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Campo-grandenses são castigados na divisão do bolo do ICMS

Ao longo de 2023, cada morador da Capital recebeu R$ 576,20. Para cada corumbaense foram repassados R$ 2.884,67, o que é 400% a mais

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Relatório financeiro publicado pela prefeitura de Campo Grande nesta terça-feira (30) mostra que as contas públicas da prefeitura seguem na “UTI”. E uma das explicações são as constantes quedas nos repasses de ICMS. No ano passado, a Capital recebeu R$ 517,4 milhões do Governo do Estado, o que representa apenas 2,8% a mais que os R$ 503 milhões do ano anterior, sendo que no período a inflação foi de 4,6%. 

Em valores nominais, o aumento nos repasses foi de R$ 14,2 milhões. Porém, somente para repor a inflação esse aumento teria de ser de pelo menos R$ 23 milhões. Quer dizer, na prática, a Capital recebeu, em média, R$ 750 mil mensais a menos que no ano anterior. 

Nos 11 primeiros meses do ano, o faturamento total de ICMS cresceu 7,3%, passando de R$ 13,96 bilhões para R$ 14,99 bilhões. Se os repasses para a Capital tivessem acompanhado esse crescimento nominal (sem descontar a inflação), Campo Grande teria que ter recebido acréscimo de R$ 36,7 milhões no ano passado. Porém, foram apenas R$ 14,2 milhões a mais que em 2022. 

Os R$ 517,4 milhões, conforme dados divulgados na semana passada pelo assessoria do Governo do Estado, repassados em 2023 significam R$ 576,2 reais para cada um dos 898.100 habitantes da Capital ao longo do ano. 

No caso de Três Lagoas, que recebeu a segunda maior fatia do bolo, R$ 349.260.170,06, o repasse per capita para os 132.152 habitantes foi de impressionantes R$ 2.646,80 ao longo de 2023. Isso significa que cada morador de Três Lagoas recebeu 360% a mais que o morador da Capital. 

Os corumbaenses se deram ainda melhor nesta divisão. No total, o município com 96.268 moradores foi contemplado com a terceira maior fatia do bolo, obtendo  R$ 277.701.654,37. Fazendo a divisão, foram R$ 2.884,67 por habitante. Desta forma, os corumbaenses receberam 400% a mais que os moradores de Campo Grande. 

O quarto colocado na divisão do ICMS foi o município de Dourados, com R$ 234.401.422,86.  Cada um de seus 243.637 moradores foi contemplado com a fatia de R$ 962,00 ao longo do ano. A diferença a maior com relação aos campo-grandenses é bem menor se comparado com Três Lagoas e Corumbá, mas ainda assim é de 67%. 

Cada vez pior

E a tendência é de que o castigo aplicado aos moradores da Capital piore. Embora concentre 32,5% da população do Estado, em 2024 a Capital receberá apenas 11,91% do bolo do ICMS, ante 13,37% ao longo de 2023. Esta redução de 1,46 ponto percentual vai representar perda da ordem de R$ 4 milhões por mês.

Se a comparação for com 2012, ano em que Campo Grande chegou a receber 25,34% do bolo do ICMS, a perda mensal ultrapassa os R$ 45 milhões. Se a cidade continuasse recebendo aquele percentual, o repasse mensal seria da ordem de R$ 86 milhões. Com a queda para 11,91%, a cidade vai receber apenas R$ 41 milhões, em média, por mês.

Apesar de uma série de questionamentos feitos pela prefeitura da Capital ao longo dos últimos anos sobre os critérios de divisão, o Governo estadual alega que eles são objetivos: 75% do bolo são rateados com base no Índice de Valor Adicionado, 3% da receita própria, 5% do ICMS Ecológico, 5% baseado no número de eleitores, 5% tendo como base o território e 7% é repartido igualmente a todos os municípios. 

Terceiro colocado

E por conta destas seguidas reduções, o ICMS, que durante décadas foi a principal fonte de recursos da administração municipal, passou para o terceiro lugar entre as receitas tributárias. 

Relatório financeiro publicado pela prefeitura da Capital nesta terça-feira (30)  mostra que no ano passado a receita com IPTU chegou a R$ 612 milhões, um aumento de 4,6% ante os R$ 585 milhões do ano anterior.  

O faturamento com ISS, por sua vez, subiu de R$ 516,3 milhões para R$ 591 milhões, o que representa crescimento de R$ 14,4%. 

Campo Grande

Prefeitura moderniza licenças para tornar táxi atrativo

Para melhorar a adesão ao tradicional serviço de táxi, que sucumbiu aos aplicativos de transporte, prefeitura de Campo Grande liberou picapes e criou categoria Black

22/09/2026 08h05

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande impôs novas regras para o serviço de táxi, que perdeu força depois da popularização dos motoristas de aplicativos, especialmente depois da pandemia da Covid-19, e busca retomar parte da força que teve no passado nas ruas da Capital. As mudanças flexibilizam o serviço e têm objetivo de, em tese, torná-lo mais atrativo à população.

No decreto assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), publicado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), há, entre outras mudanças, a criação de novas categorias de serviço, a liberação de caminhonetes, entre outras novas regras. 

“A categoria tem enfrentado dificuldades desde a chegada dos transportes por aplicativos, e essas novas medidas são incentivos para os taxistas. Nós estamos atualizando e modernizando as legislações que envolvem a categoria”, disse a chefe do Executivo municipal durante o evento.

Uma das principais adições é a criação do Táxi Black, nome dado a um serviço mais exclusivo dos taxistas, que oferece mais conforto aos passageiros. Ao mesmo tempo, ele será mais caro do que o táxi padrão. Em conversa com Flávio Panissa, presidente do Sindicato de Taxistas de Mato Grosso do Sul (Sintaxi-MS), ele revelou que esta é uma reivindicação da classe há muito tempo.

“É um pleito antigo dos taxistas campo-grandenses, acho que todas as capitais já têm esse serviço. Hoje a gente entende que o taxista é um vendedor, então não é só vender, ele precisa de um produto, e quem quiser ter um táxi executivo, esse taxista poderá vender esse tipo de serviço, aqui em Campo Grande, de forma que o taxista possa escolher e aderir a essa modalidade”, relatou à reportagem.

Além disso, a partir de agora, caminhonetes também poderão ser credenciadas como táxis, uma demanda que atende, principalmente, passageiros da zona rural que precisam transportar volumes que não comportam em veículos convencionais. Porém, não serão todas as caminhonetes que poderão circular como táxis, havendo um limite de tamanho.

O presidente do Sintaxi-MS disse que a ideia é que as caminhonetes terão que ser “quatro portas” – as famosas cabines duplas. Ele evitou especificar o tamanho limite que será permitido, mas citou exemplos de veículos, como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, e deixou de lado tipos maiores, como a Dodge Ram.

As alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também os taxistas estão liberados a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito.

Menos burocracia

Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Outra mudança que foi publicada é a permissão que condutores permissionários atuem como condutores auxiliares, em situações específicas. Em suma, o taxista está autorizado a dirigir um veículo regulamentado em parceria com o titular da permissão ou alvará (o permissionário), ajudando na prestação do serviço.

“A medida busca evitar que o profissional fique sem renda quando o veículo estiver temporariamente indisponível para manutenção ou reparos. Para evitar irregularidades, a possibilidade será condicionada ao cumprimento de critérios e procedimentos de fiscalização”, explica a Prefeitura, em nota.

Com o decreto também foi prorrogado por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que atingiriam a idade máxima permitida no fim deste ano, passando o prazo final para junho de 2027. Atualmente, a idade máxima permitida para os veículos de táxi rodarem é de 10 anos de fabricação.

Cenário atual

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Agetran informou que Campo Grande possui 516 taxistas cadastrados. Desse total, 318 estão com cadastro renovado e ativo. Os outros 198 cadastros “permanecem registrados no sistema, mas não estão atualmente ativos ou renovados”.

Em setembro do ano passado, a tarifa cobrada pelos taxistas campo-grandenses aumentou em 15%, saltando o preço do quilômetro rodado de R$ 3,36 para R$ 3,86 na bandeira 1 (válida para horários normais) e de R$ 3,83 para R$ 4,41 na bandeira 2 (válida para horários especiais). 

O preço da taxa de saída (bandeirada) está fixada em R$ 5,00, com exceção na região do Aeroporto, que está em R$ 9,00.

Houve a tentativa de conseguir o levantamento da evolução do número de taxistas dos últimos 10 anos em Campo Grande, a fim de poder comparar a situação atual com a da época antes da popularização dos motoristas de aplicativo. Porém, até o fechamento desta edição, a Agetran não forneceu a relação.

Justiça

AGU reitera ação para obrigar Discord a proteger usuários

Medidas propostas pela plataforma foram consideradas genéricas

21/09/2026 21h00

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta segunda-feira (21) novo pedido à Justiça Federal, em Brasília, para que a plataforma Discord seja obrigada a efetivar medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes na internet.

Na petição, a AGU diz que a empresa apresentou uma proposta de conciliação genérica e insuficiente para resolver as falhas apontadas pelo governo federal.

"Dotada de caráter genérico, com exceções e condicionantes dos mais diversos, [a proposta] não é apta a debelar a gravidade dos problemas associados, com a urgência e extensão que a demanda exige", afirmou a AGU no novo pedido.

No início deste mês, o juízo da 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal deu prazo de dez dias para o Discord apresentar a proposta.

A decisão foi proferida após o governo federal entrar com a ação judicial para obrigar a adoção das medidas. Na ação civil pública, a AGU também pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões. 

O Discord passou a ser cobrado pelo governo após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu em julho.

A plataforma foi consultada. O espaço está aberto para manifestação.

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