Cidades

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Grito de socorro

Grito de socorro

Redação

14/05/2010 - 07h18
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O desabafo de uma professora com 22 anos de carreira, publicado ontem nesta página do Correio do Estado, dá uma dimensão de quão grave é a situação desses profissionais, que há muito estão longe de navegar num "mar de rosas". A desestruturação familiar, a má interpretação do Estatuto da Criança e do Adolescente por muitas autoridades (demasiadamente permissiva para adolescentes sem limites), o exagerado egocentrismo e a falta de perspectivas de futuro são algumas das explicações para o calvário enfrentado por milhares de educadores do ensino  básico em sala de aula.

    O pedido de socorro da professora está longe de ser um SOS isolado. Pesquisa feita pelo Sindicado Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP) e divulgada em março deste ano revela que 18,6% dos professores da Capital já foram vítimas de agressão no trabalho. Se computados somente os dados das escolas municipais, este percentual aumenta para 23,5%, pois nas estaduais, que concentram o ensino médio, o índice é menor, 13,7%. E, conforme o mesmo levantamento, baixos salários, falta de condições de trabalho e problemas de saúde geram insatisfação generalizada dos docentes. Em decorrência disso, mais da metade dos educadores está insatisfeita com a profissão e se tivessem oportunidade, 50,6% fariam concurso para trocar de ocupação. Quer dizer, o desabafo da educadora sintetiza aquilo que a grande maioria pensa e enfrenta nas superlotadas salas de aula, conforme evidencia a pesquisa.

    Para as autoridades, porém, educação resume-se a construir escolas, comprar merenda, uniformes, kits escolares e demais "investimentos" que possam render assinatura de contratos milionários e, aquilo que todos sabem, os dividendos com essas assinaturas. É evidente que um prefeito ou governador não tenham condições de, em quatro ou oito anos de administração, dar novo rumo à educação. Porém, enquanto os governantes continuarem usando recursos  do Fundeb, que constitucionalmente deveriam ser destinados somente à educação, para outros fins e apresentarem justificativas descabidas, dificilmente algo mudará, pois isto mostra que o ensino não faz parte das prioridades.

    Mas, não se pode esperar que mudanças para melhor sejam somente de responsabilidade das autoridades do Executivo. Ministério Público e Judiciário têm papel importante, pois cabe a estes corrigir determinadas distorções na interpretação da legislação e deixar claro que o respeito aos direitos de crianças e adolescentes não pode simplesmente atropelar a dignidade de educadores e de demais trabalhadores do setor. Enquanto os profissionais da educação não tiverem um mínimo de respaldo para mostrar limites às crianças e adolescentes (já que muitos pais perderam os parâmetros e não têm mais rumo definido), a tendência é que somente aumente o número daqueles que gostariam de trocar de função. E, em meio a uma sociedade na qual os poderes constituídos perderam praticamente toda a credibilidade, se as escolas despencarem nesta vala comum, pouca esperança restará ao País.

SERVIÇOS À POPULAÇÃO

Faculdade oferece atendimento gratuito de fisioterapia e psicologia em Campo Grande

Serviços são oferecidos nas clínicas-escola da Anhanguera, mediante agendamento

12/03/2026 17h30

O serviço tem o intuito de capacitar estudantes dos referidos cursos

O serviço tem o intuito de capacitar estudantes dos referidos cursos Divulgação

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A Faculdade Anhanguera Campo Grande está com agendamento aberto para quem busca atendimento gratuito nas áreas da fisioterapia e psicologia. Para utilizar os serviços, é preciso agendar via Whatsapp ou presencialmente nas clínicas.

Na clínica-escola de fisioterapia, os serviços oferecidos estão nos campos da ortopedia e neurologia, direcionados a pacientes de todas as idades. 

Já na área de psicologia, para quem busca cuidados com a saúde mental, a clínica-escola oferece dois tipos de serviços para o público adulto e infantil: psicoterapia, por meio de atendimentos individuais; ou avaliação psicológica, conforme demanda.

Além da abertura de consultas à população, o serviço tem o intuito de capacitar estudantes dos cursos de fisioterapia e psicologia por meio da vivência prática nas futuras profissões, conforme destaca a coordenadora do curso de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera, Gisele Leite de Abreu.

“Os estudantes conseguem efetivar na prática todo conhecimento adquirido durante a graduação, além de trabalhar as competências socioemocionais de humanização, empatia com o contato direto ao paciente. É uma forma de contribuirmos com o desenvolvimento social a partir da promoção da saúde e bem-estar à população”, salienta a fisioterapeuta. 

Serviço

Clínica-Escola de Fisioterapia
Horário de atendimento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30.
Agendamento: via WhatsApp ou presencialmente. Necessário encaminhamento. 
Contato: (67) 99325-7613
Endereço: Rua Júlio Verne, 109, Universitário – Campo Grande

Clínica-Escola de Psicologia 
Horário de atendimento: Segunda 13h30 às 16h30 e das 18h30 às 21h30, quarta-feira das 8h às 11h e sexta-feira das 8h às 11h e das 13h30 às 16h30
Agendamento: diretamente na clínica 
Contato: (67) 99171-5236
Endereço: Av. Gury Marques, 3203, Vila Olimpia – Campo Grande

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PROPOSTA NA MESA

Prefeitura de Corumbá avalia criação de grupo para consultar imposto territorial rural

Em 2025, o ITR arrecadado em Corumbá foi de cerca de R$ 25 milhões

12/03/2026 17h00

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Em um movimento para aprimorar a transparência e engajamento da sociedade na gestão fundiária e tributária, foi entregue ao prefeito de Corumbá, Doutor Gabriel, a proposta que cria uma comissão consultiva para avaliar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

A comissão servirá como um canal permanente de diálogo entre os produtores rurais e o poder público para garantir que a integridade na base de cálculo do imposto. O foco é favorecer medidas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do Pantanal.

Em 2025, o ITR arrecadado em Corumbá foi de cerca de R$ 25 milhões. O alinhamento para que essa comissão possa ser criada ocorreu a partir de discussão realizada durante a 27ª Feira Internacional Agropecuária e Cultural do Pantanal (Feapan), realizada em outubro de 2025.

Com a presença do Sindicato Rural, o objetivo é subsidiar informações no processo de levantamento do Valor da Terra Nua (VTN), dado que serve de base para o ITR, para que não haja distorções que ignorem as peculiaridades geográficas do Pantanal.

Com a proposta oficialmente apresentada, a Prefeitura de Corumbá agora passa a tramitar com a análise do pedido. Ainda não há prazo definido para deliberação.

Participaram da entrega da proposta, o Sindicato Rural de Corumbá em trabalho conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, por meio da Secretaria Executiva de Produção Rural. 

Diálogo e segurança jurídica no campo

A proposta desta Comissão Consultiva representa a transparência da formatação do imposto, bem como um aumento da participação da sociedade.

A comissão terá representantes da Prefeitura de Corumbá (Finanças, Desenvolvimento Econômico, Procuradoria Jurídica), Sindicato Rural de Corumbá, alguma cooperativa agrícola interessada, profissional técnico da área agronômica ou ambiental, representante da Receita Federal.

Impacto na economia do Pantanal

Corumbá detém um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil e o setor da pecuária é um importante fomentador da economia pantaneira. Esse avanço em andamento construído em parceria busca aprimorar três pontos:

  • justiça fiscal: diferenciação técnica entre pastagens nativas, áreas formadas e zonas de reserva ambiental;
  • redução de contenciosos: favorecer a economia e a geração de riqueza a partir da produção do campo;
  • investimento local: garantir que o recurso arrecadado (que pode ficar 100% no município via convênio com a Receita Federal) seja aplicado para aprimorar estruturas de Corumbá.

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