Cidades

Sob Investigação

Gerente de obras da Agesul foi alvo da Operação Máquinas de Areia

Adriano Kawahata Barreto responde pela Gerência de Obras Viárias do órgão rodoviário do Estado; Ministério Público o aponta como articulador de contratações sem licitação em Três Lagoas.

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O engenheiro civil Adriano Kawahata Barreto, gerente de obras viárias da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), foi um dos alvos da Operação Máquinas de Areia no último dia 06 de agosto, que apura fraudes em contratos de locação de máquinas pesadas da Prefeitura de Três Lagoas que somam mais de R$ 100 milhões.

Nomeado em 22 de setembro de 2025 na Agesul, Kawahata ocupa cargo comissionado com remuneração fixa de R$ 24.617,25 e jornada de 40 horas. Na competência de julho de 2026, última disponível para consulta, seu registro constava como ativo.

Ele foi diretor de Infraestrutura em Três Lagoas e assinou, em 2017, a justificativa que permitiu a Três Lagoas aderir a uma ata de registro de preços da Prefeitura de Campo Grande para alugar máquinas pesadas, sem licitação própria. Foi um dos principais contratos avaliados pelo MPMS e que está no olho do furacão da investigação. 

A quebra de sigilo bancário e fiscal, solicitada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apontou 517 depósitos em dinheiro sem origem identificada em suas contas entre 2018 e 2023, somando R$ 762.115,00, com pico de R$ 60.450,00 em dezembro de 2021, quando ele era secretário municipal.

Segundo o MP, "a finalidade incondicional, protagonizada por Adriano Kawahata Barreto e, posteriormente, assumida por Osmar dias Pereira, era, desde o início, a contratação das empresas gêmeas JR Comércios e Serviços Ltda e MS Brasil Comércios e Serviços Ltda, sob o comando empresarial de André Luiz dos Santos, vulgo “Patrola”, algo que não só continuou, como evoluiu, na realidade local, ao longo de praticamente oito anos”, citando que ele era articulador da contratação das empresas.

O pregão que originou aquela ata foi depois anulado pelo Tribunal de Contas. A adesão, segundo o Ministério Público, foi declarada ilegal.

A solução, apresentada como emergencial e temporária, gerou dois contratos assinados no mesmo dia, 22 de dezembro de 2017, que duraram até o fim de 2023 e foram sucedidos por um terceiro, ainda vigente e hoje avaliado em R$ 26,5 milhões.

Os promotores afirmam que a justificativa assinada por ele é genérica e não especifica quais equipamentos faltavam ao município nem qual área seria atendida.

No mesmo ato de adesão, Kawahata foi designado fiscal suplente dos contratos que havia articulado, situação que o Ministério Público descreve como “evidente conflito de interesses”.

Interrogado em janeiro de 2024, ele disse não se recordar se o contrato proibia a terceirização dos serviços e, ao ser confrontado com a cláusula que a vedava expressamente, respondeu que “pode ter sido um erro ou passou batido”.

Quanto aos depósitos encontrados nas contas de Kawahata, os promotores escrevem que não é possível descartar a hipótese de que os depósitos correspondam a pagamento de vantagem indevida. A investigação está em fase preliminar.

A Operacao Máquinas de Areia cumpriu mandados de busca na residência de André Luis dos Santos, o Patrola, Edcarlos Jesus Silva, Augusto César Lima Romualdo, Paulo de Lima Vieira, Paulo Vieira, (filho de Paulo de Lima), Idete Lange, Henrique Canisso Maia, Adriano Kawahata Barreto e Osmar Dias Pereira.

Também esteve nas empresas MS Brasil, JR Comércios, Cerplan Obras e Locações, Cerplan Locação de Máquinas, Lange Locações e Engenex. E a sede da Secretaria de Infraestrutura de Três Lagoas.

Histórico

Em menos de um ano, vários nomes ligados à Agesul cruzaram com operações policiais e processos judiciais, nenhum deles, até aqui, condenado pela Justiça. Rudi Fiorese, ex-diretor-presidente, foi preso preventivamente em maio de 2026 na Operação Buraco Sem Fim, suspeito de comandar fraude de R$ 113 milhões em contratos de tapa-buraco em Campo Grande. 

Felipe Jafar, engenheiro da equipe técnica, foi preso em julho na Operação Gutemberg, que apura desvio de R$ 27 milhões em compras de livros e exonerado em seguida. Ele é réu pelo caso.

Adriano Kawahata Barreto, gerente de Obras Viárias, foi alvo de busca e apreensão em agosto na Operação Máquinas de Areia, apontado pelo Ministério Público como articulador de contratos sem licitação de mais de R$ 100 milhões em Três Lagoas, foi réu por improbidade e investigado pela Polícia Federal. 

Marcos Tadeu Enciso Puga, gerente de Projetos e Orçamentos Viários, responde por organização criminosa em processo da Operação Lama Asfáltica hoje parado no STJ, ao lado do ex-governador André Puccinelli. 

Adriano Trassi, diretor, foi preso em 2018 na Operação Pedra no Caminho, da Lava Jato paulista, e teve a denúncia rejeitada por falha formal do próprio MPF, de acordo com decisão da justiça federal, sem nunca ser julgado no mérito. 

E Gil Márcio Franco, conforme revelado pelo Correio do Estado, atual diretor-presidente, não responde a acusação formal, mas foi responsável por um asfalto que esfarelou dias antes da inauguracao, quando ainda era responsável técnico da empresa Engr Engenharia. 

Kawahata, cita o MP, também é denunciado na Operação Pedras de Toque, da Polícia Federal, que apura fraude em uma licitação de 2017 também em Três Lagoas.

E respondeu por ação de improbidade que tratava da contratação em cadeia da empresa Financial Construtora Industrial para a coleta de lixo em Três Lagoas, entre 2017 e 2019, por meio de sucessivas dispensas de licitação.

A juíza Aline Beatriz de Oliveira Lacerda declarou nulos os contratos, firmados, segundo a sentença, sobre uma situação de “emergência fabricada”.

Adriano Kawahata foi absolvido, no dia 09 de setembro de 2025, ao lado de outros dois ex-servidores, por ausência de dolo específico. A sentença, porém, registra ressalva sobre sua conduta.

O Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça pedindo a condenação de Kawahata e dos outros dois absolvidos. Sustenta que eles “não foram meros executores, mas agentes essenciais à frustração da licitude do procedimento”.

A Procuradoria de Justiça opinou pelo provimento do recurso em 19 de dezembro de 2025. Até a última peça juntada aos autos, de 28 de janeiro de 2026, a 4ª Câmara Cível não havia julgado.

Reação às Denúncias

Após matéria revelar problemas, Uniderp inicia melhorias no curso de Medicina

Após denúncias de estudantes, instituição começou a trocar cadeiras e realizar manutenções; alunos ainda aguardam soluções para outras reivindicações.

12/08/2026 18h01

Uniderp começou a realizar melhorias após estudantes de Medicina denunciarem problemas na estrutura e no curso.

Uniderp começou a realizar melhorias após estudantes de Medicina denunciarem problemas na estrutura e no curso. Foto: Divulgação.

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O Correio do Estado revelou, na segunda-feira (10), as denúncias de estudantes de Medicina da Uniderp sobre problemas na estrutura, no ensino e na organização do curso. Após a publicação da reportagem e a mobilização dos acadêmicos, intervenções começaram a ser feitas nas dependências da universidade em Campo Grande.

Alunos relatam que cadeiras consideradas inadequadas foram retiradas, equipamentos passaram por manutenção e aparelhos de ar-condicionado receberam reparos.

As primeiras mudanças começaram a ser percebidas pelos acadêmicos ainda na segunda-feira (10) e continuaram na terça-feira (11), após a publicação da primeira reportagem do Correio do Estado sobre as denúncias.

Já nesta quarta-feira (12), estudantes realizaram uma manifestação com cartazes para reforçar as cobranças por melhorias. Entre as mensagens exibidas estavam frases como “Medicina não é mercadoria” e “Estrutura também faz parte da formação”.

Imagens encaminhadas ao Correio do Estado mostram funcionários trabalhando nas instalações utilizadas pelos estudantes, além de cadeiras retiradas e empilhadas na área externa de um dos prédios. Outra fotografia mostra materiais novos ainda embalados próximos a um banheiro acessível.

Uniderp começou a realizar melhorias após estudantes de Medicina denunciarem problemas na estrutura e no curso.Funcionários realizam serviço de manutenção nas dependências da Uniderp após reclamações de estudantes de Medicina. Foto: Divulgação.

Segundo um dos estudantes ouvidos pela reportagem, parte das intervenções atende diretamente a problemas que já vinham sendo apontados pelos acadêmicos.

“Cadeiras de tutoria que estavam defasadas, no mesmo dia em que saiu a primeira notícia relacionada às condições, já foram trocadas. Foram selecionadas as piores cadeiras e retiradas”, relatou.

Uniderp começou a realizar melhorias após estudantes de Medicina denunciarem problemas na estrutura e no curso.Cadeiras foram retiradas de dependências utilizadas por estudantes após reclamações sobre as condições do mobiliário. Foto: Divulgação.

O aluno afirma que também foram feitas intervenções em aparelhos de ar-condicionado de algumas salas de tutoria e a substituição de componentes que apresentavam problemas.

Uniderp começou a realizar melhorias após estudantes de Medicina denunciarem problemas na estrutura e no curso.Materiais foram registrados nas dependências da universidade durante período de intervenções na estrutura. Foto: Divulgação.

Apesar das providências, a avaliação entre estudantes é de que as mudanças realizadas até o momento são pontuais diante do conjunto de reivindicações apresentado à instituição.

“São mudanças que não são grandes. São só essas questões”, afirmou o acadêmico.

Problemas foram expostos por estudantes

A manifestação desta quarta-feira ocorreu após uma série de reclamações sobre as condições oferecidas pela universidade. Imagens encaminhadas anteriormente à reportagem mostraram água acumulada no piso de uma sala, danos no forro de banheiro, infiltrações e sinais de desgaste em espaços utilizados pelos acadêmicos.

Estudantes também relataram o aparecimento de escorpiões nas instalações.

As condições da estrutura foram colocadas em discussão também em razão do valor da graduação. Atualmente, a mensalidade do curso de Medicina chega a aproximadamente R$ 14 mil e pode ficar em torno de R$ 12,6 mil com desconto.

Os estudantes argumentam que o custo deveria ser acompanhado por estrutura e serviços compatíveis com a formação oferecida.

As reivindicações, entretanto, não se limitam às condições físicas do campus. Os acadêmicos também apresentam questionamentos relacionados à qualidade do ensino, aos critérios de avaliação, à organização acadêmica e ao internato médico.

Entre os pontos levantados estão a organização das atividades práticas, questões envolvendo professores, cumprimento de horários e alterações na carga horária.

Alunos também relatam recorrer a cursos preparatórios, plataformas digitais e outros materiais externos para complementar o aprendizado e se preparar para avaliações, inclusive o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

Avaliação também está no centro das reclamações

Outro ponto de tensão envolve a Avaliação de Progresso e Proficiência Clínica (APPC). Estudantes que ingressaram no primeiro semestre de 2023 e em períodos anteriores à publicação da Resolução CNE/CES nº 3/2025 elaboraram uma notificação extrajudicial dirigida à Reitoria da Uniderp e à coordenação do curso de Medicina.

No documento, os acadêmicos solicitam esclarecimentos sobre a nova sistemática de avaliação, acesso a documentos institucionais e a suspensão de eventuais efeitos impeditivos de progressão para turmas anteriores às novas diretrizes.

A preocupação apresentada pelos alunos é com a possibilidade de estudantes serem impedidos de avançar na graduação caso não alcancem o desempenho exigido na avaliação, mesmo após aprovação nas disciplinas, módulos e estágios previstos na matriz curricular.

A notificação também questiona eventual exigência de nota mínima 7 e a possibilidade de retenção ou impedimento de ingresso no internato.

Nova reunião está prevista para terça-feira

Enquanto as primeiras intervenções na estrutura são realizadas, as discussões entre estudantes e universidade devem continuar. Conforme relato de um acadêmico, a coordenação entrou em contato com representantes das turmas e informou que uma nova reunião deverá ocorrer na próxima terça-feira (18).

O encontro dará continuidade a uma reunião realizada na última segunda-feira (10), que terminou por volta das 21h30. Segundo os estudantes, a quantidade de assuntos apresentados e o horário impediram que todos os pontos fossem discutidos.

“Essa reunião foi marcada para frente devido à quantidade de tópicos a serem discutidos e à impossibilidade de continuar a reunião na segunda devido ao horário”, explicou um estudante.

A expectativa agora é que o próximo encontro avance justamente sobre as reivindicações que não dependem apenas de reparos na estrutura física, principalmente aquelas relacionadas ao modelo de avaliação, à organização acadêmica e ao internato.

Enquanto isso, as intervenções já realizadas representam as primeiras mudanças concretas percebidas pelos estudantes desde que as reclamações ganharam visibilidade.

Abaixo, o vídeo mostra a equipe da Uniderp realizando melhorias.

Agosto Dourado

Conta não fecha: Banco de Leite do HRMS arrecada só 39% do necessário

Unidade precisava de 120 litros em julho, mas recebeu apenas 47; faltaram 73 litros para atingir o volume ideal

12/08/2026 17h45

Além de alimentar, o leite materno fortalece o sistema imunológico dos bebês e reduz significativamente o risco de doenças graves

Além de alimentar, o leite materno fortalece o sistema imunológico dos bebês e reduz significativamente o risco de doenças graves Magnific

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O Banco de Leite Humano do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) está com o estoque abaixo do necessário e faz um alerta às mães que estão amamentando e têm leite excedente. A unidade precisa receber cerca de 120 litros de leite humano por mês para manter o atendimento adequado, mas em julho foram coletados apenas 47 litros.

Na prática, o volume arrecadado corresponde a 39,2% do necessário. Isso significa que 73 litros deixaram de ser coletados no período, um déficit de aproximadamente 60,8% em relação à quantidade considerada ideal.

O leite doado é destinado aos recém-nascidos internados no hospital, especialmente prematuros e bebês com baixo peso ao nascer, que podem depender desse alimento durante a internação.

Além de fornecer nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento, o leite humano contém componentes que ajudam no fortalecimento do sistema imunológico e na proteção contra infecções. Para bebês prematuros ou de baixo peso, esses benefícios são ainda mais importantes.

Quem pode doar?

Podem doar mulheres que estejam amamentando seus próprios bebês, tenham leite excedente e possuam os exames realizados durante o pré-natal.

Antes de começar a doação, a mãe passa por um cadastro e recebe todas as orientações necessárias da equipe do Banco de Leite Humano.

Quem tiver leite excedente e quiser ajudar pode entrar em contato pelo telefone (67) 3378-2715 para saber como realizar o cadastro e iniciar a doação.

O alerta ocorre durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A campanha também reforça que, embora a amamentação seja um processo natural, mãe e bebê passam por um período de aprendizado, e o acompanhamento especializado pode ajudar diante de dificuldades.

Serviço

Banco de Leite Humano do HRMS
Telefone: (67) 3378-2715
Doação: é necessário realizar cadastro e atender aos critérios estabelecidos pela unidade.

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