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BIOMA

Lagoas quase secas são refúgio de animais que fogem das queimadas no Pantanal

Voluntários que estão na região contam como tem sido os dias de trabalho para resgatar os animais que ainda estão vivos
28/09/2020 09:30 - Da Redação


Silvio Andrade

 

O resgate de animais da seca e do fogo no Pantanal revela o impacto das mudanças climáticas e altas temperaturas na fauna do bioma. 

Cervos, capivaras, macacos, antas, tatus e espécies de anfíbios e repteis fogem das queimadas e se refugiam em lagoas com pouca água, porém poucos sobrevivem. 

Técnicos que estão na área iniciaram levantamento da movimentação desses animais e contam os que não suportaram as condições extremas atuais que a região vive.

No domingo (27), funcionários do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), ONG que gerencia várias unidades de conservação na região da Serra do Amolar – onde se concentra a maioria dos focos de calor em Mato Grosso do Sul -, realizaram o resgate de uma sucuri de dois metros na Baía do Morro do Campo, a 3 quilômetros da sede da reserva Eliezer Batista. 

A baia, ao fundo de uma área devastada pelo fogo, secou. Três sucuris morreram fugindo das chamas e dois jacarés ainda sobrevivem.

Bombeiros e brigadistas contam que dezenas de animais cruzam as linhas de fogo, que se espalham pela região. 

Voluntários da ONG Gaiola Aberta, de São Paulo, resgataram peixes que agonizavam em uma lagoa próxima à comunidade ribeirinha da Barra do São Lourenço, Norte de Corumbá. 

Também encontraram sucuris, lagartos e jacarés cercados pelo fogo. Na região de morraria, foi encontrada uma anta com queimaduras pelo corpo.

 

 
 

PRONTO-SOCORRO

O resgate de uma capivara fêmea adulta frustrou o pessoal do IHP. Com queimaduras de terceiro grau, nas patas e no focinho, o animal, debilitado após dois dias sem conseguir andar, chegou a ser socorrida, mas não resistiu.  

O veterinário Diego Viana, da ONG, disse que encontrou um tatu-canastra, espécie em extinção, morto na Baía do Morro do Campo, onde tentou resgatar uma capivara também ferida. O animal, estressado, refugiou-se na mata. 

“O impacto na fauna é muito grande, o fogo atinge a área de habitat desses animais e muitos não conseguem fugir a tempo”, explica Viana.  

“Mesmo a capivara, um animal rápido, está sendo cercada pelo fogo, que se alastra rapidamente”, completa. 

O técnico cobra a criação de um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) em Corumbá para evitar grandes deslocamentos dos bichos para Campo Grande ou Cuiabá.

O IHP, que gerencia as Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs) Eliezer Batista, Acurizal e Serra Negra, lançou uma campanha para captar recursos na iniciativa privada para o projeto de um Centro Emergencial de Atendimento à Fauna (CEAF) na região da Serra do Amolar. 

A unidade seria um pronto-socorro para atender a fauna em situações extremas.

 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!