Cidades

BODOQUENA (MS)

Ministério Público apura prática de ceva no Refúgio Canaã

Várias fotos, imagens e vídeos de turistas alimentando, pegando, encostando, interagindo e beijando animais silvestres (arara-azul) foram postadas nas redes sociais

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Prática de ceva está sendo apurada no Refúgio Ecológico Pousada Canaã, atrativo turístico localizado na zona rural de Bodoquena (MS), a 292 quilômetros de Campo Grande.

A palavra "ceva" vem do meio rural e significa "isca" ou "alimentação oferecida" com a intenção de atrair bichos a um local específico.

A prática da ceva de animais é uma técnica utilizada para atrair animais para observação, monitoramento, registro fotográfico ou estudo científico.

Com isso, a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Miranda, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), instaurou Procedimento Preparatório para apurar a prática. O edital, relativo ao caso, foi publicado no Diário Oficial (DOMPMS) nesta quinta-feira (21).

Conforme apurado pela reportagem, várias fotos, imagens e vídeos de turistas alimentando, pegando, encostando, interagindo e beijando animais silvestres (arara-azul), no Refúgio Canaã, foram postadas nas redes sociais.

De acordo com relatório do Ministério do Meio Ambiente, os próprios funcionários cevam os animais há anos, oferecendo-lhes semente de girassol, melancia, coquinho, amendoim e banana.

O relatório ainda aponta que as araras são extremamente dóceis e sociáveis com seres humanos, devido aos anos de ceva e domesticação realizados pelos funcionários.

“Apresentam comportamentos não naturais para a espécie e circulavam, bem como pousavam e ficavam no meio dos funcionários normalmente sem qualquer tipo de medo ou receio”, apontou o documento.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a domesticação é prejudicial pois os animais podem perder a capacidade de sobreviver em ambiente natural, ter dificuldade de se reintroduzir na natureza, perder habilidades naturais ou aumentar o nível de estresse.

Já a ceva é maléfica pois o excesso de açúcar contido nas frutas pode causar sobrepeso e outras doenças nos bichos. Além disso, há risco de transmissão de zoonoses e acidentes.

De acordo com normativa federal e estadual, a prática é considerada ilegal e crime ambiental, sob pena de multa e reclusão.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multa de R$ 50.500,00 ao atrativo turístico por conta das irregularidades citadas acima.

O Correio do Estado entrou em contato com o Refúgio Canaã para saber o posicionamento do atrativo a respeito do assunto, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. O espaço segue aberto para resposta.

Ensino

Iniciação científica: IFMS oferece 247 bolsas e auxílio de até R$ 1 mil

Inscrições encerram na próxima segunda-feira (25)

21/05/2026 14h45

Reprodução, Alexandre Oliveira / IFMS

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O edital do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) para seleção de projetos de iniciação científica e tecnológica com 247 bolsas para estudantes de níveis médio e superior, além de recursos de até R$ 1 mil por proposta para custeio de pesquisa segue com inscrições abertas até a próxima segunda-feira (25).

O processo integra o ciclo 2026-2027 do Programa Institucional de Iniciação Científica e Tecnológica (Pitec) e prevê vigência das atividades entre setembro deste ano e agosto de 2027. Os projetos devem ser submetidos por coordenadores por meio do Sistema Unificado de Administração Pública (Suap).

Ao todo, serão investidos R$ 1,41 milhão em bolsas, com recursos do próprio IFMS, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect). Para estudantes do ensino médio, o valor mensal é de R$ 300, enquanto no ensino superior as bolsas chegam a R$ 700.

A distribuição contempla 117 bolsas para o ensino médio (entre Pibic-EM e ações afirmativas) e 122 para o ensino superior, divididas entre Pibic, Pibiti e Pibic-AF. Além disso, o edital reserva R$ 50 mil para apoio à pesquisa e inovação, permitindo que cada projeto solicite até R$ 1.000,00 para aquisição de insumos e manutenção.

A análise das propostas ocorrerá nos meses seguintes, com divulgação do resultado preliminar em 10 de agosto e final no dia 14. O início das atividades está previsto para 1º de setembro.

Podem coordenar projetos servidores docentes e técnicos-administrativos do quadro permanente, que devem optar entre as categorias júnior e sênior. A categoria júnior é destinada a quem não coordenou projetos de iniciação científica no IFMS antes de 2026 e conta com reserva de 10% das bolsas Pibic-EM.

Para participar, os estudantes precisam estar regularmente matriculados, ter currículo atualizado na Plataforma Lattes e não possuir vínculo empregatício nem acumular bolsas. A carga horária exigida é de cinco horas semanais para o ensino médio e 20 horas para o superior.

A seleção será feita em duas etapas: avaliação do mérito científico do projeto, por pareceristas internos e externos, e análise do currículo do coordenador. A nota final considera peso de 60% para o projeto e 40% para o currículo, sendo aprovadas as propostas que atingirem ao menos 60% da pontuação máxima.

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Pesquisa

Pandemia ainda deixa reflexos nos registros de mortes em MS, diz IBGE

Sub-notificações de óbitos no Estado voltaram a cair a partir de 2023, mas efeitos pandêmicos ainda são observados nos registros

21/05/2026 14h30

Uso de máscaras obrigatório foi instituído em junho de 2020 para evitar proliferação do vírus

Uso de máscaras obrigatório foi instituído em junho de 2020 para evitar proliferação do vírus Valdenir Rezende/Arquivo Correio do Estado

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Mesmo depois de quatro anos do auge da Covid 19, os impactos da pandemia ainda aparecem nos sistemas de registro de óbitos em Mato Grosso do Sul.

Dados divulgados na última quarta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, embora tenha havido redução nos índices de sub-notificação de óbitos no Estado, os efeitos do período pandêmico ainda afetam as estatísticas. 

De acordo com o levantamento "Estimativas de sub-registro de nascimentos e óbitos 2024", a taxa de sub-registro de ótimos em Mato Grosso do Sul ficou em 1,79% em 2024, o menor índice desde 2015. 

Ainda assim, o IBGE aponta que os anos de 2020 a 2022 provocaram alterações significativas nos padrões históricos de registros de mortes. 

Segundo o analista de Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, José Eduardo Trindade, os anos de pandemia registraram aumento temporário no número de óbitos, provocando possíveis impactos na cobertura dos sistemas de registro decorrentes da sobrecarga dos serviços de saúde e das mudanças nos fluxos de atendimento e registro. 

"A diminuição dos índices representam uma tendência de redução gradual nos indicadores, mesmo que em ritmo menos acelerado na comparação dos registros de nascidos vivos. A partir de 2023, observa-se a retomada da tendência de redução dos óbitos, indicando resiliência dos sistemas de informação e continuidade dos esforços de qualificação dos registros vitais", explicou. 

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde, no período de 2020 a 2022, Mato Grosso do Sul registrou um total estimado de 10.962 mortes em razão da Covid-19, com 2021 sendo o ano mais letal da doença, com 7.358 óbitos. 

A tendência nos índices no mesmo período também afetaram os registros nacionais, com a taxa chegando a 4,14% de sub-notificação no ano de 2020, terceiro maior índice desde o início da série histórica em 2015. Durante todo o período pandêmico, o Brasil registrou aproximadamente 716.238 mortes em razão da Covid-19. 

Em números reais

Para o IBGE, a retomada da tendência de redução de óbitos a partir de 2023 em Mato Grosso do Sul demonstra uma recuperação e maior integração entre cartórios, hospitais e sistemas públicos de informação. 

Em 2024, foram registrados 19.915 óbitos no Estado, com uma taxa de sub-notificação de 1,79%. Isto é, do total, aproximadamente 356 mortes não foram registradas devidamente. 

As maiores taxas de sub-notificações foram registradas em crianças de 0 a 9 anos. Durante o ano do estudo, morreram 498 crianças com menos de 1 ano de idade com 5,26% de sub-notificação (26 óbitos não registrados); 111 crianças entre 1 e 4 anos, com taxa de 6,32% (7 óbitos); e 72 crianças de 5 a 9 anos, com taxa de 6,96% dos casos sub-notificados (5 óbitos). 

Os maiores números de mortes ficaram com os idosos com 85 anos ou mais (3.469 óbitos), seguido pelos idosos de 70 a 74 anos (2.094). 

Em todo o Brasil, a taxa estimada de sub-registros de óbitos foi de 3,40%, uma redução de 1,5% em relação ao início da série em 2015, quando era de 4,89. O número total de óbitos no País em 2024 foi de 1.547.473, com aproximadamente 52,6 mil óbitos sub-notificados. 

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