Cidades

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Indígenas somam 40% da mão de obra em indústria de calçados de segurança em MS

Programa ajudou a diminuir a rotatividade de pessoal e até o volume de faltas, enquanto empresa já está há 20 meses consecutivos batendo metas de produção e faturamento

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Para além de um domingo de Dia dos Pais, este 09 de agosto está marcado no calendário como o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Com Mato Grosso do Sul sendo o lar do 3° maior volume de concentração no Brasil, esses povos originários encontram em MS tanto a manutenção dos saberes quanto a incorporação de sua mão de obra à indústria local.

Entre os destaques, por exemplo, aparece a indústria nacional de calçados de segurança e EPIs, Bracol, onde cerca de 40% do quadro de funcionários é composto por indígenas que moram na região do município de Eldorado. 

Distante aproximadamente 442 quilômetros da Capital, no município que fica na microrregião de Iguatemi, extremo sul do Estado, há cerca de quatro anos a Bracol trabalha com intensas mudanças em sua política de Recursos Humanos (RH). 

Em outras palavras, para além de uma inclusão da liderança indígena local, essa indústria promoveu desde rota de ônibus na aldeia até treinamentos em guarani. 

Segundo o grupo, atualmente há 228 profissionais indígenas na Bracol em Eldorado, o que representa 40,21% do quadro total de colaboradores, em uma iniciativa que busca respeitar aspectos culturais, linguísticos e sociais para criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo. 

Sendo uma oportunidade de desenvolvimento profissional, o modelo têm dado resultados que impactam toda a operação e os negócios, um sucesso que ajudou a diminuir a rotatividade de pessoal (turnover) e até o volume de faltas. 

Thiago Honório é gerente de Recursos Humanos da Bracol e explica que, a inclusão vai além da simples contratação de profissionais indígenas, sendo um compromisso com a criação de oportunidades e pelo fim das barreiras culturais em busca de um bom convívio e melhor desenvolvimento na prática. 

"Ao longo do processo, percebemos que a inclusão não dependia apenas da adaptação dos novos colaboradores à rotina industrial, mas também da capacidade da organização de compreender e respeitar suas particularidades culturais. Por isso, promovemos uma mudança de mentalidade dentro da empresa, incentivando o diálogo, o respeito às diferenças e a construção de um ambiente mais acolhedor", diz o gerente de RH.

Entenda

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao último censo em 2022, compilados através do Painel Povos Originários, Mato Grosso do Sul soma A 3ª maior concentração de povos originários do Brasil, aproximadamente 116.469 indígenas. 

Os números mostram que mais da metade dessa população vive fora das terras indígenas (59%), espalhada pelos 79 municípios do Estado. A maior parte da população é composta por mulheres, chegando a 50,7% do total. As seguintes cidades contram o maior número de povos originários: 

  • Campo Grande (18.434),
  • Dourados (12.054), 
  • Amambai (9.988), 
  • Aquidauana (9.428) e 
  • Miranda (8.866). 

Nesse caso da Bracol, os profissionais chegam à indústria vindos das comunidades de Cerrito, em Eldorado (MS), e Porto Lindo, em Japorã (MS). Por isso a empresa também implantou uma rota de ônibus dentro da aldeia para facilitar o deslocamento diário desses trabalhadores, que antes tinham que percorrer cerca de oito quilômetros até chegar ao ponto de embarque.

Para além de um acompanhamento individual dos novos colaboradores durante a integração de novos funcionários, também durante a Semana dos Povos Indígenas e outras datas relevantes para as comunidades,a empresa passou a ajustar sua programação. 

O intuito é justamente conciliar as necessidades produtivas com a participação dos colaboradores em eventos culturais, demonstrando respeito às tradições e valores das comunidades. 

Morador de Japorã formado em Gestão de Recursos Humanos, Juliano Misael Lopes é um dos exemplos do programa da empresa. Contratado há quatro anos para trabalhar como operador de máquinas, ele foi promovido à liderança de produção e chegou à função de analista de campo do RH em abril de 2026, há cerca de quatro meses.  

Depois de fazer toda a trajetória na empresa, agora é Juliano quem participa da integração de novos colaboradores, bem como se encarrega de ministrar treinamentos na língua guarani e auxilia na tradução dos procedimentos operacionais da fábrica.
 
Sobre os resultados do programa, a empresa viu o índice de faltas na unidade sair de uma média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a própria rotatividade de pessoal que já chegou a atingir 12% caiu quase pela metade (7%). 

Como se não bastasse, há mais de um ano, por 20 meses consecutivos, a indústria de calçados de segurança e EPIs de Eldorado bate as metas tanto de produção como de faturamento. 

“Os indicadores comprovam a efetividade da iniciativa, mostrando que políticas de diversidade e inclusão, quando implementadas de forma consistente, são traduzidas em resultados mensuráveis, maior comprometimento das equipes e fortalecimento  da cultura organizacional da empresa. E torna-se exemplo para  implantação de modelos de inclusão nas outras 4 unidades fabris da empresa, de acordo com as características locais de cada comunidade”, completa Honório. 
**(Com assessoria)

 

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POLÍCIA

Desaparecida em Campo Grande, caso 'Ayla' tem alerta nacional em programa dos EUA

Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes mesmo de completar um mês de vida; qualquer informação deve ser repassada à polícia no 190 ou pelo whatsapp (67) 3323-2508

09/08/2026 09h30

Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes mesmo de completar um mês de vida,

Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes mesmo de completar um mês de vida, Reprodução Amber Alert/ e Arquivo Correio do Estado

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Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes mesmo de completar um mês de vida,

Vista pela última vez ainda na quinta-feira (06), o caso da bebê de menos de um mês desaparecida em Campo Grande após sua mãe ser supostamente atraída para uma vaga de emprego ganhou alerta e disparo nacional na plataforma "Amber Alert Brasil". 

Programa estabelecido nos Estados Unidos e adotado no País pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o chamado "Amber Alerts" ativa um comunicado especial encaminhado para as plataformas da Meta, que passa a publicar o alerta em um raio de até 160 quilômetros do local de onde o fato foi registrado. 

Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes mesmo de completar um mês de vida, uma bebê de curtos cabelos castanhos vista pela última vez por volta do meio-dia de quinta-feira (06), na região da rua Francisco Águiar Pimenta. 

Qualquer informação deve ser repassada imediatamente à polícia, através dos telefones 190 ou do whatsapp (67) 3323-2508.

Entenda

Cabe esclarecer que, até o momento, não há uma versão oficial por parte da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, responsável por conduzir a investigação deste caso.

Como bem acompanha o Correio do Estado, a situação passou a ser contada a partir da ótica de um caso de cárcere de uma adolescente e sua irmã, de 17 e 13 anos respectivamente. 

Em entrevista ao Correio do Estado, a madrinha da bebê chegou a contar que a adolescente conheceu uma mulher em um grupo de doações no WhatsApp. Segundo ela, a suspeita inicialmente doou roupas para a criança e, dias depois, ofereceu um ensaio fotográfico. Como o encontro não aconteceu, a mulher teria feito uma proposta de trabalho para a jovem.

Ela cita que essa adolescente teria aceitado cuidar de um bebê de seis meses pelo valor de R$100, recebendo autorização para levar a própria filha. Ela foi até o endereço acompanhada de Ayla e da irmã, de 13 anos, que iria ajudar a mãe da bebê durante o trabalho.

Ainda conforme a madrinha, ao chegarem ao imóvel, as duas adolescentes foram surpreendidas por pessoas que as renderam.

"Eles abordaram elas, amarraram elas e trancaram uma no banheiro e a outra em um quarto com a neném. Elas ficaram lá até por volta de uma da manhã, quando foram soltas em um terreno baldio, nas proximidades da Avenida Guaicurus", afirmou.

Após serem libertadas, as adolescentes caminharam de volta para casa. Desde então, a bebê não foi mais encontrada. A família informou que tentou localizar o imóvel onde elas haviam sido levadas, mas não conseguiu encontrá-lo. O celular da mãe também não foi devolvido.

A Polícia Militar informou que realizou o primeiro atendimento da ocorrência, mas que o caso está sob responsabilidade da Polícia Civil. A corporação informou ainda que, até o momento, a ocorrência não é tratada oficialmente como sequestro, e que as circunstâncias ainda estão sendo apuradas.

"A equipe da PM fez o primeiro atendimento e, como elas não recordavam direito das informações, todas foram levadas para a delegacia. As diligências seguem com a equipe da Polícia Civil", informou.

Ainda ontem (08), um suposto envolvido chegou a ser preso e ouvido. Localizado em ação conjunta dos agentes da Depca com membros da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras), esse indivíduo seria o proprietário da casa emprestada para esconder a criança. 

 

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caso lívia

Após morte de garota em MS, Discord entra na mira de agência

Menina de 13 anos cometeu suicídio em Naviraí no dia 22 de julho e a morte foi transmitida pela internet

08/08/2026 19h00

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A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) instaurou, nesta sexta-feira (7), processo de fiscalização contra a plataforma Discord para apurar indícios de falha na proteção a crianças e adolescentes.

Conforme despacho que instaurou o procedimento, a investigação é motivada pelas notícias de um caso de automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho, na cidade de Naviraí, região sul de Mato Grosso do Sul. O episódio foi transmitido ao vivo pela plataforma.

O processo vai analisar se o Discord descumpriu deveres previsto no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em especial se a plataforma falhou em adotar medidas para prevenir e mitigar o risco de exposição de menores a conteúdos sobre automutilação e suicídio.

Outros pontos de atenção são a falta de mecanismos para verificação de idade e falha na remoção de conteúdos irregulares e comunicação às autoridades, obrigações previstas no ECA Digital.

“O Discord terá cinco dias úteis para apresentar informações sobre mecanismos existentes para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes”, informou a ANPD, em nota. A agência alertou que legislação prevê multa de até R$ 50 milhões pelas violações investigadas.

Também na sexta-feira (7), integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) se reuniram com representantes da Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma. 

Mais cedo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, disse que o órgão deverá mover uma ação pedindo a retirada da plataforma do ar.

O caso do suicídio induzido da jovem de 13 anos é investigado no âmbito da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e realizada com o apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP).

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