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Povos indígenas

Ministro suspeita de atentado e cobra investigação sobre acidente com três mortos

Eloy Terena pediu investigação sobre uso de força excessivo, ameaças de violência entre fazendeiros locais e interferência nas investigações do acidente

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O Ministro de Estado dos Povos Indígenas, Eloy Terena, enviou um ofício ao governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) e ao Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Vieira, solicitando uma investigação a um acidente ocorrido no dia 25 de abril de 2026 na MS-289. 

A ocorrência aconteceu em um ponto próximo à fronteira com o Paraguai, quando uma Toyota Hilux tentou ultrapassagem para cima da condutora de um Kia/Sportage, colidindo frontalmente com um Fiat Uno que seguia no sentido contrário ao não conseguir retornar para a sua pista. 

A batida resultou na morte de um homem de 29 anos, condutor do Uno, e de um adolescente de 13 anos. Outros dois adolescentes que estavam no carro foram socorridos em estado grave, assim como o condutor da Hilux. 

Segundo apurações, os integrantes do Fiat Uno eram todos indígenas. 

No documento, o Ministro afirmou que o sinistro faz parte de uma série de situações de conflitos deflagrados nas proximidades do tekoha Tapyi Kora Tee, com informaões de indígenas presos e notícias de atropelamento na Aldeia Kurussu Ambá. 

Além disso, há situações de conflitos fundiários na Aldeia Limão Verde, localizada em Aquidauana, resultando na prisão de vários indígenas e uso excessivo da força nas áreas de limites de território indígena ocupado. 

"Tratando-se de situação complexa e que requer condução adequada para não potencializar o conflito e acirrar os ânimos, recebemos notícias de uso desproporcional de força e suposta tortura praticada contra indígenas", afirmou. 

Sobre o acidente, Terena afirmou que, de acordo com informações do Conselho Executivo da Aty Guasu (Guarani) e Lideranças da Comunidade Kurusu Ambá 2, as denúncias são de ameaças de violência por parte de fazendeiros locais desde 2024. Ressaltam, ainda, que o acidente ocorrido em abril, que vitimou os indígenas, não foi divulgado de forma verídica e possui interferência nas investigações e apuração do caso. 

O Correio do Estado entrou em contato com o Ministro para entender quais pontos levantaram as suspeitas de um possível atentado aos indígenas no referido acidente. O espaço segue aberto para os esclarecimentos. 

A partir dos fatos apresentados, Eloy solicitou o esclarecimento de providências tomadas quanto aos fatos, bem como responsabilização dos envolvidos. Pediu ainda que fossem empregados "todos os esforços necessários para garantir a apuração dos fatos e envolvidos por meio de investigação isenta, responsável e comprometida com a reconstrução correta dos casos mencionados". 

Conflitos recorrentes

O conflito mais recente envolvendo os povos originários e agentes da Polícia aconteceu ainda nesta semana, no dia 26, quando uma ação de retomada da Fazenda Limoeiro terminou com indígenas conduzidos pelas forças de segurança pública do Estado. 

Na versão da Polícia Militar, os agentes precisaram intervir na ocorrência registrada em Amambai quando um grupo de 20 indígenas invadiu e danificou a propriedade rural. A Fazenda fica localizada na região da Aldeia Limão Verde, em Aquidauana. 

Segundo os agentes, a invasão do grupo forçou a família residente a abandonar a residências à pressas durante a madrugada para "garantir sua integridade física". Os indivíduos ainda teriam danificado a estrutura do imóvel, móveis da residênci, além de atos de vandalismo, tentativas de destruição de veículos e tentativas de incêndio. 

Na versão dos indígenas, a ação foi uma retomada de famílias que estariam "reafirmando seu direito ao território e sua luta por dignidade e justiça". A área teria voltado a ser ocupada por quem "resiste e não desiste de seu chão". 

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que, na próxima semana, estará em Mato Grosso do Sul para lançar dois projetos: um, em parceria com a Fiocruz, que visa reduzir os impactos dos agrotóxicos nas comunidades indígenas; e outro, em conjunto com uma universidade, para lançar os primeiros PGTA’s das comunidades Guarani-Kaiowá.

 

A pasta também informou que uma equipe chegará ao território nesta sexta-feira para dar continuidade à articulação das ações necessárias e qualificar as informações junto às comunidades.

Em um vídeo de cinco minutos e meio, indígenas gritam para uma linha de viaturas policiais, afirmando que apenas buscam seus direitos e herança dos parentes. 

Segundo as autoridades indígenas, na manhã de domingo (26), agentes teriam voltado ao território da Aldeia Verde Limão sem apresentar qualquer ordem, munidos de escudos e armas, em uma ação de despejo. 

"Policiais entraram na aldeia Limão Verde sem apresentar qualquer ordem, abordando uma família indígena dentro da sua própria casa. Essa ação é um grave desrespeito e um absurdo que evidencia, mais uma vez, a violência e a perseguição sofridas pelo povo Guarani Kaiowá em seus próprios territórios", citou o texto divulgado pela Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani.  

Investigação

Polícia Civil investiga suposta tentativa de sequestro de criança em Naviraí

Polícia ouviu a criança e apura todas as circunstâncias do caso

30/04/2026 17h00

Foto: Divulgação

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Por intermédio da 1ª Delegacia de Naviraí, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul esclareceu uma ocorrência relacionada à suposta tentativa de sequestro de uma criança de 9 anos, nesta quarta-feira (29), no bairro Jardim Progresso, no município distante 350 km da Capital.

Segundo a Polícia Civil, as imagens mostram a criança caminhando pela via pública e, em determinado momento, correndo, enquanto um veículo trafega normalmente pela rua, sem interação aparente entre ambos.

As investigações partiram da análise das imagens que identificaram o veículo e o motorista mencionado pela criança, devidamente qualificado e ouvido pelos policiais.

Segundo apurado até o momento, as imagens não evidenciaram, inicialmente, a ocorrência de tentativa de sequestro.

"Testemunhas foram ouvidas e a versão apresentada pelo condutor mostrou-se compatível com as imagens analisadas, não confirmando a dinâmica inicialmente relatada", destacou a polícia em nota.

Assim que tomou conhecimento dos fatos, a autoridade policial determinou a instauração imediata de inquérito policial para apuração técnica de todas as circunstâncias do caso.

Diante dos elementos reunidos até o momento, não foram constatados indícios suficientes que confirmem a ocorrência do crime de sequestro na forma tentada, sem prejuízo da continuidade das investigações.

Cabe destacar que conforme previsto na Lei nº 13.431/2017, a polícia realizou escuta especializada da criança em ambiente adequado e com medidas de proteção integral.

Paralelamente, a Seção de Investigações Gerais (SIG) realizou diligências, incluindo coleta e análise de imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do local informado.

A Polícia Civil informa que casos envolvendo crianças são tratados com máxima prioridade e que a apuração seguirá até o completo esclarecimento dos fatos.

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Condenado

Homem é condenado a 33 anos de prisão por feminicídio em MS

O caso aconteceu em 2024, em Três Lagoas, e teve grande comoção à época

30/04/2026 16h22

Pedro Henrique Amaral acompanhou o julgamento por vídeo, de dentro do presídio.

Pedro Henrique Amaral acompanhou o julgamento por vídeo, de dentro do presídio. divulgação

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O Tribunal do Júri de Três Lagoas condenou a 33 anos de prisão Pedro Henrique Amaral, de 24 anos, pelo assassinato da ex-companheira Gilvanda de Paula, de 42 anos. O crime, ocorrido em março de 2024, causou forte comoção na cidade.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a vítima foi morta a tiros na porta de uma funerária, no momento em que chegava para participar de um velório.

Gilvanda foi surpreendida pelo autor dos disparos e não teve chance de defesa. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A vítima deixou três filhas.

Durante o ataque, outra mulher também foi atingida. Trata-se de Maria Izabel Prates Oliveri, de 76 anos, professora e ex-vereadora de Três Lagoas, conhecida como “Bel do PT”. Ela foi baleada na perna, recebeu atendimento médico e sobreviveu.

O réu foi condenado por feminicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, uso de emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de tentativa de feminicídio duplamente qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

O julgamento foi realizado nesta quarta-feira (29). De acordo com o MPMS, a denúncia apresentada à 1ª Vara Criminal foi determinante para a condenação. Os jurados acolheram integralmente a tese do Ministério Público, reconhecendo a gravidade dos crimes e o contexto de violência de gênero.

Pena

Na dosimetria da pena, a Justiça fixou 18 anos e 8 meses de prisão pelo feminicídio consumado. Pela tentativa de homicídio contra a segunda vítima, a pena foi de 12 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão. Já pelo porte ilegal de arma, foram aplicados mais 2 anos de prisão e 10 dias-multa, totalizando 33 anos.

Pedro Henrique já estava preso preventivamente desde a época do crime e, após a sentença, retornou ao sistema prisional. Ele poderá recorrer da decisão, conforme prevê a legislação brasileira.

Para o promotor de Justiça Luciano Anechini Lara Leite, a condenação representa uma resposta firme do Estado diante da violência contra a mulher e reforça o compromisso institucional no combate ao feminicídio.

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