O projeto de lei do deputado estadual Lídio Lopes (Patriota) que tem o objetivo de proibir o que ele chama de “retenção de macas” das ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros pela Santa Casa, já provoca reações.
Para José Roberto de Souza, diretor técnico da Santa Casa, o maior hospital de Campo Grande, e o que mais atende urgência e emergência na cidade trata-se de buscar uma solução muito fácil para um problema que para ele é “bem mais complexo”.
“Nosso problema da rede de urgência e emergência nunca foi maca, é o número de pacientes”, afirma. “Quem propôs esse projeto se esquece que em cima da maca tem uma pessoa precisando de ajuda, de atendimento”, afirma.
Lídio Lopes é marido da atual prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota) e, recentemente, a saúde do município tem enfrentado problemas de superlotação das unidades de urgência e emergência, mesmo com a pandemia de Covid-19 controlada há mais de 1 ano pela vacinação.
O projeto de Lídio Lopes prevê, entre outras coisas, punição com multa de até 100 Uferms (R$ 4.735,00) para o diretor do hospital que ficar com a maca (que acaba virando um leito improvisado no corredor, devido a falta de leitos na urgência e emergência) do Samu ou do bombeiros retida.
“O número de casos que term entrado no hospital sem a nossa validação, sem o nosso ok, aumentou muito. Nenhum dos hospitais que são da rede de urgência e emergência tem dado conta da demanda”, acrescenta o diretor da Santa Casa.
“Às vezes temos de atender de quatro a cinco intercorrências simultâneas. Nossa área vermelha permanece em superlotação contínua”, acrescentou José Roberto. “Não podemos simplesmente devolver a maca, e ficar com o paciente aonde enquanto o bombeiro e o Samu vai embura buscar outro?”, questiona.
Outros médicos que atuam na urgência e emergência, mas que preferiram manter o anonimato, afirmaram que a iniciativa de Lídio Lopes é uma forma de transformar os hospitais em depósitos de pacientes, e não em um local em que eles realmente são tratados.
Nos próximos meses, o Hospital Universitário deve deixar a rede de urgência e emergência de Campo Grande, da qual fazem parte a Santa Casa, Hospital Regional e unidades de pronto atendimento. A decisão deve sobrecarregar ainda mais o sistema.
Uma das alternativas sugeridas pelos médicos seria a abertura de mais leitos de unidades de tratamento intensivo (UTI) e contratação de leitos na rede privada. Ainda não há uma sinalização do município a este respeito, apenas a proposta do marido da prefeita, que está tramitando na Assembleia Legislativa.


