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Investigação

Imagens enfraquecem tese de legítima defesa de Bernal

Delegado afirma que o intervalo entre disparos e a lacuna nas imagens podem afastar tese da defesa de Alcides Bernal, que mantém versão

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Depois das imagens das câmeras de segurança virem a público, um dos delegados responsáveis pelo caso disse à reportagem que a tese de legítima defesa de Alcides Bernal está quase descartada pela linha de investigação se as impressões se confirmarem, enquanto a defesa do ex-prefeito continua batendo na tecla de autodefesa, mesmo após a divulgação dos vídeos.

Os registros da parte externa e interna da casa detalharam com mais precisão o que ocorreu antes, durante e depois da morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, no Jardim dos Estados, na tarde de terça-feira.

Em conversa com o Correio do Estado, o delegado Danilo Mansur disse que o depoimento do funcionário da empresa de monitoramento revela que Bernal efetuou o segundo disparo, que teria atravessado a região da costela da vítima, de 5 a 7 segundos depois do primeiro, que atingiu o quadril.

Caso esta versão se confirme, a tese de legítima defesa do ex-prefeito fica descartada na visão do responsável pelo caso.

“A gente apurou o tempo entre um disparo e outro. Se confirmado através do laudo pericial, deu uns 5 a 7 segundos, mais ou menos. Isso já demonstra que não houve legítima defesa, mas isso tudo eu vou depender de confirmação através da perícia e através dos áudios, que vão ajudar a entender direitinho o que aconteceu. Se confirmar essa suspeita minha, não houve legítima defesa”, analisa Mansur.

O delegado também disse que, até o momento, a investigação não acredita que Bernal tenha premeditado o crime ou que o ex-prefeito teria agido sob violenta emoção, estado de intensa perturbação afetiva e impulsividade que, caso tenha ocorrido logo após injusta provocação da vítima, pode reduzir a pena do agente, neste caso, Bernal.

Na tarde desta sexta-feira, Mansur aproveitou para ouvir novamente o chaveiro. Segundo o delegado, Maurílio confirmou que o primeiro disparo foi flagrado pelas câmeras e manteve a versão inicial de que não viu ou ouviu o segundo tiro. 

Diante disso, caso se confirme que o segundo tiro foi dado entre a saída do chaveiro e o reaparecimento de Bernal nas imagens, há um vácuo de 13 segundos em que o “tiro de misericórdia” pode ter sido efetuado, o que dificultaria ainda mais o argumento da defesa do ex-prefeito de que ele agiu em legítima defesa.

Contudo, o delegado diz que a história contada por Maurílio não pode ser levada tão “ao pé da letra”, já que o chaveiro estava tomado por medo e desespero no momento do assassinato e que só pensava em fugir do local. 

Mesmo sem outro ângulo para confirmar em vídeo o segundo ato do crime, Mansur disse que os próximos passos da investigação devem provar o momento exato do disparo.

Vale destacar que, até o momento, a defesa de Bernal ainda não apresentou à polícia o suposto registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e muito menos o documento da arma calibre 38 que foi usada no assassinato.

CIRCUITO DE SEGURANÇA

Às 13h, o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chega de picape na casa, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel. Nos primeiros segundos, o fiscal passa a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. Enquanto o chaveiro realiza o trabalho, o fiscal apenas observa e espera a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio consegue abrir o portão e avisa Roberto, que imediatamente acessa a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficam dentro do imóvel e não há informação – pelo menos, por enquanto – do que eles estariam fazendo na residência durante este período.

Às 13h44min20s, o ex-prefeito chega na frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entra no imóvel e, depois de cinco passos, efetua o primeiro disparo contra Roberto. 

A partir das 13h44min46s, justamente no momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera e não se sabe quando o segundo disparo teria sido feito.

Após isso, é possível verificar o chaveiro conseguindo escapar e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito volta aparecer na filmagem quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveita para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal vai embora da cena do crime, às 13h47min55s.

Nos segundos finais do registro, é possível visualizar pessoas da empresa de monitoramento adentrando a casa e vendo o corpo de Roberto, enquanto um dos homens aparenta estar uma ligação chamando a ambulância.

DEFESA

Após a exposição das imagens, a reportagem também entrou em contato com a defesa de Bernal, que afirmou que, na visão deles, os vídeos ajudam a corroborar a versão apresentada pelo ex-prefeito em depoimento. A defesa ainda confirmou que, mesmo com a divulgação das câmeras, ainda não ingressou com o habeas corpus.

“A versão de legítima defesa é mantida, até porque ela está dentro daquilo relatado pelo senhor Alcides [Bernal]. A apresentação espontânea e as próprias imagens demonstram a dinâmica do acontecido.

Ele está aguardando a manifestação da Justiça e vai permanecer enquanto for necessário. Caso a defesa tenha alguma necessidade de alterar essa situação, ingressaremos no momento oportuno com o pedido necessário”, explica o advogado Wilton Acosta.

Desde o dia do crime, Bernal está custodiado na sala especial do Batalhão da Polícia Militar.

ESPECIALISTA

Segundo o advogado André Borges, ouvido pela reportagem, que atua como criminalista, para que uma defesa seja embasada na legítima defesa há de ser comprovado que o autor tenha sofrido “injusta agressão”.

“Legítima defesa no Brasil tem clara regulamentação legal, só cabendo quando alguém, usando moderadamente dos meios necessários, repete injusta agressão, ou seja, só não haverá crime da parte de quem atirou se a prova demonstrar que a vítima estava a praticar injusta agressão e o uso da arma de fogo foi necessária na situação como meio de defesa”, explica.

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Campanha de vacinação contra a gripe começa neste sábado; veja quem pode se vacinar

Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a circulação do vírus tende a crescer a partir de março, com pico em abril. No Norte, a sazonalidade começa entre dezembro e janeiro

27/03/2026 22h00

Arquivo / Gilberto Marques / Governo do Estado de SP

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A campanha de vacinação contra o influenza, vírus causador da gripe, começa neste sábado, 28, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. No Norte, a iniciativa acontece no segundo semestre em razão da sazonalidade do vírus.

A mobilização prioriza crianças, gestantes e idosos, grupos mais suscetíveis a formas graves da doença. Como lembra Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), o vírus influenza é uma das causas de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), podendo levar à hospitalização, à necessidade de UTI e ventilação mecânica, e à morte.

É fundamental ficar atento e não subestimar os riscos, ressalta a médica. "A gripe, não raramente, evolui para uma pneumonia bacteriana. Então, é uma doença muito relevante."

Isabella alerta ainda que, embora existam grupos de alto risco, desfechos graves podem acontecer com qualquer pessoa.

Aumento de casos

A campanha ocorre em meio ao avanço das tendências de SRAG de longo e curto prazo em todo o Brasil, com 22 estados em alerta, risco ou alto risco, conforme o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desta quinta-feira, 26. O crescimento é impulsionado pela alta na circulação do influenza A (um dos quatro tipos causadores de gripe), rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).

Até 14 de março, o País registrou 14,3 mil notificações de SRAG e cerca de 840 mortes. O vírus influenza foi responsável por 28,1% dos casos graves identificados.

O grupo mais vulnerável a complicações, internações e óbitos inclui idosos, crianças com menos de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades. A vacinação desse público é a principal medida para evitar formas graves e mortes pela doença.

Diante dos números, Isabella lembra que a vacinação também tem impactos positivos no próprio sistema de saúde. De acordo com a médica, a gripe é um dos principais motivos de superlotação das emergências, o que compromete a estrutura e a disponibilidade de vagas para pacientes com outras necessidades.

Sazonalidade

Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a circulação do vírus tende a crescer a partir de março, com pico em abril. No Norte, a sazonalidade começa entre dezembro e janeiro.

Segundo Isabella, o clima é um fator determinante nesse comportamento. Os meses de inverno concentram mais casos porque o frio e o ar seco alteram o "ecossistema" das vias respiratórias, o que favorece a infecção.

A diretora da Sbim ainda esclarece que não é o frio em si que causa a gripe. O que ocorre é uma combinação entre o ambiente das vias respiratórias afetado pelas baixas temperaturas e a presença do vírus, que tem incubação muito rápida, de cerca de 24 horas.

A especialista ressalta, no entanto, que as infecções não se restringem a essas épocas e ocorrem ao longo de todo o ano, mesmo em períodos de calor.

"No ano passado, por exemplo, tivemos um surto importante de gripe fora das sazonalidades, no final do ano. O frio aumenta o risco, mas a doença não ocorre só nesses meses (de inverno)", destaca.

Quem pode se vacinar?

A vacina influenza trivalente é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e é indicada, prioritariamente, para crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, idosos e gestantes

De acordo com o Ministério da Saúde, o esquema vacinal para crianças de 6 meses a 8 anos depende do histórico de vacinação. Quem já foi vacinado anteriormente recebe uma dose. Quem ainda não foi precisa tomar duas, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.

A imunização é feita anualmente porque o vírus influenza muda com frequência. A cada campanha, as vacinas são atualizadas para contemplar as cepas em circulação, o que torna a vacinação periódica essencial. A aplicação pode ser feita no mesmo dia que outras vacinas do Calendário Nacional, como a da covid-19.

Para a campanha, o ministério disponibilizou 15,7 milhões de doses para estados e municípios. O Estado de São Paulo recebeu cerca de 3 milhões de doses, que estão sendo distribuídas aos municípios.

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OAB-MS divulga calendário de vacinação contra gripe

Campanha da advocacia prevê aplicação de doses em Campo Grande e em mais de 30 subseções do interior entre abril e maio

27/03/2026 21h25

Campanha pretende vacinar milhares de advogados

Campanha pretende vacinar milhares de advogados Arquivo

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A maior campanha de vacinação contra a gripe já realizada pela advocacia brasileira começou a ser implementada pelo Conselho Federal da OAB, com a distribuição de 105 mil doses da vacina contra a Influenza para advogadas e advogados em todo o país.

A aplicação nas seccionais ocorre de forma escalonada, conforme cronogramas definidos pelos estados.

A iniciativa é promovida em parceria com o Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial dos Advogados e com a Coordenação Nacional das Caixas de Assistência dos Advogados.

O fornecimento das doses ocorre por meio de contrato firmado com o Instituto Butantan. As vacinas são do tipo influenza trivalente monodose, que protegem contra duas cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e uma de Influenza B.

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, que divulgou calendário com atendimento em diversas subseções do estado entre abril e maio.

Cronograma

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, conforme o seguinte cronograma:

  • Campo Grande — 01/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Campo Grande — 02/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Aquidauana — 27/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • Miranda — 28/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • São Gabriel do Oeste — 28/04/2026, das 14:30 às 15:30

  • Rio Verde — 28/04/2026, das 17:00 às 18:00

  • Corumbá — 29/04/2026, das 08:00 às 09:30

  • Coxim — 29/04/2026, das 16:00 às 16:30

  • Sonora — 30/04/2026, das 08:00 às 08:30

  • Pedro Gomes — 30/04/2026, das 13:30 às 14:00

  • Sidrolândia — 04/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Maracaju — 04/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Camapuã — 04/05/2026, das 08:30 às 09:30

  • Figueirão — 04/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Jardim — 05/05/2026, das 14:00 às 15:00

  • Costa Rica — 05/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Bela Vista — 06/05/2026, das 13:30 às 14:30

  • Chapadão do Sul — 06/05/2026, das 15:00 às 16:00

  • Bonito — 07/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Cassilândia — 07/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Inocência — 07/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Nioaque — 08/05/2026, das 08:30 às 09:00

  • Água Clara — 08/05/2026, das 08:00 às 08:30

  • Ribas do Rio Pardo — 08/05/2026, das 15:00 às 15:30

  • Bataguassu — 11/05/2026, das 12:30 às 13:30

  • Fátima do Sul — 11/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Caarapó — 11/05/2026, das 15:30 às 16:00

  • Brasilândia — 11/05/2026, das 16:00 às 16:30

  • Três Lagoas — 12/05/2026, das 08:00 às 10:30

  • Amambai — 12/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Aparecida do Taboado — 13/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Paranaíba — 13/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Selvíria — 14/05/2026, das 11:00 às 11:30

  • Nova Alvorada do Sul — 18/05/2026, das 09:00 às 09:30

Cada subseção é responsável pela organização local da imunização e pela divulgação de horários específicos de atendimento.

A campanha tem como objetivo ampliar a proteção dos profissionais da advocacia em um período de maior circulação de vírus respiratórios, especialmente entre aqueles que atuam diariamente em fóruns, audiências e repartições públicas.

Advogadas e advogados devem consultar sua subseção ou a Caixa de Assistência local para confirmar horários e orientações específicas sobre a vacinação.

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