A Secretaria de Estado de Saúde (SES) identificou um aumento de atendimento por doenças respiratórias em Mato Grosso do Sul nas regiões onde ocorreram intensificação de queimadas florestais nos últimos anos.
De acordo com levantamento da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (Vigiar), da SES, os atendimentos na Atenção Básica para doenças respiratórias apresentaram um aumento durante o período de incêndios florestais.
Os casos de asma no ano passado cresceram 13% e os de bronquite 7% em comparação com os registros de 2023, segundo a Pasta.
Segundo o Vigiar, os municípios de Corumbá, Aquidauana, Porto Murtinho, Miranda e Naviraí foram classificados com prioridade para análise dos casos de doenças respiratórias no ano passado, por serem as cidades que tiveram maior número de focos de calor no Estado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) mostram que o principal aumento de internações no Estado, por conta de doenças respiratórias, ocorreu em maio de 2023 e 2024.
Em 2023, mais de 2.600 pessoas foram internadas em Mato Grosso do Sul, apresentando problemas no quadro respiratório. Já no ano passado, cerca de 2.400 pacientes com doenças respiratórias receberam atendimento nas unidades hospitalares.
Os picos de casos ocorreram nos dois anos entre os meses de abril e julho. No ano passado, o início dos incêndios no Pantanal sul-mato-grossense ocorreu nesse período, considerado fora de época, e se estendendo até o fim do ano.
Conforme informa o Vigiar, a população ribeirinha de Corumbá foi uma das afetadas pela intensificação das queimadas do Pantanal no ano passado, em razão da estiagem.
“Para mitigar os efeitos na população ribeirinha, a SES atua com o Projeto Navio, oferecendo assistência médica, odontológica, vacinação e vigilância em saúde”, informou a SES, em nota.
Para identificar os municípios de risco, o Vigiar considera dados de saúde, como internações por doenças respiratórias, e fatores ambientais, como indústrias, frota veicular e queima de biomassa (queimadas e incêndios florestais).
Além das ações do Vigiar, conforme informou a SES, está em andamento a implantação da estratégia Unidade Sentinela, que monitora doenças respiratórias em áreas prioritárias, como regiões metropolitanas, polos industriais e locais afetados por queimadas.
EXPOSIÇÃO À POLUIÇÃO
Segundo a SES, os efeitos da poluição do ar em uma pessoa variam por uma série de fatores, como: constituição genética; idade (crianças e idosos são mais vulneráveis); comorbidades, especialmente de doenças respiratórias como asma e bronquite crônica; além de cardiopatias, que tornam determinadas pessoas mais propensas a danos à saúde.
Além disso, as condições de vida e trabalho também são determinantes: quem vive em áreas com alto tráfego de veículos ou perto de indústrias está mais exposto à poluição.
Trabalhadores de rua e pessoas de camadas socioeconômicas mais vulneráveis enfrentam riscos mais elevados.
Porém, o uso de fogões a lenha, por exemplo, também contribui para a poluição do ar doméstico, aumentando o risco de doenças respiratórias.
A exposição a poluentes atmosféricos podem causar efeitos agudos, que incluem tosse, crises de asma e irritação ocular, enquanto os efeitos crônicos envolvem danos ao sistema respiratório e cardiovascular, além de maior vulnerabilidade a infecções respiratórias.
PROGRAMA
Os trabalhos de monitoramento da saúde estão sendo feitos pela Vigiar, que faz parte da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Contaminantes Químicos (Vigipeq).
O objetivo da Vigiar é desenvolver ações de vigilância para populações expostas a poluentes atmosféricos Mato Grosso do Sul, de forma a recomendar e instituir medidas de prevenção, promoção da saúde e atenção integral.
De acordo com o órgão, “a degradação da qualidade do ar afeta diretamente a demanda pelo SUS, uma vez que seus impactos resultam no aumento das consultas médicas, das admissões e das internações hospitalares e no incremento no consumo de medicamentos e uso de equipamentos hospitalares”, descreve relatório elaborado pela SES.
Em Corumbá, durante o período de incêndios, equipes do Vigiar e do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), do Ministério da Saúde, acompanharam em julho do ano passado a situação de saúde no município, monitorando notificações e internações por doenças respiratórias.
A Gerência Técnica das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (GT-DTHA) também atuou no município nesse período, com foco na prevenção de surtos de diarreia, comuns no período de seca e estiagem, que podem estar associados à poluição atmosférica.
SAIBA
As ações em Corumbá incluíram orientações às equipes de vigilância, distribuição de hipoclorito para a população vulnerável e medidas de controle sanitário.