Cidades

VARREDURA

Farra do Bolsa Família tem
servidores e dono de "frota"

Programa para auxiliar carentes, tem entre seus beneficiários, funcionários do município e proprietário de caminhonete

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Bastou um trabalho de campo, por amostragem, feito pela Controladoria-Geral da União (CGU), em Campo Grande, para demonstrar que entre os beneficiários do programa Bolsa Família há pessoas com a renda muito acima dos parâmetros de acesso ao benefício. Foram identificados 55 beneficiários com servidores do município entre os que compõem o núcleo familiar, e ainda 106 famílias com proprietários de carros avaliados em mais de R$ 20 mil. 

O trabalho de campo da CGU indicou que o volume de pessoas beneficiadas ilegalmente pode ser ainda maior. Em Campo Grande, conforme números do governo federal, existem 31.535 recebendo a Bolsa Família, volume que equivale 9,93% da população do município.  O custo mensal para os cofres públicos é de R$ 3,7 milhões. 

O Bolsa Família paga, no máximo, R$ 170 para pessoas carentes (o valor varia conforme o número de crianças e da frequência escolar delas). A investigação na Capital do Estado foi feita durante todo o ano de 2018.

Há o caso, por exemplo, de família que informou renda per capita de R$ 257, mas, durante visita dos técnicos da CGU, constatou-se renda familiar mensal de R$ 3.473,00 (R$ 694,60 per capita) e vários veículos na garagem: uma caminhonete S-10 Executive, avaliada em R$ 62,8 mil; uma motocicleta Factor, de R$ 4,8 mil; e ainda um Chevrolet Corsa, avaliado em R$ 12,2 mil. Mesmo com este patrimônio e renda, o governo federal paga, todos os meses, R$ 85 a essa família. 

CRITÉRIOS
Os técnicos da CGU estabeleceram os seguintes parâmetros de amostragem neste levantamento: as famílias que têm automóveis, as que o sistema da Secretaria Nacional de Renda e Cidadania apontou inconsistência de renda e as que têm pessoas que dependem de mais de um titular do Cadastro Único do governo federal. Os dados do programa Bolsa Família foram cruzados com as informações de outros órgãos do governo, como o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A CGU encontrou outros exemplos de fraude no programa, como família com renda per capita de R$ 1.455,23. Na casa, não havia carros na garagem, mas, entre uma atualização de cadastro e outra, o titular do benefício passou a trabalhar na Prefeitura de Campo Grande. Este é um dos 55 funcionários do município com o benefício. 

FROTA
Houve também outro caso em que a CGU nem informou a renda per capita da família que perdeu o benefício, apenas a classificou como “incompatível”. Pudera. Foram encontrados nada menos que 10 veículos pertencentes aos integrantes da família que declarou renda per capita de R$ 150 para ter acesso ao benefício. 

Os carros são uma S-10 Executive, de R$ 52 mil; um VW Polo, de R$ 17,4 mil; um Toyota Corolla, avaliado em R$ 18,9 mil; uma Belina II, de R$ 4,2 mil; um reboque, de R$ 2,6 mil; uma moto Honda CB300, de R$ 8,1 mil (esta, no nome do cônjuge). Os filhos ainda tinham os seguintes automóveis: um Chevette, de R$ 7,5 mil; um Santana, de R$ 13,6 mil; uma moto Honda Twister, de R$ 4,5 mil; e um VW Polo, avaliado em R$ 22,8 mil.

 

investigação

Família de pedreiro morto cobra câmeras corporais em policiais

Versão dos parentes que estavam na residência no momento da morte de Bruno Rafael, de 18 anos, confronta o relato apresentado pelo Choque nesta semana

22/10/2026 08h20

Sofá da casa ainda está com a mancha do sangue de Bruno

Sofá da casa ainda está com a mancha do sangue de Bruno Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A família de Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, que morreu em ação do Batalhão de Choque nesta semana, acredita que, se as câmeras corporais estivessem nas fardas dos policiais envolvidos na ocorrência, comprovaria que o pedreiro não apontou a arma para os agentes, confrontando a versão contada pela corporação para justificar os disparos contra o jovem naquela madrugada.

O caso começou na sexta-feira, quando Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, morreu no Bairro Parque do Lageado, em Campo Grande, vítima de um latrocínio. Segundo imagens de câmera de segurança divulgadas pela polícia, o crime ocorreu às 19h20min daquele dia. Na ocasião, os autores roubaram um Volkswagen Gol vermelho e mercadorias que seriam da vítima.

Depois de terem localizado um dos participantes do crime, identificado como Yuri Silva Santos Modesto, de 27 anos, os policiais se dirigiram ao Bairro Portal Caiobá II, endereço apontado por Yuri como residência de outro envolvido no latrocínio, vulgo Neguinho e que teria efetuado os disparos contra Gian. Porém, o que aconteceu no local continua em aberto, visto a guerra de narrativas dos dois lados da história.

Enquanto o Batalhão de Choque afirma que Bruno teria tirado uma arma da mochila e apontado para os policiais, a família do jovem segue dizendo que não havia arma na casa e que o suspeito não teria ameaçado os agentes. Fato é que toda essa ação aconteceu dentro do quarto do rapaz, próximo à namorada, ao pai e à madrasta.

Alexandra Raquele, de 18 anos, que era namorada de Bruno, afirma que as câmeras corporais dos policiais poderiam ter ajudado a provar o lado da família, além de esclarecer com detalhes o que aconteceu no quarto quando os agentes ficaram sozinhos com Bruno.

“Eu acho que sim [teria ajudado]. Porque eles falam que o Bruno foi até a porta e quando viu os policiais, voltou e foi para dentro do quarto, e quando os policiais entraram, ele já estava tirando a arma da mochila, o que é mentira. Quando eu falei para ele ‘olha os homens’, ele só abriu o olho e não chegou a levantar, ele só levantou na hora que os policiais mandaram. Isso tudo aconteceu em questão de 10 minutos, e então eu escutei o barulho do tiro”, disse.

Um amigo de 42 anos de Bruno, que quis se manter no anonimato, também se manifestou sobre as câmeras falando “eles [os policiais] tinham que ter essa câmera”.

Vale destacar que é um debate recente o uso das câmeras corporais nos policiais militares de Mato Grosso do Sul. Em momentos passados, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) condicionou a aquisição da tecnologia à liberação de verbas federais específicas. No cenário nacional, 14 estados e o Distrito Federal utilizam o equipamento.

Mesmo com o depoimento dos familiares, a Polícia Militar afirmou que “todo o procedimento seguiu rigorosamente os protocolos operacionais da corporação, com formalização perante a autoridade de polícia judiciária para a devida apuração dos fatos”, além de manter a versão contada inicialmente pelo Choque.

ALEGRE E BRINCALHÃO

Em conversa com o Correio do Estado em frente à residência onde Bruno morreu, a família relata que ele era um menino divertido e batalhador, que saía bem cedo para trabalhar como pedreiro na construção de casas de programas sociais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida, e ainda ajudava o pai e a madrasta com as atividades domésticas.

“Quando eu peguei ele para criar, ele tinha 3 anos. Criei ele, fiz o que eu pude e o que eu não pude para ele. Era um menino bom, e não é porque ele morreu que eu estou dizendo isso, ele era um menino realmente bom. Saía às 6h, voltava e ficava em casa. Era um menino reto. Eu só tenho a lembrar de coisas boas”, disse a madrasta.

“Ele era um moleque alegre, brincalhão, todo mundo gostava dele, todo mundo ria e brincava com ele. Onde ele chegava, ele fazia amizade. Não era para ter acontecido isso com ele”, complementou o amigo de infância.

O irmão mais velho de Bruno, que não quis ser identificado, disse que o maior sonho do rapaz era comprar um carro e que ele estava juntando dinheiro do trabalho para realizá-lo. 

* SAIBA 

Segundo a PM, após a morte de Bruno foi instaurado inquérito policial militar para apurar as circunstâncias dos fatos. Após sua conclusão, esse caso é remetido para o Ministério Público e à Justiça.

REFORMULAÇÃO

TJMS aumenta pena de mãe e filho que mataram parente em churrasco

O crime ocorreu após uma brincadeira entre a vítima e um de seus sobrinhos, à qual os agressores reagiram de forma desproporcional e por motivo fútil, segundo o MPMS

22/10/2026 07h50

Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias foram condenados pela morte de Jonilson Pereira

Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias foram condenados pela morte de Jonilson Pereira Reprodução: Princesinha News

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) reformou parcialmente a sentença proferida pelo Tribunal do Júri de Aquidauana e aumentou as penas de Marineide Santana e Odaison Santana Rui Dias, mãe e filho, pelo assassinato de Jonilson Pereira Gomes, de 33 anos.

Ambos foram condenados por homicídio duplamente qualificado. Com o recurso, a pena da mãe subiu para 16 anos e 11 meses, enquanto a do filho passou para 19 anos e 6 meses de reclusão, ambas em regime fechado. 

Na sentença inicial, a mãe recebeu a pena de 16 anos de reclusão, e o filho foi condenado a 18 anos de reclusão, ambos em regime fechado.

O pedido de reformulação da pena foi interposto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), através da 3ª Promotoria de Justiça de Aquidauana.

O recurso sustentou a necessidade de reformar o cálculo das penas, demonstrando que as circunstâncias do crime exigiam uma resposta penal mais severa e proporcional.

O homicídio ocorreu em janeiro do ano passado, durante um churrasco familiar. Conforme a denúncia ministerial, o crime foi motivado por uma brincadeira entre a Jonilson e um de seus sobrinhos, à qual os agressores reagiram de forma desproporcional e por motivo fútil.

Submetidos a julgamento popular perante o Tribunal do Júri da Comarca de Aquidauana, os réus foram condenados por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

No recurso ao TJMS, o Promotor de Justiça João Meneghini Girelli pleiteou penas maiores ao apontar maior gravidade em dois fatores: a quebra de confiança no ambiente familiar, onde a vítima estava acolhida,  e a brutalidade do ataque.

Ao acolher o recurso ministerial, a 3ª Câmara Criminal concluiu que as circunstâncias do crime justificavam maior reprovação das condutas e, por isso, aumentou as penas aplicadas aos réus, fixando as penas definitivas em 16 anos e 11 meses de reclusão para a mãe e 19 anos, 6 meses e 15 dias para o filho.

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