O desembargador do Tribunal Regional da 3ª Região concedeu interdito proibitório aos proprietários da Fazenda Santa Rita, propriedade localizada no município de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul, próxima à Fazenda Cachoeira, palco de conflitos recentes entre indígenas e proprietários.
Na decisão, o desembargador protege a posse da propriedade, diante da possibilidade de ocupação da área por indígenas da etnia guarani-kaiowá, que reivindicam uma área de 41 mil hectares, delimitada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2013.
As invasões recentes, que resultaram em duas mortes nos últimos dias, integram um recrudescimento das pressões dos povos indígenas para a implantação de terras indígenas.
Os proprietários das fazendas sobrepostas à Terra Indígena Iguatemipeguá I brigam na Justiça para manter a posse de suas terras, cujos títulos são legitimados pelo Estado brasileiro. A área reivindicada pelos indígenas tem 41,7 mil hectares de extensão, o que corresponde a 14% de toda a área do município de Iguatemi, que tem 296 mil hectares de extensão.
A Fazenda Santa Rita, que conseguiu o interdito proibitório da Justiça Federal — decisão que dá ao proprietário o direito de defender a posse de turbações e esbulhos, como no caso de invasões por indígenas — tem 2,1 mil hectares.
As tensões entre indígenas e proprietários de terra têm ocorrido na Fazenda Cachoeira, propriedade de 2,3 mil hectares.
“Assim, os fatos novos apresentados pelos agravantes — consistentes em áudios, vídeos, boletim de ocorrência e notícias recentes que evidenciam deslocamento de indígenas da aldeia Pyelito Kue em direção à Fazenda Santa Rita, bem como tentativas de invasão frustradas e invasões consumadas em propriedades vizinhas — revelam ameaça concreta e iminente à posse exercida pelos autores”, afirmou o desembargador ao conceder o interdito proibitório.
“Dessarte, reconhece-se que os acontecimentos posteriores à sentença — devidamente comprovados e relacionados diretamente à ameaça de invasão da Fazenda Santa Rita — configuram fatos novos aptos a justificar a concessão da medida extrema pleiteada, impondo-se a expedição de mandado proibitório para assegurar a manutenção da posse e prevenir danos graves e irreversíveis”, acrescentou o magistrado.
O conflito
Vicente Fernandes Vilhalva, 36 anos, e o funcionário da Fazenda Cachoeira, Lucas Fernando da Silva, 23, morreram no conflito, que ocorreu no domingo (16).
A Polícia Federal está investigando os assassinatos. A Polícia Federal (PF) identificou dois suspeitos de participar de um ataque armado a um grupo de indígenas. Segundo a superintendência estadual, um dos suspeitos foi reconhecido por um dos quatro indígenas feridos com armas de fogo ou balas de borracha. Ele foi preso em flagrante.
O homem detido é de nacionalidade paraguaia e se declara indígena. Casado com uma indígena brasileira, ele chegou a morar na ocupação chamada Pyelito Kue, alvo do ataque registrado na madrugada deste domingo (16).
A PF não divulgou as identidades dos dois suspeitos, nem informou se o segundo deles chegou a ser detido, mas revelou que chegou até eles após equipes da PF e do Instituto de Criminalística deslocadas para atender à ocorrência apreenderem duas espingardas calibre 12 “utilizadas por seguranças privadas de uma fazenda” e coletarem cápsulas e material biológico encontrado no local do ataque. As armas ainda serão periciadas.
Na versão do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos 20 homens fortemente armados atacaram os guarani-kaiowá que participam da retomada de Pyelito Kue, na Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I, em Iguatemi.
O indígena Vicente Fernandes Vilhalva, 36 anos, foi alvejado na cabeça. Ele não resistiu à gravidade do ferimento e morreu no local. Segundo testemunhas, os atiradores ainda tentaram levar seu corpo, sendo impedidos por outros indígenas. Outros quatro guarani-kaiowá foram feridos, entre eles dois adolescentes e uma mulher.
A segunda morte é de um vigilante, funcionário de uma empresa de segurança privada que atua na região, que tem relação com o ataque a Pyelito Kue.
Se quiser, posso sugerir título alternativo, linha-fina ou versão mais enxuta.
Área de 41 mil hectartes reivindicada por indígenas no município de Iguatemi, delimitada em 2013, e paralisada no governo federal desde então


