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Governo de transição recebe alerta de risco de fechamento da Embrapa em MS

Equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tem ex-diretora-executiva da empresa e político de Mato Grosso do Sul

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Um documento com cinco páginas detalhando a condição da Embrapa em Mato Grosso do Sul e os mais de 20 temas de pesquisa prioritários para a empresa estatal, que atualmente estão relegados e sob risco de continuidade, foi elaborado por pesquisadores e técnicos para ser analisado pela equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito para ser presidente a partir de 2023.

Os critérios que foram incluídos nesse estudo foram observados e transcritos depois de uma audiência pública realizada em Campo Grande, em agosto deste ano. A finalização do estudo ocorreu neste mês e foi encaminhado para análise do novo governo federal.

A equipe de transição é comandada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSDB), mas quem deve, de fato, dar andamento às análises das demandas são os grupos técnicos, entre eles o da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Entre esses integrantes está Tatiana Deane de Abreu Sá, doutora em Biologia Vegetal e ex-diretora-executiva da Embrapa de 2005 a 2011.

Há também o grupo técnico Ciência, Tecnologia e Inovação, que inclui o ex-presidente do CNPq e ex-reitor da USP Glaucius Oliva e o ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) Ildeu de Castro Moreira. Por conta das demandas da Embrapa, outro grupo técnico envolvido é o de Desenvolvimento Agrário.

Neste grupo, faz parte um integrante de Mato Grosso do Sul, o ex-deputado federal e estadual João Grandão (PT).

PROCESSO DE DESMONTE

A Embrapa em Mato Grosso do Sul, que possui três unidades (Embrapa Pantanal, em Corumbá, Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, e Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados), passa por um processo de desmonte que vem ameaçando a condução de diferentes pesquisas.

A desativação de laboratórios e a falta de pessoal para trabalho, principalmente técnicos, criam rumores, inclusive, de que pode ocorrer o fechamento de unidade. Nesse rumo, a Embrapa Pantanal é a que tem enfrentado mais obstáculos nos últimos quatro anos.

O processo de sucateamento, porém, vem sendo apontado desde 2014, inclusive em relatórios técnicos das unidades. No documento elaborado pelos pesquisadores, há quatro pontos importantes para atuar diretamente contra o desmonte.

Neste contexto, foi apontado que é necessária uma reestruturação do Conselho de Administração da Embrapa (Consad) e a inclusão de representantes de movimentos sociais, além da demissão de representantes do atual governo de Jair Bolsonaro (PL).

O Consad é responsável pela organização, controle e avaliação das atividades da empresa estatal, composto por oito membros. Conforme os pesquisadores, é preciso “alinhar a pesquisa com a sociedade, e não com apenas setores dominantes do agronegócio”.

Outra demanda é em relação a um sistema informatizado adquirido pela atual direção da Embrapa, mas que os pesquisadores apontam que trava processos burocráticos e não tem funcionalidade na organização da empresa.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), inclusive, fez denúncia ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração do gasto com a aquisição do sistema e sua real aplicabilidade.

“A reposição do quadro de empregados é urgente, estratégica e por meio de concurso público para todos os cargos e funções deficitários, incluindo os cargos de apoio à pesquisa: assistentes, técnicos e analistas, cujos dois primeiros têm sido negligenciados pela diretoria da empresa, inviabilizando a execução da pesquisa, prejudicando a manutenção de patrimônio público, os cuidados com animais e cultivares, a infraestrutura e a logística e sobrecarregado setores, gerando assédio institucional e adoecimentos”, ainda indicou o estudo elaborado em Mato Grosso do Sul, o qual o Correio do Estado teve acesso.

PESQUISAS EM RISCO

Nos temas de pesquisa relacionados no documento e que são apontados como prioritários – atualmente estão ameaçados de paralisação e perda de dados – estão: estudos de leguminosas que favorecem fixação biológica de nitrogênio; manejo integrado e manejo conservativo de pragas e doenças nos cultivos agrícolas e florestais; produção local de bioinsumos e de protocolos de controle de qualidade acessíveis aos agricultores familiares; solubilização do fósforo no solo, para otimização do seu uso na agricultura; pesquisas para redução de insumos químicos e substituição de medidas para melhorar a qualidade do solo; além do fortalecimento do Sistema Plantio Direto para espécies vegetais de uso agrícola e florestal.

“O concurso público é urgente para reposição do quadro funcional para atender à realidade concreta da necessidade de força de trabalho capacitada para áreas renegadas. Ainda é preciso a desburocratização e tornar a empresa transparente e inclusiva. É preciso resgatar um ambiente corporativo propício à criatividade e ao desenvolvimento científico. E que a infraestrutura de trabalho seja revitalizada [áreas experimentais, laboratórios, unidades de pesquisa] e protegida do sucateamento”, especificou as propostas enviadas ao governo de transição.

Para Mato Grosso do Sul, uma demanda específica ainda foi criada, que é a ativação de uma parceria entre a Embrapa e as comunidades quilombolas.

A unidade de Dourados já realizou esse tipo de trabalho, com pesquisa em diversos tipos de solo em áreas de cultura e locais degradados, com solo arenoso, além de pesquisa de sementes. 

A reportagem tentou contato com membros do governo de transição, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
 

Saiba: A Embrapa em Mato Grosso do Sul possui três unidades: Embrapa Pantanal, com sede na cidade de Corumbá; Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande; e Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados.

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BANDEIRANTES

Acidente entre carretas paralisa tráfego durante 10 horas na BR 163

As quatro vítimas fatais estavam em veículos de passeio e a rodovia teve congestimento de dez quilômetros

17/08/2026 08h10

Acidente envolveu duas carretas e três veículos de passeio

Acidente envolveu duas carretas e três veículos de passeio Reprodução

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O acidente envolvendo duas carretas e três carros de passeio, na tarde de domingo (16), deixou o tráfego na BR-163 parado durante quase 10 horas. O local do ocorrido foi no km 569, sentido norte, da rodovia, em Bandeirantes. A Motiva Pantanal, responsável pelo trecho, foi acionada às 15h24 e informou que o tráfego foi normalizado às 1h05, desta segunda-feira (17).

Às 20h08, a perícia chegou no local. A rodovia permaneceu interditada em ambos os sentidos até 23h40 e o pico de congestionamento chegou a 10 km, tanto na pista norte quanto na pista sul. 

Quatro pessoas morreram no acidente, três em um veículo de passeio e uma em outro carro, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Apenas uma pessoa foi identificada, até o momento, porém a PRF não informou o nome.

Além das quatro mortes, três vítimas em estado grave foram encaminhadas para o Hospital de São Gabriel do Oeste. Uma pessoa com ferimentos moderados foi atendida no Hospital de Bandeirantes e outras duas, em estado leve de gravidade, receberam atendimento nesta mesma unidade hospitalar.

Uma câmera de segurança flagrou o momento do ocorrido. Nas imagens, é possível perceber que um carro tenta ultrapassar dois veículos, quando este invade a outra pista e colide frontalmente com a carreta. Após a batida, o caminhão perdeu o controle e colidiu com outra carreta. A colisão causou uma grande explosão, atingindo mais dois carros.

Equipes da concessionária Motiva Pantanal estiveram no local prestando atendimento e orientando o tráfego. Bombeiros foram acionados para conter o incêndio em uma das carretas envolvidas no acidente. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de São Gabriel do Oeste também prestou apoio no resgate das vítimas.

A Motiva Pantanal direcionou três viaturas de resgate, dois guinchos leves, um guincho pesado e um veículo de inspeção de tráfego. 

Segurança Pública

Cresce número de armas apreendidas e MS tem recorde de fuzis encontrados

Secretário atribui aumento a reforço no policiamento e disputas entre o Comando Vermelho e o PCC no Estado

17/08/2026 07h50

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul registrou um aumento de armas de fogo apreendidas, considerando os primeiros sete meses do ano, com destaque para o número de fuzis, que pela primeira vez atingiu a marca de 20 apreensões e acompanha o crescimento de ações contra o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 1.117 armas foram apreendidas de 1º de janeiro a 31 de julho em Mato Grosso do Sul. Dentre os tipos mais encontrados pelos agentes, revólver lidera a lista, seguido de pistola e espingarda. As armas adulteradas ou com a numeração raspada são responsáveis por mais de 50% da quantidade apreendida.

Porém, o que chama mesmo a atenção nesta lista é o aumento da presença de fuzis no Estado ano após ano, com recorde já estabelecido este ano, mesmo tendo mais três meses e meio pela frente. Para se ter ideia, 20 fuzis já foram apreendidos este ano em Mato Grosso do Sul, o dobro em relação a 2023 e quatro vezes mais em comparação com 2022. No ano passado inteiro, apenas 14 foram confiscados.

Para Antônio Carlos Videira, titular da Sejusp, o reforço no policiamento é um dos principais fatores que contribuem para o aumento nas apreensões, especialmente diante da parceria com os estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná para fiscalização das rodovias que acabam sendo trechos essenciais para organizações criminosas conseguirem transportar os ilícitos.

Outro motivo listado pelo secretário é a volta de disputas territoriais entre as duas maiores facções criminosas do Brasil no Estado, especialmente na faixa de fronteira. Tanto que, considerando o recorte dos 44 municípios que fazem divisa com os países vizinhos – Paraguai e Bolívia –, quase metade das armas e dos fuzis encontrados estão na fronteira.

“Essa disputa entre facções não se restringe apenas a Mato Grosso do Sul. Elas também estão demandando armas e munições para outros estados, e essas armas principalmente vêm do Paraguai. Então, a gente tem também uma incrementação nas apreensões de armas que estariam sendo transportadas principalmente do Paraguai para outros estados, onde essa disputa também está acontecendo”, explica.

“Nós estamos trabalhando para, além de aumento da fiscalização, instauração dos inquéritos, pedidos de prisões e busca e apreensão, para que os magistrados determinem a inclusão de presos que estão cumprindo pena, principalmente no Mato Grosso, e dando ordens para crimes em Mato Grosso do Sul serem incluídos no sistema penal federal. Isso é uma forma de isolar essas lideranças negativas e tentar manter o controle aqui”, reforça Videira.

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis

RECURSO FEDERAL

Vale lembrar que, no início de junho, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 10,3 milhões do governo federal para custear diárias de policiais para ações contra organizações criminosas nas regiões de fronteira, divisas e biomas. Esse recurso tem colaborado para o aumento das operações de combate ao PCC e ao CV.

Esse recurso veio por parte do programa Brasil contra o Crime Organizado, instituído em maio deste ano pelo governo federal como a principal estratégia para combater facções, milícias e grupos paramilitares. O objetivo da medida é a asfixia financeira desses grupos, a atuação de inteligência e a cooperação interinstitucional.

De acordo com Videira, esse recurso será utilizado até setembro para operações contra essas facções criminosas. A intensificação dessas operações veio ao mesmo tempo que o governo dos Estados Unidos classificou como terroristas as facções PCC e CV.

Porém, segundo o secretário, o aumento dessas operações não são uma resposta ao país da América do Norte, e sim uma consequência do programa do governo federal. 

Os recursos de Mato Grosso do Sul são economizados e destinados para outras ações, principalmente em Campo Grande.

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