Cidades

Furto on-line

Hackers da Capital aplicam golpe de R$ 770 mil em banco digital

Presa em flagrante no fim de 2022, acusada de invadir contas do C6 Bank e desviar dinheiro, dupla foi solta e pode ter comprado um Land Rover com os valores

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O banco digital C6 Bank, fintech brasileira que ganhou espaço no mercado nesta década, foi alvo de um golpe de aproximadamente R$ 770 mil aplicado em seus correntistas a partir de Campo Grande.

As fraudes foram feitas no ano passado, quando o departamento de segurança do banco identificou as invasões às contas e acionou a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) da Polícia Civil, que atua no caso. 

Uma dupla de hackers identificada pelo banco, cujas informações foram repassadas aos policiais, ficou presa por seis meses acusada de entrar na conta de clientes e aplicar golpes. Atualmente, Wellinton de Paula Bogado e Wemerson Melki Salviano da Silva respondem por furto qualificado em liberdade condicional.

A prisão preventiva deles, que estava vigente desde o flagrante, ocorrido em 13 de dezembro de 2022, foi revogada no mês de junho pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Quando foram presos em flagrante, no ano passado, Wellinton e Wemerson teriam aplicado um golpe de pouco mais de R$ 800 em um correntista do C6 Bank. 

A polícia suspeita que um SUV Land Rover Evoque, apreendido com Wemerson quando ele foi preso em flagrante perto de sua casa, no Bairro Vilas Boas, tenha sido comprado com recursos desviados dos golpes financeiros.

Recentemente, o irmão de Wemerson, Wanderson Lorais Salviano da Silva, foi à Justiça para pedir a restituição do utilitário esportivo importado, apreendido pela Polícia Civil.

O Judiciário ainda não se decidiu sobre a liberação do automóvel, mas o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do promotor Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha, já se manifestou contra a devolução do automóvel, pois entende que a custódia do carro ainda depende da sentença que virá da ação penal contra a dupla. 

O golpe

O processo está em fase de alegações finais. E o mesmo promotor de Justiça, Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha, que deu parecer para a manutenção da apreensão do Land Rover, pediu a condenação da dupla por furto qualificado, cuja pena pode chegar a 8 anos de prisão. 

Em juízo, um dos representantes do banco que trabalha na área de investigação e fraude disse que, na data do flagrante, uma das contas do banco C6 havia sido hackeada e os envolvidos tiveram sucesso em furtar R$ 800. O C6 Bank, conforme a testemunha, começou a ter várias contas invadidas em junho de 2022. O prejuízo do banco com os ataques (retiradas das contas por meio de transferências ou compras) chegou a R$ 770 mil. 

Ao todo, foram 78 contas invadidas no período de junho a dezembro do ano passado. As tentativas de invasão ao sistema do banco com a finalidade de praticar fraude foram muito maiores: 2,8 mil, segundo relato feito ao Judiciário. 

Para entrar nas contas, os golpistas utilizavam a técnica do deepfake. O C6 Bank pede para seus clientes, como uma das formas de autenticação, a identificação facial por movimento. Nela, o usuário tem de mover levemente a cabeça para os lados. 

Os hackers atuavam justamente na clonagem das imagens dos clientes. Muitos se maquiavam ou até se travestiam para ficar muito próximo do rosto dos clientes. O restante do trabalho era feito por meio de programas: um primeiro modificava os traços do rosto das fotos clonadas e um segundo dava movimento a elas. Depois de tudo isso, munidos de alguns dados pessoais das vítimas, como CPF, número da conta, entre outras informações pessoais, acessavam o aplicativo e faziam as operações. 

O setor de Inteligência identificou que uma grande quantidade de golpes havia sido praticada no segundo semestre de 2022, a maioria de IPs de Campo Grande. Depois disso, chegaram primeiro a Wellinton e depois a Wemerson. 

Os dois admitiram que teriam aplicado golpe no momento em que foram presos. Computadores com dezenas de fotos e animações utilizadas para a invasão às contas foram apreendidos e estão em poder da Justiça. 
Em depoimento à polícia, os envolvidos chegaram a afirmar que se trata de uma rede com integrantes que atuam também em outros estados. Nenhum outro envolvido, porém, foi identificado até agora. 

Apesar de a dupla ter sido presa em flagrante pela invasão a uma conta do C6 Bank de onde furtou R$ 800, anteriormente, o banco já havia identificado desfalque de R$ 770 mil com invasões feitas a partir de Campo Grande.

No processo, porém, os rapazes não foram ligados diretamente ao desvio dos R$ 770 mil. 
Depois da prisão em flagrante da dupla, segundo o representante do banco disse ao Poder Judiciário, os golpes a partir da Capital cessaram. 

SAIBA

Bancos digitais também são conhecidos como fintechs, ou startups de finanças. Muitos são bancos digitais, sem agências físicas. 

JUSTIÇA

Após quase cinco anos, homem é condenado por matar casal de adolescentes em MS

Anderson Menezes, de 17 anos, e Letícia Rodrigues de Lima, de 16, foram mortos a tiros dentro de uma residência em Rio Brilhante

10/09/2026 11h00

Anderson Menezes, de 17 anos, e Letícia Rodrigues de Lima, de 16, foram assassinados a tiros em novembro de 2021, em Rio Brilhante

Anderson Menezes, de 17 anos, e Letícia Rodrigues de Lima, de 16, foram assassinados a tiros em novembro de 2021, em Rio Brilhante Divulgação

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Quase cinco anos depois do assassinato dos adolescentes Anderson Menezes, de 17 anos, e Letícia Rodrigues de Lima, de 16, a Justiça condenou Cleiton de Matos Ortiz, de 41 anos, a 42 anos e oito meses de prisão pelo duplo homicídio ocorrido em Rio Brilhante, a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande.

O julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri de Rio Brilhante na última quinta-feira (3). Os jurados reconheceram Cleiton como autor dos dois assassinatos e acolheram as qualificadoras de motivo torpe e de utilização de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.

O crime aconteceu na madrugada de 7 de novembro de 2021, em uma residência no bairro João Zardo. Anderson e Letícia, que namoravam, haviam passado parte da noite no imóvel, onde ocorreu um jantar.

Antes disso, Anderson teria ajudado no transporte de móveis durante uma mudança. Horas depois, os dois adolescentes foram executados com disparos de pistola calibre 9 milímetros.

Anderson foi encontrado na área dos fundos da residência. Ele havia sido atingido por quatro disparos, que acertaram regiões como olho, queixo, peito e abdômen. Letícia foi localizada em um dos quartos e apresentava cinco ferimentos provocados por tiros, inclusive na cabeça, mãos e peito.

Na época, a perícia encontrou cerca de 12 cápsulas de munição calibre 9 mm no local. Imagens de câmeras de segurança também registraram movimentação na residência e a saída de pessoas após os assassinatos.

Crime planejado

Durante as investigações, a Polícia Civil chegou a trabalhar com a hipótese de que o duplo homicídio tivesse sido planejado. Duas mulheres também foram apontadas como participantes da ação que levou os adolescentes até a residência.

Apesar das circunstâncias apuradas, a motivação específica dos assassinatos não foi divulgada.

Cleiton fugiu depois das mortes e passou a ser procurado. Na época, ele cumpria pena em regime semiaberto e era monitorado por tornozeleira eletrônica.

O histórico criminal do acusado também pesou na fixação da nova pena. Ele já havia sido condenado pelo assassinato dos irmãos Eudes Sarete de Lima, de 49 anos, e Edemilson Sarete de Lima, de 44, mortos em 2012, também em Rio Brilhante.

No julgamento deste mês, a defesa apresentou tese absolutória, mas os argumentos foram rejeitados pelo Conselho de Sentença.

Cleiton foi condenado por duas vezes por homicídio qualificado. A pena estabelecida para cada morte foi de 21 anos e quatro meses de reclusão.

Como os crimes tiveram vítimas diferentes, a Justiça aplicou o concurso material e somou as duas penas, chegando a 42 anos e oito meses de prisão.

Na dosimetria, foram considerados, entre outros fatores, a reincidência, a idade das vítimas e o fato de Cleiton estar cumprindo pena no regime semiaberto quando cometeu os assassinatos.

A sentença determinou ainda o início imediato do cumprimento da pena e manteve o condenado preso.

Indenização

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil aos sucessores de cada adolescente, totalizando R$ 100 mil.

O valor não impede que as famílias busquem posteriormente, na esfera cível, eventual complementação da reparação pelos danos provocados pelos crimes.

A sentença também determinou que as munições apreendidas sejam encaminhadas ao Exército Brasileiro e que a tornozeleira eletrônica utilizada pelo condenado seja devolvida à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).

 

br-163

Prefeitura oficializa tombamento de barracas em Anhanduí

Intervenção, reforma ou remoção das barraquinhas só podem ocorrer mediante autorização da Prefeitura

10/09/2026 10h50

Doces caseiros à venda nas barraquinhas

Doces caseiros à venda nas barraquinhas Foto: Valdenir Rezende/Arquivo/Correio do Estado

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Tradicionais barraquinhas localizadas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, estão oficialmente tombadas como patrimônio cultural de Campo Grande.

Lei n° 7.679, que dispõe sobre tombamento das barracas, foi publicada no Diário Oficial (Diogrande) e assinada pela prefeita da Capital, Adriane Lopes, nesta quinta-feira (10).

De acordo com o Diogrande, a partir de então, as barraquinhas estão inscritas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do Município de Campo Grande.

Na prática, o tombamento busca preservar as características essenciais do bem cultural e prevê que o município desenvolva ações de valorização cultural, turística e econômica, além de oferecer apoio aos trabalhadores locais, conforme a disponibilidade orçamentária.

As intervenções, reformas, ampliações, modificações estruturais ou remoções das barracas tombadas somente poderão ocorrer mediante prévia autorização da prefeitura.

No local, existem dezenas de barracas que comercializam produtos caseiros como doces, conservas, pimentas e artesanatos. As vendas garantem renda para diversas famílias da região.

O projeto, de autoria do vereador André Salineiro (PL), havia sido aprovado em 11 de agosto de 2026 na Câmara Municipal de Campo Grande.

“Esse projeto nasceu de um pedido dos comerciantes de Anhanduí, que estavam com medo de perder não apenas suas barracas, mas uma parte da história do distrito. Agora, graças à lei, esse patrimônio está protegido. Não é simplesmente uma estrutura às margens da rodovia. Ali existe trabalho, tradição, famílias e uma atividade econômica que faz parte da identidade de Anhanduí. Quando os comerciantes nos procuraram, nós não ficamos apenas reclamando do problema. Fomos buscar uma solução. Hoje, essas barracas estão protegidas por lei e aquilo que faz parte da história de Anhanduí não poderá simplesmente ser retirado sem que o município participe dessa decisão”, afirmou Salineiro.

Confira na íntegra o trecho redigido em Diário Oficial:

Doces caseiros à venda nas barraquinhas

BARRACAS x DUPLICAÇÃO DA BR-163

A BR-163 está passando por reformas e ampliações, com obras de duplicação. Com isso, os comerciantes estavam receosos de que as barracas fossem retiradas durante a execução do serviço.

Com o tombamento decretado pela prefeitura, os comércios não podem mais ser removidos sem autorização prévia.

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a Motiva Pantanal para saber se a decisão vai atrapalhar os serviços e se será feito algum tipo de readequação para não afetar as obras, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. O espaço segue aberto para resposta.

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