Um homem de 34 anos foi preso na manhã desta quinta-feira (22) suspeito de ter participado no furto qualificado de aparelhos eletrônicos utilizando bloqueador de sinal em carros no estacionamento de um supermercado na tarde de segunda-feira (19).
O caso
A social media Catarine Sturza foi ao supermercado Comper da Av. Mato Grosso, esquina com a Av. Ceará, por volta das 18h10 de segunda-feira (19). Ela estacionou o carro nas dependências do estabelecimento e se ausentou por poucos minutos para comprar pão.
Ao finalizar sua compra, retornou ao carro e seguiu para casa. Somente quando chegou em sua residência, notou a falta de um macbook e um ipad, que estavam no veículo até a ida ao mercado. Juntos, os aparelhos somam um valor estimado de quase R$ 20 mil.
Conforme o relato da vítima em um vídeo publicado em seu Instagram, ela havia trancado o carro com a chave eletrônica. No entanto, o criminoso, que esperava em ponto de ônibus próximo ao estacionamento, utilizou um bloqueador de sinal, conhecido como "Chapolin", para impedir o trancamento do veículo e com isso, furtar os pertences presentes no interior do automóvel.
Investigação
Com a denúncia, o Setor de Investigações da Primeira Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, com apoio do Grupo de Operações e Investigações (GOI), iniciou diligências e identificou o carro utilizado pelo suspeito na ação criminosa a partir da análise de informações e imagens das câmeras de segurança.
Durante as buscas, as equipes localizaram o veículo e encontraram o suspeito em um estabelecimento na região da Avenida Três Barras, onde também foram apreendidos dois dos dispositivos eletrônicos conhecidos como “Chapolin”, utilizados para bloquear travas e alarmes de veículos, método comumente empregado em furtos praticados em estacionamentos.

Conforme apurado, o suspeito utilizava um veículo locado, que foi apreendido pela equipe policial durante as diligências e devolvido à empresa locadora, após os procedimentos cabíveis.
De acordo com a apuração preliminar, o furto teria sido praticado em grupo, com divisão de tarefas entre os participantes. O preso foi encaminhado à unidade policial e autuado em flagrante por furto qualificado crime cuja pena prevista é de reclusão de 2 a 8 anos, além de multa.
A Polícia Civil informa, ainda, que há indícios de que o autor tenha participado de outros furtos praticados com o mesmo modus operandi, razão pela qual as investigações prosseguem para identificação de possíveis vítimas e esclarecimento completo dos fatos.
Caso semelhante
Em 26 de novembro do ano passado, o advogado Laércio Arruda Guilhem foi vítima do mesmo golpe ao ter cartões furtados de sua Montana enquanto almoçava em um restaurante na Vila Gomes.
Sem perceber qualquer sinal de arrombamento no veículo, só notou o furto no fim do expediente, ao revisar mensagens enviadas pelos banco no início da tarde.
Da carteira guardada no console desapareceram cartões, além de documentos e um óculos pertencentes à passageira que almoçou junto do advogado. Curiosamente, segundo a ocorrência, itens como roupas, talão de cheques, carteira de motorista e identidade permaneceram intactos.
Após bloquear os cartões, Laércio foi informado de uma tentativa de compra em uma conveniência no Jardim Centro Oeste. As câmeras do local mostraram uma mulher loira tentando usar os cartões de crédito da vítima. Lá o advogado foi informado pelo atendente que a mulher "concluiu a compra em dinheiro" após os cartões serem bloqueados.
A partir da tentativa de transação, Laércio descobriu que a compra foi processada por uma máquina do Mercado Pago.
Sem acesso ao caminho oficial, o advogado realizou buscas por conta própria na internet e encontrou após consultar o CNPJ, um nome compatível com o registrado na cobrança, aqui identificado como Carla Souza, chegando até uma horta no bairro Pioneiros.
O responsável informou que a máquina utilizada naquela transação pertencia à esposa, que trabalhava em uma banca de hortaliças no bairro Universitário.
Sem mencionar o caso, Laércio foi até a banca de verduras em que a mulher trabalha três dias após o crime e ao adquirir produtos no local, confirmou que o equipamento foi o mesmo usado pelos golpistas. O caso segue em apuração.
Como agem os golpistas?
Os bandidos usam um pequeno aparelho, muitas vezes parecido com um controle remoto comum, que funciona como um bloqueador ou "embaralhador" de sinais, que bloqueia o travamento automático de veículos sem deixar sinais de arrombamento.
Quando o motorista aciona o controle remoto do carro para trancar o veículo, o dispositivo "Chapolin" emite um sinal eletromagnético na mesma frequência, interferindo na comunicação e impedindo que as portas se travem.
Em casos assim, o motorista se afasta acreditando que o carro está trancado, mas o veículo permanece destrancado, permitindo que os criminosos entrem e furtem objetos de valor ou o próprio carro sem deixar sinais de arrombamento.
Para se proteger contra esse tipo de golpe, é essencial sempre verificar fisicamente se o carro foi trancado após apertar o botão do controle, como o de portões de garagem, que tem uma pequena antena.

