Cidades

DISPUTA POR TERRAS

Índio bebia água quando
foi morto em confronto
com fazendeiros

Identificação da vítima foi confirmada pela polícia, que narrou fato em ocorrência

LAURA HOLSBACK

30/08/2015 - 08h12
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A identificação do índio assassinado a tiro em confronto com fazendeiros pela disputa de terras, ontem (29), no município de Antônio João, foi confirmada pela Polícia Civil. Trata-se de Semião Fernandes Vilhalva, 24 anos, da etinia Guarani-Kaiowá. Segundo apurado por autoridades policiais, ele bebia água em córrego próximo da área quando foi atingido com um tiro na cabeça.

Consta em Boletim de Ocorrência, que Semião foi encontrado por outros indígenas, já morto, à margem do córrego onde havia ido beber água e o levaram até a sede da fazenda.

Peritos estiveram no local e encaminharam o corpo para o Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Porã, para exame necroscópico. A vítima foi baleada com arma, de calibre 22, ainda não apreendida e a polícia investiga autoria do crime.

CONFRONTO

Grupo de aproximadamente 100 fazendeiros foram à cidade na manhã de ontem, prometendo que desocupariam “na marra”, propriedades rurais que estão invadidas desde a semana passada.

Há informações de que produtores estariam armados e vestidos com coletes balísticos, assim como indígenas estavam com arco e flecha e espingardas.

Equipes da Força Nacional, do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e Polícia Rodoviária Estadual (PRE) estiveram na região de confronto para tentar apaziguar a situação.

PROBLEMA ANTIGO

Há 10 anos, em 2005, o Governo Federal homologou parte das propriedades rurais da cidade como terra indígena. A partir daí, houve série de cobranças por parte dos índios para que a área fosse demarcada, no entanto, nada foi feito.

No final da semana passada, indígenas invadiram fazendas e fizeram famílias de produtores reféns. Na quarta-feira (26), o clima ficou ainda mais tenso e produtores rurais bloquearam estradas que dão acesso à cidade em forma de protesto. As rodovias foram liberadas durante a noite.

No dia seguinte, a situação era menos tensa na região, mas a invasão continuava e policiais do DOF fizeram a segurança para evitar confrontos entre indígenas e fazendeiros.

Amanhã(31), está previsto acontecer reunião entre representantes da Polícia Federal, Exército e forças de segurança estaduais para debater a questão.

 

 

MATO GROSSO DO SUL

PF desarticula tráfico internacional de drogas

Município de Naviraí era parte da rota estratégica que traficantes utilizavam para realizar o transporte internacional das drogas

10/04/2026 10h16

Reprodução/PF-MS

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Nesta quinta-feira (09), a Polícia Federal deflagrou a Operação Horizonte Seguro, em busca de desarticular o tráfico internacional de drogas, que utilizava o Mato Grosso do Sul como rota. A ação cumpriu três mandados expedidos pela Justiça Federal de Dourados.

As investigações da Operação apontaram que o Estado era utilizado como parte estratégica da rota que os traficantes utilizavam para transportar as cargas, que chegavam de outros países, e com destino a várias regiões do país. De acordo com as informações, foram expedidos dois mandados de busca e apreensão em Naviraí.

Os agentes ainda estavam em mãos com o mandado de prisão temporária de um dos envolvidos no esquema, e realizou durante a Operação, outra prisão em flagrante.

Os presos não foram identificados e as equipes policiais seguem investigando para possíveis desdobramentos.

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EM PAUTA

Audiência gera 'cabo de guerra' sobre privatização da saúde em Campo Grande

Ideia do Executivo, através da Secretaria Municipal de Saúde, é entregar inicialmente a parte administrativa de dois Centros Regionais de Saúde (CRS) da Capital e servidores protestam

10/04/2026 09h49

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Adiada em função do velório da primeira prefeita de Campo Grande, a audiência pública sobre a privatização da Saúde da Capital acontece nesta sexta-feira (10) na Câmara Municipal, evidenciando o "cabo de guerra" entre representantes do Poder Público e servidores. 

Nas palavras da Presidente do Sindicato dos Assistentes Sociais (Sasems), Monica Ilis, a categoria é "totalmente" contra a criação da chamada Organização Social de Saúde (OSS), ponto esse que está na mira da Prefeitura de Campo Grande. 

Em resumo, o plano do Executivo Municipal é migrar o modelo de gestão dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) para essas OSSs, privatizando assim duas unidades de atendimento 24 horas da Capital do Mato Grosso do Sul. 

"A privatização é muito ruim para os servidores, para todos. Você vai privatizar para a empresa privada e eles vão massacrar, essa é a palavra, os funcionários, porque eles vão pedir produtividade e essa não é a função do assistente social", explica Monica Ilis. 

Por outro lado, o atual chefe da Pasta de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, espera que o debate ajude a explicar o projeto que, segundo o secretário, tem o intuito de "inovar e melhorar" para o usuário. 

Entretanto, de acordo com Marcelo Vilela, o termo "privatização" não é correto, uma vez que o que estaria ocorrendo por trás da proposta seria uma "terceirização". 

"Quando fala em privatizar, você vende! Aquela área a gente está terceirizando. São duas unidades de pronto atendimento, mas a intenção é trazer eficiência, economicidade e melhora para o usuário", disse o secretário municipal de saúde pública. 

Opiniões contrárias

Para Vilela, os serviços prestados na saúde e assistência estão "mal avaliados", sendo necessário o emprego de ferramentas que, segundo ele, já estão instaladas em todas as 20 maiores cidades mais populosas do País. 

"Nós vamos mostrar a realidade que acontece hoje no Brasil. É uma inovação aqui, no País não! Já há mais de 15 anos que é feito isso aí com bons resultados. Todos terceirizaram serviço de urgência principalmente", complementa o secretário de Saúde.

Do outro lado da corda, a servidora da saúde, Sara Cristina Prates, espera que a audiência sirva para conscientizar a população da importância do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Lamentando que a Saúde da Cidade Morena tenha chegado em um "patamar catastrófico", segundo ela, graças à gestão do Executivo, ela afirma que essa "terceirização" não será a "luz no fim do túnel" que parece aos olhos da população em um primeiro momento. 

"Que a gente não pode deixar a terceirização, apesar de vir esse modelo inicial, uma proposta de precarização do Sistema Único de Saúde. A gente que já acompanhou esse processo em outros Estados, outros locais, sabe que não é a tábua da salvação", diz. 

Para a servidora, o processo trará uma precarização do atendimento que, segundo Sara, também traz margem para desvios de verbas e maiores formas de afetar a população em geral no final das contas. 

Presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal, o vereador Dr. Victor Rocha também se diz particularmente contrário à terceirização, sendo que os parlamentares se reuniram com a prefeita para conhecer a proposta para implantação do novo modelo de gestão. 

"Eu, particularmente, sou contrário à terceirização, onde você tem servidor público prestando um atendimento de qualidade à população. O que a gente precisa é capacitar a gestão, melhorar as condições de trabalho para que a gente consiga atender de maneira com melhor qualidade a nossa comunidade", diz.

Para Victor Rocha os problemas da Saúde de Campo Grande são "estruturais" e "antigos", pontos esses que, para o vereador, a iniciativa privada não ajudaria muito. 

"Então a gente precisa discutir a ampliação de leitos, os mutirões de consultas, exames e cirurgias. E também estruturar melhor, no sentido de não deixar faltar material médico hospitalar, medicamentos e dando condições para que o servidor público consiga fazer um atendimento de qualidade à nossa população.

Trocar o modelo de gestão da noite para o dia Se não tiver o aval do Conselho Municipal de Saúde, dos servidores, uma construção a muitas mãos, o meu posicionamento é contrário e lógico, mas aqui nós estamos na casa do debate.", completa. 

Entenda

Esse plano foi apresentado para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal pela Prefeitura da Capital, para terceirizar: 

  • Centros Regionais de Saúde (CRS) do Aero Rancho e 
  • Centros Regionais de Saúde (CRS) do Tiradentes

Para a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada daria celeridade aos processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

 

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