Cidades

Caçada na Mata

Narcotraficantes mortos pelo Bope tiveram várias tentativas de resgate em MS

Grupo passou oito dias escondido na mata após abandonar avião interceptado pela FAB; cerca de 50 policiais participaram das buscas.

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Quatro traficantes bolivianos mortos em confronto com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) tentaram escapar de um cerco policial durante oito dias e contaram com uma rede de apoio que teria organizado diversas tentativas de resgate na região de São Gabriel do Oeste.Os novos detalhes foram apresentados pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul neste sábado (8).

As informações foram detalhadas pelo tenente-coronel Rocha, comandante do Bope, durante coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado (8), na sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais, em Campo Grande.

Na ocasião, o oficial apresentou novos detalhes sobre os oito dias de buscas, o perfil dos quatro bolivianos, as tentativas de resgate durante o cerco e as circunstâncias do confronto que terminou com a morte do grupo.

Segundo o comandante do Bope, aproximadamente 50 policiais estiveram envolvidos diretamente na mobilização, considerando as equipes da unidade especializada e o efetivo de outras forças que deram suporte ao cerco.

Durante a coletiva, ele afirmou que foram identificadas várias tentativas de retirar os bolivianos da região e que pessoas estariam dispostas a pagar valores elevados pelo resgate, principalmente por causa da importância de um dos integrantes do grupo no tráfico internacional. 

"A gente conseguiu levantar várias tentativas de resgate. Muita gente estava buscando esse resgate, inclusive pagando muito caro para conseguir retirar esse elemento de lá”, afirmou o tenente-coronel Rocha.

O principal nome identificado entre os mortos é José Mariano Paes, apontado pelas autoridades como um dos grandes chefes do tráfico de cocaína na Bolívia.

Conforme as informações repassadas ao Bope, ele acumulava antecedentes relacionados a tráfico de drogas, sequestro e homicídio e era considerado altamente violento pela polícia boliviana. 

Os outros três bolivianos mortos no confronto também foram identificados. São Bruno Bascope Jordan, de 31 anos; José Oscar Lacoa Rapu, de 25; e Cristian Guzman Parada, de 31.

Com José Mariano Paz Chavez, de 29 anos, eles formavam o grupo de quatro homens que deixou a Bolívia na aeronave posteriormente interceptada pela FAB.

Grupo era do alto escalão do tráfico, diz Bope

De acordo com o comandante, os quatro bolivianos atuavam no fornecimento de cocaína em grande escala e fariam parte de um patamar elevado do narcotráfico. A avaliação da polícia é de que o grupo abastecia a fronteira brasileira com droga adquirida diretamente de áreas de produção e depósitos na Bolívia.

“É outro patamar. Pela fuga de aeronave e pelo suporte que tentaram ter para o resgate, a gente acredita que sejam do alto escalão do crime boliviano, que abastecia nosso país com cocaína”, declarou Rocha.

A estrutura financeira dos criminosos também chamou a atenção dos investigadores. Dentro da aeronave utilizada na fuga, conforme relatado durante a coletiva, foi encontrado um relógio avaliado em mais de R$ 2 milhões, além de uma quantia significativa em moeda boliviana.

Para o Bope, os elementos encontrados reforçam a suspeita de que os ocupantes tinham grande poder financeiro. 

O comandante classificou os quatro como integrantes do "alto escalão" do crime boliviano e afirmou que eles atuavam no abastecimento de cocaína para o Brasil. Até o momento, entretanto, não foi confirmada ligação específica do grupo com alguma facção criminosa brasileira. 

Aeronave seria usada exclusivamente para a fuga

Outro detalhe revelado pelo Bope é que não havia drogas dentro do avião interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB). Conforme a apuração policial, naquela viagem a aeronave teria sido utilizada exclusivamente para retirar os quatro homens da Bolívia e levá-los para São Paulo.

Equipes policiais ao lado da aeronave utilizada pelos quatro bolivianos durante a fuga para o Brasil. Foto: Bope.

A polícia, porém, recebeu informações de que o mesmo avião já teria sido empregado anteriormente em rotas relacionadas ao tráfico de drogas.

Também é investigada a possibilidade de uma segunda aeronave ter sido utilizada para retirar outros envolvidos em direção ao norte da Bolívia. 

A fuga começou em 31 de julho, após uma sequência de crimes em território boliviano. No dia 29, um grupo armado invadiu a fazenda Campo Nuevo, de propriedade do produtor Jhonny Arce, e matou três pessoas.

No dia seguinte, 30 de julho, os criminosos emboscaram uma equipe das forças especiais da Bolívia. Durante o ataque, um subtenente foi morto.

Informações posteriormente compartilhadas com as autoridades brasileiras apontaram que os suspeitos eram integrantes de um grupo armado considerado violento e ligado ao tráfico internacional de drogas, principalmente por via aérea. 

Após o ataque, quatro homens deixaram a Bolívia em uma aeronave com destino ao Estado de São Paulo. O Grupo Especial de Fronteira (Gefron), da Polícia Militar de Mato Grosso, repassou informações ao Bope sobre a entrada do avião no espaço aéreo brasileiro.

A partir do alerta, o Bope acionou a FAB. Segundo o comandante, menos de 40 minutos depois do recebimento das primeiras informações já havia sido iniciada a operação aérea para localizar e interceptar a aeronave. 

O piloto não obedeceu às determinações da FAB e realizou um pouso em uma área rural nas proximidades de São Gabriel do Oeste. Quando as primeiras equipes chegaram ao local, os quatro ocupantes já haviam abandonado o avião e entrado na mata.

A aeronave estava sem plano de voo e apresentava sinais de adulteração na identificação, conforme relatado pelo Bope. 

Oito dias de buscas e cerco policial

A partir do pouso, teve início uma operação que mobilizou diferentes unidades de segurança. Além do Bope, participaram da estrutura de apoio o Grupamento de Policiamento Aéreo (GPA), unidades territoriais da Polícia Militar, policiamento rural e outras forças estaduais.

Segundo o comandante, o Bope manteve aproximadamente 30 homens diretamente na operação, enquanto outras unidades empregaram cerca de 20 agentes no apoio, totalizando aproximadamente 50 policiais mobilizados durante a caçada. 

“É o tipo de operação em que o nosso treinamento faz toda a diferença, mas a nossa prática também. Tem sol quente, suor, carrapato da mata, corte, lesão e torção no pé”, relatou o comandante.

A presença dos fugitivos provocou apreensão entre moradores da zona rural. Fazendeiros, caseiros e trabalhadores chegaram a deixar propriedades por medo dos criminosos.

Conforme o relato apresentado na coletiva, policiais mantiveram contato frequente com moradores e as informações fornecidas pela população foram consideradas importantes para a operação. 

Durante o período, a polícia identificou movimentações que indicariam tentativas de resgate. O comandante não detalhou a logística utilizada pelos responsáveis pelo apoio, alegando questões operacionais, mas afirmou que houve várias iniciativas frustradas pelo bloqueio montado pelas forças de segurança.

Criminosos permaneceram próximos à região do pouso

Apesar dos oito dias de buscas, os fugitivos não conseguiram avançar grandes distâncias. Conforme o Bope, quando foram finalmente localizados, estavam aproximadamente oito quilômetros distantes da área inicial da operação e teriam permanecido se movimentando pela região, utilizando a mata como proteção. 

“Tudo calculado, tudo dentro do que a gente esperava. Sabíamos que seria cansativo, mas que conseguiríamos encontrar esses criminosos”, afirmou Rocha.

A suspeita é de que o grupo tenha permanecido próximo ao Rio Coxim para ter acesso à água, alimentos e à cobertura oferecida pela vegetação.

Na tarde de sexta-feira, uma patrulha do Bope conseguiu localizar os quatro homens em uma área de mata fechada. De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, os suspeitos estavam armados e houve uma intensa troca de tiros.

O comandante afirmou que as equipes já trabalhavam com a possibilidade de confronto devido às informações de que os fugitivos estavam fortemente armados. Segundo o relato policial, após os disparos, os quatro bolivianos foram encontrados feridos. 

Eles foram socorridos e encaminhados para São Gabriel do Oeste, mas as mortes foram constatadas posteriormente. Nenhum policial ficou ferido.

As equipes continuaram na região após o confronto para procurar vestígios e identificar possíveis pessoas que tenham prestado apoio aos criminosos durante o período em que permaneceram escondidos.

A investigação também deverá avançar sobre a estrutura utilizada pelo grupo para fugir da Bolívia, as tentativas de resgate registradas durante o cerco e a possível participação de outros integrantes da organização criminosa.

Destino dos corpos

Após o confronto, os corpos dos quatro bolivianos foram encaminhados para os procedimentos periciais e de identificação. A definição sobre a liberação e o traslado para a Bolívia ficará a cargo das autoridades responsáveis.

Durante a coletiva, o Bope informou que, após o atendimento em São Gabriel do Oeste, os procedimentos relacionados aos corpos passaram a ser conduzidos pelos órgãos competentes.

 

 

Fronteira Internacional

Paraguai e Bolívia, vizinhos de MS, aderem a pacto dos EUA contra PCC e CV

Brasil ficou fora da coalizão liderada por Washington, que prevê ações coordenadas contra organizações criminosas e amplia o cerco internacional às facções brasileiras.

22/09/2026 19h49

Fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai; país vizinho aderiu à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra organizações criminosas transnacionais.

Fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai; país vizinho aderiu à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra organizações criminosas transnacionais. Foto: Divulgação.

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A presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) nas rotas internacionais do tráfico ganhou uma nova dimensão nesta terça-feira (22), com a adesão de Paraguai e Bolívia a uma articulação liderada pelos Estados Unidos para ampliar o combate ao crime organizado nas Américas.

Os dois países compartilham fronteiras diretamente ligadas a Mato Grosso do Sul e integram o chamado Escudo das Américas (Shield of the Americas), iniciativa criada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump para coordenar medidas contra organizações envolvidas principalmente com narcotráfico e crimes transnacionais.

O Brasil, por outro lado, ficou fora da articulação. A decisão ocorre em meio a uma divergência entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sobre o enquadramento das facções brasileiras.

Enquanto os Estados Unidos classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, Lula rejeita essa definição e defende que o enfrentamento ao crime organizado ocorra dentro da legislação brasileira e com respeito à soberania do País.

PCC e Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas identificadas pela coalizão.

A relação divulgada pelos integrantes também inclui grupos que atuam em diferentes pontos do continente, como o Tren de Aragua, da Venezuela; Mara Salvatrucha (MS-13); Cartel de Sinaloa e Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), do México; Clã do Golfo, da Colômbia; além de organizações ligadas às dissidências das Farc e ao Sendero Luminoso, do Peru.

A movimentação interessa diretamente a Mato Grosso do Sul porque Paraguai e Bolívia fazem fronteira com o Estado e estão inseridos em corredores utilizados pelo tráfico internacional de drogas.

A extensa faixa fronteiriça sul-mato-grossense também coloca o Estado em posição estratégica nas ações brasileiras de repressão ao narcotráfico e ao contrabando.

Brasil fica fora da coalizão

O encontro desta terça-feira ocorreu em Nova York, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, e reuniu chefes de Estado, ministros e representantes dos países participantes da iniciativa.

O Brasil não integra o Escudo das Américas. O México, outro país diretamente afetado pela atuação de grandes cartéis, também está fora da articulação liderada por Washington.

Participam da iniciativa Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago.

A participação chilena foi confirmada nesta terça-feira. Segundo o governo do Chile, a adesão permite acesso a informações sobre o crime organizado, sistemas de análise de dados, treinamento das forças de segurança e maior coordenação entre países fronteiriços. Cada governo, no entanto, continua sujeito às próprias leis e às obrigações internacionais.

A coalizão havia sido lançada em março pelo governo Trump com a proposta de aumentar a troca de inteligência e coordenar iniciativas contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.

A entrada do Peru, por exemplo, foi anunciada neste mês pela presidente Keiko Fujimori após encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Na ocasião, o governo peruano informou que a participação deveria acelerar o intercâmbio de informações e ampliar ações conjuntas contra grupos criminosos transnacionais.

PCC e CV entram no foco regional

A inclusão das duas principais facções brasileiras entre os grupos identificados pela iniciativa amplia a pressão internacional sobre organizações que nasceram no Brasil, mas estabeleceram conexões além das fronteiras do país.

Em Mato Grosso do Sul, o impacto dessa movimentação ganha relevância principalmente pela posição geográfica do Estado, que faz fronteira tanto com o Paraguai quanto com a Bolívia, justamente os dois países vizinhos que aderiram à articulação liderada pelos Estados Unidos.

São aproximadamente 1,5 mil quilômetros de fronteira internacional. Do lado paraguaio, um dos principais pontos de ligação é formado por Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, cidades separadas por uma fronteira seca e com intensa circulação diária de pessoas, veículos e mercadorias.

No oeste do Estado, Corumbá está ligada à região boliviana de Puerto Quijarro e Puerto Suárez.

Essa localização transforma Mato Grosso do Sul em um importante corredor de integração entre o Brasil e os países vizinhos, mas também impõe desafios às forças de segurança.

A proximidade com rotas internacionais de entorpecentes faz com que apreensões de cocaína e maconha, tráfico de armas, contrabando e investigações sobre organizações criminosas sejam recorrentes na faixa de fronteira e nas rodovias que cortam o Estado.

Nesse cenário, a adesão de Paraguai e Bolívia ao Escudo das Américas coloca Mato Grosso do Sul em uma situação particular: as duas fronteiras internacionais do Estado passam a estar ligadas a países integrantes da coalizão liderada pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil permanece fora da iniciativa.

A ausência brasileira no grupo, no entanto, não significa o fim da cooperação com os países vizinhos.

Brasil, Paraguai e Bolívia mantêm mecanismos próprios de atuação conjunta e intercâmbio de informações para enfrentar o tráfico de drogas, contrabando e outros crimes transfronteiriços.

Trump endurece discurso contra cartéis

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do governo Donald Trump para tratar grandes organizações ligadas ao narcotráfico como ameaças à segurança do continente.

Em discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira, Trump voltou a defender uma atuação mais dura contra os cartéis e comparou essas organizações ao Estado Islâmico, argumentando que grupos criminosos acumularam poder financeiro, armamentos e estruturas capazes de operar em diferentes países.

A ofensiva tem como um de seus principais articuladores o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que participou de encontro com chefes de Estado e chanceleres do Escudo das Américas em Nova York.

A avaliação apresentada pelo governo norte-americano é de que parte das organizações criminosas deixou de operar apenas como grupos tradicionais de narcotráfico e passou a construir redes internacionais com grande capacidade financeira, logística e operacional.

Para Washington, essa característica exige maior integração entre os governos do continente, principalmente no compartilhamento de informações de inteligência e na coordenação de medidas contra estruturas financeiras e logísticas utilizadas pelo crime organizado.

Cerco financeiro e cooperação

Entre os instrumentos defendidos no âmbito da articulação estão medidas destinadas a atingir não apenas integrantes das organizações, mas também suas fontes de financiamento e redes de apoio.

A estratégia prevê mecanismos de cooperação para identificar patrimônio, movimentações financeiras e pessoas ligadas às organizações criminosas, além de restrições migratórias e responsabilização daqueles que prestarem apoio material ou financeiro aos grupos.

O objetivo é dificultar a circulação internacional de integrantes das organizações e reduzir a capacidade de movimentação de recursos entre diferentes países.

O Escudo das Américas também pretende aprofundar a troca de inteligência entre os governos participantes, justamente uma das áreas consideradas essenciais para acompanhar organizações que mantêm operações simultâneas em diferentes territórios.

A dimensão internacional do PCC é um dos fatores que colocam a organização brasileira no centro dessa discussão. Criada dentro do sistema penitenciário de São Paulo na década de 1990, a facção expandiu sua atuação e passou a manter conexões com redes criminosas de outros países sul-americanos.

O Comando Vermelho, surgido no Rio de Janeiro, também aparece entre as organizações brasileiras identificadas pela coalizão.

Com Paraguai e Bolívia dentro da iniciativa e o Brasil fora dela, Mato Grosso do Sul passa a ocupar uma posição particularmente sensível nesse novo desenho de cooperação regional: o Estado brasileiro que divide sua extensa faixa internacional justamente com dois dos países que aderiram à ofensiva articulada por Washington contra organizações criminosas brasileiras.

Brasil rejeita classificação

A ofensiva ocorre meses depois de o governo Donald Trump classificar formalmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras nos Estados Unidos. A designação foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio e entrou em vigor em 5 de junho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se opõe à classificação e, na última sexta-feira (18), afirmou que o Brasil precisa derrotar o crime organizado, mas rejeitou enquadrar as facções como terroristas.

“Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, declarou.

O governo brasileiro defende que o enfrentamento ao crime organizado seja conduzido pelo próprio país, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.

QUEDA NOS TERMÔMETROS

Frio derruba temperaturas em até 5°C e Campo Grande entra em alerta

Capital pode amanhecer com 17°C nesta quarta-feira, enquanto termômetros ficam próximos dos 11°C no sul de Mato Grosso do Sul; Defesa Civil alerta para queda de até 5°C

22/09/2026 18h39

Queda nas temperaturas deve deixar Campo Grande mais fria nesta quarta-feira (23), com alerta da Defesa Civil para declínio de até 5°C.

Queda nas temperaturas deve deixar Campo Grande mais fria nesta quarta-feira (23), com alerta da Defesa Civil para declínio de até 5°C. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado.

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O avanço do ar frio vai derrubar as temperaturas em Campo Grande e diferentes regiões de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (23). Na Capital, os termômetros devem variar entre 17°C e 24°C, enquanto municípios do sul do Estado podem registrar temperaturas próximas dos 11°C nas primeiras horas do dia.

Diante da mudança no tempo, a Defesa Civil de Campo Grande emitiu Alerta Amarelo para declínio de temperatura. O aviso começa às 8h desta quarta-feira e permanece válido até as 8h de quinta-feira (24), com previsão de redução entre 3°C e 5°C e leve risco à saúde.

A queda ocorre após a passagem da frente fria que mudou o tempo em Mato Grosso do Sul e abriu caminho para o avanço de uma massa de ar mais frio.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou nesta terça-feira (22) que o sistema frontal, nome dado à área de encontro entre massas de ar com características diferentes, responsável pela formação e pelo avanço da frente fria, continua se deslocando, enquanto as condições de instabilidade permanecem sobre áreas do Centro-Oeste.

Em Campo Grande, a previsão aponta mínima de 17°C e máxima de 24°C nesta quarta-feira. Na quinta-feira (24), a tendência é de elevação gradual das temperaturas, com valores em torno de 18°C a 29°C na Capital.

O frio será mais intenso no sul de Mato Grosso do Sul. As regiões Sul-Fronteira, Cone-Sul, Grande Dourados e Leste podem registrar mínimas entre 11°C e 15°C nesta quarta-feira. Ao longo da tarde, as máximas nessas áreas devem ficar próximas dos 25°C.

Entre as cidades com previsão de temperaturas mais baixas estão Ponta Porã, com mínima de 13°C e máxima de 22°C; Iguatemi, entre 13°C e 25°C; e Dourados, onde os termômetros devem variar entre 14°C e 24°C.

Em Porto Murtinho, a previsão aponta temperaturas entre 16°C e 25°C, enquanto Aquidauana deve registrar mínima de 17°C e máxima de 26°C. Em Corumbá, os termômetros ficam entre 18°C e 27°C.

O frio perde intensidade à medida que se avança para o norte e o leste do Estado. Três Lagoas tem previsão de 19°C a 26°C; Camapuã, de 20°C a 29°C; Coxim, de 21°C a 29°C; e Paranaíba, também de 21°C a 29°C nesta quarta-feira.

A mudança chama atenção pelo contraste com o calor registrado antes da passagem da frente fria. Em Campo Grande, por exemplo, a previsão indicava temperaturas de até 32°C na segunda-feira (21). Para quarta, a máxima prevista fica na casa dos 24°C, diferença de cerca de 10°C em relação ao começo da semana.

A queda dos termômetros coincide ainda com a chegada da primavera. A estação começa oficialmente às 21h05 desta terça-feira (22), pelo horário de Brasília, fazendo com que as primeiras horas da nova estação sejam marcadas por temperaturas mais baixas em Mato Grosso do Sul.

Alerta em Campo Grande

Na Capital, a Defesa Civil orienta a população a redobrar os cuidados durante o período de queda das temperaturas, especialmente com crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis ao frio.

O Alerta Amarelo indica possibilidade de declínio entre 3°C e 5°C e leve risco à saúde. A recomendação é acompanhar as atualizações dos órgãos oficiais durante a vigência do aviso.

Em caso de necessidade, a população pode acionar o 156, para solicitação de serviços; o 193, em situações de emergência; e o 199, da Defesa Civil.

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