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AMTÔNIO JOÃO

Ministério espera publicação de medida provisória para pagar fazendeiros de MS

Indenização de R$ 27,8 milhões pelas benfeitorias na Terra Indígena de Ñande Ru Marangatu deve ser paga ainda neste mês

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A indenização aos produtores rurais de Antônio João para homologação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu deve começar a ser paga ainda neste mês. Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a Pasta aguarda a publicação de uma medida provisória que dê crédito suplementar para que o pagamento seja realizado.

De acordo com Eloy, primeiro serão pagos os R$ 27,8 milhões referentes as benfeitorias na terra. No acordo feito no Supremo Tribunal Federal (STF) ficou estabelecido que a partir do pagamento deste valor, os fazendeiros na região teriam 15 dias para deixar a propriedade.

Ao todo, o governo federal e o governo de Mato Grosso do Sul se comprometeram a pagar indenização de R$ 146 milhões aos proprietários da TI Ñande Ru Marangatu, em acordo inédito feito no STF na semana passada.

A previsão do secretário-executivo é de que essa medida provisória seja publicada nos próximos dias, já que o MPI quer realizar evento de entrega oficial da propriedade aos indígenas na região.

Ainda conforme Eloy Terena, a previsão é de que esse vento seja realizado em Antônio João até o final de outubro e contará com a presença da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, do ministro do STF Gilmar Mendes, que participou da audiência de conciliação, além do Advogado-Geral da União, Jorge Messias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será convidado para o evento, porém, ainda não há confirmação de que ele deverá participar do evento.

ACORDO

O acordo feito entre fazendeiros, governo federal, governo do Estado e STF ocorreu exatamente uma semana após o assassinato do indígena Neri Guarani Kaiowá, de 23 anos, ocorrido no dia 18 de setembro, em Antônio João. 

O secretário-executivo Eloy Terena foi quem representou a União na roda de negociação, que também contou com lideranças Indígenas Guarani Kaiowá, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) Ana Carolina Ali Garcia representando Mato Grosso do Sul, e proprietários rurais.

Do total de R$ 146 milhões de indenização, R$ 102,2 milhões serão pagos pela União aos proprietários rurais pela terra nua, por meio de precatórios, e R$ 16 milhões serão provenientes do governo do Estado, como contrapartida. 

O outro montante restante, de acordo com a ata do termo da audiência de conciliação, será pago pela União de imediato aos fazendeiros, pelas benfeitorias feitas nas terras, no valor de R$ 27,8 milhões.

Após o pagamento das benfeitorias, os proprietários rurais terão 15 dias para se retirarem dos 9.317 hectares da terra, que será oficialmente pertencentes ao povo Guarani Kaiowá.

O acordo entre as partes foi votado em plenário no Supremo e aprovado com unanimidade. Esta é a primeira vez em Mato Grosso do Sul que ocorreu um acordo judicial entre fazendeiros e indígenas após conflitos, definindo assim a posse das terras aos indígenas que a reivindicavam, com o pagamento indenizatório aos proprietários rurais que ali habitavam, pela terra nua e benfeitorias.

Segundo o MPI, outros territórios Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul podem ter o processo demarcatório retomado devido a atualizações da situação fundiária e jurídica das terras, levantadas através do Gabinete de Crise criado no ano passado, que acompanha as violações de direitos humanos do povo Guarani Kaiowá.

TRAMITAÇÃO

Tratado como prioridade pelo governo federal por meio do Ministério dos Povos Indígenas, a TI Ñande Ru Marangatu, localizada em Antônio João, finaliza seu processo demarcatório depois de paralização que durou quase 20 anos.

A última etapa do processo demarcatório do território indígena do povo Guarani Kaiowá estava paralisado desde 2005, quando a terra indígena foi homologada pelo presidente Lula, mas neste mesmo ano, ela foi judicializada e recebeu uma liminar favorável do então ministro do STF Nelson Jobim. Esta liminar se pendurou por 19 anos no Supremo impedindo a conclusão da demarcação.

O processo voltou a ser revisto através de uma petição do MPI, em resposta a morte do indígena na área de conflito fundiário.

VIOLÊNCIA

A morte do indígena Neri Guarani Kaiowá, foi a quarta já registrada na região de Antônio João, a terceira desta comunidade indígena, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). 

O conflito de terras na região começou na década de 1980, cuja primeira morte foi a de Marçal de Souza, e a situação tensa seguia até então. Neri foi morto com um tiro na cabeça. A autoria do disparo ainda é investigada, mas ocorreu durante ação da Polícia Militar na TI Ñande Ru Marangatu. 

Saiba 

Na conciliação também foi acordado que todo o processo de oficialização da posse da terra para o povo Guarani Kaiowá será feito sem ocorrer mais casos de violências.

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Cidades

Primavera começa com frente fria, tempestades e queda de temperatura em MS

Nova estação tem início às 20h05 desta terça-feira e se inicia com alerta de temporal em todo o Estado

21/09/2026 15h30

Primeiro dia da primavera tem alerta para tempestades em todo o Estado

Primeiro dia da primavera tem alerta para tempestades em todo o Estado Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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A primavera terá início às 20h05 (de MS) desta terça-feira (22) e começa com alerta de tempestades e com a chegada de uma frente, que deve derrubar as temperaturas a até 14°C em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), já a partir do fim da tarde desta segunda-feira (21) o tempo tende a ficar mais instável devido ao avanço da frente fria, associada a um sistema debaixa pressão atmosférica.

Com o avanço desse sistema, aumenta a possibilidade de chuvas mais abrangentes e tempestades que podem vir acompanhadas de raios e fortes rajadas de vento, inicialmente nas regiões sul e sudoeste do Estado, com
tendência de avanço para as demais áreas do estado ao longo da terça-feira.

Também na terça, a frente fria avança pelo estado e a previsão indica tempo mais instável, com chuvas que tendem a ser mais abrangentes e persistentes.

Alerta divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e reproduzido pela Defesa Civil de Campo Grande informa que são esperadas chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros ao longo do dia.

Além disso, algumas tempestades poderão apresentar maior intensidade, acompanhada de raios, rajadas de vento superiores a 70 km/h e eventual queda de granizo.

A frente fria deve amenizar o calorão registrado nos últimos dias, com a ocorrência de mínima invertida em todo o Estado, com as menores temperaturas sendo registradas ao longo do dia.

No sul de Mato Grosso do Sul, as temperaturas poderão ficar entre 14°C e 16°C. Em Campo Grande, a mínima prevista é de 18°C e a máxima de 26°C.

Primavera terá tempestades severas

Conforme reportagem do Correio do Estado, prognóstico do Cemtec aponta que a  primavera, neste ano, deve ser marcada por chuvas acima da média histórica, acompanhada por temperaturas elevadas e risco de ondas de calor em Mato Grosso do Sul.

A primavera representa um período de transição entre o regime predominantemente seco do inverno e o estabelecimento gradual do período chuvoso de verão na região central do Brasil.

Nessa transição, a estação combina o forte aquecimento diurno ao retorno gradual da umidade amazônica, gerando instabilidade e favorecendo tempestades severas de curta duração, mas com chuvas intensas, vendavais, descargas elétricas e granizo.

A média climatológica ,conforme dados históricos do órgão baseados nos últimos 30 anos, é de chuvas entre 400 a 500 mm em grande parte do Estado. Por outro lado, nas regiões nordeste e extremo sul as chuvas variam entre 500 a 600 mm e, na região noroeste, as chuvas variam entre 300 a 400 mm.

O órgão ressalta que, apesar da tendência de precipitações acima da média, essa condição não deverá ocorrer de forma homogênea em todo o Estado.

"Mato Grosso do Sul está inserido em uma zona de transição climática, apresentando elevada variabilidade espacial e temporal das condições atmosféricas. Dessa forma, mesmo em um trimestre com tendência de chuvas acima da média, podem ocorrer períodos de estiagem entre eventos de chuva, além de distribuição irregular das precipitações, com diferenças significativas entre regiões e municípios", diz o prognóstico.

Neste ano, há probabilidade de 98% da atuação de um El Niño de intensidade muito forte, que deve atuar como potencializador desses fenômenos extremos ao interagir com os sistemas regionais. Esse cenário eleva a severidade das tempestades e o risco de incêndios florestais.

Na primavera também há aumento da disponibilidade de radiação solar, que associado às condições ainda relativamente secas no início da estação, favorece o rápido aquecimento da superfície e da atmosfera, contribuindo para a elevação das temperaturas em todo o Estado, com períodos de calor intenso.

Conforme o Cemtec, as temperaturas devem se elevar gradativamente nos próximos meses, com o prognóstico indicando um trimestre mais quente que o normal para o período, com dias de calor intenso e episódios de onda de calor.    

"A tendência de temperaturas acima da média não impede, contudo, a ocorrência de episódios pontuais de temperaturas mais amenas associados à passagem de frentes frias e à atuação de sistemas atmosféricos que favoreçam o aumento da nebulosidade e das precipitações", diz o Cemtec.

Nova Andradina

Ministério Público apura denúncias de maus-tratos em creche de MS

Após repercussão, instituição anunciou a suspensão temporária das atividades

21/09/2026 14h45

Fotos: Reprodução / Redes Sociais

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento para apurar denúncias de possíveis maus-tratos e violações de direitos de crianças no Espaço Pedagógico Tia Lú, creche particular de Nova Andradina, município localizado a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram crianças deitadas sobre placas de EVA e até diretamente no chão, além de outras situações que levantaram questionamentos sobre as condições oferecidas pelo estabelecimento às crianças.

O caso está sendo acompanhado pelo MPMS em duas frentes. Na área criminal, a 3ª Promotoria de Justiça acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil para apurar os fatos e verificar a eventual ocorrência de crimes.

Já na área de proteção dos direitos da criança e do adolescente, a 2ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento próprio para averiguar a situação e adotar as medidas cabíveis diante de possíveis violações.

Antes da manifestação do Ministério Público, o Conselho Tutelar de Nova Andradina já havia iniciado a apuração após receber denúncias acompanhadas de fotos e vídeos que indicariam supostas situações de violação de direitos no estabelecimento.

Segundo o órgão, equipes do Conselho Tutelar estiveram na creche na última sexta-feira (18), acompanhadas de policiais militares, para verificar as denúncias.

“Durante a vistoria, foram observadas e registradas as condições do ambiente e dos equipamentos utilizados pelas crianças”, informou o Conselho Tutelar em nota.

Entenda

As imagens que passaram a circular nas redes sociais e na mídia local apontam diferentes situações sob investigação. 

Entre os registros estão crianças acomodadas em placas de EVA e diretamente no chão, além de possíveis irregularidades relacionadas ao armazenamento de utensílios infantis próximos a produtos de limpeza e às condições da estrutura do estabelecimento.

Diante da repercussão do caso, o Espaço Pedagógico Tia Lú anunciou a suspensão temporária das atividades, além de retiras do ar as redes sociais. 

Documentos cadastrais consultados sobre o estabelecimento, aberto em 2022, indicam ainda que a empresa aparece como inapta na Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) desde 17 de junho, em razão de “omissões de declarações”.

A situação cadastral, contudo, não significa, por si só, que o estabelecimento estivesse impedido de funcionar.

Em manifestação sobre o caso, o Espaço Pedagógico Tia Lú informou que trabalha para o esclarecimento dos fatos e que não fará manifestação pública sobre as denúncias.

Além do Ministério Público, o caso foi encaminhado formalmente ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e à Polícia Civil.

O Conselho Tutelar afirmou que mantém o acompanhamento da situação e reiterou o compromisso de zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes no município.

*Colaborou Leo Ribeiro 

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