Cidades

FIM DO CONFLITO

Justiça homologa acordo entre União e comunidade da terra indígena Jarará

Em audiência no STJ, o Governo Federal concordou em pagar R$ 6 milhões aos integrantes da família Subtil

Continue lendo...

Nesta quarta-feira (21), em audiência no Supremo Tribunal de Justiça (STJ), conduzida pelo ministro Paulo Sérgio, a União e os integrantes da terra indígena (T.I) Jarará, localizada no município de Juti, homologaram o acordo, que pôs um ponto final na questão do domínio de T.I e a reparação de danos sobre a área, demarcada desde 1992.

O encontro contou com a participação de Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, além de representantes da Advocacia-Geral da União, Ministério Público Federal e, de forma remota, os produtores rurais e seus advogados.

A área demarcada possui 479 hectares e perímetro de 10.429,12 metros.  A União pagará o valor de R$ 6 milhões aos integrantes da família Subtil, a título de indenização, pelas benfeitorias e terra-nua, como forma de encerrar o conflito entre ambas as partes.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) tem a responsabilidade por promover, perante o Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Caarapó, todos os atos necessários para a efetiva transferência de domínio da área.

Para o cumprimento desta obrigação, a FUNAI deve requerer o registro da área em nome da União e, obrigatoriamente, a abertura de uma nova matrícula para o imóvel, que ficará desvinculado de seu registro original. 

A União tem até 31 de janeiro para requerer e adotar todas as providências processuais e administrativas necessárias, para que a expedição do precatório ocorra em tempo hábil para o seu protocolo junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região. Este procedimento assegura a inclusão da requisição na proposta orçamentária e seu efetivo pagamento no exercício de 2027.

Entenda o caso

Um acordo foi firmado no dia 16 de janeiro e encerrou uma guerra judicial envolvendo a Terra Indígena Jarará, no município de Juti, na região sul de Mato Grosso do Sul.

O Governo Federal concordou em repassar R$ 6 milhões, o equivalente a R$ 12,5 mil por hectare, por uma parcela da fazenda São Miguel Arcanjo, pertencente à família Subtil. Em troca, os fazendeiros abrem mão da disputa judicial pela posse de 479 hectares. 

A área, próximo da área urbana de Juti, foi declarada terra indígena em 1992 e no ano seguinte foi demarcada, mas até hoje havia disputa judicial pela posse. Atualmente, cerca de 50 famílias vivem na aldeia, que há mais de duas décadas tem escola, posto de saúde, casas construídas com recursos públicos e energia elétrica, entre outras benfeitorias.

Conforme o advogado Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, a comunidade recebeu, em dezembro de 2025, uma comitiva do ministério e da Funai para apresentar proposta para encerrar o litígio que se arrastava havia mais de três décadas.

Naquele primeiro encontro, porém, a comunidade solicitou maior prazo para deliberação interna quanto aos termos do acordo que estava sendo construído judicialmente junto ao STJ, já que reivindicavam parcela maior da fazenda.

Depois disso, nesta sexta-feira (16) uma nova comitiva, composta por membros do Ministério dos Povos Indígenas, da AGU e da FUNAI realizou nova rodada de diálogo com as famílias da aldeia Jarará e a comunidade aceitou os termos do acordo judicial.

Para Eloy, "isso representa, na prática, a garantia do direito territorial da comunidade que por tantos anos sofreu pela insegurança jurídica no território. A garantia do território é o ponto de partida para a construção e desenvolvimento de outros direitos. É uma medida efetiva para o povo e que sana uma demanda histórica por direitos", destaca o advogado sul-mato-grossense que ocupa o segundo posto mais importante do Ministério dos Povos Indígenas. 

Assine o Correio do Estado

Ponta Porã

Fronteira: PF deflagra operação contra uso irregular de substâncias químicas

Investigação foi iniciada com a apreensão de caminhõestanque

21/01/2026 18h20

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (21), uma operação contra empresas suspeitas de utilizar estruturas de fachada para o manuseio irregular de substâncias química, ação realizada em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.

A investigação foi iniciada com a apreensão de caminhõestanque, que transportavam líquido transparente identificado como NAFTA, comumente empregada na adulteração de combustíveis. 

A ação contou com o apoio de fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e cumpriu mandados de busca e apreensão e a suspensão de atividades ilegais.

Operação visa prevenir práticas ilícitas, proteger o consumidor e fortalecer a coleta de provas para o aprofundamento das investigações. As apurações seguem em andamento, sob sigilo.

A substância apreendida estava em desacordo com as notas fiscais. Há indícios de que o líquido era carregado e armazenado clandestinamente em imóveis ligados às empresas investigadas.

Assine o Correio do Estado

EDIFICAÇÃO IRREGULAR

Conselho de Secretarias de Saúde não descarta demolir prédio em área de preservação

Cosems esclarece que o imóvel foi inaugurado na gestão anterior, e constatou só depois que a construção não possuia as devidas licenças

21/01/2026 18h15

Prédio do Cossems, anexo à Assomasul, na Avenida Eduardo Elias Zahran, está em área de preservação permanente

Prédio do Cossems, anexo à Assomasul, na Avenida Eduardo Elias Zahran, está em área de preservação permanente Gerson Oliveira

Continue Lendo...

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems-MS) se manifestou, por meio de nota, sobre a construção irregular da sua sede, anexada à Asociação de Municípios do Estado (Assomasul), em área de preservação permanente do Córrego Vendas. Entre as possibilidades analisadas, a entidade não descarta a demolição parcial do edifício, caso seja determinado pela Justiça.

Além disso, a Cosems esclarece que o imóvel foi inaugurado em 2021, em gestão anterior, e só depois, constatou que parte da construção estava em área de preservação, sem alvará ou qualquer licença ambiental. Ainda, afirma que desde o início do atual mandato, acompanha o caso, mantendo diálogo com os órgãos de controle e avaliando as medidas jurídicas e administrativas cabíveis.

Confira a nota da Cosems-MS

Em relação à matéria publicada nesta quarta-feira (21) pelo jornal Correio do Estado sobre a edificação anexa à sede da Assomasul, o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems-MS) esclarece que o imóvel foi inaugurado em 2021, em gestão anterior, e posteriormente constatou-se que parte da construção avançou sobre área de preservação permanente, sem as devidas licenças.

Desde o início do atual mandato, a gestão do Cosems-MS acompanha o caso com transparência e responsabilidade, mantendo diálogo com os órgãos de controle e avaliando as medidas jurídicas e administrativas cabíveis. Entre as possibilidades analisadas está a demolição parcial da área apontada como irregular, caso assim seja determinado.

A atual gestão reafirma seu compromisso com a legalidade, com a proteção ambiental e com o cumprimento integral das decisões da Justiça.

Construção irregular

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) foi à Justiça para obrigar a Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul) a demolir o prédio. A atuação da Promotoria Especializada do Meio Ambiente de Campo Grande ocorre por meio de duas ações civis públicas.

A mais recente, ajuizada nesta semana, é direcionada à Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) e à Prefeitura de Campo Grande. Nela, o órgão ministerial pede a anulação da licença ambiental simplificada (provisória), com validade até 2030, que reconhece a invasão da área de preservação permanente pela associação de prefeitos, mas, ainda assim, mantém as edificações dentro da área delimitada pela legislação ambiental.

Em outra ação civil pública, ajuizada no segundo semestre de 2025, o MPMS cobra da associação dos prefeitos a demolição de parte do edifício do Cosems. Na época da construção da sede, o presidente da Assomasul era o ex-prefeito de Nioaque, Valdir Couto Souza Jr. (PSDB). 

Relatórios técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), datados de 2021, e do Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex) confirmaram a descaracterização da área protegida, com aterro, construção de muro e despejo de resíduos da construção civil, além da ausência de vegetação nativa.

Mesmo diante das autuações e da constatação oficial das irregularidades, a Assomasul manteve a obra e buscou legitimar sua permanência por meio de projetos de recuperação de àreas degradadas e alteradas (Prada).

Esses projetos, no entanto, indica a promotora de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, foram considerados incompletos e insuficientes pelos órgãos técnicos, por não apresentarem medidas efetivas de recomposição da área degradada.

Em 2021, a Assomasul chegou a ser multada pela Semadur, após a constatação das irregularidades na construção.

No ano passado, a Planurb concedeu uma licença ambiental simplificada que autorizava a permanência da construção mediante uma compensação de apenas 60 metros quadrados adicionais de APP dentro do mesmo lote.

Para o MPMS, essa solução configura uma “ficção jurídica” sem respaldo legal. De acordo com a promotora, a legislação ambiental brasileira não admite a manutenção de edificações em APP mediante compensações, salvo em casos de utilidade pública ou interesse social – hipóteses que não se aplicam ao prédio da Assomasul.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).