Na tarde desta sexta-feira (16), a Polícia Militar Ambiental (PMA) de Campo Grande foi acionada por uma moradora do bairro Vila São Jorge da Lagoa, que havia encontrado um animal silvestre da espécie Alouatta seniculus (bugio) ferido em uma árvore.
Segundo a equipe de resgate da PMA, o primata estava com uma fratura profunda na pata dianteira esquerda, provocada por linha de cerol, presente nas árvores do bairro.
À polícia, moradores informaram que é muito comum o uso de linhas de cerol nas pipas da região, e que os moradores chegam até a fazer campeonatos de pipa - utilizando as linhas de cerol.
O bugio, uma fêmea, estava com dificuldades de locomoção e os ferimentos estavam infeccionados, indicando que o acidente teria acontecido nos dias anteriores. O animal foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) e os médicos veterinários não descartam a possibilidade de amputação da perna.
Cerol
O cerol é uma mistura de cola de madeira com vidro moído, que é passado nas linhas com a intenção de cortar a linha de outros empinadores de pipa. A mistura faz com que a linha se torne extremamente cortante, podendo trazer riscos de cortes profundos, multilações e podem provocar acidentes fatais.
Crime
A venda e o uso da linha com cerol são considerados crimes. Em Mato Grosso do Sul, o crime está previsto na Lei nº 3.436, de 19 de novembro de 2007, que proíbe no âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul, a utilização de cerol ou qualquer tipo de material cortante nas linhas de pipas, com previsão de multa e medidas socioeducativas para quem usar os artefatos cortantes. Caso o uso seja feito por menores de idade, pais ou responsáveis respondem como coautores do ato ilícito.

