Cidades

RODOVIA DA MORTE

Mato Grosso do Sul registrou 38 mortes na BR-163 em 2026

A tarifa na rodovia federal aumentou cerca de 40% e obras de duplicação devem ser concluídas apenas em 2033

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Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), entre os dias 1° de janeiro e 20 de agosto, a BR-163 em Mato Grosso do Sul registrou 38 óbitos, sendo oito a mais do que no mesmo período do ano passado. 

Além disso, foram registrados 497 sinistros, sendo 130 considerados graves. Neste intervalo em 2025, foram 492 casos de acidentes na rodovia e os mesmos 130 de maneira mais grave.

Outro aumento revelado pelo levantamento da PRF é o número de feridos. Este ano, 534 pessoas ficaram feridas após as colisões. Em 2025, 508 tiveram ferimentos. 

Na última semana, uma reportagem do Correio do Estado revelou que as rodovias federais de Mato Grosso do Sul tiveram aumento no número de acidentes e de mortes neste ano, segundo dados da PRF. De 1º de janeiro até o dia 15 de agosto, 92 pessoas morreram em razão de acidentes em rodovias federais no Estado. Conforme constatação da polícia rodoviária, a falta de reação do condutor é a principal causa de acidentes graves em Mato Grosso do Sul. Com mais seis mortos em acidentes posteriores, o número subiu para 98 óbitos neste ano.

No início deste mês, houve aumento da tarifa de pedágio, o que levantou questionamentos da população sobre a segurança na rodovia e a implementação de trechos de duplicação na rodovia, que evitariam as colisões frontais. Na última semana, entre os dias 16 e 20 de agosto, ocorreram dois graves acidentes na BR-163 em MS, com seis mortos e seis pessoas feridas.

Pedágio

O pedágio cobrado nas nove praças da BR-163 em Mato Grosso do Sul aumentou cerca de 40%, no dia 5 de agosto, um ano após a Motiva Pantanal assumir a concessão. Com isso, o motorista de um carro de passeio passou a gastar R$ 107 para percorrer os 845 quilômetros da BR-163. Este valor representa R$ 30,90 a mais que os R$ 76,10 que eram cobrados anteriormente. Já em relação a transportes maiores, um caminhoneiro com veículo de oito eixos passou a desembolsar R$ 856, cerca de R$ 250 a mais.

O porcentual foi definido pela nota técnica nº 7.371/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na qual é afirmado que a empresa tem direito ao “acréscimo tarifário de 5,16%”, bem como ao degrau tarifário de 33,64%, totalizando 40,49% de aumento médio.

O maior incremento da tarifa na BR-163 foi em São Gabriel do Oeste, com 42,67% e o menor em Sonora, com 39,19%. O aumento é quase 10 vezes maior que a inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 4,64%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Embora a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corresponda a pouco mais de 10% do aumento da tarifa de pedágio, o incremento nestes patamares foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no mês passado levando em consideração o IPCA e o degrau tarifário de 33,64% por cumprimento de metas, previstas no contrato.

DUPLICAÇÃO

O trecho da BR-163, onde o acidente matou cinco pessoas, deverá ser duplicado pela concessionária que administra a rodovia, a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia.

De acordo com a empresa, a obra está prevista para ser concluída até o sétimo ano do novo contrato de concessão da rodovia, assinado em agosto, ou seja, só em 2033.

“O novo contrato da BR-163/MS prevê um amplo pacote de investimentos para modernização, ampliação de capacidade e melhoria da segurança viária que deve ultrapassar R$ 9,3 bilhões ao longo dos próximos 29 anos”, diz a Motiva em nota.

Acidentes com mortes

No dia 16 de agosto, um grave acidente deixou cinco pessoas mortas e seis feridas na BR-163, em Bandeirantes. A colisão envolveu duas carretas e três veículos de passeio, no km 569 da rodovia.

Uma câmera de segurança registrou o momento do acidente. Pelas imagens, um Chevrolet Ônix tenta realizar uma ultrapassagem, invade a pista contrária e bate frontalmente contra uma carreta. O motorista do veículo, identificado como Valderlanio Daniel, 49 anos, morreu após a colisão. 

Após o impacto, o caminhão perde o controle e atinge outra carreta. A sequência de colisões provoca uma explosão e outros dois automóveis acabam envolvidos no acidente.

Segundo a PRF, quatro pessoas de uma família, que estavam em um Toyota Etios, também morreram. O motorista foi identificado como Sérgio Doná. Ele seguia com o pai, José Doná, a mãe, Natalina Petrelini Doná Marques, e a irmã, Ana Maria Doná Marques.

Segundo o delegado, a família saiu de Assis, em São Paulo, e seguia para o casamento de um familiar no norte do País.

Outras três pessoas, em estado grave, foram encaminhadas para o hospital de São Gabriel do Oeste. Uma vítima com ferimentos moderados e outras duas com ferimentos leves receberam atendimento em Bandeirantes.

Em outro episódio de tragédia na rodovia da morte, um motorista morreu após uma colisão frontal entre uma Chevrolet Spin e uma carreta-baú na tarde do dia 20, em Campo Grande. O acidente ocorreu na altura do km 471, no sentido sul da rodovia, nas proximidades do entroncamento com a MS-040 e do acesso à região das Moreninhas.

A violência da colisão deixou o automóvel completamente destruído. Depois do choque contra a carreta, a Spin saiu da pista, capotou e terminou com as rodas para cima, junto ao guardrail instalado às margens da BR-163.

Parte da estrutura que estava fixada sobre o teto do veículo se desprendeu durante o acidente e atingiu o para-brisa do caminhão.

O condutor da Spin estava sozinho no veículo e sofreu ferimentos graves. Ele não resistiu e morreu ainda no local. O motorista da carreta, por sua vez, não ficou ferido.

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alívio

Em cheia antecipada, rio mais piscoso do Pantanal sobe mais 50 cm

Rio Miranda chegou a 6,5 metros na manhã desta terça-feira na régua instalada próximo da cidade com o mesmo nome

13/10/2026 11h56

No final da semana passada, a Defesa Civil teve de retirar galhos presos aos pilares da ponte na MS-339

No final da semana passada, a Defesa Civil teve de retirar galhos presos aos pilares da ponte na MS-339

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O nível do Rio Miranda subiu mais 50 centímetros entre a manhã de segunda-feira e esta terça-feira (13), chegando a 6,5 metros na régua instalada na ponte próximo à área urbana de Miranda. E, segundo a coordenação municipal da Defesa Civil, apesar de não ter chovido forte nas cabeceiras nas últimas horas, o nível continuava subindo por volta da 8 horas, quando foi feita a medição.

O Rio Miranda é considerado o rio com a maior quantidade de peixes do Pantanal e um dos mais piscosos do mundo. Antes das recentes chuvas, cardumes com cententas de milhares de peixes foram flagrados subindo o rio, que há meses estava enfrentando a falta de água.

Com a cheia de agora, lembra o chefe da Defesa Civil, Flávio Nogueira Machado, estes peixes ficam praticamente livres de uma possível pesca predatória, já que o período de defeso ainda não começou. 

Apesar da constante alta e da aproximação da água, as famílias que residem às margens do rio na área urbana de Miranda continuavam todas em seus imóveis, segundo o coordenador da Defesa Civil. “É sempre assim, elas só saem das casas depois que a água invade tudo”, lembraFlávio Nogueira Machado. 

A situação fica mais grave quando o nível passa dos sete metros. Mas, como o nível na região das cabeceiras já estava baixando desde ontem, a previsão é de que as águas comecem a baixar nas próximas horas.  No distrito de Águas do Miranda, às margens da MS-345, por exemplo, o nível baixou em torno de um metro nesta segunda-feira.

Cheia do Rio Miranda nesta época do ano, segundo o coordenador da Defesa Civil, é alto totalmente atípico. Flávio tem 49 anos e sempre viveu em Miranda. Ele diz nunca ter visto tanta água em um mês de outubro como agora.

“Normalmente nesta época a gente está preocupado com as queimadas no Pantanal e a falta de água até para os rebanhos nas fazendas”, lembra. Cheias em janeiro, fevereiro e março são recorrentes na região, mas isso porque são os meses em que as chuvas fortes são normais. 

As chuvas mais fortes começaram no dia 4 de outubro e ao longo da semana foram em torno de 300 milímetros, acredita Flávio. Em nove dias o nível do rio subiu 4,4 metros, passando de 2,1 metros, na segunda-feira da semana passada (5), para 6,5 metros nesta terça-feira (13). 

O Rio Aquidauana também subiu em pleno mês de outubro e chegou a superar os 8,2 metros no último sábado (10) na cidade com o mesmo nome. Por conta da cheia, o córrego João Dias ficou represado e se espalhou na região mais baixa em Aquidauana, invadindo imóveis de ribeirinhos.

Na região sul do Estado, o Rio Dourados também está está cheio e transbordando nas regiões mais baixas, como é o caso de Fátima do Sul, onde as águas estão encobrindo pastagens e lavouras nas quais deveria estar crescendo soja.

E para esta terça-feira a meteorologia prevê o retorno de chuvas fortes nas regiões sul e central do Estado, incluindo cidades como Maracaju, Sidrolândia, Dourados, Ivinhema, Iguatemi e outras. Se a previsão se confirmar, os rios Miranda e Dourados devem voltar a receber volume significativo de água.

A chegada antecipada das chuvas fortes está fazendo até o Rio Paraguai começara a subir cerca de dois meses mais cedo que em anos anteriores. Nesta terça-feira ele amanheceu com 1,23 metro. No dia 4 o nível estava 13 centímetros mais baixo.
 

PREVIDÊNCIA SOCIAL

INSS reduz em 61% fila de espera em MS

Durante visita a Campo Grande, presidente do instituto afirmou que capacidade de atendimento aumentou e destacou redução do tempo de espera por benefícios no País

13/10/2026 11h25

Segundo a presidente, a capacidade de análise dos pedidos foi ampliada, permitindo que o instituto trabalhe com um volume de processos pendentes inferior à quantidade de solicitações recebidas mensalmente

Segundo a presidente, a capacidade de análise dos pedidos foi ampliada, permitindo que o instituto trabalhe com um volume de processos pendentes inferior à quantidade de solicitações recebidas mensalmente Marcelo Victor

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Mato Grosso do Sul tem atualmente cerca de 16 mil requerimentos de benefícios em estoque no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), enquanto recebe entre 17 mil e 18 mil novas solicitações por mês. Os números foram apresentados pela presidente do órgão, Ana Cristina Viana Silveira, durante visita a uma agência em Campo Grande, nesta terça-feira (13).

Segundo a presidente, a capacidade de análise dos pedidos foi ampliada, permitindo que o instituto trabalhe com um volume de processos pendentes inferior à quantidade de solicitações recebidas mensalmente. A mudança, conforme explicou, faz parte de uma estratégia nacional para reduzir o tempo de espera e melhorar o atendimento aos segurados.

“Hoje a gente tem menos processos no nosso estoque do que entra mensalmente e tem uma capacidade de análise muito maior”, afirmou Ana Cristina.

Os dados apresentados durante a visita indicam a continuidade de um movimento de redução da fila em Mato Grosso do Sul. Conforme levantamento publicado pelo Correio do Estado em agosto, com base nos boletins estatísticos do INSS, o Estado encerrou junho com 23.924 requerimentos pendentes, após registrar 44.926 solicitações em fevereiro, maior volume daquele período.

Na ocasião, a redução acumulada no primeiro semestre chegou a 45,1%, considerando o estoque de 43.569 pedidos registrado em janeiro.

O número de 16 mil informado nesta terça-feira representa um estoque inferior ao observado em junho. Entretanto, a presidente não detalhou o período de referência nem os critérios de contabilização dos requerimentos, o que impede estabelecer uma comparação percentual direta com os boletins anteriores.

Durante a agenda na agência localizada na Rua 26 de Agosto, no Centro da Capital, Ana Cristina explicou que o INSS também conseguiu ampliar a capacidade de análise em âmbito nacional, atualmente estimada em 1,6 milhão de processos mensais.

Em julho, o instituto recebeu 1,43 milhão de requerimentos, enquanto a média de novas solicitações ultrapassa 1,3 milhão por mês. Segundo ela, o estoque nacional está em aproximadamente 1,2 milhão de processos.

A presidente afirmou ainda que o tempo médio de decisão dos benefícios, que anteriormente chegou a 180 dias, está abaixo de 30 dias.

“Nós saímos de um tempo médio de decisão de 180 dias e agora a gente está com menos de 30 dias. Então hoje a gente tem um controle total do nosso estoque, saindo de uma gestão de fila, de números, para uma gestão de atendimento”, declarou.

Além da análise administrativa, o tempo de espera pelas perícias médicas foi um dos assuntos abordados durante a visita. Segundo Ana Cristina, o prazo para realização dos exames chegou a ultrapassar 100 dias, mas atualmente está abaixo de 20 dias na maioria dos estados brasileiros, alcançando seis ou sete dias em algumas localidades.

Apesar dos avanços, a presidente reconheceu que determinados processos mais complexos ainda não são concluídos dentro do prazo considerado razoável de 45 dias.

De acordo com os números apresentados, mais de 300 mil atendimentos foram realizados em mutirões até 30 de agosto deste ano. Em todo o ano passado, foram 170 mil.

Ana Cristina também afirmou que o programa de gerenciamento de benefícios, que prevê pagamento de bônus por análises adicionais, contribuiu para ampliar o atendimento a mais de 2 milhões de pessoas.

Outro ponto abordado foi a procura por benefícios por incapacidade, destinados a trabalhadores que precisam se afastar das atividades profissionais por problemas de saúde.

Segundo a presidente, essa modalidade está entre as que concentram maior número de requerimentos. Ela relacionou o adoecimento dos trabalhadores, entre outros fatores, à necessidade de manter mais de uma atividade profissional e à intensificação das jornadas de trabalho.

Ana Cristina avaliou que o avanço das plataformas digitais e das redes sociais ampliou as possibilidades de obtenção de renda, mas também pode contribuir para a sobrecarga dos trabalhadores.

“Isso sempre existiu, agora potencializa porque a parte das redes possibilita que a pessoa tenha outras atividades, facilita isso, só que também faz com que a pessoa trabalhe mais e acaba adoecendo mais”, afirmou.

A presidente explicou que, nos casos em que o segurado possui mais de um vínculo contributivo, as remunerações podem ser consideradas no cálculo dos benefícios, conforme as regras previdenciárias.

Mulheres vítimas de violência

Durante a entrevista, Ana Cristina também destacou uma nova regulamentação previdenciária voltada às mulheres vítimas de violência doméstica.

Segundo ela, uma portaria assinada na sexta-feira anterior à visita trata da proteção financeira de seguradas que precisam se afastar do trabalho por determinação judicial em decorrência da violência sofrida.

A presidente explicou que a medida está relacionada à previsão de afastamento do trabalho estabelecida pela Lei Maria da Penha e busca garantir condições financeiras para que a vítima consiga se afastar do agressor.

Conforme as informações apresentadas, a proteção poderá durar até seis meses e dependerá do enquadramento da mulher nas regras previdenciárias, além da determinação judicial de afastamento.

“A Lei Maria da Penha já previa a medida cautelar de afastamento do trabalho, mas não tinha nada que assegurasse essa mulher a sair desse ciclo de violência, porque ela poderia ser afastada, mas ia sobreviver de quê?”, questionou.

Ana Cristina afirmou que a regulamentação pretende proporcionar segurança financeira às vítimas durante o afastamento, permitindo que reorganizem suas vidas longe do ambiente de violência.

A visita à agência de Campo Grande integra a agenda de acompanhamento das unidades do INSS. Segundo a presidente, o objetivo é conhecer as condições de atendimento, ouvir servidores e segurados e identificar dificuldades que ainda precisam ser solucionadas.
 

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