Programa tem investimento de R$178 milhões e terá extensão de mais de dois mil quilômetros de rede, com 500 transformadores trifásicos
Nesta quinta-feira (19) o Governo do Estado realizou a assinatura do programa batizado de "MS Trifásico", uma política pública em iniciativa conjunto entre o Executivo Estadual e a Energisa Mato Grosso do Sul, levando energia trifásica para todos os assentamentos locais até 2028.
Após o diagnóstico de que a rede monofásica é predominante em boa parte do Estado, que ainda encontra lugares com infraestrutura elétrica insuficiente, o Governo de Mato Grosso do Sul mira agora uma expansão aliada à inovação produtiva.
Conforme exposto em agenda realizada na manhã de hoje (19), no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo, o programa propõe ampliação da infraestrutura elétrica, já que as limitações restringem a capacidade produtivo instalada; inviabiliza novos empreendimentos rurais; reduz a atratividade para investimentos e gera localmente uma estagnação econômica.
Esse documento foi assinado por:
- Eduardo Riedel, governador de Mato Grosso do Sul;
- Jaime Verruck, secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc);
- Paulo Roberto dos Santos, diretor-presidente da Energisa MS
- Antônio Matos, diretor técnico comercial da Energisa MS
Dados repassados pelo titular da Semadesc - em balanço levantado pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) - apontam que Mato Grosso do Sul conta atualmente com 71.232 agricultores familiares em território sul-mato-grossense.
"Estamos falando de uma população significativa e de uma atividade econômica extremamente relevante no Estado", disse Verruck, esclarecendo que o eixo sul concentra a maior densidade da produção familiar.
Em números, quase metade desses 71,2 mil agricultores familiares (49%) são representados pela população assentada, com a agricultura tradicional respondendo por 28%, com cerca de 20 mil famílias, seguido de mais 13 mil famílias de povos indígenas.
"Isso aqui é uma demanda da agricultura de familiar sul-mato-grossense, mais de 71 mil famílias que precisam de energia de qualidade, permanente, para que possam efetivamente olhar para a sua atividade econômica, sua produção, e ter capacidade de encontrar um futuro de em até dois anos aumentar a produção, qualidade e, fundamentalmente, melhorar, obviamente, a renda, que acho que é o objetivo de todos", complementou o chefe da Semadesc.
MS Trifásico
Ao todo, o investimento beira a casa de R$178 milhões, que será compartilhado entre as partes, com o Governo do Estado e Energisa dando 50% cada.
Conforme o diretor-presidente da Energisa, Paulo Roberto dos Santos, a abrangência do projeto consiste na extensão de mais de dois mil quilômetros de rede, com 500 transformadores trifásicos.
Ou seja, o intuito é transformar desde a subestação até o medidor de uma rede de fase e, em tempo, Paulo Roberto dos Santos lembra que o agricultor e produtores rurais não terão custo em cima desse projeto.
"Diferentemente de outros projetos, onde só houve um refazimento e não a instalação do composto de transformação. É um projeto completo. Originalmente a gente sabe que esses assentamentos e essas famílias foram atendidas por um projeto de universalização, sabidamente o 'Luz Para Todos'", diz.
Diante disso, o diretor-presidente da Energisa explica que o "Luz para Todos" ofereceu uma universalização em MS, porém em um projeto monofásico, o que Paulo Roberto dos Santos considerou importante para a época.
"Porque atendia as necessidades básicas dos indivíduos, como a capacidade para alimentar uma geladeira, às vezes um freezer, lâmpadas. E o projeto trifásico permite que a gente incorpore novos processos, adquira novos motores, novos dispositivos para melhorar a produtividade, a competitividade e o desenvolvimento socioeconômico de todas as famílias ", diz.
A ideia é que todos os assentamentos sejam atendidos até 2028, contemplando 15 cidades, com a primeira fase a ser executada já neste ano de 2026 levando inicialmente uma cobertura trifásica para as localidades que ficam nos seguintes municípios:
- Bonito,
- Dois Irmãos do Buriti,
- Dourados,
- Maracaju,
- Nioaque,
- Nova Alvorada do Sul e
- Rio brilhante)
"Nós vamos transformar toda essa rede monofásica em trifásico. Significa a possibilidade, a liberdade desse agricultor familiar aumentar a produção pelo uso de equipamentos, utilizar de transformação dessa produção na indústria, na sua propriedade, na indústria familiar", comenta Riedel.
Segundo o Governador, Mato Grosso do Sul viu um aumento de 30% de sua demanda de energia elétrica nos últimos três anos, enquanto que no consumo a procura é ainda maior, fruto de crescimento que precisa ser acompanhado também pela agricultura familiar.
"... que está produzindo alimentos, tem vontade também de crescer, avançar, e estava limitado por uma rede monofásica para a sua energia", conclui.
Vale explicar a diferença da mono para a rede trifásica está tanto na quantidade de fases (por onde a energia corre) e também na capacidade de carga.
Em outras palavras, enquanto o monofásico é composto por uma fase mais um neutro, sendo 1 disjuntor principal com 2 fios é indicado especialmente para residências comuns, o trifásico (com 3 fases + um neutro) tem 3 disjuntores principais e 4 fios, suportando assim as potências exigidas, por exemplo, por indústrias e comércios.
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