Cidades

PANTANAL EM CHAMAS

Helicópteros entram em operação no combate às queimadas no Pantanal

MS recebeu ajuda da PM de SP e do Exército

RAFAEL RIBEIRO

23/09/2019 - 10h02
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A chegada dos helicópteros do Exército e da Polícia Militar de São Paulo para reforçar a operação de combate aos focos de calor na região do Pantanal, neste domingo, deu uma nova dinâmica e agilidade no enfrentamento do fogo em áreas de difícil acesso. As aeronaves foram solicitadas pelo governador Reinaldo Azambuja ao seu colega paulista, João Doria, e ao general Lourival Carvalho, comandante do Comando Militar do Oeste (CMO).

A primeira tropa transportada pelo Pantera, helicóptero do Exército – dez bombeiros do Distrito Federal -, chegou ao local dos focos em menos de cinco minutos, partindo do aeroporto da Fazenda Caiman. Por terra, os militares teriam que percorrer uma distância de 18 km para chegar ao fogo em uma área de brejo. “Com toda a estrutura montada de um lado da baía, não seria possível chegar do outro lado”, explicou Eduardo Rosa, gerente da fazenda.

Com o apoio das duas aeronaves – a de São Paulo chegou em Aquidauana no início da tarde -, a Sala de Situação do Sistema de Comando de Incidentes (SCI), montada pelo Corpo de Bombeiros do Estado nesta cidade para operar a força-tarefa, definiu quatro frentes de combate aéreo às queimadas. As prioridades são as fazendas Caiman e Bodoquena (BR-262, em Miranda), o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro e a região de Corumbá.

Focos extintos

O coronel Domingos Márcio Ferreira da Silva, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, informou que os focos na fazenda São Roque foram extintos, porém o fogo se desloca para a borda do Parque do Rio Negro e começa a ser combatido com o deslocamento dos brigadistas de helicóptero. É uma região também de difícil acesso: no sábado, viaturas dos Bombeiros demoraram 6h30min para percorrer 180 km, partindo de Aquidauana.

Segundo o coronel Márcio, que coordena o Sistema de Comando de Incidentes, juntamente com o coronel Huesley Paulo Silva, do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, o helicóptero da Polícia Militar de São Paulo vai operar, inicialmente, no transporte da tropa de combate para a fazenda Bodoquena, onde será feito um levantamento da situação a área. Não há precisão de encerramento da operação, que conta com 280 bombeiros do Estado.

“O emprego da estrutura disponibiliza pelo Governo do Estado e pelas propriedades tem nos dado um respaldo muito grande no combate”, disse o militar do Distrito Federal. “A maior dificuldade era o acesso, mas os dois helicópteros disponibilizados pelo Estado vão acelerar o serviço, com possibilidade de eliminarmos os focos o mais rapidamente”, disse, acrescentando que cinco focos foram extintos no sábado, na Caiman e na fazenda São Roque.

Planejamento

O domingo foi um dia mais tranquilo na fazenda do empresário Roberto Klabin, que criou o Refúgio Ecológico Caiman e desenvolve vários projetos de sustentabilidade ambiental. Uma equipe de brigadistas passou a noite na RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), onde se concentram os últimos focos, par abrir um caminho na mata para chegar a um dos locais de combate. “A área de brejo foi o maior desafio”, disse Enilton Paixão, do PrevFogo (Ibama).

A demora para os brigadistas atingirem os pontos de fogo atrasou também o trabalho do avião Air Tractor, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, para o lançamento de água. A operação, neste domingo, iniciou-se às 8h, com seis lançamentos pela manhã. No sábado, a ação foi uma maratona para os pilotos, tenente coronel Eloízio Ferreira do Nascimento e major Norberto Pimentel: 18 decolagens e 32 lançamentos, totalizando 42 mil litros de água.

O coronel Huesley Paulo Silva informou que a base operacional de Aquidauana realizou um planejamento de médio e longo prazos e as estratégias são montadas a partir da ocorrência de focos, possibilitando o remanejamento da tropa dentro de uma área triangular, com distâncias curtas, integrando várias regiões do Pantanal. Na próxima semana, um contingente de bombeiros do Estado deve se deslocar para Corumbá, em apoio ao PrevFogo.

RACISMO

TJMS condena mulher a pagar R$ 15 mil por racismo contra criança

Em Corumbá, menino de 10 anos foi vítima de ataques racistas direcionados a cor de pele e cabelo, e mãe levou caso à Justiça

14/03/2026 10h30

Foto: Divulgação / TJMS

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou uma mulher, não identificada, ao pagamento de R$ 15 mil pelo crime de racismo contra uma criança. Decisão unânime na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJMS), a mulher tentou reduzir o valor determinado pelo juiz.

Em sessão na última quarta-feira (11), o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa relatou ao colegiado o caso que aconteceu em Corumbá, interior do de Mato Grosso do Sul.

Na ocasião, a envolvida proferiu ofensas racistas à uma criança de apenas 10 anos, direcionando os ataques explicitamente à cor da pele e ao cabelo do menino. A mãe da criança, presente no local e momento do crime, foi quem denunciou e representou o filho judicialmente.

Anteriormente, o caso esteve em primeira instância e o juiz já havia dado a sentença do pagamento de R$ 15 mil por "danos morais decorrentes de ofensas de cunho racial". Porém, a mulher entrou com recurso para reduzir o valor da indenização fixada.

O argumento foi que valor seria desproporcional às circunstâncias do caso e às suas condições econômicas, sob justificativa de hipossuficiência financeira. Ela ainda sustentou que a reparação deveria ter caráter compensatório, sem gerar enriquecimento indevido das vítimas.

O relator do caso destacou que o valor determinado abrange os critérios de proporcionalidade e razoabilidade, considerando as especificidades do caso e gravidade da conduta.

Ele analisou a situação como dentro do necessário para reparar o sofrimento da vítima e desestimular a repetição do crime, com argumentativo de que a criança está em fase de desenvolvimento, o que agrava a conduta e necessidade de resposta adequada perante à Justiça.

Ainda foi ressaltado que profissionais na área de saúde do município, e do Conselho Tutelar apresentaram relatórios psicológicos que apontam os impactos emocionais sofridos pela criança em razão das ofensas e ataques.

Foi concluído a decisão que a ré deveria pagar R$ 15 mil à vítima, sendo R$ 10 mil destinado à criança e R$ 5 mil à mãe do menino, como já havia proferido na primeira vez.

Conforme consta no processo, o caso também resultou em condenação das ofensas na esferal criminal.

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INTERIOR

Dourados concentra mortes por Chikungunya com 2° pior resultado da década

Óbitos até a primeira semana de março colocam 2026 junto dos anos de 2018 e 2023, sendo três óbitos cada, com o pico da série histórica atingido pelas 17 vítimas no ano passado

14/03/2026 09h45

Até a semana epidemiológica 09 Mato Grosso do Sul já soma 03 óbitos confirmados neste 2026, atualizada com dados até 07 de março.

Até a semana epidemiológica 09 Mato Grosso do Sul já soma 03 óbitos confirmados neste 2026, atualizada com dados até 07 de março. Divulgação

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Mato Grosso do Sul vive um cenário de alta incidência  de casos de Chikungunya, doença que atingiu o pico de óbitos da série histórica no último ano e segue em uma tendência quase que desenfreada, já que as três mortes registradas até a primeira semana de março equiparam 2026 com o valor que até então é o segundo pior resultado da década, tendo Dourados como o "epicentro" dessa arbovirose neste ano. 

Segundo a SES em nota, em Dourados há transmissão ativa dentro das aldeias, o que tem pressionado os serviços de saúde locais, sendo 21.355 indígenas atendidos por 4 unidades básicas de saúde e 6 equipes. 

Há inclusive uma espécie de "força-tarefa", envolvendo Ministério da Saúde, Distrito Sanitário Especial e Secretaria de Indígena (Dsei e Sesai), da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados e mais, para enfrentar as arboviroses nas aldeiais indígenas de Dourados e Itaporã. 

Conforme o Boletim Epidemiológico - Chikungunya, elaborado pela Gerência Técnica de Doenças Endêmicas e divulgado, nesta sexta-feira (13), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), até a semana epidemiológica 09 Mato Grosso do Sul já soma 03 óbitos confirmados neste 2026, atualizada com dados até 07 de março.

Através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, por exemplo, é possível notar que a série histórica iniciada em 2015 começa com apenas um registro de óbito naquele ano. Até 2024 a arbovirose iria vitimar um total de apenas oito sul-mato-grossenses.

Com 2016 e 17 passando sem qualquer registro de morte por Chikungunya em Mato Grosso do Sul, a doença só voltou a vitimar um paciente em 2018, ano em que três pessoas morreram em decorrência dessa arbovirose. Porém, nos quatro anos seguintes (de 2019 a 2022) ela voltaria a sumir do radar do sul-mato-grossense.

Antes de explodir no ano passado, 2023 e 2024 só registraram três e uma morte, respectivamente, por chikungunya em Mato Grosso do Sul, com o ano passado somando o dobro dos óbitos da última década, como bem acompanha o Correio do Estado

"Explosão" de Chikungunya

Ainda conforme o mais recente boletim da SES, os 2.446 casos prováveis da doença em 2026 já beiram a média desse recorte atingida em 2023 (2.711 casos) e 2024 (2.766), sendo que os números não tendem a ser positivos quando comparada a crescente tendência em relação aos números que eram vistos semanalmente no pior ano em óbitos por Chikungunya em MS. 

Em comparação com o ano passado, os números mostram que todas as semanas epidemiológicas de 2026 aparecem com mais casos prováveis de Chikungunya do que os registros feitos semanalmente em 2025, como mostra o gráfico abaixo: 

Até a semana epidemiológica 09 Mato Grosso do Sul já soma 03 óbitos confirmados neste 2026, atualizada com dados até 07 de março.

Até a primeira semana de março de 2026 Mato Grosso do Sul já soma 1.147 casos confirmados para Chikungunya, sendo que a SES ainda aponta 16 gestantes confirmadas neste grupo. Até o momento foram três óbitos pela doença que já vitimou duas pessoas do sexo masculino e uma mulher no Estado este ano. 

Todos moradores de Dourados, o primeiro desses a manifestar os sintomas foi um homem de 73 anos, ainda em 04 de fevereiro, que não possuía comorbidades mas faleceu cerca de um mês depois dos primeiros sinais da Chikungunya.

Já em 13 de fevereiro uma douradense de 69 anos também relatava o início dos sintomas, paciente com hipertensão arterial e diabetes, com a data do óbito registrada após cerca de 12 dias. A terceira vítima da Chikungunya em MS este ano trata-se de um bebê de 03 meses, que relatou os primeiros sinais em 06 de março e faleceu quatro dias depois. 

Desde 2015 em Mato Grosso do Sul, 7.143 casos foram considerados como prováveis para Chikungunya até 2024, sendo 13.716 registrados em 2025 até antes do fim de agosto, o que demonstra a tendência crescente da doença no último ano. 

Essa "explosão" dos casos de Chikungunya em 2025 passou a ser observada já desde o início do ano passado, quando até o começo de março Mato Grosso do Sul já anotava 2.122 casos prováveis. 

Com sintomas que costumam ser avassaladores, a semelhança da Chikungunya entre os casos de dengue, por exemplo, aparece no fato do tempo que levam até o primeiro relato do que os pacientes sentem até a data do óbito, que em boa parte das vezes costuma vitimar a pessoa no intervalo de até três semanas.

 

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