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Filhos viram mãe ser vítima de feminicídio e autor não se arrepende

Especialista analisa que esse crime de ódio não visou apenas matar, mas também "marcar a vítima" e sua identidade

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Em coletiva de imprensa, as titulares da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Elaine Benicasa e Analu Ferraz, esclareceram o quinto caso de feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano. Joelma da Silva André, de 33 anos, diarista e mãe de cinco filhos, foi morta a facadas no início da manhã de ontem pelo companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento.

O caso foi esclarecido a partir das investigações iniciais e dos depoimentos prestados por vizinhos, pelos filhos da vítima e pelo autor dos crimes, Leonardo da Silva Lima, de 38 anos, que foi preso em flagrante em uma tentativa de fuga.

Segundo informações apuradas pelo Correio do Estado, Joelma e Leonardo foram até a casa de amigos na noite desta terça-feira. Em determinado momento, a vítima teria ido embora de carona com outra pessoa.

O companheiro, então, foi até a residência, onde aconteceu a primeira discussão, em que ele teria agredido fisicamente Joelma. Com isso, os filhos acionaram a Polícia Militar (PM), que foi ao local, mas Leonardo havia saído da casa.

Em depoimento, a filha mais velha da vítima, de 16 anos, revelou que havia tentado intervir na briga, mas que, assim como a mãe, também foi agredida – com um empurrão e um tapa na cara. Ela, então, resolveu ir dormir. A adolescente afirmou ainda que Joelma já sabia que Leonardo voltaria para matá-la.

“Ela presenciou o momento em que ele virava para a mãe e dizia ‘você vai terminar comigo? Você vai me largar?’, e ela, sentada com a bebê de 1 ano, filha do casal, no colo, falava: ‘Não, eu não vou te deixar’. Quando ele saiu da residência, ela se dirigiu à filha e falou: ‘Ele vai voltar e vai me matar”, revelou Analu sobre o caso.

As delegadas informaram ainda que Joelma já havia registrado boletins de ocorrência contra Leonardo, sendo o último deles por lesão corporal recíproca, em março do ano passado, com pedido de medida protetiva. 

No entanto, dois meses depois, em maio daquele ano, a vítima pediu a revogação da medida.
Segundo as delegadas, o crime aconteceu quando a vítima estava no sofá.

Leonardo retornou à residência e começou com uma nova discussão. Ao lado da mulher, estavam dois filhos, entre eles, uma criança de sete anos, que presenciou todo o ocorrido.

Durante o depoimento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), a criança apontou que o homem foi até a cozinha pegar uma faca e que ele golpeou nove vezes Joelma, sendo cinco facadas nas costas, três na face e uma no tórax, considerada pela perícia o golpe fatal.

Nesse momento, as crianças novamente pediram socorro aos vizinhos, que acionaram a polícia. Contudo, quando as viaturas chegaram ao local, Joelma já estava morta.

Para Giovanna Loubet Ávila, psicóloga e especialista em Psicologia Jurídica e Clínica, esse caso não se trata apenas de um crime de ódio, mas também de um ato para marcar 
o corpo da vítima.

“A facada no rosto pode falar de algo muito frequente em crimes violentos contra mulheres e travestis, [que é] a tentativa – por vezes consumada – de desfigurar, de agredir a identidade, ou seja, retirar daquela pessoa parte central da sua imagem e identidade”, analisou.

DEPOIMENTO

Durante o interrogatório, Leonardo confessou o crime e afirmou que esfaqueou Joelma porque achava “inadmissível” ela ter outra pessoa.

Elaine e Analu comentaram ainda que durante o interrogatório o autor esteve calmo e não demonstrou arrependimento nem desespero em momento nenhum, relatando às delegadas que não fez uso de drogas, apenas teve um consumo moderado de álcool, estando consciente do ato.

Caso de feminicídio com comportamento violento e agressivo do autor é apontado por Giovanna de que esse tipo de crime é, na verdade, uma “reação de quando a sua honra é ferida”, algo que muitas vezes é reforçado nos homens.

“Ser homem no Brasil é tratar as mulheres como seres inferiores, feitos para uso e para servirem. Produz intensa comoção e raiva em um homem tomado pelo machismo imaginar que essa mulher possa reivindicar suas vontades e desistir da devoção a ele”, esclareceu a psicóloga.

Para Giovanna, além de todos os fatores que configuram o crime de feminicídio, também deve existir a preocupação com a violência intrafamiliar infantil, uma vez que os filhos da vítima também foram expostos.

“Geralmente, existem crianças e adolescentes nesses lares. Ou seja, os crimes contra mulheres são também frequentemente contra crianças. São mães que sofrem o terror de saber que seus filhos e suas filhas estão sendo expostos ao medo, às brigas, às surras e todo tipo de abuso que seus parceiros cometem”, finaliza a especialista.

Campo Grande

Prefeitura moderniza licenças para tornar táxi atrativo

Para melhorar a adesão ao tradicional serviço de táxi, que sucumbiu aos aplicativos de transporte, prefeitura de Campo Grande liberou picapes e criou categoria Black

22/09/2026 08h05

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande impôs novas regras para o serviço de táxi, que perdeu força depois da popularização dos motoristas de aplicativos, especialmente depois da pandemia da Covid-19, e busca retomar parte da força que teve no passado nas ruas da Capital. As mudanças flexibilizam o serviço e têm objetivo de, em tese, torná-lo mais atrativo à população.

No decreto assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), publicado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), há, entre outras mudanças, a criação de novas categorias de serviço, a liberação de caminhonetes, entre outras novas regras. 

“A categoria tem enfrentado dificuldades desde a chegada dos transportes por aplicativos, e essas novas medidas são incentivos para os taxistas. Nós estamos atualizando e modernizando as legislações que envolvem a categoria”, disse a chefe do Executivo municipal durante o evento.

Uma das principais adições é a criação do Táxi Black, nome dado a um serviço mais exclusivo dos taxistas, que oferece mais conforto aos passageiros. Ao mesmo tempo, ele será mais caro do que o táxi padrão. Em conversa com Flávio Panissa, presidente do Sindicato de Taxistas de Mato Grosso do Sul (Sintaxi-MS), ele revelou que esta é uma reivindicação da classe há muito tempo.

“É um pleito antigo dos taxistas campo-grandenses, acho que todas as capitais já têm esse serviço. Hoje a gente entende que o taxista é um vendedor, então não é só vender, ele precisa de um produto, e quem quiser ter um táxi executivo, esse taxista poderá vender esse tipo de serviço, aqui em Campo Grande, de forma que o taxista possa escolher e aderir a essa modalidade”, relatou à reportagem.

Além disso, a partir de agora, caminhonetes também poderão ser credenciadas como táxis, uma demanda que atende, principalmente, passageiros da zona rural que precisam transportar volumes que não comportam em veículos convencionais. Porém, não serão todas as caminhonetes que poderão circular como táxis, havendo um limite de tamanho.

O presidente do Sintaxi-MS disse que a ideia é que as caminhonetes terão que ser “quatro portas” – as famosas cabines duplas. Ele evitou especificar o tamanho limite que será permitido, mas citou exemplos de veículos, como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, e deixou de lado tipos maiores, como a Dodge Ram.

As alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também os taxistas estão liberados a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito.

Menos burocracia

Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Outra mudança que foi publicada é a permissão que condutores permissionários atuem como condutores auxiliares, em situações específicas. Em suma, o taxista está autorizado a dirigir um veículo regulamentado em parceria com o titular da permissão ou alvará (o permissionário), ajudando na prestação do serviço.

“A medida busca evitar que o profissional fique sem renda quando o veículo estiver temporariamente indisponível para manutenção ou reparos. Para evitar irregularidades, a possibilidade será condicionada ao cumprimento de critérios e procedimentos de fiscalização”, explica a Prefeitura, em nota.

Com o decreto também foi prorrogado por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que atingiriam a idade máxima permitida no fim deste ano, passando o prazo final para junho de 2027. Atualmente, a idade máxima permitida para os veículos de táxi rodarem é de 10 anos de fabricação.

Cenário atual

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Agetran informou que Campo Grande possui 516 taxistas cadastrados. Desse total, 318 estão com cadastro renovado e ativo. Os outros 198 cadastros “permanecem registrados no sistema, mas não estão atualmente ativos ou renovados”.

Em setembro do ano passado, a tarifa cobrada pelos taxistas campo-grandenses aumentou em 15%, saltando o preço do quilômetro rodado de R$ 3,36 para R$ 3,86 na bandeira 1 (válida para horários normais) e de R$ 3,83 para R$ 4,41 na bandeira 2 (válida para horários especiais). 

O preço da taxa de saída (bandeirada) está fixada em R$ 5,00, com exceção na região do Aeroporto, que está em R$ 9,00.

Houve a tentativa de conseguir o levantamento da evolução do número de taxistas dos últimos 10 anos em Campo Grande, a fim de poder comparar a situação atual com a da época antes da popularização dos motoristas de aplicativo. Porém, até o fechamento desta edição, a Agetran não forneceu a relação.

Justiça

AGU reitera ação para obrigar Discord a proteger usuários

Medidas propostas pela plataforma foram consideradas genéricas

21/09/2026 21h00

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta segunda-feira (21) novo pedido à Justiça Federal, em Brasília, para que a plataforma Discord seja obrigada a efetivar medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes na internet.

Na petição, a AGU diz que a empresa apresentou uma proposta de conciliação genérica e insuficiente para resolver as falhas apontadas pelo governo federal.

"Dotada de caráter genérico, com exceções e condicionantes dos mais diversos, [a proposta] não é apta a debelar a gravidade dos problemas associados, com a urgência e extensão que a demanda exige", afirmou a AGU no novo pedido.

No início deste mês, o juízo da 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal deu prazo de dez dias para o Discord apresentar a proposta.

A decisão foi proferida após o governo federal entrar com a ação judicial para obrigar a adoção das medidas. Na ação civil pública, a AGU também pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões. 

O Discord passou a ser cobrado pelo governo após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu em julho.

A plataforma foi consultada. O espaço está aberto para manifestação.

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