Ação envolveu trabalho de nove delegacias, incluindo apoio de unidade do Paraná, em esquema que envolvia até adolescentes e decodificadores digitais para furtar caminhonetes
Durante as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (07), por volta de 05h, uma megaoperação policial foi deflagrada com intuito de "quebrar" uma quadrilha especializada no furto de caminhonetes no Mato Grosso do Sul, acusados de furtarem Hilux e SW4 na chave de fenda.
Essa megaoperação para desarticular a organização criminosa envolveu cerca de dez delegacias, sendo mais de 70 agentes da segurança pública em campo para o cumprimento de: 8 mandados de prisão; 3 de busca e apreensão de adolescentes; e 10 de busca domiciliar.
Além desses mandados, houve ainda o registro de duas prisões em flagrante delito. Nesse trabalho voltado para o enfrentamento da criminalidade, entre as forças de segurança aparecem:
- Delegacia da Polícia Civil de Mundo Novo;
- Delegacia da Polícia Civil de Naviraí;
- Delegacia da Polícia Civil de Itaquiraí;
- Delegacia da Polícia Civil de Eldorado;
- Delegacia da Polícia Civil de Iguatemi;
- Delegacia Regional de Naviraí;
- Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Naviraí;
- Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron);
- Polícia Militar do Mato Grosso do Sul;
- Polícia Civil do Paraná, através da Delegacia de Guaíra (PR).
Furtos de caminhonetes
Há tempos essa prática de furtar caminhonetes vêm se "popularizando" em Mato Grosso do Sul, nos mais diversos municípios, ações criminosas essas que vêm sendo inclusive flagradas por câmeras de monitoramento, como o grupo desarticulado em Dourados no último dia 29 de abril.
Com boa parte desses veículos sendo furtados para se tornarem objetos de clonagem e adulteração das características originais, para serem inclusive empregados a serviço do tráfico de drogas, a ação criminosa não restringe-se ao interior do Mato Grosso do Sul, cabendo citar, por exemplo, a quadrilha especializada em furto de Hilux desarticulada em fevereiro deste ano na Capital.
Os trabalhos investigativos da PCMS seguem em curso, para identificar outros envolvidos e "aprofundar as apurações acerca da atuação da associação criminosa", conclui.
Megaoperação
Conforme repassado pela Polícia Civil de MS, os alvos dessa organização criminosa concentravam-se principalmente na região sul do Estado, em um esquema considerado "estruturado e altamente coordenado".
Esses furtos ocorriam na região de Mundo Novo, distante aproximadamente 463 quilômetros da Capital, bem como em demais municípios vizinhos no extremo sul do MS.
"Após a subtração, os veículos eram levados ao Paraguai, indicando a atuação de um grupo com características transnacionais", complementa a PCMS em nota.
Em uma investigação de aproximadamente três meses, as apurações policiais foram capazes de detalhar o passo-a-passo dos criminosos.
Aproveitando de uma vulnerabilidade no sistema de abertura desses veículos, os indivíduos conseguiam entrar nas caminhonetes com o uso de uma chave de fenda, sem que isso acionasse, inclusive, os respectivos dispositivos de segurança.
Em seguida, já no interior das Hilux e SW4, os criminosos faziam uso de decodificadores digitais para dar partida nos automóveis. Entre adultos e adolescentes, mais de dez indivíduos foram identificados como pertencentes à cadeia criminosa, tendo cada um sua devida função.
Coordenada pelas Delegacias de Mundo Novo e Naviraí, para além das delegacias já citadas a Operação Fenda Digital contou até mesmo com a atuação integrada das polícias Rodoviária e Federal (PRF e PF) e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), bem como com o suporte estratégico e operacional do Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo (CGPA) baseada em Campo Grande.
Na ação policial, os agentes apreenderam desde entorpecentes e aparelhos telefônicos, até armamentos e munições, com uma das prisões em flagrante acontecendo justamente diante da evidencia de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, enquanto um segundo foi encontrado com os mesmos itens, neste caso, porém, de uso permitido.
Há ainda uma comunicação com as forças de segurança pública do Paraguai, para evitar os crimes transnacionais nos municípios fronteiriços.
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