Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Matrículas em creches sobem, mas caem no Ensino Fundamental e Médio

Ministério da Educação divulgou o resultado do Censo Escolar de 2025, que revela números da Educação Básica brasileira

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O Censo Escolar de 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de explicar a atual situação da Educação Básica brasileira, revelou que Mato Grosso do Sul apresentou aumento no número de matrículas nas creches, enquanto o Ensino Fundamental e Ensino Médio registraram queda nos registros.

Ontem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apresentou os números finais da pesquisa estatística anual que foi feita com apoio das secretarias municipais e estaduais de educação espalhadas pelo Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, somando os dados dos 79 municípios, foi registrado 76.533 matriculados no Ensino Médio, considerando período parcial e integral na área urbana, uma redução de 3,46% em comparação com a estatística em 2024, quando 79.275 sul-mato-grossenses estavam matriculados na última etapa escolar.

Ensino Médio em MS teve queda de 3,5% entre alunos urbanosEnsino Médio em MS teve queda de 3,5% entre alunos urbanos - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Deste total, Campo Grande é responsável por aproximadamente um terço, com 24.990 matriculas. Vale ressaltar que, na Capital, não existem escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme) que ofertam aulas do Ensino Médio, somente a Rede Estadual de Ensino (REE).

No Ensino Fundamental, contando os anos iniciais (1º ao 5º ano) e finais (6º ao 9º ano), foram 72.252 alunos matriculados no ano passado em Campo Grande, enquanto em 2024 foram 73.091, uma diminuição de 1,15%.

Em Mato Grosso do Sul, na mesma etapa escolar, foram 209.879 matriculados em 2025, o que representa um pequeno aumento em relação aos dados do ano retrasado, quando os 79 municípios somaram 209.698 inscritos do 1º ao 9º ano do ensino regular.

Na Educação Infantil, que representa os primeiros anos da criança em um espaço de ensino (creche e pré-escola), foram 29.490 matriculados em 2024 e 29.666 no ano passado em Campo Grande. Já em Mato Grosso do Sul foram 109.223 em 2025, que há dois anos eram 110.174 matriculados.

Além das escolas urbanas, os espaços rurais também tiveram seus números divulgados pelo governo federal. Em 2025, a zona rural apresentou 6.780 alunos na Educação Infantil, 36.538 no Ensino Fundamental (30.679 municipais e 5.859 estaduais) e 5.733 no Ensino Médio (116 municipais e 5.617 estaduais) – somando os dados dos 79 municípios.

Já em 2024, foram 6.664 na Educação Infantil, 37.561 no Ensino Fundamental (31.463 municipais e 6.098 estaduais) e 6.307 no Ensino Médio (127 municipais e 6.180 estaduais).

Observa-se que, assim como nas comparações das etapas na cidade, as creches aumentaram o número de matrículas, ao contrário das outras duas fases escolares.

SECRETARIAS

O Correio do Estado entrou em contato com ambas as secretarias de educação (tanto do Estado quanto de Campo Grande) para saber o que gerou essa diferença de um ano para o outro no Censo Escolar.

Lucas Bitencourt, titular da Secretário Municipal de Educação de Campo Grande (Semed), relacionou a queda no Ensino Fundamental e crescimento nos primeiros anos escolares com a diminuição na taxa de natalidade brasileira nos últimos anos.

“A taxa de fecundidade caiu para 1,57 filho por mulher, bem abaixo do nível de reposição, com projeções de o País parar de crescer por volta de 2040. Logo o maior desafio de Campo Grande foi diminuir a lista de espera, saindo de 13 mil para 2 mil alunos aproximadamente. Campo Grande não tem lista de espera de 4 anos em diante”, pontua.

A reportagem também entrou em contato com Hélio Daher, titular da Secretário de Estado da Educação de Mato Grosso do Sul (SED-MS), que explicou que o motivo da queda é o mesmo apontado pelo titular da Semed.

EJA

Anteriormente chamado de supletivo, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que permite a jovens, adultos e idosos concluírem o Ensino Fundamental ou Médio em menos tempo, também foi tratado na pesquisa.

Somando as escolas urbanas e rurais das Redes Municipais e Estaduais, 5.304 estavam matriculados no Ensino Fundamental e 1.522 no Ensino Médio no ano passado. Já em 2024, os números foram significativamente maiores, com 5.884 no Ensino Fundamental e 2.213 no Ensino Médio.

*Saiba

No Brasil, foram registrados 46,01 milhões de estudantes, uma redução de 2,29% nas matrículas em comparação a 2024, quando eram 47,08 milhões de estudantes.

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Prisões

Operação Narco Fluxo: dono da página 'Choquei' é 'operador de mídia' do grupo, diz PF

Polícia Federal acredita ter reunido indícios suficientes para apontar o dono da "Choquei" como "operador de mídia" da organização

15/04/2026 16h00

Poze do Rodo, Mc Ryan SP e Raphael Sousa Oliveira, dono da

Poze do Rodo, Mc Ryan SP e Raphael Sousa Oliveira, dono da "Choquei" Fotos: Reprodução / O Globo

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O dono da página "Choquei", Raphael Sousa Oliveira, é suspeito de usar o perfil em rede social para "gestão de imagem e promoção digital" de um grupo suspeito de movimentar R$ 1,6 bilhão com rifas e bets ilegais patrocinadas pelo crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo a Polícia Federal (PF). Ele foi preso temporariamente nesta quarta-feira, 15, pela Operação Narco Fluxo. MC Poze do Rodo também integra o esquema, segundo a PF. 

O Estadão busca contato com a defesa de Raphael, que foi detido em Goiânia. O espaço está aberto.

Ao longo da investigação, a Polícia Federal acredita ter reunido indícios suficientes para apontar o dono da "Choquei" como "operador de mídia da organização", com "recebimento de valores elevados diretamente" de MC Ryan SP, funkeiro apontado como líder do esquema e também detido nesta manhã.

Em nota, a defesa de MC Ryan informou que "os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente".

Segundo a investigação, Raphael era responsável por divulgar conteúdos favoráveis a MC Ryan, promover plataformas de apostas e rifas e atuar na contenção de crises de imagem relacionadas às apurações da Polícia Federal. O perfil no Instagram da "Choquei" tem 27 milhões de seguidores.

O dono da "Choquei" também recebeu, segundo a PF, valores milionários de Tiago de Oliveira, operador financeiro de Ryan e "braço direito" do funkeiro. Ele também foi preso nesta quarta-feira.

Apontado como responsável pelas atividades de marketing e pela circulação financeira do grupo, José Ricardo dos Santos Junior também teria transferido valores elevados a Raphael. Ele foi preso pelos federais nesta manhã.

Segundo as investigações da Narco Fluxo, a Polícia Federal identificou um esquema que utilizava plataformas de apostas de quotas fixas, as chamadas bets, para lavar dinheiro de origem ilícita, incluindo recursos ligados ao tráfico internacional de drogas.

A apuração também aponta a atuação de uma possível organização criminosa dedicada à movimentação de grandes quantias, com uso de dinheiro em espécie, transferências bancárias e operações com criptoativos, especialmente a moeda digital USDT (Tether), tanto no Brasil quanto no exterior.

Narco Fluxo

Cerca de 200 policiais federais cumpriram 90 mandados judiciais expedidos pelo juiz da 5.ª Vara Federal em Santos, Roberto Lemos da Silva Júnior, em endereços nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

Ao todo, o magistrado mandou prender 39 investigados - 31 mandados foram cumpridos nesta manhã. Outros três alvos já estavam no exterior.

O juiz federal também determinou medidas para bloquear o patrimônio dos investigados, como o sequestro de bens e restrições à atuação de empresas ligadas ao grupo.

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Operação Luxury

Grupo usava rotas alternativas e internet móvel para fugir de fiscalização e transportar drogas

As investigações tiveram início em abril de 2025 e o grupo teria movimentado quase 6 toneladas de maconha entre os três estados

15/04/2026 15h45

Até agora, pelo menos 24 pessoas foram presas e R$ 61 milhões foram bloqueados

Até agora, pelo menos 24 pessoas foram presas e R$ 61 milhões foram bloqueados Divulgação/TV Integração

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As investigações da  Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do estado de Minas Gerais (FICCO/MG) apontaram que quase 6 toneladas de maconha foram transportadas por um grupo organizado a partir de uma rota alternativa entre os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, para evitar a fiscalização policial nas rodovias principais do País. 

A rota, chamada de “rota caipira”, saía de Mato Grosso do Sul e chegava em Minas Gerais através dos caminhos alternativos em comboios. Um veículo central transportava a droga, enquanto outros carros faziam papel de “batedores”, trafegando à frente e atrás para monitorar o caminho e avisar sobre operações policiais. 

De acordo com o delegado da Polícia Federal e supervisor da Ficco, Dalton Marinho Vieira Junior, a comunicação entre os veículos era feita via starlink e as viagens eram demoradas, levando de 10 a 15 dias para cruzar um trecho que, normalmente, duraria 12 horas. 

"Foi uma operação extremamente complexa adentrando na região do Triângulo Mineiro. Eles passavam uma viagem que, teoricamente, demorava dez, doze horas, demorava às vezes 10 dias ou 15 dias. Por meio de estradas vicinais, aguardavam quando tinha alguma preocupação e dormiam no carro. Obviamente, há batedores que vão na frente ou verificando o caminho comunicando via starlink de comunicação. Tudo com o objetivo final de se chegar a droga à região do mineira", destacou o delegado federal.

Além de rotas alternativas, o grupo também trafegava com galões de combustíveis dentro dos próprios carros, permitindo longos deslocamentos sem a necessidade de parar em postos, reduzindo ainda mais o risco de abordagens. 

Entre os investigados dentro do chamado "núcleo financeiro" da organização criminosa está a miss Uberlândia, Sara Monteiro, de 36 anos. Ela é esposa de um dos principais alvos da Operação Luxury, apontado como um dos chefes do grupo suspeito.

Sara foi presa temporariamente em São Paulo, onde passou a morar recentemente.

Busca e apreensão

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do estado de Minas Gerais (FICCO/MG) cumpriu 66 mandados nesta quarta-feira (15). Destes, 22 eram mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária e 39 mandados de busca e apreensão. 

Os cumprimentos foram dados através da Operação Luxury e ocorre, simultaneamente em três estados: Minas Gerais, nas cidades de Uberlândia e Uberaba; São Paulo, na capital do estado; e Mato Grosso do Sul, nas cidades de Campo Grande, Dourados, Ribas do Rio Pardo e Vista Alegre. 

A ação também bloqueou R$ 61 milhões em bens patrimoniais de uma organização voltada ao tráfico de drogas. 

De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram em abril de 2025 na cidade de Frutal, em Minas Gerais, quando foram apreendidas 1,1 tonelada de maconha.

Com o aprofundamento das investigações, a apreensão total foi de 5,9 toneladas do entorpecente em vários municípios desde o início das diligências. 

As investigações apontam a existência de organizações criminosas voltadas à prática dos de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Também foram verificadas práticas análogas à lavagem de dinheiro através de empresas de fachadas para encobrir as atividades criminosas. 

Além do sequestro patrimonial, foram apreendidos 14 veículos, entre eles carros de luzo, além de duas armas de fogo e 58 celulares. Até o momento, 24 pessoas foram presas. 


 

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