Cidades

Fenasul

Feira de produtos gaúchos começa
sexta-feira em Campo Grande

Feira de produtos gaúchos começa
sexta-feira em Campo Grande

DA REDAÇÃO

26/07/2017 - 12h18
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A 11ª edição da tradicional feira de produtos gaúchos, Fenasul, começa na sexta-feira (28), às 16h, no Círculo Militar, em Campo Grande. Este ano o evento conta com mais de 60 expositores, reunindo comerciantes de produtos já tradicionais como queijos, vinhos, salames, erva-mate, e traz novidades em moda couro, móveis e decorações.

Nesta edição, os visitantes poderão encontrar:

Cucas
Produzidas por descendentes de alemães há mais de 10 anos, as deliciosas cucas fizeram tanto sucesso nas últimas edições da Fenasul, que os expositores comemoram a participação em mais uma feira no MS. “Além das cucas doces e salgadas feitas diariamente, produzimos pães, biscoitos caseiros, vários tipos de doces, geleias, chimias”, diz Regina Schneider.

Queijos, salames e vinhos
Os queijos e vinhos encontrados na Fenasul, são produzidos nas regiões mais tradicionais do Sul do País. Os visitantes da feira poderão encontrar queijos trufados, mozzarellas trançadas com e sem tempero, queijos frescais, defumados, salames, vinhos e sucos de uva para os mais diversos gostos.

Chocolates de Gramado
Expositores da feira desde suas primeiras edições, os Chocolates de Gramado têm diversas opções para quem quer desde uma simples barrinha de chocolate, até um café gourmet, com a qualidade das grandes chocolatarias do Sul.

Moda
Jaquetas, botas, bolsas e cintos em couro, chapéus, malharias, moda outono/inverno, calçados, bijuterias e semi-joias, entre diversos produtos masculinos, femininos e infantis estarão expostos.

Móveis e utensílios domésticos
A qualidade dos móveis em madeira, do estilo colonial aos mais modernos, podem ser encontrados na feira, além de facas, panelas e diversos itens para a cozinha.

Praça de alimentação
Visitantes poderão saborear o tradicional churrasco gaúcho, à moda fogo de chão, com cortes bovinos e ovinos, com opções de acompanhamentos como mandioca, arroz de carreteiro e feijão tropeiro.

Grupo de dança
Este ano, quem anima a Fenasul é o grupo de dança Tchêsul, de Porto Alegre, que traz em seu repertório danças tradicionais gaúchas como Balaio, Tatu de Castanhola, Moçanico, Chote de Carreirinha, Rancheira de Carreirinha, Dança dos Facões, Chula e Malambo Argentino.

Música
As músicas tradicionais gaúchas não poderiam ficar de fora da Fenasul. A animação fica por conta das apresentações, ao vivo, do gaiteiro Flávio Rodrigues. As apresentações acontecem diariamente, a partir das 20h.

A feira vai funcionar de segunda à sexta-feira, das 16h às 23h, e nos sábados e domingos, das 12h às 23h. Os ingressos custam R$ 6,00. Menores de 10 anos e maiores de 60 têm entrada gratuita.

Ação Civil

Negligência da Santa Casa pode ter causado morte de paciente

Jussara Delmondes, de 49 anos, contraiu infecção que resultou em seu óbito após haste intramedular colocada no fêmur não ser retirada no tempo correto

25/06/2026 08h00

Jussara Marisa tinha paralisia cerebral e morreu aos 49 anos

Jussara Marisa tinha paralisia cerebral e morreu aos 49 anos Foto: Arquivo Pessoal

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Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após a Santa Casa de Campo Grande não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente.

Nascida com paralisia cerebral, Jussara nunca andou ou falou durante sua vida. Por ser uma pessoa acamada e com uma certa idade, seus ossos foram ficando cada vez mais frágeis e atrofiados, dependendo sempre de ajuda externa para realizar ações do cotidiano.

No final de 2024, Jussara quebrou o fêmur após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após análise da situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma “tala interna”, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

No primeiro retorno ao médico depois da cirurgia, a mãe e a sobrinha de Jussara solicitaram que a haste fosse retirada, mas o médico explicou que os ossos ainda não tinham colado e calcificado, e por isso não retiraria a estrutura naquele primeiro momento.

Além disso, o médico recomendou que a família esperasse mais 30 dias para que, no próximo retorno, fosse mais viável a retirada do instrumento.

Neste primeiro retorno, Kamila Delmondes, a sobrinha da paciente, já havia informado que, em razão da haste ser exposta, estava com medo de acontecer uma infecção.

Porém, o médico a tranquilizou sobre a situação e ensinou como limpar e higienizar a área – o que era seguido à risca pelos parentes todos os dias.

O próximo retorno estava marcado inicialmente para ocorrer em março, mas não aconteceu por conta da greve da Santa Casa.

Mesmo que não falasse, Kamila percebeu que Jussara estava com aparência de dor, o que ela desconfiou ser por causa da haste.

Diante disso, a levaram ao atendimento 24 horas do hospital, onde os enfermeiros realizaram a mesma limpeza já feita todos os dias no local da cirurgia e liberaram a paciente, sob a justificativa de que “não tinham o que fazer”.

Depois de alguns dias, a mãe percebeu um corpo estranho no céu da boca de Jussara, do qual as profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) recomendaram que fosse retirado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

Lá, além da retirada do corpo estranho, os familiares de Jussara tentaram dar um “jeitinho” para que um médico ortopedista conseguisse avaliar a região da cirurgia na perna, já que fazia muito tempo desde o último retorno na Santa Casa.

Contudo, o médico se recusou a fazer a avaliação justamente por Jussara ser paciente da Santa Casa, e não do Humap.

Depois de seguidas tentativas, o retorno à Santa Casa foi marcado para abril. Chegando ao hospital, outra surpresa: não havia médico disponível para atendê-la. A mesma situação ocorreu seis meses depois, no dia 7 de outubro.

No mesmo dia, para não perder tempo, Kamila e Jussara foram ao Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, onde foram atendidas por um médico.

Ao explicar toda a situação para o profissional, ele ligou no Centro Especializado Municipal (CEM) para saber se o local poderia receber Jussara e finalmente retirar as hastes. Mas, por se tratar de fratura exposta, o caso da paciente fugia da alçada da unidade, estendendo mais ainda a novela.

Com uma nova tentativa frustrada, o médico do CRS aconselhou Kamila a procurar a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, o que foi feito no mesmo dia, 7 de outubro.

Ao ser atendida, a responsável pelo caso de Jussara na Defensoria explicou que a Santa Casa deveria ter direcionado os pacientes para outro hospital por conta da paralisação. Ao fim, ela foi colocada em uma fila de espera na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para tentar vaga em outra unidade.

Porém, 16 dias depois, na manhã de 23 de outubro, a mãe de Jussara foi acordá-la, mas ela não reagia e estava gelada. Horas depois, a morte foi constatada, cerca de 10 meses depois da fratura.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

“Eu não culpo o médico por não ter atendido ela. Mas, sim, o Estado por não ter repassado [dinheiro] para Santa Casa para que os médicos pudessem trabalhar e culpo a Santa Casa por não ter remanejado ela para outro hospital. Primeiro porque ela era uma paciente que não andava e não falava, e eles estavam cientes que ela estava com essa haste para fora. O médico sabia que aquilo poderia ter uma infecção, mas ele falou que não, que isso não aconteceria”, explica Kamila.

Hoje, Kamila e a família de Jussara estão juntando os documentos e procurando advogados para entrar com um pedido de ação indenizatória contra a Santa Casa, pela negligência do hospital com a situação da paciente.

Kamila conta que não vai desistir, especialmente pela sua avó, mãe de Jussara, que está em tratamento contra um câncer e quer que esta história seja divulgada para que não aconteça o mesmo com futuros pacientes. 

AÇÃO

O caso de Jussara foi um dos encontrados pela Defensoria Pública ao aprofundar investigação nos gargalos da Santa Casa. Além de Jussara, outros casos parecidos também foram observados, o que chamou a atenção do órgão.

De acordo com a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), muitos pacientes observados estavam com mais de um ano sem retirar implantes ortopédicos, que deveriam ser extraídos dentro de três a quatro meses.

“Nós estávamos recebendo e judicializando pacientes com dois anos, dois anos e meio sem retirar e sem a perspectiva de realizar a retirada. Eles precisavam judicializar, entrar com ação para retirar um pino ou uma gaiola ortopédica e, enquanto isso, ele não pode trabalhar, não há cicatrização adequada e pode sofrer infecções”, afirma.

Diante disso, a Defensoria ingressou com uma ação civil pública no Poder Judiciário contra a Santa Casa, solicitando informações e respostas do porque esses pacientes estão ficando tanto tempo com os implantes ortopédicos, visto que a retirada deles está prevista no contrato assinado entre paciente e hospital antes da cirurgia.

Para que as partes (Estado, Município, Santa Casa e Defensoria Pública) cheguem em um acordo, o Poder Judiciário marcou uma audiência para hoje.

RESPOSTA

Em nota enviada à reportagem, a Santa Casa se posicionou apenas sobre a primeira ação, reportada pelo Correio do Estado ontem, que colocou as filas invisíveis do hospital na mira.

“Importante destacar que a redução do número de salas simultaneamente abertas em determinados períodos não significa redução da capacidade de atendimento às urgências e emergências”, diz na nota sobre o fato de a defensora ter encontrado salas de cirurgia fechadas.

Sobre o caso de Jussara e a demora para retirada de implantes ortopédicos de seus pacientes, a instituição ainda não se posicionou, mesmo com o contato da reportagem.

Já a Sesau também foi contatada e afirmou que acompanha “permanentemente a situação da rede hospitalar de Campo Grande e reconhece os desafios históricos relacionados à demanda por procedimentos de média e alta complexidade, especialmente nas áreas ortopédica e cardiológica”.

“Após a vistoria realizada conjuntamente com a Defensoria Pública, Ministério Público e equipes técnicas da Sesau na Santa Casa, a Secretaria notificou formalmente a instituição para apresentação de esclarecimentos e de um plano de ação corretivo diante de problemas identificados”, diz a nota da secretaria.

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Infraestrutura

Campo Grande pode ficar sem tapa-buracos a partir de julho

Quatro regiões já estão com os serviços paralisados na Capital e contratos terminam no mês que vem

25/06/2026 08h00

Marcelo Victor/Correio do Estado

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As sete regiões de Campo Grande podem ficar sem o serviço de tapa-buracos a partir de julho, quando os contratos com as empresas responsáveis pelo serviço terminam e não serão renovados. Caso o projeto para a continuidade da operação não dê certo, a cidade pode ficar sem o serviço.

Reunião na terça-feira entre o atual titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Brandão, e os vereadores de Campo Grande explicou a atual situação do serviço. 

Conforme o que foi passado pelo secretário, quatro regiões de Campo Grande já estão com o serviço paralisado porque o saldo do contrato já foi utilizado e, conforme o que foi passado na reunião, ele não deve receber aditivo. Por este motivo, os contratos estão sem operação.

 Avenida Delegado Alfredo Hardman, no Jardim Paulo Coelho Machado, está esburacada - Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

As quatro regiões são justamente as que estão sob a responsabilidade da Construtora Rial, alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suposta corrupção na medição de buracos e suposto recebimento indevido de recursos públicos.

A investigação do MPMS resultou na Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do MPMS, e que identificou “a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos”.

“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”, diz a nota do MPMS na época.
Ainda segundo a investigação, a empresa teria faturado, entre 2018 e 2025, “contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02”.

Reportagem do Correio do Estado mostrou que a Construtora Rial, pivô do escândalo, é responsável pelo tapa-buraco de quatro das sete regiões da cidade: Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu e Segredo.

Somando o valor original desses contratos e seus aditivos, a parceria atual entre a empresa e a Sisep soma 
R$ 114.608.571,16. E são essas regiões que já estão com o serviço paralisado.

SEM CONTRATO

De acordo com explicação do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), a Capital não planeja aditivar esses contratos e nem renová-los. A ideia seria usar o contrato fechado por meio do Consórcio Central-MS, composto por Campo Grande, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Terenos e Jaraguari, que alugou uma usina de asfalto.

No entanto, segundo o presidente da Casa de Leis, não há garantia de que apenas esta usina consiga atender a todas as regiões da Capital.

“Eles [representantes da prefeitura] garantiram que não vão aditivar esses contrados, principalmente para as empresas investigadas e estão focados em usar o consórcio para atender o tapa-buraco em todas as regiões, mas não há garantia de que eles darão conta de todas as regiões, e se isso acontecer, a Capital pode ficar sem tapa-buraco”, declarou Papy ao Correio do Estado.

Para que isso não aconteça, segundo o presidente da Câmara, foram dadas algumas sugestões, entre elas uma licitação de emergência, caso a fábrica do consórcio não consiga atender a demanda por asfalto.

Durante a reunião, o secretário André Brandão afirmou que no início de julho a Sisep deve colocar mais equipes para realizar o serviço.

“Nós já vamos colocar novas equipes para poder atuar e no decorrer de julho a gente consegue complementar esse quadro, para que entre agosto com uma produção muito maior do que estamos fazendo”, declarou o secretário.

* Saiba 

Durante a Operação Buraco Sem Fim, em maio, foram presas sete pessoas, entre elas, o ex-secretário de Infraestrutura Rudi Fiorese, o engenheiro da Sisep Mehdi Talayeh e o dono da Rial, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa.

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