Cidades

Segurança no Trabalho

Justiça mantém condenação da JBS por vazamento de amônia em empresa de MS

Após vazamento de amônia, Seara tem condenação confirmada por falhas em segurança do trabalho

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A 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a condenação da empresa Seara Alimentos Ltda., do grupo JBS, após vazamento de amônia causado por uma fissura na unidade da empresa em Sidrolândia.

O acidente, ocorrido no dia 26 de agosto de 2022, segundo consta no laudo pericial, culminou com quatro trabalhadores precisando de atendimento ambulatorial, enquanto outros dois foram encaminhados ao hospital, onde ficaram em observação e posteriormente passaram por exames complementares.

A Seara Alimentos Ltda. entrou com recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em uma tentativa de afastar as condenações pelo descumprimento de diversas normas de saúde e segurança.

Em decisão unânime, os ministros da 4ª Turma do TST acompanharam o voto do relator do processo, Alexandre Luiz Ramos, que também determinou a aplicação de multa fixada em 1% sobre o valor atualizado da causa.

Segundo o MPT-MS, na época do vazamento, a indústria tinha 1,9 mil trabalhadores atuando no abate e processamento de aves.

Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram na ocorrência, mas, ao chegarem à empresa, o vazamento já havia sido contido por funcionários.

Funcionários que estavam no local relataram que, para impedir o vazamento, os técnicos fecharam a válvula de controle da pressão e condução do gás. No entanto, como ainda havia resíduo de amônia na tubulação, o cheiro se espalhou.

O acidente começou por volta das 19h20, durante o intervalo de refeição do 2º turno, quando surgiu uma fissura na tubulação localizada no corredor de acesso a vários setores da empresa.

Ao retornarem às atividades, alguns trabalhadores sentiram um forte odor e foram orientados pela administração a evacuar o prédio.

Risco

Especialistas afirmam que, dependendo do tempo e do nível de exposição à amônia, a substância pode causar dificuldades respiratórias, queimaduras na mucosa nasal, faringe e laringe, dor no peito e até edema pulmonar.

Violação de normas trabalhistas

Antes de mover a ação civil pública, o MPT-MS propôs que a Seara adequasse as condutas irregulares apontadas durante diligências, por meio da adesão a um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

A empresa, por sua vez, informou que a assinatura do acordo seria desnecessária, alegando “ausência de conduta a ser ajustada”.

Na ação, o MPT-MS solicitou que a empresa cumprisse diversas obrigações previstas em normas regulamentadoras, sob pena de multa em caso de descumprimento.

Entre as exigências estão:

  • emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) até o dia útil seguinte à ocorrência ou imediatamente, em caso de morte;
  • elaboração de programa e plano de inspeção contemplando, no mínimo, itens previstos na NR-13;
  • instalação de dispositivos de segurança conforme critérios de projeto e recomendações de estudos de análise de falhas.

A petição também incluiu a necessidade de realização de inspeções periódicas nas tubulações de amônia por profissional habilitado.

Além disso, determinou a obrigatoriedade de manutenção de registro de segurança, por meio de livro com páginas numeradas ou sistema informatizado, para documentar ocorrências como vazamentos de grande proporção que possam afetar o meio ambiente ou resultar em internação hospitalar de trabalhadores.

A ação também requereu inspeções extraordinárias sempre que a tubulação apresentar danos por acidente, for submetida a reparo provisório ou sofrer alterações significativas, bem como antes da retomada do funcionamento após paralisação superior a 24 meses.

Falhas de segurança

Em setembro de 2023, o juiz do Trabalho Renato de Moraes Anderson acolheu parcialmente os pedidos formulados na ação civil pública.

Na sentença, o magistrado apontou demora na emissão das Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) dos empregados atingidos pelo vazamento, que foram emitidas apenas no dia 12 de setembro de 2022, em desacordo com a Norma Regulamentadora nº 7, que determina o registro até o dia útil seguinte à ocorrência ou imediatamente, em caso de morte.

O juiz também entendeu que houve falhas nos dispositivos de segurança para evitar vazamentos e danos à saúde dos trabalhadores.

A empresa foi apontada ainda por não manter registro adequado de ocorrências envolvendo tubulações nem executar reparos emergenciais após inspeções periódicas, o que teria contribuído para o acidente.

Decisão

Diante do exposto, a Justiça condenou a empresa a cumprir uma série de medidas previstas nas normas de segurança do trabalho, sob pena de multa de R$ 300 por dia e por trabalhador potencialmente prejudicado, em caso de descumprimento das obrigações.

A sentença também fixou custas processuais de R$ 2 mil, calculadas sobre o valor atribuído à causa, de R$ 100 mil.

Recursos

O Tribunal Regional do Trabalho analisou o caso, manteve a sentença de primeira instância e rejeitou os embargos de declaração apresentados pela empresa.

A Seara ingressou com novo recurso. O Tribunal decidiu manter as obrigações impostas, mas reduziu o valor da multa diária e estabeleceu prazo para cumprimento das exigências. A multa só poderá ser aplicada após o término desse prazo.

O caso chegou ao Tribunal Superior do Trabalho, que negou o recurso interposto pela Seara Alimentos Ltda. Com isso, o processo retorna à primeira instância.
 

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PRISÃO

Dois são presos por morte de servidor e advogado em Caarapó

Servidor municipal e advogado foram mortos a tiros após confusão no centro da cidade; motivação ainda está sendo apurada

02/03/2026 10h45

Terceiro suspeito de duplo homicídio ainda não foi localizado

Terceiro suspeito de duplo homicídio ainda não foi localizado Reprodução/ Caarapó News

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A Polícia Civil prendeu dois dos três suspeitos de envolvimento no duplo homicídio registrado na madrugada deste domingo (1º), em Caarapó. O terceiro apontado como participante do crime segue foragido.

As vítimas são o servidor público municipal Hugo Centurião Enciso, de 49 anos, e o advogado Cássio de Souza Amaral, de 40 anos. Eles foram mortos a tiros em frente a uma residência no Bairro Capitão Vigário.

De acordo com o delegado da Delegacia de Caarapó, Ciro Jales, a equipe foi acionada ainda durante a madrugada para atender a ocorrência e iniciaram diligências com coleta de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas.

Segundo ele, ainda ao longo do dia, a polícia conseguiu esclarecer quase toda a dinâmica do crime. “Três autores foram identificados e qualificados. Inicialmente estavam foragidos da cidade, mas hoje pela manhã, na cidade de Juti, dois autores foram presos e a arma de fogo utilizada no crime, um revólver, também foi apreendida”, detalhou.

Participaram das diligências equipes do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Caarapó, Fátima do Sul e Dourados, além da inteligência do DOF e da Polícia Militar. O veículo utilizado pelos suspeitos foi localizado e abordado em Juti, onde dois envolvidos foram presos em flagrante. Já o terceiro suspeito ainda não foi localizado.

Confusão anterior

De acordo com o portal Caarapó News, pouco antes do crime, por volta das 2h36, os dois se envolveram em uma briga em frente a uma conveniência na região central da cidade. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram troca de agressões, com socos e chutes entre várias pessoas. Hugo estaria no local, mas não aparece de forma nítida nas imagens.

Após a confusão, Cássio e Hugo deixaram o centro e seguiram até a residência de um homem já identificado pela polícia como suspeito de envolvimento no caso. Eles chegaram ao endereço em uma picape, estacionaram nas proximidades e caminharam até o imóvel.

Segundo o registro policial, ao se aproximarem da casa, foram surpreendidos por disparos feitos pelas costas. Hugo morreu no meio da rua. Cássio ainda caiu na varanda do imóvel, mas não resistiu aos ferimentos.

A polícia ainda apura se a briga anterior foi o fator determinante para a execução ou se há outras circunstâncias envolvidas. “A motivação ainda está sendo desenhada. As oitivas e interrogatórios ao longo do dia trouxeram novas informações que serão melhor esclarecidas no decorrer da investigação”, afirmou.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Polícia Civil de Caarapó.

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encrenqueiro profissional

Pivô da 'demissão' de juíza de MS, advogado caçado pela Interpol tem vida de luxo

Justiça Italiana deve decidir nesta quinta-feira (5) se extradita ou não Eduardo Bottura, apontado como gospista em série

02/03/2026 10h40

Eduardo Bottura, que chegou a ser pré-candidato a governador em MS em 2014 pelo PTB, fugiu para a Itália após condenação judicial

Eduardo Bottura, que chegou a ser pré-candidato a governador em MS em 2014 pelo PTB, fugiu para a Itália após condenação judicial

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Pré-candidato a governador em Mato Grosso do Sul em 2014 pelo PTB e pivô da 'demissão' de uma juíza que atuava em Anaurilândia , o advogado Luiz Eduardo Bottura, foragido no Brasil por suspeita de aplicar golpes em série, vive uma vida de luxo na Itália, mesmo procurado pela Interpol. 

Nesta quinta-feira (5), conforme reportagem de 18 minutos exibida na noite deste domingo (1) no Fantástico, um pedido de deportação será julgado pela Justiça da Itália. Caso seja extraditado, terá de cumprir pena num presídio brasileiro.

A reportagem mostrou que Bottura, que também se apresenta como Engenheiro, apesar de ter sido preso na Itália em abril do ano passado, está solto e vivendo em um condomínio de alto padrão na cidade de Selvazzano Dentro, na região de Veneza.

Entre idas e vindas de academias e restaurantes de luxo, a reportagem mostrou que ele anda em dois carros de luxo. O advogado ostenta uma Mercedes avaliada em R$ 250 mil e um Maserati, cujo valor é estimado em R$ 1 milhão. Foi por conta da compra deste carrão que chegou a ser preso em 5 de abril do ano passado, mas recebeu autorização para responder em liberdade. 

Questionado sobre os processos que enfrenta no Brasil, Bottura disse que as denúncias foram baseadas em depoimentos falsos. "É uma mentira o que eles falam", afirmou ao repórter do Fantástico. Ele voltou a negar que tenha enganado vítimas.

Uma delas, que alega ter transferido cerca de R$ 7 milhões para Bottura, sobrevive vendendo mel em uma feira. Ela garante que foi vítima de golpe aplicado pelo advogado. 

Em sua residência na Itália, o homem está acompanhado de Natália Pascucci. Segundo o Fantástico, consta como advogada dele e da mãe dele em um dos processos que ele enfrenta. 

Essa advogada, de acordo com a reportagem do Fantástico, estaria impedida de manter contato com Bottura após uma decisão de janeiro. Ao Fantástico, porém, a mulher afirmou que não tem ciência sobre procedimentos em desfavor dela, tendo prestado esclarecimentos após uma representação disciplinar há três meses.

ENCRENQUEIRO PROFISSIONAL

Bottura ficou conhecido como "litigante profissional" por mover mais de 3 mil ações judiciais no Brasil. Em pelo menos 300 delas, foi condenado por litigância de má-fé.

A estratégia, segundo decisões da Justiça de São Paulo, incluía indicar endereços falsos para provocar revelias e ajuizar ações contra magistrados com o objetivo de forçá-los a se declarar impedidos.

Em agosto de 2023, a 1ª Vara de Organização Criminosa de São Paulo recebeu denúncia formal contra Bottura por liderar um grupo composto por sete pessoas, incluindo familiares e advogados. A acusação inclui associação criminosa, corrupção ativa, falsificação de documentos públicos e coação no curso do processo. O grupo  teria causado prejuízo milionário com fraudes judiciais e contratos simulados 
 

SOGROS E EX-ESPÓSA

Entre 2007 e 2009, ele ajuizou mais de 200 ações contra a ex-esposa e o sogro — e chegou a obter uma pensão de R$ 100 mil usando documentos falsificados. As decisões judiciais foram concedidas pela Justiça em Anaurilândia, cidade na divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo. 

Por conta destas decisões, a juíza Margarida Elisabeth Weiler foi punida com a aposentadoria compulsória por ter participado de um esquema de fraudes com Bottura. Ele chegou a ser responsável por 25% das 600 ações que tramitavam em Anaurilândia. 

Segundo o Ministério Público de São Paulo, sua esposa, Raquel Fernanda de Oliveira, e os pais, Luiz Célio Bottura e Maria Alice Auricchio Bottura, também integram a organização criminosa. Raquel foi presa em Campo Grande pela Polícia Federal em dezembro de 2024, por envolvimento direto nas fraudes. Atualmente está em liberdade, mas usando tornozeleira.

 Segundo denúncias do Ministério Público de São Paulo, ele praticava usurpação de função pública e falsificação de documentos para aplicar golpes com aparência de legalidade. Ele, inclusive, assinava petições como advogado, sem estar inscrito na OAB. 

Segundo reportagem do site Consultor Jurídico, em novembro de 2024 a juíza Juliana Trajano de Freitas Barão, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, decretou a prisão preventiva de Bottura e da mulher dele, Raquel Fernanda de Oliveira, que no mês seguinte foi presa. 

 Os dois são réus em uma ação penal que trata da prática dos crimes de associação criminosa; inserção de dados falsos em sistema de informações; falsificação de documento público; usurpação de função pública; prevaricação; e violação de sigilo funcional.

Além de dar endereços falsos, outra técnica do arsenal do litigante é processar magistrados para forçar que eles se declarem impedidos de julgá-lo. Para inibir quem o contraria, já processou um presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis). 

Além disso, processou vários advogados das partes que o processaram e chegou a processar o então secretário de Segurança de Mato Grosso do Sul, quando ele foi preso e seu nome e foto apareceram no site do governo.

Em 2014, quando foi pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PTB, um vídeo institucional divulgado pelo partido defendia que “os ratos fossem retirados do poder”.

Porém, apesar de se filiaro ao PTB, ele acabou excluído da disputa, que teve como principais candidatos o senador Nelsinho Trad (MDB), Delcídio do Amaral (PT) e Reinaldo Azambuja (PSDB). O petista e o tucano foram para o segundo turno e Azambuja acabou vencendo. 

Em 2022, Bottura foi alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo, ocasião em que foram apreendidos veículos, celulares e documentos. Também havia sido expedido um mandado de prisão, mas ele não foi encontrado, pois já havia fugido para a Itália. 
 

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