 16h30.

Estatística

Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%

Comunicação adequada e humanizada pode mudar essa realidade

08/09/2026 19h00

Divulgação/Ministério da Saúde

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O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.  

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