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Indígenas da região sul temem aumento da violência durante festas de fim de ano

Indígenas da região sul temem aumento da violência durante festas de fim de ano

Vivianne Nunes

11/12/2010 - 15h01
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As duas aldeias de Dourados, Jaguapiru e Bororó, possuem uma população aproximada de vinte mil indígenas e um cenário de pobreza e violência bastante crescente. Se antes era comum assitir pela mídia, uma sequencia de suicídios motivados pela falta de terras e pelo uso e abuso de bebidas alcoólicas, o que se vê hoje é uma série de crimes, assassinatos, violências barbaras provocadas e encorajadas pelo uso de drogas.

A figura dos pajés e caciques ainda existem nas aldeias, mas são os capitães os grandes responsáveis pelo encaminhamento de agressores à polícia e até mesmo por algumas investigações internas. Cesar Isnardi é o capitão da aldeia Bororó. Pelo telefone ele narrou ao Portal Correio do Estado a preocupação da comunidade indígena com a proximidade das festas de fim de ano. “Nossa comissão está preocupada com a chegada de muitos índios que trabalham nas usinas”, afirmou. Para ele, é nessa época que os trabalhadores retornam às aldeias com o pagamento do fim do ano e aumenta o uso de álcool e drogas, consequentemente, aumentam também, os desentendimentos atenuados pelo uso das substâncias.

Isnardi reclama a falta de policiamento dentro das aldeias que, segundo ele, são vilarejos bem próximos de Dourados, como se fossem “bairros”, mas a sensação é de “abandono”, reclama. Ele também acredita que trabalhos sociais deveriam ser feitos, principalmente entre os adolescentes, como maneira de reduzir os índices de usuários de drogas.

Na semana passada a indígena Márcia Soares Isnardi, foi morta e arrastada em meio a um matagal na aldeia Bororó. Ela foi vista na noite anterior na companhia de um amigo, com quem estava bebendo. O ex-marido é um dos suspeitos pelo crime. Na tarde de domingo, populares encontraram apenas a ossada de uma jovem de 16 anos que havia saído de casa há 11 dias e estava desaparecida. Ela saiu para receber o dinheiro por um serviço prestado e não retornou mais. A causa da morte ainda não é conhecida, já que o corpo estava em avançado estado de putrefação.

Esses são apenas os casos mais recentes de violência envolvendo indígenas, mas o número de ocorrências policiais ocorridos apenas este ano em aldeias de Dourados, Caarapó, Juti, Douradina e Maracaju já chega a 74, número pelo menos 23% menor do que no ano passado, quando foram registrados 96 casos. Isso levando em consideração os números de 2009 até o último dia do ano e os deste ano até o dia 07 de dezembro. O número de homicídios se mantém até o momento nessas aldeias, sendo que em 2009 foram dez mortes e até agora outras dez, totalizando vinte mortes nos últimos dois anos apenas nessas localidades.

Os casos de lesão corporal registrados até o último dia 07 chegam a 52, sendo que deste total, 32 ocorreram em aldeias de Dourados.

A indigenista especializada em relações internacionais da Funasa (Fundação Nacional da Saúde do Índio) de Dourados, Polliana Figueiroa, enfatiza o fato de que os povos indígenas já perderam a maior parte de sua característica inicial. Alguns povos ainda mantém a tradição mas em Mato Grosso do Sul, principalmente na região sul do Estado, o que se vê são grandes bairros de periferia. A migração de indígenas de outras regiões também favorece o aumento da criminalidade. A eles, falta esclarecimento e a situação só vai melhorar quando a questão de terras for levada à sério. Pelo menos é nisso que acredita Polliana.

Apesar de casos bárbaros e constantes, o capitão da aldeia Jaguapriu, Vilmar Machado, diz acreditar em uma queda dos índices registrados este ano com relação ao anterior. “Sou motorista da Funasa e todos os dias eu carregava de cinco a seis pessoas esfaqueadas ou espancadas. Este ano foi bem menos”, afirmou.

Ele concorda com o uso das drogas como sendo um dos fatores principais do problema da criminalidade e ressalta “Vendem aqui na cara de todo mundo e ninguém faz nada. Dizem que é a polícia federal que cuida de questões indígenas, mas eles nunca vêm até aqui”, reclama. Para ele, o trabalho da Polícia Militar tem sido uma “mão” muito grande. Vilmar diz que o tráfico é muito comum dentro das aldeias. “O pessoal vem comprar dentro da aldeia e eu mesmo sei de várias bocas de fumo aqui, mas ninguém faz nada. A maioria dos usuários são adolescentes. “A gente não tem autoridade para ir até a casa das pessoas e fazer uma geral, precisamos de polícia”, reclama.

Sobre a cultura indígena Vilmar lamenta: “O Ministério Público e a Funai batem muito em cima dessa questão mas a verdade é que aqui a cultura está praticamente morta e ninguém toma providência”. Nessas localidades existem três etinias: guarani, caiuá e terena. “Dificil encontrar um índio puro, estamos todos muito misturados já”, afirmou o capitão que reclama: “Estamos tentando resgatar alguma coisa, mas as crianças não querem mais aprendera a cultura (…) As escolas da comunidade dão aulas de dança, língua, mas a maioria fala só o português e não tem interesse por aprender”.

Trabalho

A falta de emprego aos povos indígenas também é uma das questões apontadas como o grande problema da criminalidade nas aldeias. “A maioria trabalha nas usinas e na construção civil. Mas temos aqui índios formados em várias áreas. Temos técnicos agrícolas, administradores, todos muito discriminados acabam indo para as usinas”, reclama.

Autoridade no assunto

Recentemente, a vice-procuradora geral da República, Deborah Duprat, esteve em Mato Grosso do Sul para participar do XI Encontro Nacional da 6ª Câmara de Coordenação e Reisão do Ministério Público Federal e na ocasião, chegou a dizer que o problema das comunidades indígenas está intimamente ligado à insuficiência de terras, enfatizando que a situação de Dourados, além de indigna é a maior tragédia mundial conhecida na questão. Para ela a falta de terras ainda é o principal problema relacionado à todos os outros problemas indígenas. Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do País com 70 mil habitantes.

operação successione

Defesa pede prisão domiciliar para advogado envolvido com jogo do bicho

Advogado preso na Successione assumiu lugar do pai no esquema do jogo do bicho e defesa pede prisão domiciliar para que ele cuide de um filho com síndrome de down

20/05/2026 18h10

Rhiad Abdulahad está preso desde novembro de 2025

Rhiad Abdulahad está preso desde novembro de 2025 Foto: Arquivo

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A defesa do advogado Rhiad Abdulahad, preso durante a 4ª fase da Operação Successione, em novembro de 2025, por envolvimento com o jogo do bicho, pediu à Justiça a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.  

A justificativa da defesa é que Rhiad tem um filho de 2 anos, portador de síndrome de down, e que é imprescindivel a presença dele aos cuidados especiais do filho.

A prisão preventiva do requerente foi decretada em 25 de novembro de 2025, por requisição do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o Gaeco, após a primeira fase da operação, Rhiad Abdulahad teria assumido a posição de articulação da organização criminosa voltada a exploração do jogo do bicho e lavagem de dinheiro, sucedendo seu pai, José Eduardo Abdulahad, em funções que o Ministério Público qualifica como de gerência. 

Denúncia foi oferecida no dia 10 de dezembro e foi recebida pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Campo Grande em 19 de dezembro de 2025, quando ele virou réu.

Desde o recebimento da denúncia, a defesa já formulou três requisitos distintos de revogação da prisão preventiva, todos indeferidos pela 4ª Vara.

A defesa argumenta que a acusação se baseou unicamente em interceptações telemáticas e declarações de terceiros e que nos autos não consta qualquer ato material e individualizado praticado por Rhiad que ultrapasse o exercício da advocacia.

Ainda segundo a defesa, os pedidos anteriores requeriam a revogação da prisão preventiva, enquanto este novo pleiteia a substituição da modalidade de custódia da prisão preventiva por prisão domiciliar.

Para consubstanciar o pedido, foram anexados laudos médicos da criança.

Em um deles, médica pediatra da criança atesta que a presença ativa do pai no processo terapêutico do menor "é imprescindível para seu desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e socioemocional, e que a ausência prolongada do genitor configura fator de risco capaz de acarretar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento global da criança".

Laudo técnico e solicitação de internação também foi anexado, onde cirurgião crânio-maxilo-facial e otorrinolaringologista indica a realização de cirurgia que exige sedação e internação da criança, demandando a presença e consentimento paterno para a realização e acompanhamento no pós-operatório.

O último documento é um atestado médico, de 7 de maio, que diagnosticou a mãe da criança com quadro depressivo e transtorno de ansiedade. A defesa alega que a condição é relacionada ao acúmulo de sobrecarga nos cuidados com a criança, imposta pela prisão preventiva do pai.

Destarte, o objeto do pedido é novo, não se postula a liberdade plena do requerente, mas a humanização da custódia - a substituição da prisão carcerária pela prisão domiciliar, medida que preserva integralmente os fins do processo e, ao mesmo tempo, assegura a uma criança com deficiência o direito constitucionalmente
garantido à presença ativa de seu genitor.

O pedido ainda não foi apreciado pela Justiça.

4ª fase da Operação Successione

A quarta fase da Operação Successione teve como alvo familiares e empresários próximos ao deputado Neno Razuk (PL). Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão simultaneamente em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Maracaju e Ponta Porã, além de endereços no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

A investigação aponta que o grupo estaria envolvido em uma lista de crimes variados, como  roubos, corrupção, lavagem de dinheiro e, principalmente, uma tentativa de monopolizar a exploração ilegal de jogos de azar, o dito “jogo do bicho”, em Mato Grosso do Sul. 

Segundo apurações do Gaeco, a organização criminosa, liderada pelo deputado estadual Roberto Razuk Filho (Neno), o plano da quadrilha era expandir a jogatina para Goiáse a reorganização do clã após a Operação Successione, que teve início em 2023. 

Mesmo com o desdobramento da Operação, o grupo não cessou as atividades, intensificando a sua atuação de forma “violenta e estruturada”. 

Confira abaixo a lista dos investigados e presos na quarta fase da Successione: 

  • Roberto Razuk,
  • Rafael Godoy Razuk,
  • Jorge Razuk Neto,
  • Sérgio Donizete Baltazar,
  • Flávio Henrique Espíndola Figueiredo,
  • Jonathan Gimenez Grande (Cabeça),
  • Samuel Ozório Júnior,
  • Odair da Silva Machado (Gaúcho),
  • Gerson Chahuan Tobji,
  • Marco Aurélio Horta,
  • Anderson Lima Gonçalves,
  • Paulo Roberto Franco Ferreira,
  • Anderson Alberto Gauna,
  • Willian Ribeiro de Oliveira,
  • Marcelo Tadeu Cabral,
  • Franklin Gandra Belga,
  • Jean Cardoso Cavalini,
  • Paulo do Carmo Sgrinholi,
  • Willian Augusto Lopes Sgrinholi,
  • Rhiad Abdulaha.

ranking

Campo Grande é a 41° melhor cidade para se viver no País e Japorã a 8ª pior

Entre as capitais brasileiras, Campo Grande é 4ª com melhor qualidade de vida do Brasil

20/05/2026 18h00

Vista aérea de Campo Grande

Vista aérea de Campo Grande ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Pesquisa divulgada pelo Índice de Progresso Social (IPC) aponta que Campo Grande é a 41ª melhor cidade e 4ª melhor Capital do Brasil para se viver.

Mas, em contrapartida, Japorã ocupa o 8º lugar entre as piores cidades para se morar. Já Mato Grosso do Sul é o 7º estado do Brasil com melhor qualidade de vida.

O relatório mostra que a qualidade de vida no país segue marcada por desigualdades persistentes, com diferenças relevantes.

Confira o desempenho de cada município de MS:

MUNICÍPIO

PONTUAÇÃO

RANKING MS

Campo Grande

69,77

1

Glória de Dourados

66,46

2

Dourados

65,89

3

Três Lagoas

65,47

4

Bataguassu

65,13

5

Jateí

64,68

6

Chapadão do Sul

64,50

7

Naviraí

64,42

8

Angélica

64,02

9

Nova Andradina

63,87

10

Rio Brilhante

63,71

11

São Gabriel do Oeste

63,57 

12

Água Clara

63,12

13

Camapuã

62,98

14

Aparecida do Taboado

62,97

15

Paraíso das Águas

62,85

16

Vicentina

62,74

17

Eldorado

62,66

18

Santa Rita do Pardo

62,49

19

Bandeirantes

62,46

20

Maracaju

62,18

21

Deodápolis

62,04

22

Bela Vista

61,96

23

Jardim

61,94

24

Mundo Novo

61,91

25

Guia Lopes da Laguna

61,70

26

Inocência

61,60

27

Itaporã

61,51

28

Ribas do Rio Pardo

61,41

29

Bonito

61,40

30

Costa Rica

61,13

31

Corumbá

61,03

32

Coxim

60,95

33

Fátima do Sul

60,76

34

Ivinhema

60,74

35

Cassilândia

60,70

36

Paranaíba

60,68

37

Caracol

60,68

38

Anaurilândia

60,56

39

Brasilândia

60,48

40

Jaraguari

60,41

41

Rio Verde

60,40 

42

Pedro Gomes

60,38

43

Rio Negro

60,33

44

Douradina

60,28

45

Nova Alvorada do Sul

60,22

46

Sete Quedas

59,98

47

Novo Horizonte do Sul

59,94

48

Ladário

59,82

49

Batayporã

59,74

50

Sidrolândia

59,31

51

Iguatemi

59,13

52

Alcinópolis

59,09

53

Corguinho

59,06

54

Anastácio

59,04

55

Figueirão

58,88

56

Bodoquena

58,88

57

Caarapó

58,81

58

Porto Murtinho

58,72

59

Sonora

58,26

60

Rochedo

58,25

61

Aquidauana

58,22

62

Selvíria

58,13

63

Taquarussu

57,78

64

Ponta Porã

57,78

65

Terenos

57,60

66

Juti

57,37

67

Miranda

56,40

68

Aral Moreira

56,32

69

Nioaque

55,80

70

Antônio João

55,47

71

Dois Irmãos do Buriti

55,31

72

Itaquiraí

55,15

73

Amambai

54,34

74

Laguna Carapã

53,99

75

Paranhos

51,66

76

Tacuru

50,59

77

Coronel Sapucaia

50,52

78

Japorã

46,23

79

Os municípios mais bem classificados no Brasil são:

Vista aérea de Campo Grande

Já os piores são:

Vista aérea de Campo Grande

Confira as melhores capitais para se viver:

Vista aérea de Campo Grande

Confira os estados brasileiros com melhor qualidade de vida:

Vista aérea de Campo Grande

A pesquisa leva em consideração 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três dimensões: necessidades humanas básicas, Fundamentos do bem-estar e oportunidades. Veja mais detalhadamente:

  • Necessidades humanas básicas: nutrição e cuidados médicos básicos; água e saneamento; moradia e segurança pessoal
  • Fundamentos do bem-estar: acesso ao conhecimento básico; acesso à informação e comunicação; saúde e bem-estar e qualidade do meio ambiente
  • Oportunidades: direitos individuais; liberdades individuais e de escolha; inclusão social e acesso à educação superior
Vista aérea de Campo GrandeEscreva a legenda aqui

A pesquisa avaliou 5.570 municípios brasileiros. A pontuação vai de 0 a 100.

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